Notas iniciais
Esta história é baseada nos acontecimentos de uma mesa de Guerra dos Tronos RPG. E este foi o primeiro capítulo com o ponto de vista de um personagem do narrador (exceto pelo prólogo). Adorei ter total liberdade de abordar a forma como ele vê o mundo, sem as alterações feitas por um jogador.

Ellyot

Passou o dia inteiro procurando por sua amada, ela só podia estar fugindo dele e agora ele sabia o porquê. – Tem certeza do que está dizendo, Jason? – Ele perguntou ao escudeiro do Velho Gatuno.

— Sim, Ellyot. Ela virou mulher, todos já sabem. – O rapaz respondeu.

Fui o último a saber? Por que fizera isto comigo, Lyz? Elly não conseguia compreender, imaginava ser o primeiro confidente escolhido por ela quando acontecesse. Deixou a Torre Armada nervosíssimo em direção a Torre Nobre, eles tinham um encontro marcado na biblioteca Belvedere e ela nunca havia-lhe deixado esperando.


Cruzou apenas com o protegido no caminho, o cão esforçava-se para carregar dúzias de pergaminhos de uma só vez e subir as escadas da Fortaleza ao mesmo tempo. Elly teria oferecido ajuda ao pobre coitado, porém estava consternado e ansiava encontrar sua amante, portanto, apenas o cumprimentou sem graça.

— Grande dia, hein Hector? – Ele sabia do que se tratavam aqueles pergaminhos, mas precisava encontrar seu avô antes que ele fechasse a biblioteca, assim ficaria com as chaves.

— Nem me diga, Ellyot. A propósito, seu plano possivelmente falhará, pois seu primo não se escreveu para nenhuma justa ou liça do torneio.


— Como assim? Daronn não se escreveu em nenhuma justa? – Ele perguntou ao protegido que também servia como Emissário do Lorde, cuidando de alguns de seus documentos importantes, como as inscrições para o Torneio de Harrenhall.


— Onde está sua educação? Ajude-me aqui e eu lhe conto o que aconteceu. – Hector devolveu em resposta para o desespero de Elly. O jovem não soube como lidar, não tinha nenhum apreço pelo cão, mas devia uns favores ao emissário. Maldição.

— Está certo, dê-me isto aqui, estou com pressa.


— Para onde vai? Algum problema? – O faro do cão sempre fora inconveniente.

— Diga-me logo, por que Daronn não inscreveu-se em nenhuma luta? – Perguntou cortando a curiosidade do Clegane, enquanto o ajudava a carregar metade dos pergaminhos.

— Acontece que o filho de Belick estava um tanto quanto irritadinho hoje a tarde. Parece que tomou uma bronca braba do Lorde. Conforme você disse, ele solicitou-me a inscrição ilegal, querendo passar-se por cavaleiro perante o Rei. – Enfim chegaram aos aposentos do Emissário. A biblioteca fica a alguns metros daqui. Sua concentração dividia-se nos dois assuntos.

— Não entendo, se você está me dizendo que ele fez da maneira que eu imaginava, o que pode ter dado errado? – Ellyot perguntou.


— Quando eu impus a condição de te aceitar como escudeiro, Daronn negou. Disse que não queria sua família envolvida nas suas conquistas pessoais, parece que não gosta mesmo de você, seu pais e seus irmãos. – Maldito, deixei que me derrubasse no treino a tarde para que se empolgasse... Sempre que Ellyot tentava ser calculista, sua estratégia mostrava-se repleta de falhas.

— Droga, Hector. – Praguejou enquanto retirava-se dali e corria até a biblioteca, deixando o emissário falando com as paredes da Fortaleza. Não conseguirei convencer meu primo, pelo visto. Mas talvez Lyz consiga. O simpático sorriso de lado de sua amada veio-lhe a mente. Lembrou-se do primeiro beijo dos dois que seguiu-se após um desses sorrisos.


Quando chegou na biblioteca, apenas uma porta estava entre-aberta. Deu tempo. Todavia, estava errado. Meistre Ibbeorn estava no saguão, amparado por velas, estudando um velho exemplar, não havia sinal de seu avô nos andares acima. Correntes-de-Vento, como era chamado pelo antigo lorde, não notara sua presença e Ellyot ponderou revelar-se. A biblioteca é grande, podemos nos esconder mais acima. O problema é que precisavam conversar e não podiam ficar trancados por ali. – Boa noite, Ibbe. – Cumprimentou, alertando-o com seus passos previamente para não o assustar.


— Ellyot Ferren. Boa noite. – Tossiu ao vê-lo. Ele só tosse na presença dos outros. Ellyot suspeitava de Correntes-de-Vento.

— O que estuda? Meu avô já retirou-se? – Mirou o exemplar que o meistre não fez questão de esconder. Viu a heráldica Clegane e árvores genealógicas.

— Um pouco de história aristocrata. Sim, Velho Brumm já retirou-se para seu jantar. Posso lhe ajudar em algo?


— Não, eu me viro. Obrigado, Ibbe. – Foi o improviso que saiu. E agora? O que fazer? O meistre sabia que Ellyot não era muito de estudos, muito menos noturnos.


Ao contrário disso, o terceiro filho de Sor Elmmer II, vivia no pátio trajando sua armadura e espada de madeira, evoluindo suas perícias e força física. Sou um dos mais fracos Belvederes, preciso evoluir. Ele reconhecia, pois recentemente fizera dezessete dias de seu nome e nunca derrotara nenhum dos cavaleiros nos treinos.

— Está bem. Quer me ajudar, então? – O meistre notara que estava desatento, com a cabeça nas nuvens.

— Não posso agora, estou ocupado. – A desculpa saiu entre dentes, Elly não sabia mentir direito. Mas sei guardar segredos. Ninguém sabia de seu namoro com a filha do lorde, que já durava vários meses.


Deixou o meistre para trás e subiu para os níveis acima. A luz da lua já invadia os janelões. Lyz chegará a qualquer momento. Ele precisava pensar em algo, avaliou suas opções. Posso fingir que meu avô pediu-me para fechar a biblioteca. Sabia que depois não teria justificativa, seu avô era lúcido e astuto, e possivelmente, quem mais desconfiava de seu caso secreto. E o último que pode saber, ele me mataria. Alguns minutos depois, Ibbe continuava devagando por cima do exemplar no saguão e Ellyot não podia arriscar mais. Estava para sair do cômodo, quando avistou, através dos janelões de vidro, um movimento suspeito nas sombras dos jardins suspensos, mais abaixo.


Quem será? Focou sua visão o máximo que pôde, então descobriu tratar-se do herdeiro e seu irmão bastardo. Amarravam cordas e a jogavam precipício abaixo. – Está admirando a lua, Ellyot?! – Correntes-de-Vento perguntou lá de baixo, tossindo logo depois.

— Estou pensando, meistre, estou pensando... E você? Acabou aí? – Debruçou-se na quina para perguntar ao velho no saguão abaixo.

— Estou longe disso, a noite é agradável para doentes como eu, assim não incomod... – Uma crise de tosse. Ellyot já sabia o que fazer. Se Daronn está escapando por lá, sinal de que estão lhe dando cobertura e os jardins estão seguros. Talvez o próprio Correntes-de-Vento estivesse ajudando o herdeiro, Ellyot desconfiava. Despediu-se do meistre rapidamente, atravessando porta afora com pressa, porém, mantendo seus passos leves, para não alardear ninguém.


Quando saiu, tomou um baita susto. Lyz estava escondida, saltou a sua frente e o empurrou.


— Hahaha, peguei você! – Exclamou sua amada, sempre bem humorada. Ellyot dera conta que não conseguia ficar chateado com ela.

— Amor...

De repente, o meistre gritou de dentro da biblioteca: – Quem está aí?

E eles saíram correndo dali, de mãos dadas, suadas em meio ao frio da noite e a adrenalina apaixonante.

— Para onde estamos indo? – Ela perguntou quando pararam para esperar uma ronda passar.

— Confie em mim. – Ela sorriu de lado. Algo me diz, que um dia ainda sentirei falta desse sorriso. Lyz também o deixava inseguro.

— Está bem, vamos. – Ele a puxou, em alguns cantos escuros, trocaram beijos, até que chegaram nos jardins suspensos.


Acertei em cheio. Dali debaixo, Ellyot podia ver que todo lado da Torre Nobre que dava para os jardins estavam apagados, a maioria das janelas fechadas e as abertas, tapadas por persianas. Onde será que estão indo? Preferiu não contar para Lyz sobre seus irmãos, ao invés disso, foi direto ao ponto.

— Quer me contar algo, amor? – Ela olhava aos arredores, não costumavam namorar a céu aberto.

— Confie em mim, Lyz. Estamos seguros aqui, podemos conversar. – Ela mirou um olhar profundo para Ellyot.


— Não quero falar nada, apenas beije-me... – Seus lábios tocaram-se, as línguas dançaram uma molhada valsa. A fresca brisa da noite batia nos cabelos negros de sua namorada, Ellyot a pegou pela nuca, virando-lhe a cabeça e beijou seu pescoço. Nesse momento, para a surpresa do rapaz, ela meteu a mão por entre sua calça, tocando-lhe o membro duro. Elly ficara dormente e instável, a respiração ofegante... Ou a mão de Lyz suava muito, ou ele já tinha...


Ela estava com um tesão atípico. Quando Lyz desamarrou seu cinto, Ellyot só conseguia pensar em uma coisa. Ela quer que eu a faça, mulher. Eles já haviam chegado perto algumas poucas vezes, contudo, desta vez era diferente. Seu sangue de lua desceu, se eu tirar sua virgindade, o lorde não terá outra escolha...


Os beijos não cessaram, os toques intensificaram, ambos já não sentiam mais frio e o belo jardim parecia o quarto ideal para uma noite como essa. Deitou-a delicadamente no chão, ele não podia acreditar, ela estava acolhendo-o em seu ventre, levantara o vestido por vontade própria. Ellyot buscou penetrar sua lança com força e exatidão. Já gozara duas vezes desde que começaram a encalacrar-se, mas sentia-se repleto de poder e vigor, apesar da dormência.


Sentia a maciez da pele de sua amada, o cheiro de seu perfume era tão bom que sobrepora o aroma das flores e plantas ao redor deles. Já penetrava pela terceira vez, quando percebeu que Lyz não esboçava reação, estava um pouco perplexa. – O que foi, amor? Está doendo?


— Não entrou, Elly. – Ela falou sem graça e ele, constrangido, percebeu que estava metendo nos pentelhos de sua namorada, como se estivesse bêbado. O que estou fazendo? Quando pensou ter quebrado o clima, ela levou a mão até seu membro e começou a cutucar-se com ele.

— Que delícia. – Ele concentrou-se, afinal, também era virgem. Sentiu uma cavidade onde alojou a cabeça de seu pau, parecia o lugar certo. Tentou penetrar enquanto a beijava, mas Lyz o empurrou.

— Calma. Devagar... – Ela pediu.

— Desculpe, – Um beijo – não quis machucar-te, meu bem. – Outro beijo. Ellyot estava quase lá, quando...


— O que pensam que estão fazendo?! – Subitamente uma voz os interrompeu e separaram-se como gatos ao levar um banho de báude gelado. De onde este homem surgiu?


Alguns segundos depois e a razão voltou-lhe a vista. Era sor Gullian Greenfield, o irmão mais novo do Alto-Cavaleiro. Trajava toda sua armadura e arma, além de cordas que Ellyot imaginou terem sido as usadas pelo herdeiro em sua fuga. Quando seus olhos encontraram os de sua amada, ela estava totalmente assustada e perplexa.


— Acompanhem-me até o Lorde, ele precisa saber disso. – O detestável cavaleiro ordenou. Sua donzela quase mulher desabou em seguida, desmaiando e batendo a cabeça no chão.


— O QUE VOCÊ FEZ?! – Gritou com o cavaleiro e foi de encontro a Lyz, mas antes que pudesse alcançá-la, tomou um empurrão que o jogou para dentro de uma moita.

— Não encoste mais um dedo pecaminoso na filha do Lorde, garoto. – Ellyot demorou até conseguir levantar-se de novo.

— Ela bateu a cabeça... – Resmungou.


— Eu vi! Vou carregá-la até o meistre! Suma daqui e lembre-se: Se você não falar nada do que viu, não direi nada do que vi esta noite. – O cavaleiro brigava com ele, Ellyot estava em choque, correu para longe, amarrando seu cinto. Horas depois, desfrutaria de um eterno arrependimento.

Notas finais
Espero que gostem!