Os Vingadores - Entre Herois e Aliens
4 O Recomeço
Natasha correu o quanto pode. Seguiu caminho pra riacho onde várias vezes acampou com a família, ao chegar e ver que realmente estava sozinha na área, Natasha se aproximou da beira do riacho, colocou a mochila no chão e sentou-se começando a chorar. Um misto de medo, tristeza, luto dominaram a menina que apenas conseguia chorar. Ver a mãe ser morta, não saber se seu pai e irmão estavam vivos, saber que nesse momento nenhum lugar pra ela era seguro. Minutos se passaram, seus ferimentos começaram a arder.
A menina começou a limpar seus ferimentos na água do riacho, trocou de roupa e sentou-se apoiada em uma árvore até o cansaço dominar seu pequeno corpo, fazendo-a desmaiar.
Horas após o final do incendio, o carro da polícia parou em frente a casa dos Barton, olhou bem os danos da entrada e se encaminhou para a casa visinha, bateu duas vezes na porta que logo foi aberta.
— Boa tarde, Sra Dubrov — o policial falou olhando-a
— Boa tarde, policial Ortoff — a senhora abriu espaço para que ele entrasse
— Alguém veio ver a casa após o incêndio? — o policial perguntou olhando-a
— Não senhor — ela respondeu simplesmente
— Se perguntarem o que aconteceu, o que deve responder? — o policial perguntou olhando-a seriamente
— Um curto causou o incêndio que matou a senhora Barton e a filha — a senhora Dubrov respondeu
— Ótimo, se alguém aparecer querendo saber mais detalhes do que aconteceu... — o policial deu uma pausa esperando que a senhora Dubrov completasse
— Devo ligar imediatamente — respondeu a mulher prontamente
— Ótimo, não esqueça do compromisso com o seu país — o policial falou e a senhora assentiu.
Ao sair da casa da senhora Dubrov, ele caminhou em direção a casa dos Barton. Olhou os danos dentro da casa, passou pela sala onde o corpo da Sasha foi encontrado, caminhou até a cozinha.
— Um belo final para uma espiã — falou simplesmente olhando em volta
Só então ele viu a janela quebrada, se aproximou e analisou os detalhes, as frágeis madeiras da janela haviam sido forçada para fora, as marcas do vidro indicavam que havia sido quebrado de dentro pra fora e fios de tecido, olhou o quintal pela janela e viu a grama desregular. O policial saiu da casa e olhou atentamente o quintal, viu pedaços de vidro e madeira da janela no gramado.
— A garota estava na casa — ele concluiu
Olhou a cerca do quintal e viu a pequena trilha que se seguia pela portinha de madeira. Ele seguiu o percurso, mas a trilha seguia para o sul.
— Se ela foi inteligente pra sair da casa em chamas, não iria seguir essa trilha — ele comentou consigo mesmo — Depois do incêndio ela precisa se hidratar, ela precisa e um lugar com muita água
Ele lembrou do riacho que ficava alguns quilômetros aos leste e abriu caminho pelo vegetação. Depois de quase uma hora, ele começou a ouvir o barulho do riacho e teve mais cautela ao se locomover ao chegar, ele começou a caminhar devagar pela clareira do riacho e à poucos metros avistou a pequena ruiva inconsciente no chão, viu um lençol que correspondia a cor dos fios encontrado na janela. Se aproximou correndo e avaliou os sinais vitais da Natasha que parecia estáveis, mas a exaustão havia dominado o corpo da criança.
— Ei, garota. Acorda — ele falou dando leves batidas no rosto da menina na tentativa de faze-la acordar, a ruiva abriu levemente os olhos — Qual o seu nome?
— Natasha — foi tudo que ela falou antes de desmaiar novamente
O policial pegou seu rádio, apertou o botão e aproximou o dispositivo da boca
— Aqui é o Ortoff, encontrei a Natasha. Repito encontrei a filha dos Barton — ele olhou a menina — Estou levando-a para a Urgência.
Dois Dias Depois
Natasha acorda no hospital e do seu lado estava o policial que a encontrou, ele se levanta e fala:
— Oi, sou o James West, você está se sentindo bem? — se apresentou calmamente
Natasha tenta se levantar e impedida pelo policial
— Calma, você ainda está franca e precisa ficar de repouso — ele aconselha e ela se deita novamente
— Onde estou? — Natalia falou com um olhar assustado
— Você foi encontrada ferida e inconsciente próximo ao riacho — ele explicou calmo — Foi trazida à urgência
— Sinto muito, eu sei que você está cansada mais preciso fazer algumas perguntas — o policial West fala
— Quais? — ela pergunta controlando o medo
— Qual é o seu nome? — ele pergunta curioso e ela rapidamente pensou
— Natasha Romanoff — a garota responde sem hesitar
West fica surpreso, pois ele estava envolvido na perseguição a família dela, mas sem saber o verdadeiro motivo.
— Você sabe onde está a sua família? — ele pergunta intrigado
— Não sei onde está o meu pai e meu irmão, minha mãe... ela... Não conseguiu sair da casa — foi tudo que a menina conseguiu responder
— Tudo bem, agora descanse e depois eu volto — o olhar dele parecia triste, até mesmo pena
Quando ele sai Natasha se deita e lamenta a morte da mãe e acaba adormecendo devido aos medicamentos. A garota acorda horas depois e vê uma enfermeira no quarto
— Bom dia senhorita Romanoff — a enfermeira diz ao vê-la acordada
— Bom dia — Natasha cumprimentou de volta — Posso te fazer uma pergunta?
— Pode — falou a enfermeira olhando-a
— Quando eu vou ter alta? — Natasha perguntou curiosa
— Em alguns dias — a enfermeira respondeu passando o medicamento nas queimaduras dela
— E quando eu sair daqui — Natasha fala tentando ignorar as dores da queimadura — Para onde eu irei?
— Sinto muito, mas não sei informar — a enfermeira respondeu quando terminou de cuidar das queimaduras — Elas continuam a procura da sua família para que possa voltar para eles.
— Tudo bem, obrigada — Natasha agradece
— Você está precisando se alimentar, tente comer alguma coisa — a enfermeira falou de uma forma tranquila
— Não estou com fome agora, eu quero apenas descansa e tentar acreditar que tudo isso é pesadelo — Natasha diz se acomodando melhor na cama
A enfermeira fica com um olhar triste e sai do quarto e Natasha dorme. Após uma semana que estava no hospital Natasha recebe a visita do policial que a encontrou.
— Bom dia, srta Romanoff — ele falou entrando e ela teve vontade de se retrair, teve uma sensação ruim e de que não estaria segura com ele
— Bom dia! — ela respondeu
— Infelizmente o que me trás aqui não são boas notícias — o policial falou sentando na cadeira ao lado da cama — Encontramos seu pai e seu irmão, mas...
— O que aconteceu com eles? — Natasha perguntou sentindo um aperto no coração
— Elas estava vindo pro hospital, mas um caminhão não respeitou a sinalização e colidiu com o veículo que eles estavam — o policial falava com certo pesar e as lágrimas rolaram no rosto da Natasha
— Não... Não... por favor isso não... — ela repetia isso em meio ao choro
— Sinto muito, srta Romanoff — o policial Ortoff falou e se retirou do quarto deixando a menina chorando pela perda do pai.
No corredor, o diretor da KGB, Ivan Petrovick assistiu tudo discretamente pelo espelho falso do quarto que ela estava. Quando Ortoff saiu parou ao lado do diretor.
— Está feito, senhor — Ortoff falou vendo a pequena menina chorando incontrolavelmente — Perdoe-me perguntar, mas o que pretende com a srta Barton?
— Ela fugiu do mercado sem ser vista por agentes muito bem treinados, se escondeu em uma casa que foi inteiramente revirada pelos agentes, escapou de uma casa em chamas praticamente ilesa — Ivan comentou enquanto olhava a menina — Os pais começaram a treina-la sem que ela percebesse, então darei continuidade ao trabalho deles.
— Não entendo, senhor — Ortoff falou calmo
— Ela é muito jovem, nascida na Rússia, não sabe quem os pais realmente eram — Ivan falou calmo — Reviramos cada pedra, cada buraco desde país e nem sinal do Barton e seu filho, eles devem ter dado um jeito de sair do país sem serem rasteados.
— Tenho certeza que ele já deve saber o que aconteceu com a esposa e a "morte" da filha — Ortoff falou acompanhando o Ivan que começou a caminhar pelo corredor
— E agora a pequena Natasha acredita que está sozinha no mundo — Ivan falou simplesmente — Irei treina-la para encontrar e matar os Barton. Agora que ela acredita que não tem mais nada a perder.
— Compreendo, senhor — Ortoff falou abrindo a porta do carro para que o Ivan entrasse
— Ela será o início de uma nova era da KGB — Ivan falou entrando no carro a o Ortoff assentiu e logo em seguida viu o carro se afastando
Alguns dias se passam e Natasha estava completamente recuperada, ao acordar ela chama a enfermeira
— Bom dia Natasha, tenho uma notícia — a enfermeira diz um pouco animada
— Qual é a notícia? — Natasha pergunta curiosa
— Você já recebeu alta, sairá hoje à tarde — a enfermeira diz sorrindo
— E para onde eu vou? — ela pergunta olhando-a, mas antes que a enfermeira respondesse o policial West entra
— Você irá para minha casa — falou colocando uma bolsa media em uma das poltronas
Natasha fica com o olhar levemente assustado e começa a se alimentar. Após se alimentar, depois de algumas horas ela toma um banho e vestir algumas roupas que estavam em uma bolsa trazida pelo policial, ela se despede da enfermeira e agradece por tudo que ela fez, e vai até o carro acompanhada do Sr. West. Ela entra e fica olhando a rua pela janela tentando entender, quando tudo começou a dar errado na vida dela. Alguns minutos em silencio após sair do hospital, Natasha decide quebra o gelo
— Mora muito longe Sr. West? — perguntou para puxar assunto
— Não muito longe — ele responde olhando-a pelo espelho
Algum tempo depois de ficar em silencio a sua curiosidade vence
— Sr. West posso te fazer uma pergunta? — ela diz olhando-o pelo retrovisor
— Sim, o que é? — ele responde olhando-a de volta
— O Sr. tem filhos? — ela pergunta intrigada
— Sim, tenho dois — o policial respondeu
— Qual a idades deles? — perguntou curiosa
— Victor tem oito e o Fernando tem cinco — ele respondeu simplesmente
— A mesma idade que eu — Natasha falou quase como um sussurro e logo pensa no irmão. James percebe que a garota parece estar longe
— Natasha — mas a menina não responde, então ele a fala de novo — Você está bem?
— Nhã? ah... sim estou bem, só... estava lembrando de algumas coisas — a última frase faz a menina sair de seus devaneios
— Sei que está sendo difícil para você passar por tudo isso, mas saiba que pode contar comigo e minha família, Natasha — ele falou lançando um olhar compreensivo
— Obrigada Sr. West — foi tudo que ela disse
Ela se encosta no banco e volta a olhar pela janela, e começa a pensar. "De um dia para o outro minha vida muda totalmente, vejo minha mãe ser assassinada, perco meu pai e do meu irmão pouco tempo depois. Eu, Natasha Alianovna Romanoff, juro que a partir de agora, tudo que eu fizer será para descobrir o que meus pais não me contaram e encontrar as pessoas que invadiram minha casa, pois ainda vingarei a morte da minha mãe."
Pouco tempo depois eles chegam a casa do policial, ela desce e ele a acompanha até a porta. Ao entrarem Natasha dá de cara com duas crianças brincando com um jogo de tabuleiro.
— Fique à vontade — ele aponta para o menino da esquerda depois para o da direita — Aquele é o Victor e aquele o Fernando, vou falar com a Hansel.
Natasha se aproxima devagar deles e os observa, quando o Fernando se levanta comemorando
— Eu ganhei, Victor perdeu — ele começou a cantarolar alto fazendo uma dancinha engraçada
— É só um jogo e levando em conta que facilitei sua vitória — o outro garoto disse dando de ombros
— Nem vem com essa, admite que eu ganhei porque eu soube fazer o jogo — o garoto menor ficou falou com um sorriso vitorioso, Victor olha para o irmão suavizando sua expressão
— Está bem você venceu, eu que fui descuidado e não soube fazer meu jogo e... — Então ele percebe a presença da garota que não acreditou muito na confissão de derrota dele e diz com sorriso — Oi, você deve ser a Natasha, meu nome é Victor e esse é o Fernando.
— Oi, é um prazer — ela diz se aproximando dos meninos
— Oi, você quer alguma coisa? — Fernando perguntou olhando-a
— Sim água, por favor — ela responde um pouco sem jeito
— Vou buscar — Fernando falou indo em direção a cozinha, ele sai, Natasha se vira para Victor
— O que você fez por ele realmente me surpreendeu — ela diz se sentando com cuidado no sofá, ele a olha estampando a curiosidade em seus olhos.
— E o que eu fiz? — Victor pergunta arqueando uma sobrancelha
— Jogou de modo que manipulou o seu irmão a fazer um jogo que ele vencesse — respondeu simplesmente
— Porque você diz isso? — pergunta se mostrando espantado com o que ela disse
— Observei vocês jogando, comecei pensando que você não estava prestando atenção, mas quando ele ganhou você não pareceu surpreso — ela respondeu dando de ombros
— Você não acha que ele poderia ganhar de mim com frequência? — ele questiona — Por isso não ficaria surpreso, não é?
— Sim, mais se ele ganhasse com frequência, ele não teria ficado tão feliz com a vitória — ela responde se sentando no sofá
— Vencer é sempre satisfatório — ele rebate o comentário dela
— Sim, mais quando se acostuma com ela, não tem tanta graça — ela fala olhando-o
— Você está certa, deixei ele ganhar — Victor fala sorrindo — Mas não conta isso para ele
— Minha boca é um tumulo — Natasha falou e fez um gesto como se fechasse um zíper sobre a boca
— Você é bem esperta para uma garota de cinco anos — Victor comentou olhando-a
— Obrigada — ela diz com um tímido sorriso
Quando aparece o Fernando com um copo de água e entrega para ela, ela agradece e começa a beber
— Você sabe fazer alguma coisa? — Fernando pergunta quando ela tomou o primeiro gole
— Como assim? — ela perguntou confusa
— Sobre esporte, é que nós fazemos artes marciais — Victor falou e ela entendeu
— Sei um pouco de ginastica e luta, faço parte da equipe da escola — ela respondeu e tomou mais um gole d'água
— Bom se você quiser podemos treina o básico — Victor comentou ainda sentado no chão
— Sério? Eu ia adora — Natasha ela fala se animando
— Quer começar agora? — Fernando perguntou vendo a animação dela
Natasha ia responder mais foi interrompida pelo James que disse:
— Acho melhor fazerem isso outra hora, o médico disse para que ela ficasse de repouso mais um dia. — Ele se vira para ela e diz — Essa é a minha esposa Hansel.
— É um prazer senhora West — Natasha cumprimentou se levantando do sofá
— O prazer é meu Natasha — Hansel falou sorrindo — o seu quarto já está pronto, vamos?
— Sim — Natasha responde e se vira para os meninos — Não esqueça do que me prometeram
— Pode deixar — eles responderam em uni som
Ela ri e acompanha a Hansel até o seu novo quarto, ao entrar vê o quarto, cor de pêssego e branco, com alguns bichinhos de pelúcia e algumas bonecas, ela se vira para senhora West
— É lindo, não precisava de tanto — digo sinceramente
— Não se preocupe como isso, fico feliz por ter gostado. — Hansel se agacha e diz — Posso te pedir uma coisa?
— Pode? — Natasha fala — O que é?
— Um abraço — Hansel diz abrindo os braços
Natasha dá um passo à frente da um forte abraço e deposita um beijo na bochecha dela e diz — Obrigada.
Hansel dá um sorriso se levanta e a acompanha até a cama, acomoda a menina, dá um beijo em sua testa
— Descanse um pouco, te acordaremos antes do jantar — ela diz e eu assenti
Ela se levanta e sai do quarto, Natasha olha cada coisa no quarto e vê um urso de pelúcia parecido com que havia ganho da mãe. Ela pega o urso, se abraça e em pensamento e começa a lembrar dos momentos com a família que perdeu e se permitiu chora mais uma vez. Com esse pensamento ela adormece e acaba sonhando.
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