Edric

Acordou como gostava de acordar, especialmente em dias da donzela: Com uma mulher nua ao seu lado. Hoje, no caso, era Myriah, mãe de Erin e Asha, suas meninas. O vento frio da falsa primavera não entrara no cômodo, assim como a luz do sol. Com seu membro enrigecido, Edric começou a acariciar sua senhora. Apesar dos partos, ela ainda tem um corpo suculento. O tom cobre da pele era sensual, assim como suas madeixas de um castanho profundo. Ainda sou apaixonado por esta mulher. Acordou o seu primeiro amor com beijos suaves, que começaram no ombro e terminaram em sua boceta.


Myriah não disse nada, já habituara-se a sede de prazer do pai de suas filhas, apenas contraiu as pernas, pressionando a face de seu amante no ventre. O gosto salgado de Myriah era o preferido de Edric, apesar de também amar a boceta doce de Eddara, a outra amante, mãe de Aron, seu primogênito. Myriah parecia ler sua mente, pois no exato momento em que Edric comparava as duas, ela questionou: – O que está pensando, Ed? – Devo ter parado a língua.


— No quão gostosa você é, amor. – Desculpou-se enquanto secava o cavanhaque molhado e montava por cima dela. Todavia, a porta se abriu e ele saltou para o lado, cobrindo-se com o lençol.


Erin, sua filha mais velha de cinco anos, entrou sorridente sem nada perceber, saltou na cama e justificou-se: – Asha está toda suja desde ontem, mamãe. Meu quarto está fedendo muito. – Logo depois olhou para o pai, que riu com a cara que a filha fazia.

— Do que estão rindo? Vocês não cagam não? – Myriah não tinha um bom humor pela manhã, quando não gozava então...


— Sua mãe está certa, filha. Você tem que ajudá-la a limpar a pequena Asha, é seu dever de mocinha. – Edric reprendeu.

— Mas papai, ela fez cocô a noite, nós não podemos descer para molhar os panos no salão a noite.

— Vamos logo ajudá-la então, Erin. – Disse a mãe ao sair do quarto com a filha, deixando Edric sozinho para arrumar-se.


O estômago do capitão roncou ao sentir o cheiro do bacon sendo frito no térreo, de modo que apressou-se em trajar suas vestes, apertou os cintos, calçou as botas, pendurou a adaga na cintura assim como sua bolsa de moedas, o arco no tronco e a aljava nas costas. Por fim, fixou a insígnia de Capitão da Guerrilha Sombras do Monte, que ostentava a três anos. O corredor superior do bordel estava sendo limpo por Jeanne, uma velha safada que por vezes, tentara levar Edric para cama, antes de Myriah possuí-lo. Deu-lhe um simpático sorriso, que fora retribuído a altura e desceu para o saguão.


Tudo dentro dos conformes, as mesas arrumadas com toalhas, pratos e talheres pro almoço, o chão já varrido e o balcão limpo. Rebbeca e Myrla, duas jovens meretrizes, conversavam alto entre a cozinha e o bar, enquanto terminavam a limpeza.


— Que horror! E onde foi isso, menina? – Perguntou a mais velha da cozinha.


— Na praça da feira! Bom dia, Capitão. – Mirou-lhe o olhar devasso de sempre, Myrla era a única mulher no Dama de Braavos que tinha coragem de flertar com Edric.


— Bom dia, querida. O que aconteceu na feira? – Reparou que a meretriz vinha de lá, pois guardava legumes frescos na despensa. – Rebbeca, bom dia, sirva-me um prato de bacon com ovos estalados, por favor?!

— Um homem fora morto esta noite, seu corpo foi encontrado na praça esta manhã – Ela explicou. Um crime? Edric não sabia o porquê, mas estava surpreso.

— Quem? – Perguntou a Myrla.


— Um soldado do castelo, um arqueiro que já viera aqui antes. Jovem como você, mas não tão belo. – Ela deu um risinho sádico.

— Rebbeca, cancele o desjejum! – Gritou para a cozinha enquanto rumava para fora dali, a feira era próxima demais de sua jurisdição e se ainda houvessem provas a serem colhidas, ele precisaria apresentá-las ao Lorde, seu pai.


Na varanda, cruzou com Benfred, um guarda baixo a seu comando que cochilava na rede. – Homem! Um crime aconteceu bem próximo daqui durante sua vigília. O tom de sua voz era o mais firme possível, apesar da amizade entre os dois. – Você, ao menos, já sabe do ocorrido?

— Sim, Capitão. – Respondeu acordando de sobressalto. – O corpo foi encontrado na feira, mas já levaram o defunto para a Fortaleza. – Benfred tinha um bafo insuportável, que só sumia quando bebia cerveja, de modo que quanto menos falasse, melhor. Por isso, Edric não continuou o repreendendo.

— Venha comigo, ao menos, diga-me que meu cavalo está selado. Desceram até a rua de cascalhos.

— Pode contar que sim, Capitão. – Benfred era um péssimo vigia, devido a sua baixa percepção de visão e escuta, porém um ativo serviçal, sempre esforçado nas tarefas básicas.


As atividades da Vila do Estrangeiro permaneciam lentas como em toda manhã de inverno, mas como era dia de feira, o movimento crescia a cada esquina em direção a praça. A barriga roncou novamente ao passarem por uma venda de tortas e pães, o trânsito de carroças o impediu de prosseguir a cavalo, forçando-o a deixar seu garrano com Benfred e seguir a pé. Não cruzou com nenhum Guarda-Malhado ou outro Sombra do Monte, apenas feirantes, residentes e servos. Alguns lhe conheciam e desejavam um bom dia, um deles até lhe serviu um pedaço do bolo de milho que vendia. Até que finalmente, chegou ao local onde o corpo fora encontrado.


Nada difícil de rastrear, pois as pedras do chão ainda estavam sujas de sangue, além disso, era bem no centro da praça, onde a multidão ficava menos espremida. Procurou pegadas que o levassem a alguma direção e até encontrou um pequeno rastro, porém, as vendas de peixe derramaram bastante água e apagaram sua pista. O capitão sabia quem era o primeiro mercador a levantar barraca por ali, Sam Madruga, vendedor de ovos. – Bom dia, amigo. Você certamente foi o primeiro a chegar aqui hoje, não é mesmo? – O vendedor era conhecido por muitos pelo cocoriar de seu galinheiro, que levantava toda sua vizinhança em plena madrugada.


— Bom dia, Capitão. Sim, o senhor está certo. – Respondeu devagar, sentado do outro lado da mesa de ovos empilhados. – Já disse tudo que vi para os guardas. – O vendedor era velho, porém lúcido.

— Se impotaria em me contar também, Sam? – Tentou ser educado, pois o homem também era conhecido pela mesquinharia.

— Depende de quantos ovos levará para o Damas de Braavos, capitão. – Respondeu como Edric esperava, em um suborno barato.


— Devo supor que a informação é tão valiosa quanto os ovos de Sam Madruga? – O Capitão sondou, não era bobo e tinha apenas alguns cobres consigo.

— Sim, sim... Desde que Sam permaneça anônimo nesta história toda, não quero ser o próximo alvo, não tenho mais idade para aventuras... – Exigiu o vendedor.

— Então me veja uma dúzia de ovos e um nome, por gentileza.


— Não tenho um nome, mas um endereço. Veja bem, quando cheguei aqui para montar minha barraca, haviam dois guardas de vigília, aguardando a carroça para a retirada do corpo. Um homem encapuzado e baixo estava com eles, perguntando sobre aquele seu primo Lucyus...


— Lucky? O arqueiro? – Lucyus Brax era seu primo, filho da falecida Louise Belvedere, irmã de seu pai. Será que o morto estava sob seu comando? Edric indagou-se em silêncio.

— Sim, ele mesmo. Como ninguém costuma vê-lo cedo pela Vila, o encapuzado pôs-se para fora daqui antes da montagem da feira. – Sam pareceu ter chegado em um ponto final.

— E para onde foi? – Perguntou ao velho, enquanto pegava sua caixa de ovos.

— Para casa, suponho. Ou para a Fortaleza... – Edric notou a má vontade de Sam ao abrir a boca.

— Vamos, amigo, não tenho o dia inteiro. – Apressou o vendedor.

— Ainda não pagou pelos ovos, Capitão.


Meteu a mão na bolsa de moedas, pegou dez vinténs e uma peça de cobre e entregou ao informante.

— Ahhh, aqui está. Sabe o nome do homem? – Talvez Edric conhecesse o tal encapuzado.

— Sim, Medgar Moribald, um vendedor de alpista que mora em cima do Charles Sete-Chaves. – Nem bem terminou de escutar e o capitão já partira para lá. Encontrou Benfred no caminho com seu garrano, montou e dispensou seu soldado com os ovos. – Reúna os homens e volte para o Damas de Braavos, estarei lá em breve.


Charles Sete-Chaves morava em sua grande loja de fechaduras a algumas quadras dali. Edric atentou-se a qualquer movimento suspeito no caminho, mas o clima sossegado e matinal tomava conta das ruas. Passou por Edgard Cupim, em seu jardim repleto de madeira bruta para futuro esculpimento e fez questão de parar para cumprimentá-lo, devido a presença de sua bela filha, ainda donzela. – Como vai nesta manhã, Capitão?


— Um pouco atarefado. Um crime foi cometido, sabe de algo? – Edric perguntou enquanto admirava disfarçadamente a beleza daquela boneca em vestes suadas. Não devia ter dezessete anos, mas passava-se por uma mulher formada no que diz respeito ao corpo. – Bom dia, Lady Lysa. – Sorriu para ela e Edgard Cupim não pareceu ter gostado.

— Minha filha não é nenhuma Lady, Capitão.


— Todas as donzelas são Ladys de coração e sabem disso. Estou certo, Lysa? – Ela corou diante do comentário. Edgard enterrou a machadinha num tronco próximo e interrompeu a troca de olhares:

— Estamos ocupados aqui e nada vimos sobre crime algum. – Ainda hei de ter esta loira em minha cama, virgem ou não. A maioria das jovens da Vila cediam ao encanto de Edric, mas desde que Myriah cortou a língua da última que vangloriou-se de um encontro com o capitão, tem sido mais difícil conquistá-las. E a confiança de seus pais também. Não havia mais tempo a perder, logo, seguiu seu caminho deixando a filha do carpinteiro em paz.



Haviam duas residências que dividiam uma varanda acima da loja do chaveiro. Ambas encontravam-se fechadas, porém na frente de uma das portas, estava entalhado um pássaro em pleno vôo. Alpista, alimento de pássaros. Edric prendeu o garrano e subiu com discrição. Ao aproximar-se ouviu o estribilhar de passarinhos, foi atendido por um homem baixo, que Edric conhecia apenas de vista. – Bom dia, senhor. – O homem deu passagem.

— Bom dia, capitão. Entre, por favor. – Dentro da casa o canto das aves era irritante e incessante. – Devo imaginar que veio a mando de Lucyus Brax?


— Sim, está certo. – Mentiu. – O que procuras com meu primo?


— Acontece que gosto de levar meu calafate para passear de manhã, o estimula a cantar durante dias frios. – Disse apontado para uma bela ave numa gaiola acima deles – Acabei presenciando criminosos arrastando o corpo do jovem Justin para a feira, já sem vida.


— Então, você os viu? – Interrogou com firmeza. Uma testemunha era mais do que o suficiente para prender e matar alguns bandidos. Pelo menos assim era nos tempos de Lorde Egon, já meu pai tem se mostrado mais cauteloso. Talvez por isso, mais crimes estavam acontecendo no novo governo que já durava quase dois anos.

— Não me peça para identificar algozes, Capitão. Sou apenas um pracista de alpista e não posso me protejer da escória. – Defendeu-se Medgar.

— Está certo, então o que tem a tratar com Lucyus?

— O cadáver estava castrado e seu membro viril fora depositado em uma caixa com uma mensagem. – Moribald parou para respirar e concluiu: – Uma mensagem para seu primo, Capitão. – O que Lucyus fez para custar a vida e a virilidade deste homem? Edric questionava-se enquanto o informante buscava a prova. – Aqui está, não abra aqui dentro, minhas aves ficam loucas com o cheiro. – Entregou a caixa de madeira nas mãos do capitão, que agradeceu a confiança e pôs-se para fora daquela apertada gaiola que o homem chamava de lar. Ainda na varanda, abriu o pequeno baú.


“O próximo será o seu, Justiceiro Cruel.” estava entalhado na madeira manchada de sangue, junto do pênis do defunto. Deplorável, a que ponto chegou esta corja? Desonrar um homem com tal dor antes de matá-lo? Mais questões o atordoavam. Justiceiro Cruel? Que alcunha é esta? No quê meu primo se meteu? Edric, em busca das respostas, deixou seus homens para trás e direcionou-se Monte acima o mais rápido que pôde, com a mensagem.

Notas finais
Espero que gostem!