Notas iniciais
Olá! Aqui é a Misaki ^^ Me chamem de pinguça, mas se tem uma coisa que gosto de fazer em dias frios, é beber um bom vinho tinto suave (já experimentei o seco, detestei). Vamos interagir um pouquinho com o Lys hoje, porque ninguém resiste rsrs. Boa leitura.

Não está em meus planos passar o domingo enfornada em casa, mas sou obrigada a isso. Peço uma pizza para o jantar, vantagem de morar sozinha. Rezo para que Castiel não apareça na hora em que o entregador chegar. O precioso som da campainha soa e já posso sentir o cheirinho se esgueirando pelas frestas da porta. Seria perfeito se minha prece tivesse sido atendida, pois o ruivo logo apareceu.

— Uhm... Pizza? – ele pergunta cheirando o ar.

— Não. Uma caixa de papelão com aroma de pizza – respondo sarcástica. – Não engorda.

— Que tal um pedaço? – ele avança em minha direção.

— Compre uma pra você então – bato a porta na cara dele.

Diana não dividi comida!

Mais tarde eu acabo ficando com pena e coloco uma fatia em sua caixa de correio. Alguns minutos depois um papel desliza por baixo de minha porta, nele está escrito "Prefiro de calabresa, mas obrigado mesmo assim". Mereço. De barriga cheia e banho tomado, vou dormir.

O despertador barulhento que minha avó me deu começa a apitar, estapeio o pino que fica em cima dele e jogo o cobertor para o lado. Um novo emprego é um motivo muito bom para se acordar animada em uma segunda-feira, ainda mais quando você não precisa enfrentar o transito da cidade porque mora a mais ou menos um quilometro do serviço. Calço as pantufas e faço um café como de costume, ligo a TV no noticiário e pego um pacote de biscoito.

Canais de notícia certamente não são meus favoritos, mas tenho que me manter a par pelo menos do mínimo sobre o que acontece no mundo. Lavo a louça e coloco no escorredor, me arrumo, olho pela janela e o tempo parece estar bom, não vou precisar de um guarda-chuva.

O bom de ter Castiel como vizinho é que ele é um gato, não me incomoda com música alta e até me paga um café pra socializar. Mas o fato dele ser meu chefe anula todos os pontos positivos. Eu não posse me atrasar e se faltar vou ter que ter uma desculpa dá qual nem o FBI desconfiaria, além de um álibi super confiável e bem pago.

— Bom dia – Castiel diz ao fechar a porta de seu apartamento.

— Bom dia... – guardo minhas chaves.

Ele se aproxima e toca meu rosto. Imediatamente recuo.

— Um farelo – ele mostra a ponta dos dedos e segue até o elevador. – Vai ficar ai?

Desperto e entro na caixa metálica. Um silêncio perturbador se instala e eu começo a suar frio. Paramos no sexto andar e uma senhora se junta a nós.

— Bom dia – ela nos dirige um sorriso fino. – Até que em fim tiraram aquela musiquinha insuportável.

Quando chegamos ao térreo, antes de sair, a senhora se vira para nós e diz:

— Sabem, vocês formam um casal muito bonito.

Arregalo os olhos em surpresa.

— Muito obrigado – Castiel diz, se curvando com elegância.

Depois que a velhinha se vai eu olho para o ruivo, boquiaberta.

— Seria falta de educação contrariar uma senhora tão simpática – ele sorri de canto e cumprimenta o porteiro.

Castiel para na cafeteria, eu simplesmente continuo andando. Mas rápido do que o esperado ele está novamente ao meu lado, bebericando em um copo de isopor. Não abro a boca por todo o trajeto. Entramos no elevador da Editora e encontramos Melody discutindo ao telefone. A porta se abre e ela sai tão depressa que quase derruba uma moça de cabelos alaranjados que carrega uma bandeja de café.

— Você está bem? – pergunto ajudando-a.

— Sim, obrigada – ela responde com um sorriso tímido.

— Prazer, sou Diana, recém-contratada do editorial – estendo a mão para cumprimenta-la.

— Íris, da coluna ecológica.

— Revista semanal?

— Isso mesmo.

Ouço um pigarreio atrás de mim. É Castiel nos encarando como quem quer dizer “As senhoritas não têm trabalho a fazer?”. Despeço-me de Íris e disparo em direção a minha sala. O escritório está bem mais arrumado, parece até espaçoso agora. Noto que perto da porta há um lugar bem limpo, com apenas um notebook e alguns outros materiais de trabalho.

— Bom dia Diana! Esse é seu mais novo doce cantinho – diz Armin apontando para o espaço a minha frente – eu mesmo que arrumei.

— Hm... Muito obrigada – coloco minhas coisas sobre a bancada e penduro o casaco na cadeira.

Armin sorri satisfeito e volta ao que estava fazendo. Castiel pede para que Nathaniel me dê algo para fazer, o loiro se levanta e vai até o fundo da sala, volta com uma pilha de papéis e a larga sobre minha mesa, o que a faz chacoalhar inteira.

— São rascunhos do próximo livro que ainda precisam de revisão. Você dá conta? – ele pergunta, me desafiando.

— É claro. – Respondo com segurança, mas a verdade é que já sinto o peso.

A hora do almoço chega, a pilha de papéis parece não diminuir. Resolvo levar algumas comigo para adiantar o trabalho. Há um refeitório na editora, máquinas que bebidas, de comidas rápidas e de guloseimas. Compro algumas coisas, sento-me à mesa perto da janela e começo a revisar. Termino a lasanha e jogo a bandejinha no lixo, começo a bebericar o refrigerante enquanto faço marcações nos diálogos.

— Olá – alguém aparece, levo um susto e derrubo a bebida sobre o manuscrito.

— Merda! Merda! Merda! – pego alguns guardanapos e tento enxugar.

Ergo-as sobre a luz, estão horríveis. Vão me matar.

— Desculpe, foi culpa minha – já havia me esquecido da pessoa, ergo meus olhos lacrimosos. É Lysandre.

— Não, a culpa é minha, eu não devia estar fazendo isso enquanto como – dou tapinhas na testa.

— Espere aqui um minuto – ele some pelo corredor que leva ao armazém e volta poucos minutos depois com folhas e caneta em mãos – me empresta o rascunho.

Entrego-lhe o papel molhado e ele começa a transpassar tudo para a folha nova, com extrema velocidade. Não acredito que ele vai copiar tudo. Sem me dar conta ele termina e me estende os rascunhos.

— Eu nem sei como te agradecer – digo boquiaberta.

— Não se incomode, não foi nada – Lysandre tem heterocromia, um de seus olhos é verde como uma esmeralda, enquanto o outro parece uma pedra de âmbar. Juntos de seu cabelo prateado, levemente escurecido nas postas, formam uma potente imagem hipnótica – Diana?

— Ah! Desculpe... – balanço a cabeça de um lado para o outro, saindo do transe. – Eu te pago um café hoje à tarde.

Ele apenas sorri suavemente. Um apito alto anuncia o término do intervalo. Recolho minhas coisas e volto para a sala. Passo o restante do expediente com a cara enfiada em minutas, sinto uma pequena bolha de água se formar sob a pele do dedo, mal consigo segurar a caneta. O intervalo de quinze minutos da tarde chega, eu tento encontrar Lysandre, mas ele parece ter simplesmente desaparecido. Volto para o escritório e ele está lá, com cara de sono.

Dez para as cinco da tarde todos começam a arrumar suas mesas e a guardar seus pertences. Os corredores parecem uma pista de corrida e nos elevadores parece haver uma competição para ver quem se espreme mais.

— Que vontade de voltar para casa – comento comigo mesma ao ver os outros funcionários indo embora.

— Você ainda não viu nada – uma mulher alta, de cabelos castanhos, olhos verdes e pele amendoada se põem ao meu lado. – Nas sextas-feiras é preciso trazer capacete e cotoveleiras – ela brinca. – Prazer, Priya. Folha turística.

— Diana. Literatura.

— Ah. Você é a nova editora...

Olho distraidamente para o lado e vejo Lysandre na porta do elevador.

— Lysandre! – Chamo-o e balanço a mão no alto, mas ele não percebe. – Desculpe, tenho que ir. Foi um prazer te conhecer – dou um sorriso rápido e corro até as escadas.

Desço a tempo de pega-lo na saída do edifício. O seguro de leve pela barra de seu casaco.

— Um... – respiro – café... – coloco as mãos sobre os joelhos, retomando o folego. – Não vou conseguir dormir sem pagar esta dívida.

Ele me olha com surpresa, depois analisa o relógio de pulso e pensa por um momento.

— Tudo bem – ele coloca para o lado a mecha de cabelo caída sobre meus olhos e me concede passagem.

Seguimos para a cafeteria perto do prédio onde moro, pelo menos sei que o café de lá é bom. Sentamos em uma mesa perto da entrada, bem ao lado da parede de vidro. Lysandre pendura o casaco sobre a cadeira, sua camisa social tem os primeiros botões abertos, sinto calor e também retiro o meu sobretudo. A garçonete vem anotar nossos pedidos e parece ficar tão hipnotizada quanto eu pelos olhos de minha companhia. Lysandre pede um macchiato e eu um mocha, acompanhado de um delicioso pãozinho de batata.

— Como você fez aquilo? A letra estava idêntica – pergunto ainda espantada com a capacidade do platinado.

— Eu tenho grande apreço pela caligrafia, costumo escrever muitas cartas aos meus pais que moram no interior.

— Fez algum curso?

— Não. Aprendi copiando de livros, revistas e afins.

Nosso pedido chega.

— Você tem o dom. – Beberico meu café. – Já fez suas próprias criações?

— Sim, algumas. Mas acho que ainda precisam ser aperfeiçoadas – Lysandre puxa um bloquinho de notas e uma caneta do bolso de seu casado e começa a escrever.

Sua mão desliza como se acariciasse a folha de papel com a ponta esferográfica, uma letra cursiva preguiçosamente inclinada começa a surgir, tão bela e elegante quanto seu calígrafo. Ele termina e gira o bloco para mim. É meu nome que está escrito.

— É tão linda... – digo admirada.

— Realmente – Lysandre diz baixinho.

Sinto seu joelho roçar no meu por debaixo da mesa. Ergo a cabeça e me deparo com sua face serena a me analisar. Ele acaricia meu queixo com a ponta do polegar, se inclina sobre meu rosto e me beija.

De repente a garçonete tropeça na mesa da frente, a bandeja desliza de suas mãos e uma taça de chocolate quente voa pra cima de nós, acertando em cheio a camisa branca de Lysandre. A moça destrambelhada vem pedir desculpas, eu a olho ameaçadoramente. Tenho quase certeza de que foi proposital, mas a intenção era acertar a mim.

— Olha só isso... – pego alguns guardanapos e tento tirar a bebida escura do tecido.

— Tudo bem. É apenas uma roupa – Lysandre segura minhas mãos.

— Precisa ser lavada antes que manche. – Olho para os lados a procura de uma solução. – Já sei! Eu moro aqui do lado, você pode usar minha lavadora.

Ele tenta negar, mas eu insisto. Pago a conta e o levo para meu apartamento. Encontramos a velhinha no elevador, ela não diz nada, apenas ri sinuosamente. Tento achar as chaves na bagunça da minha bolsa, mas elas parecem ter sumido dentro de um suposto buraco negro que existe ali. Lysandre as apanha penduras num daqueles penduricalhos que só servem pra engatar na roupa. Mostro a lavanderia, entrego o sabão e lhe instruo sobre a secadora.

— Você bebe alguma coisa? – pergunto abrindo a geladeira. – Se é que tem alguma coisa boa aqui...

Pego uma garrafa de vinho tinto de procedência duvidosa, saco a rolha e encho duas taças. Até que dá para o gasto.

— Parece que você conseguiu salvar minha pobre camisa de trabalho – Lysandre aparece na sala, sem camisa.

Ai Senhor! Por que fazes isto comigo?

— C-cadê o seu casaco... – encontro-o jogado sobre o sofá. – Vista, senão vai pegar um resfriado. — Que mentira.

Lysandre estica os braços para se vestir, o que mostra ainda mais seus músculos bem definidos. Ofereço-lhe a taça de vinho, ele aceita e toma um pequeno gole.

— Você mora sozinha? – ele pergunta.

— Sim. Me mudei recentemente, deixei minha vidinha no campo com meus pais – sorvo o líquido alcoólico e me sirvo de mais.

Eu bebo muito rápido quando estou nervosa e bebidas doces me deixam tonta em um piscar de olhos. Sem que eu perceba, a garrafa já está fazia, e nem me lembro de ter enchido a taça de Lysandre mais que uma vez. Abro a geladeira à procura de mais alguma coisa. Sem sucesso.

— Desculpe. O vinho barato acabou. – Sinto o rosto arder levemente.

— Não se preocupe, acho que há algo melhor para me oferecer – Lysandre deixa a taça sobre a pia e me encurrala contra o balcão.

— C-como o quê? – meus joelhos vacilam.

Seu casaco está desabotoado, mostrando todo seu tronco perfeito. O platinado segura uma de minhas mãos sobre o mármore frio, pressiona seu corpo quente contra o meu e acaricia suavemente meu rosto com as costas dos dedos.

— O que está fazendo... – balbucio. Estou perdida em seu toque, em seu olhar profundo.

— Preciso de algo mais forte... – ele sussurra ao meu ouvido, mordiscando-o.

Meus pelos se eriçam e inclino o pescoço para o lado em reação. Arrepio-me a cada beijo depositado sobre toda sua extensão, até acabarem em minha clavícula. Lysandre para, subitamente me ergue sobre o balcão e me beija fervorosamente. Sinto os músculos de seu abdômen separados apenas por minha roupa, suas mãos percorrem a curva de minha cintura e sua pélvis se encaixa perfeitamente entre minhas pernas.

É impossível impedir. Meu corpo esquenta, desabotoo os três primeiros botões de minha camisa social, mas ainda soo. Estou tonta por causa do vinho. Bem... Talvez já não mais só pelo vinho...

Meu celular começa a tocar. Preciso atender, mas confesso não querer. Olho para o relógio de parede. Merda! Empurro Lysandre e desço da pia. Engato o pé no tapete da sala e dou de cara no sofá, ignoro a dor no nariz e pego o celular.

— Oi mãe! – atendo em tom alto.

— Oi querida. Está tudo bem? Parece aflita— ela percebe pela minha voz.

— Não, não. Está tudo bem, eu só tropecei no tapete, nada de mais – respiro fundo. – Como está o papai?

— Ai... O seu pai... — Ela começa com suas reclamações, eu finjo prestar atenção.

Procuro Lysandre, deve estar pegando a camisa na secadora.

— Ah sim mãe, é... Eu tenho que resolver algo agora. Te ligo mais tarde, ok?

— Mas... – ela suspira— tudo bem. Te amo.

— Beijo mãe. Amo vocês – encerro a ligação.

Lysandre sai da lavanderia. Já está vestido.

— Desculpe. Mães, você sabe – coço a nuca.

— Entendo. – Lysandre dá um meio sorriso.

Eu o acompanho até a porta, mas não sei o que fazer depois.

— Obrigado pelo café, já pode dormir tranquila agora – ele beija a minha bochecha. – Até amanhã.

Dou um tchauzinho mecanizado.

Ouço uma espécie de rosnado ao meu lado. Castiel está apoiado no batente da porta, com a testa franzida, me encarando com seus olhos cinzas.

Estou muito... Muito ferrada.

Notas finais
Espero que esteja gostando. Comente *---* Até o próximo o/ Beijos :*