POV Natasha

Sonho ON

Eu ouvi um barulho na porta da frente, fui obrigada a me esconder no armário de casacos com fundo falso na sala. Ao entrar no compartimento, a porta foi aberta, três homens entraram arrastando a minha mãe que estava amarrada.

— Revirem a casa e encontrem a garota — um dos homens ordenou

Os homens começaram a entrar em todos os cômodos, revirar todos os cantos a minha procura, o homem que ficou na sala com a minha mãe começou a procurar na cozinha, ao retornar ao comodo ele viu o armário, pude ouvi quando ele tocou a porta do comodo e prendi a respiração para evitar fazer qualquer ruido, conseguia ouvir com clareza o homem movendo os cabides de lugar puxar as caixas para ver se encontrava alguma pista.

— Reviramos a casa inteira, nem sinal da garota — um dos homem falou, fazendo o que aparentemente era o líder se afastar do armário.

— Mas encontramos alguns equipamentos em curto no quartinho dos fundos — falou o segundo cara.

— Onde eles estão? — o líder perguntou a minha mãe

— Eu não sei — ela respondeu quando tiraram a mordaça, sua voz demonstrava cansaço, dor e tristeza

— Não minta — minha mãe recebeu um forte tapa no rosto, o barulho me fez tremer levemente — Onde estão os outros Romanoff?

— Eu já disse... — Minha mãe cuspiu o sangue da boca — Eu não sei.

— O que você falou a sua filha no mercado? — o líder perguntou

— Dei a ela cinco minutos pra escolher o lanche que ela quisesse, mas ela não voltou — minha mãe mentiu e com o restante de força gritou — O QUE VOCÊS FIZERAM COM ELA?

— Você é boa, mas não iremos cair na sua conversa — o líder falou olhando-a — Eu irei encontrar a sua família, com ou sem sua ajuda

— Eu já disse que eu não sei — Sasha insistiu olhando-o, abri um pequeno espaço do esconderijo para ver o que acontecia

— Receio que terei que encontra-los sem a sua ajuda — o líder levantou, pegou a arma e atirou duas vezes no peito da minha mãe.

Cobri a boca com a mão, para não emitir som enquanto as lagrimas escorria pelo meu rosto. Vi a minha mãe tombar para o lado respirando com dificuldade.

— O que fazemos? — um dos homens falou

— Coloquem fogo na casa — o líder guardando a arma — E vamos sair daqui.

Os homens saíram, comecei a abrir meu esconderijo, mas parei ao ouvir o barulho da porta, um dos homens entrou, subiu a escada e começou a despejar gasolina no andar superior e foi descendo, jogou sobre a parede e alguns acendeu um esqueiro e jogou não chão onde havia gasolina e quando eles estavam quase saindo, sem querer fiz um barulho dentro do compartimento, um dos homens voltam e bateram no armário até a porta se revelar mostrando a menina, no instante seguinte senti uma mão tocar meu ombro

Sonho OFF

Acordo assustada sentindo minha mão em meu ombro, por reflexo me viro e sem olhar chuto a pessoa que me segurava na barriga, ao cair eu escuto apenas um gemido de dor, olho para ver quem me segurava e era... Victor!? Me levanto de pressa da cama ajudando e já me desculpando.

— Ai meu Deus, Victor eu sinto muito, eu não queria te chutar — digo ajudando-o a se levantar

— Está tudo bem, seu chute é bem forte pra sua idade — ele disse fazendo uma leve careta de dor.

— O que veio fazer aqui? — perguntei curiosa.

— A mamãe mandou te chamar pro jantar, mas... — ele olha para cama como se lembrasse de algo e disse — Você teve um pesadelo, não foi?

Olho para ele surpresa pela pergunta e assustada ao lembrar do sonho e respondo.

— Sim, mas como você soube? — perguntei sem olha-lo

— Quando eu entrei eu te vi agitada, vi lagrimas escorrerem pelos seu rosto enquanto dormia, então eu decide te acordar — ele fala me olhando com preocupação

— E como eu te agradeço? Te dando um chute na barriga — falo tentando amenizar o clima tenso que estava ali — Me desculpa Victor, juro que foi sem querer.

— Eu já disse pra não se preocupar — Victor fala

— Mas... — fui interrompida pelo Victor

— Está tudo bem, sei que foi por causa do sonho — ele fala em tom compreensivo — Agora vamos jantar?

— Eu já vou descer, te vejo daqui a pouco — digo com um sorriso discreto

— Ok, a gente tá te esperando na sala de jantar — ele estava quase saindo quando eu disse

— Victor? — ele parou e olhou pra mim — Não conte a ninguém o que viu aqui, por favor.

— Tudo bem, será o nosso segredo — disse saído do meu quarto e fechando a porta atrás de si.

Fui ao banheiro, fiz minha higiene, e lavei o meu rosto e fui para cozinha, ao chegar lá encontro todos sentados a mesa me esperando, me sento no lugar vago entre o Victor e o Fernando, começamos a jantar em silêncio, depois de alguns minutos o Sr. West disse:

— Semana que vem você volta para a escola — ele disse me encarando — Já entrei em contato com a direção da sua escola.

Quando ele disse isso, senti um nervosismo consumir todo o meu corpo e parece que o todos perceberam isso.

— Algum problema, querida? — disse a Sra West — Parece preocupada.

— É que... é que eu não quero voltar para minha antiga escola — disse tentando controlar o nervosismo.

— Por que não? — a sra West peguntou intrigada

— Tudo é muito recente, uma hora tinha tudo e de repente perdi aqueles que amava — falei me controlando para não perder o controle dos meus sentimentos — Não quero que todos me olhem com pena

— Tudo bem Natasha, se você quiser podemos te colocar em outra escola — disse o Sr. West me deixando aliviada — Se você quiser pode estudar na mesma escola que os meninos.

— Posso? — Disse dando um leve sorriso — Vai ser bom chegar numa escola nova conhecendo alguém.

— Também notei que você se interessa por artes marciais, se você quiser, posso matricula você com eles. — Ele diz me olhando

— Eu iria adorar, Sr. West — digo a ele — Obrigada

— Pronto amanhã eu peço sua transferência e matriculo você com eles nas aulas extracurriculares — disse West

— Obrigada! — disse me levantando da mesa retirando os pratos que sujei

— Deixa que eu faço isso — diz a senhora West

— Eu ajudo a senhora — disse olhando-a

— Não precisa se preocupar fique com os meninos na sala

— Eu já estou acostumada, fazia isso direto com a... — Meu pequeno sorriso se desfez dei um breve suspiro e disse — Minha mãe

— Está bem então. Vamos? — ela disse com um sorriso nos lábios tentando me animar um pouco

Nós estávamos indo em direção a cozinha quando vejo alguém se aproximando

— Três pessoas podem terminar com esse trabalho com rapidez — ouço o Fernando dizer

— Quatro então faria mais rápido ainda. — diz Victor se aproximando de mim

— Com certeza — ela parecia surpresa pela reação deles e deu um sorriso orgulhoso para os dois

— OK! A senhora ensaboa, Fernando enxágua, eu seco e Victor guarda. — Eu disse olhando para ela e me virei para os meninos — Vocês concordam?

— Por mim tudo bem — Victor disse

— Por mim também — foi a vez do Fernando

Fomos até a cozinha e arrumamos tudo, ao terminarmos ficamos assistindo TV, até que dei o meu primeiro bocejo, em seguida ouço a senhora West dizer.

— Bom já está ficando tarde e vocês vão para cama agora.

— aaaaaaaaaaaah! — eu, Victor e Fernando dissemos ao mesmo tempo, nos entre olhamos, o que resultou em uma crise de riso em nós três.

— aaaah nada! Vamos que amanhã terão um dia cheio, precisam descansar.

Nós nos levantamos e subimos as escadas Victor nos desejou boa noite e foi para o quarto dele ao lado do meu

— Vá se deitando que eu já volto, vou pôr a Natasha na cama — ela disse para o Fernando

Fomos ao meu quarto me deitei confortavelmente na cama e ela me cobriu, me deu um beijo em minha testa, me desejou boa noite e saiu. Após a saída dela, senti falta das vezes que minha mãe ficava comigo até eu dormir. Senti uma lagrima escorrer, fechei os olhos e acabei adormecendo lembrando da minha família.

Ao dormir dessa vez eu sonhei lembrando do dia do acampamento com meu pai e do meu irmão, acordei e senti meu travesseiro molhado sentei secando as lagrimas. Quando vi uma sombra de baixo da minha porta, me levanto devagar e me aproximo, chegando perto da porta vejo a sombra se afastar, eu abro a porta sem fazer barulho e olho no corredor e vejo o Victor.

— Victor? — eu o chamo

— Oi? — ele parecia nervoso por ter sido pego no corredor

— O que está fazendo acordado? — perguntei curiosa

— Eu... eu... — ele desvia o olhar como se estivesse procurando as palavras certas — Fui ao banheiro

Ele respondeu aparentando ter certeza do que disse, mas eu comecei a rir

— Do que você está rindo? — pergunta sem entender

— Você é bom, mas precisa melhorar suas desculpas — digo cruzando os braços

— Do que você tá falando — ele ficou nervoso, sabia que ele havia entendido

— Não insulte a minha inteligência, tá na cara que está mentindo. — disse conseguindo controlar os risos

— Eu não estou mentindo — ele se defendeu

— Sério? — pergunto sarcástica — Então me explica com vi sua sombra de baixo da minha porta se o banheiro é para o outro lado?

— O que você estava fazendo acordada até agora? — pergunta querendo claramente mudar de assunto.

— Nem vem com essa pro meu lado — digo me afastando do batente da minha porta e indo pro corredor — É mais fácil me dizer a verdade.

— Eu sempre demoro a dormir, e eu... — olho pra ele pedindo para que continuasse — Acabei ouvindo você chorar, então fui ver como você estava.

— Você ouviu? — olho pra ele surpresa e pergunto — Porque?

— Porque o meu quarto é ao lado do seu — ele fala como se fosse obvio.

— Não isso — digo revirando os olhos — É que mal nos conhecemos, e você se preo...

Fui interrompida por ele.

— Eu sei, é que... — ele olha para as outras portas do corredor e diz — Aqui não é o melhor lugar para conversarmos, vem.

Ele diz, indo em direção ao meu quarto e eu o sigo. Entro e ele encosta a porta, sinto ele me seguir com o olhar até eu me sentar na minha cama, enquanto ele pega a cadeira da minha penteadeira. Ele traz a cadeira e senta na minha frente e diz me olhando.

— Você se parece com ela — eu o olho confusa — Não fisicamente, mas o seu jeito, sua voz, o modo de pensar, de agir, tudo nos faz lembrar dela

— Dela quem, Victor? — ele respira fundo e se encosta na cadeira

— A minha irmã. — Ele me olha e eu vejo tristeza no seu olhar

— O que aconteceu com ela? — perguntei ainda tentando assimilar o que foi dito

— Ela tinha a sua idade, morreu há uns seis meses — percebi uma lagrima escorre pelo canto do olho — Atropelada por um motorista bêbedo, morreu na hora.

— Qual era o nome dela? — perguntei querendo saber mais do assunto

— Melanie — ele responde abaixando o olhar

— Porque não vi nenhuma foto dela? — perguntei intrigada — Porque ninguém fala dela?

— Depois que ela morreu, minha mãe entrou em depressão e ficou a base de tranquilizantes por uns meses, porque toda vez que ela via algo da Mel, ela se desesperava e começava a gritar por ela.

— Olhando para ela, nem parece que... — ele me olha com certa preocupação, acho que o meu rosto era uma mistura de choque com compreensão — Ela vê em mim a filha que perdeu.

— Você é esperta — ele me olhava com um pouco de espanto pela minha dedução, então tive certeza que havia acertado. Então ele pergunta brincando — Tem certeza que tem apenas cinco anos?

— Victor!? — digo jogando uma almofada nele, ele segura e começa a rir, eu logo em seguida.

— Me desculpa — ele diz ainda rindo, ele se controla e diz — É que as vezes você fala e pensa como se não fosse mais criança.

— Acho que é um efeito colateral — digo e desvio meu olhar — Amadurecer antes do tempo.

— Sinto muito, não devia ter... — Eu o interrompo

— Está tudo bem Victor — digo dando um pequeno sorriso.

— É que depois de te ver brincando, rindo, conversando com a gente — ele diz me olhando nos olhos — Acabei esquecendo do que você passou há poucos dias.

— Meus pais não gostariam de me ver triste — digo olhando-o

— Os meus vivem dizendo isso — ele diz e sorri — Acho melhor você dormir

— Só eu? — pergunto com um tom brincalhão e ele ri

— Será que você tem jeito? — ele diz colocando a cadeira de volta e nós dois rimos

Ele já estava indo em direção a porta e eu digo

— Victor? — eu o chamo e ele se senta ao meu lado na cama

— O que foi? — ele diz me olhando

— Você me vê como irmã que perdeu, não é? — pergunto com um pouco de medo de como ele reagiria, ele desvia o olhar e diz

— Sim, como você me lembra ela, acabo agindo meio que por instinto — ele volta a me encarar e diz — Mas porque está me perguntando isso?

— Nada, apenas... curiosidade

Olho para o outro lado me lembrando do meu irmão, lembro da gente correndo pela casa, subindo nas arvores, um implicando com o outro. Essas lembranças me fazer sorrir.

— O que foi Natasha? — ele pergunta me tirando dos meus pensamentos

— Nada demais é que... — olho pra ele que parece um pouco confuso e digo — Acho que também vejo em você o irmão que perdi.

Ele sorrir no momento em que pronuncio a palavra irmão, ele fazer um sinal discreto mas percebo o que ele quer, então me ajoelho na cama ficando de frente para ele e dando um abraço, quando isso acontece não consigo evitar as lagrimas lembrando do meu irmão, quando as lagrimas atingem o ombro de Victor ele se afasta pra me olhar e pergunta

— Porque está chorando Natasha? — ele pergunta secando meu rosto e eu respondo

— É que... finalmente um pouco de alegria depois do que passei — digo com um sorriso no rosto.

— Sei bem como é isso — ele também sorri e olha pro relógio e diz — Já está tarde, acho melhor a gente ir dormir.

— Concordo — e em seguida acabo bocejando.

Me deito na cama e o Victor me ajuda a me cobrir, ele me dá um beijo na testa e acabo sorrindo lembrando que o meu irmão fazia isso e ouço ele dizer

— Boa noite Tasha — ele diz se afasta

— Boa noite Tinho — eu digo e ele parou e se virou pra mim

— O que quer dizer Tinho? — ele me pergunta em um tom brincalhão

— Eu ia te chamar de Vitinho, mas era muito grande e eu estou com preguiça. — digo com um sorriso sarcástico

— E quando eu deixei você me chamar assim? — ele pergunta rindo

— No exato momento em que você me chamou de Tasha — digo rindo e em seguida falo — Agora me deixa em paz que eu estou com sono

— Eu venho ajudar e é assim que agradece? — pergunta sarcasticamente

Eu pego outra almofada e jogo em sua direção ele desvia e sai do quarto

— Vai ter volta Tasha — escutei ele dizer antes de fechar a porta

Começo a rir e me deito de novo, mas dessa vez foi um sono calmo, sem pesadelos ou sonhos, apenas tranquilidade me permitindo finalmente descansar depois dos últimos dias.