Notas iniciais
Algumas casas nobres ao redor de Monte Tigre tiveram sua linha história e genealógica alteradas para ambientar melhor a história. A principal delas fora a Casa Clegane, cujo Lorde possui quatro filhos, sendo dois deles criados por mim. Sor Victor Clegane e Hector Clegane. As idades de Sor Gregor e Sandor também foram aumentadas.

Prólogo

O bebê chutou. Sempre que seu marido lhe agredia, seu filho também a machucava por dentro. Ele quer dar o troco no brutamontes que é o pai dele. Belle aguardava ansiosamente este momento, enquanto isso, esquivava-se de seu marido em dias enfurecidos e permitia que ele a possuísse mesmo grávida. Não havia muito que ela pudesse fazer, já havia pensado em envenenar o monstro com quem se casara, todavia, certamente isto também seria o fim da vida dela. E há seis meses, carrego uma nova vida dentro de mim. Contudo, eles estavam cada vez mais perto de sua casa, e lá ela indubitavelmente encontraria refúgio caso viúva fosse.

Você tem razão, Lorde Hothor irá permitir que você vá no torneio. – Ela tentou dizer o que ele queria ouvir, algumas vezes, funcionava.

– Ele não pode me impedir! Não há nada para mim em Rochedo Casterly! – Gregor gritava enraivecido no quarto.

Então é para lá que o lorde pretende nos mandar? Seu marido acabara de retornar da sala de reunião de Den Profundo, castelo da família Lydden onde a comitiva Clegane estava hospedada.

– Por que você acendeu estes malditos incensos? Já falei que odeio essas porcarias! – Berrou enquanto derrubava tudo de cima da cabeceira no chão.

Ela sabia que o incomodava, mas como era a primeira noite de hospedagem, não imaginou que ele fosse adentrar no quarto tão cedo, pois adotara o costume de traí-la com meretrizes em cada parada que fizeram desde Forte Mastim. Ao menos, tive noites calmas de sono.

Perdoe-me, Greg. É que nos deram os aposentos próximos ao açougue e quando abri a janela, quase vomitei de tanto nojo. – Ao ouvir seu desabafo, Gregor foi até a janela e a abriu.

– Morte e sangue! Um aroma que aprecio há cinco anos. – O monstro saudou ao sentir o cheiro podre da matança. Virou para ela, sentou-se na poltrona e disse: – Você devia aprender a gostar também, talvez isso nos unisse mais.

– Já somos unidos por votos, Greg. E agora seremos por sangue também. – Ela o lembrou de seu filho, algo que também tranquilizava a besta, pois seu irmão Victor, mais velho e herdeiro Clegane, não tinha linhagem alguma.

– Bem lembrado, mulher. Não se esqueça disso quando estivermos nas ruínas que sua família chama de fortaleza. – A cada dez palavras de seu marido, nove eram ofensa, mas Belle já acostumara-se com isso. – Vá lavar este rosto, está sangrando.

Ela estava tão preocupada com a raiva do homem, que esquecera da dor. Seu lábio ardia e o gosto de ferro em sua boca confirmava a existência de sangue. Um tapa gratuito e covarde. Assim que ele entrara no quarto, a agredira sem justificativa. – Confie no amor que tenho pela vida que carrego no ventre, Greg. – Disse ao buscar uma seda para limpar-se.

– Não posso, pois a criança ficará em Monte Tigre e você não. – O cão sentenciou.

– Como assim, Gregor? Uma mãe deve criar seu filho. – A ideia de deixar sua cria com sua própria família não a incomodava tanto, no entanto, os dias de sofrimento e dor aguda que Belle vivera enquanto não estava grávida ao lado daquele homem, a atormentavam.

Não posso ficar sozinha novamente. Talvez seu pai enviasse uma nova guarda para ela, já que sua última, morrera em patrulhas forçadas ordenadas por Lorde Hothor. – Não permita que o Lorde assim queira, marido. – Suplicou.

– Quem você imagina que eu seja, sua vaca? Um pedinte? – Levantou-se da poltrona e a tomou pelos braços – Entenda Isabelle, ninguém intercede na vontade de meu pai, nem Lorde Tywin Lannister, nem o próprio Rei Louco.

– Que a Mãe tenha misericórdia dele então, pois separar-me de seu neto, certamente é uma afronta aos deuses. – Ela rogou a praga sem pensar, os olhos do marido acirraram-se cheios de suspeita e a conhecida raiva novamente explodiu em seu semblante.

– Você não sabe porcaria alguma sobre Deuses, mulher! – Jogou Belle na cama com força e começou a tirar o cinto. O que viria em seguida, seria muita dor. Fosse uma surra de cinto, ou uma violação forçada. – Abra as malditas pernas! Quero lhe mostrar um pouco da misericórdia da Mãe. – Assim que terminou sua frase, os Deuses mostraram-se benévolos e alguém bateu a porta. – Estamos ocupados! Volte outra hora! – O cavaleiro com quem se casara disfarçou, mas para a sorte de Belle, não obteve êxito, pois a porta não estava trancada e um jovem ruivo vestido num corselete marrom com detalhes oliva entrou. Gregor encarou o garoto com seu olhar intimidador e cinto aberto. – Que insolência é esta?!

– Perdoe a intromissão, sor. Ouvi gritos vindo do cômodo, vim ver se está tudo bem. – A expressão corajosa do rapaz diante do gigante a sua frente atraiu Belle de imediato.

– Ninguém está bem neste quarto que cheira a podridão, Leonydas. Retire-se daqui, vou transar com minha esposa.

Ela corou com o comentário, já o rapaz, supostamente sentindo a tristeza que caíra sobre a vida de Belle, argumentou inteligentemente: – Façamos uma mudança então! Quem os alojou aqui? Irei puni-lo por isso.

– Um cavalariço magrela de queixo caído, não lembro seu nome. – Se existia algo que dava mais prazer em seu marido do que violentá-la, era punir jovens garotos, como fizera com seu irmão mais novo Sandor, queimando metade da face do menino na lareira por usar os seus brinquedos na infância. – No caso, qual seria a punição mais apropriada? – Perguntou deleitando-se com a ideia e deitando na cama para deixar Leonydas menos a vontade ainda.

– Em Den Profundo, costumamos castigar servos tolos pendurando-os sobre o abismo por um dia, caso se mexam ou durmam, morrem enforcados como a maioria. – O ruivo parecia ter percebido a fórmula para entreter o monstro e salvar a donzela, pois Gregor respondeu:

– Vamos atrás dele então, enquanto minha esposa organiza uma mudança com outros criados. – O discurso de seu marido equilibrava-se entre ódio e prazer.

– Obrigada, Leon. O cheiro estava causando náusea. A propósito, não fomos apresentados, sou Isabelle Belvedere Clegane, esposa de Sor Gregor. – Usou todo charme em sua fala para tentar retribuir o herói que a salvara da dor. Porém, foi descuidada e transpareceu demais sua intenção, o marido percebeu e logo seu ciúmes inflamou-se, ainda que Leonydas fosse apenas um jovem.

– Toda vaca grávida de Westeros vomita quando prenha, mulher. E quem disse que você irá mudar de quarto? Apenas eu terei novos aposentos, você pode ficar com seus incensos.

– Não fale assim com sua esposa, sor. Ou teremos que lhe pendurar também. – Leonydas ameaçou imprudentemente.

– O que você disse, texugo? – Gregor levantou-se da cama em direção ao rapaz, que não movera um dedo. – Exatamente o que ouviu, cão. Não queremos problemas com os tigres, então neste castelo, Belvedere nenhum será agredido, seja fisicamente ou verbalmente. – E ousadamente, colocou o dedo na fuça de seu marido, que tinha quase o dobro da altura do corajoso rapaz.

Em seguida, tudo aconteceu rápido demais. Gregor avançou sobre o jovem, tentando socar-lhe o rosto, porém Leon era astuto e esquivou-se rapidamente. Belle gritou para pararem, mas seu marido parecia um javali orgulhoso e jogou-se sobre o Lydden, encontrou apenas o armário, quebrando completamente o móvel com a cabeça e o tronco. O texugo heróicamente ainda parou ao lado de Belle e disse: – Pare de gritar! Fuja e chame os guardas. – E ela assim faria, mas quando Leonydas puxou o tapete para derrubar Gregor, que recuperava-se da colisão, ela caiu também. Sentiu a queda como se tivesse quebrado a perna, pois de repente, estava toda molhada de sangue.

– Socorro!!! – Gritou de dor enquanto o texugo fugia do cão, aproximando-se da janela, ambos esqueceram-se dela. Belle, inacreditavelmente, conseguiu levantar-se e abrir a porta. Quando ouviu seu marido gritar, ele já havia caído da torre. – Você o matou! – Ela gritou para o jovem, num tom de desespero duvidoso.

– Eu a salvei. – Ele disse recuperando o fôlego, então olhou janela abaixo e completou: – Por hora apenas, o cão gigante é duro na queda, ainda est...

– Me ajude... – Então caiu no chão, suas forças se dissiparam. Meu filho está nascendo. Ela queria dizer, não conseguia. Entrou numa espécie de transe, como se tivesse desmaiado, mas permanecesse consciente dos arredores. Carregaram-na para algum lugar, ouvia vozes conhecidas ao seu redor. Zayra, minha ama de leite. Isaac, o escudeiro de meu marido. Não entendia o que era dito, mas sentia a preocupação no tom. Então ouviu a voz de sua mãe e soube que estava desacordada.

– Isabelle, minha filha, não desista. – Encontrava-se sozinha na escuridão. Uma forte dor tomava conta de seu ventre e ainda estava molhada. – Lute, filha, lute! – Tentou mover-se, porém estava dura como pedra, abriu a boca para falar, mas sua voz saía tão baixa que nem ela mesma podia ouvir. – Respire, Isa, volte pra casa. – Quando ouviu tais palavras, ela entendeu a mensagem de sua mãe, pois assim que respirou fundo, a escuridão transformou-se num mosquiteiro empoeirado sobre ela, servos e amas correndo ao seu socorro, trocando lenços e fronhas ensopados de seu sangue, um meistre cutucava-lhe a ferida com alguma ferramenta em seu ventre, a dor espalhava-se por cada centímetro de seu corpo e a fazia contorcer-se, mas homens desconhecidos a seguravam pelos braços e pernas. No meio da gritaria, só podia ouvir as palavras de sua própria mãe. Não desista, lute, respire!

Houve um momento em que achou que não conseguiria parir seu filho, mas logo, um choro lindo a surpreendeu e o alvoroço se desfez ao seu redor. A vida de seu filho estava garantida, Belle sentia, mas não havia nenhuma energia sobressalente em seu corpo e alma. Ela descansou.

Em seu sonho, estava na cozinha do Forte Mastim, castelo da família de seu marido. Parecia um dia como outro qualquer, os servos chefiados por Agnelle preparavam um banquete delicioso. O aroma de limão logo levou seus olhos até a torta preparada e sua boca salivou. O sabor preferido de meu irmão Daronn, e o meu também. Algo nela estava diferente, não sentia o peso da barriga, então constatou que não estava grávida. Aproximou-se da sobremesa e perguntou: – Agnelle, se importa se eu provar um pedaço?

A cozinheira mirou-lhe um olhar incomum e alertou: – Não coma, minha Senhora. Está envenenado. Todos querem lhe matar por aqui. – Então o pesadelo começou.

Os servos sacaram armas de repente, a própria Agnelle assumiu um cutelo e veio em sua direção. Tudo que Belle pôde fazer, foi correr. O que está acontecendo? Agnelle sempre fora minha amiga. Se perguntava fugindo pelos corredores escuros do Forte. Enquanto subia escadas íngremes até seu quarto, ouviu os latidos de centenas de cães. Estão atrás de mim. Ela sabia o motivo. Eles descobriram minha planta, por isso Agnelle disse que tudo estava envenenado. Se culpava por ter sido tola e confiado no pequeno Ambrose.

Entrou no quarto que dividia com seu marido, o latido dos cães ficou mais baixo quando ela fechou a porta atrás dela. Mas ao virar-se para o leito, deparou-se com Sor Victor Clegane, seu cunhado traiçoeiro, o primogênito de Lorde Hothor. – Nós já sabemos, Isabelle. Você pagará por isso.

– Espere Victor! Eu sou inocente! – O cunhado traiçoeiro puxou uma adaga pontuda.

Ela tentou abrir a porta que tinha fechado, mas a mesma agora estava trancada. – Você trouxe desonra a minha família com este filho aleijado! Irá pagar por isso.

Meu filho! Aleijado? A profundidade do pesadelo a atormentou por completo e quando a adaga de Sor Victor Clegane perfurou seu ventre, ela não soube dizer se era realmente um sonho, pois a dor recaiu sobre ela mais uma vez, porém, agora ela não resistiu. Desculpe, mãe. Não fui capaz.

Notas finais
Espero que gostem! Respondo a todos os comentários.