Os Sete Pecados
1 Arquivo luxúria
Notas iniciais

Acabei de chegar de viajem, são cinco horas da manhã e daqui a três horas eu tenho uma entrevista de emprego. O maldito voo atrasou devido à chance de tempestade, acho que esperaram tanto que ela acabou vindo mesmo. O elevador do prédio está parado no meu andar e não quer descer, olho para as escadas.
Nem morta subo aquilo tudo... Claro que não, morto não anda, anta.
São dez andares, só de imaginar meus pés já começam a doer, fora ter que carregar essa mala que parece pesar uma tonelada, acho que troquei ela no aeroporto por um contrabando de drogas. Depois de quase esfolar meu dedo apertando o botão do elevador, finalmente ele desce. Arrasto a mala para dentro e aperto o botão do décimo andar, em poucos segundos eu chego e saio daquela caixa metálica.
— Ai! – Mas que caralho! Chutei alguma coisa, meu pobre mindinho está latejando, espero que não tenha cortado.
— Você está bem? – ouço alguém perguntar. – Sabia que não devia ter deixado essas caixas ai.
Se sabia então porque raios deixou?
— Tudo bem, só bati o dedinho – digo e levanto a cabeça para ver quem é o gênio.
Minha boca se abre em surpresa. É um homem alto, de físico atlético, olhos cinzas e cabelos vermelhos. Não ruivo, vermelho de farmácia mesmo, escuro e vibrante como... Como um tomate maduro. Depois daquela viajem estressante, ver um homem tão bonito dá até um ânimo.
— Tem certeza? Você pode tê–lo cortado, não quero ter meu nome em um boletim de ocorrência depois – ele diz com um sorriso de canto sedutor.
— Talvez você possa me ajudar com essa mala, ai eu poderei pensar no seu caso – digo entrando na brincadeira.
— Acho que não tenho escolha, melhor aceitar sua proposta do que dormir na sarjeta, até porque não tenho alguém para pagar a fiança – ele pega a mala pela alça. – Qual apartamento?
— 1006 – Respondo.
— Então somos vizinhos, o meu é o 1007 – ele diz.
Vizinho gato, um ponto para o novo apartamento.
Caminho até meu novo lar, pego a chave na bolsa e abro a porta.
— Aqui já está bom.
— Tem certeza? Posso levar até sua cozinha, sala ou até o... – esse sorriso de canto dele é de deixar as pernas bambas.
— Não, obrigada – estreito os olhos. Que sujeito espertinho.
— Tudo bem – ele solta a mala na porta. – Posso ao menos saber o nome de minha mais nova e bela vizinha?
Coro levemente com o elogio. Uhm... Acho que vou dar uma de espertinha também.
— Se você me convidar para tomar um café...
Ele estreita os olhos, percebendo meu joguinho.
— Sábado, às 16h00min na cafeteria da esquina? – ele pergunta.
— Fechado – dou um sorriso de satisfação.
Ele dá uma piscadela e vai até as caixas ao lado do elevador.
— Vou tirar essas coisas daqui antes que mais uma donzela tropece, agora já estou comprometido.
Dou uma risada leve e começo a fechar a porta.
— Boa noite, vizinho.
Tranco a porta, jogo os sapatos num canto e largo a mala no corredor mesmo. Olho meu dedinho do pé, está apenas vermelho, nada de mais.
Tenho 2 horas e 45 minutos até a entrevista, levo 15 minutos de a pé até lá, preciso de 30 pra me arrumar e 5 pra tomar um café, então tenho 1 hora e 55 minutos pra tirar uma soneca e tentar não parecer um zumbi.
Programo o despertador e me jogo na cama, estou tão cansada que apago em questão de segundos. O tempo parece voar, logo o despertador começa a apitar e chacoalhar, dou um tapa nele, desligando–o, me espreguiço e pulo da cama; até que foi um bom cochilo, deu pra recuperar um pouco da energia.
Vou tirando a roupa pelo caminho, entro no banheiro e ligo o chuveiro... Legal, esqueci o sabonete. Corro nua até o corredor e pego minha nécessaire, volto ao chuveiro e coloco um pouco de sabonete líquido na palma da mão, espalho pelo corpo e faço bastante espuma, me enxaguo, lavo o rosto e fecho o registro. Não tenho tempo para lavar e secar o cabelo, mas ele está limpo e cheiroso ainda.
Pego a toalha pendurada sobre o box e me enxugo, enrolo ela no corpo e volto ao corredor, tombo a mala no chão, pego uma lingerie limpa e meu conjunto social, me visto e arrumo o cabelo; olho o relógio, ainda tenho 10 minutos para me arrumar, sento na cama e começo a fazer uma maquiagem bem leve, realçando apenas meus olhos com um lápis e rímel. Pronto, agora tenho que colocar algo no estomago, vou passar na cafeteria aqui perto; pego minha bolsa e calço os sapatos, pego as chaves e tranco a porta.
— Bom dia – ouço uma voz grave.
Olho para minha esquerda. É o vizinho ruivo.
— Bom dia – digo guardando as chaves.
— Chegou tarde e já está saindo? – ele pergunta ajeitando o sobretudo.
— Você não está fazendo o mesmo? – ergo a sobrancelha.
— Uhm... É mesmo – ele olha no relógio de pulso. – Quer um café?
— Não obrigada, vou acabar me atrasando – digo andando até o elevador.
— Trabalho? – ele entra junto comigo.
— Entrevista – respondo apertando o botão do térreo.
— Posso te dar uma carona – ele oferece.
— Tentador, mas não – respondo.
Ele sorri e eu me toco do que disse.
Não que “ele” também não seja tentador.
Me pego olhando o com malícia, a porta se abre e eu saio apressada.
— Boa sorte – ele acena.
— Obrigada.
Acelero o passo e entro na loja de café.
— Um expresso puro e um pão de queijo, por favor – peço a balconista.
Pago os dois e os pego com um rapaz bonitinho, no lado de fora eu dou um gole e sinto o gosto amargo, esqueci–me do açúcar, agora já era. Dou uma mordida no pão de queijo e começo a andar, não posso me atrasar.
Atravesso o semáforo, já foi metade do café e acabo de engolir o último pedaço de pão. Avisto o prédio da editora e olho no relógio, tenho 5 minutos, bebo o resto do café e jogo o copinho na lixeira; paro na frente do edifício e ajeito meu blazer, a porta automática se abre e eu entro.
— Bom dia. Tenho uma entrevista marcada para as 8h00 – digo a recepcionista.
— Seu nome? – ela pergunta.
— Diana Sinner.
— Certo. Acompanhe–me, por favor.
Sigo–a até o elevador e subimos até o segundo andar, entramos na sala de Recursos Humanos, ela entrega uma folha a outra mulher e lhe diz alguma coisa.
— Ok. Obrigada – diz a mulher.
A recepcionista vai embora.
— Prazer, sou Melody, Analista de RH – ela se apresenta.
— O prazer é meu – digo.
— Sente–se – ela aponta a cadeira a sua frente.
Sento–me e ela começa a entrevista, me faz perguntas sobre disponibilidade de tempo, algumas informações pessoais, habilidades e conhecimentos referentes ao cargo, as coisas de sempre.
— Agora a última pergunta – Melody estreita os olhos. – Algum problema em trabalhar com homens?
Eu pestanejo e respondo. – Não. – O que será que ela quis dizer com isso?
— Perfeito. Você pode fazer um teste prático hoje?
— Claro – afirmo empolgada, depois daquele café vou ficar acordada por horas.
— Me siga, por favor – ela se levanta, pega uma pasta preta e sai da sala, eu a sigo. — Você vai trabalhar com literatura.
Pegamos o elevador e subimos até o terceiro andar, é um prédio baixo, mas bem amplo. Sigo–a até uma sala grande, a porta esta aberta e ela me diz para entrar. Eu dou dois passos e paro, agora entendo o porquê daquela pergunta, há apenas homens na sala, sete para ser mais exata.
— Bom dia rapazes, esta é Diana, ela fará um teste para preencher a vaga de editora.
Os sete param o que estão fazendo e olham para mim. Sinto uma onda de energia percorrer meu corpo; encolho–me involuntariamente, é como se eles conseguissem ver através de minha roupa.
— Diana, este aqui é Ken – Melody diz indicando o rapaz próximo à porta –. Ele é responsável por fazer e atender as ligações, o chamamos de “garoto do telefone”.
— Olá – ele diz –, mas é Kentin.
Os materiais de trabalho estão perfeitamente arrumados em sua mesa, todos ao seu alcance como se desse extremo valor a eles e quisesse que mais ninguém os utilizasse.
— Ao lado dele está Dakota – diz Melody –, ele cuida da parte estética, nosso garoto propaganda.
— Muito prazer – ele diz sorrindo, seus olhos claros são absurdamente sexys –, pode me chamar de Dake.
— O outro loiro é Nathaniel – Melody suspira apaixonadamente –, um dos editores.
— Prazer – ele me olha de cima a baixo, examinando–me.
Melody parece não gostar disso.
— Na frente está Armin, nosso revisor.
— O melhor, não deixo passar nada – ele diz estufando o peito.
— É... Chega a ser chato – diz o homem negro ao seu lado.
Ele tem olhos dourados intensos, nunca vi algo assim.
— Esse ai é Dajan – Melody dá uma risadinha –, ele faz pesquisas sobre o público, averigua as vendas e às vezes mete o bedelho nas lojas.
— Só estou tentando ajudar – ele se defende.
— Está tentando é roubar o trabalho do setor de vendas – Armin diz.
— Acalmem–se meninos – Melody chacoalha as mãos. – O quietinho ali é Lysandre, ele caça os autores.
— Olá... – ele diz preguiçosamente.
— E o rei das discussões, Castiel. – Ela indica a mesa da ponta. – Nosso querido editor chefe.
Eu olho para o homem e meus olhos se arregalam.
— Acho que não vou mais precisar pagar um café – ele diz sorrindo de canto.
Não acredito. O gato ruivo, meu vizinho... É meu futuro chefe.
— Parece que vocês já se conhecem – Melody fala olhando para nós dois. – Então ela é toda sua Castiel.
Eu coro violentamente. Isso é coisa que se diga?
— Obrigado Melody, cuidarei dela direitinho – ele diz colocando os óculos de leitura.
Incrível como conseguia ficar ainda mais bonito.
— Tchau rapazes, bom trabalho – Melody acena e pisca para Nathaniel, mas ele a ignora completamente.
— Começou logo pelo pior Diana? – Dakota pergunta.
— Seria pior se fosse por mim – diz Armin.
— Vocês não se acham presunçosos demais não? – Nathaniel pergunta.
Eu fico olhando de um para o outro, confusa.
— Não de bola para esses moleques, venha cá, tenho algo para você fazer – Dajan se levanta.
— Para ela ou para você fazer? – Lysandre insinua por trás da pilha de livros.
— Tirem suas garras dela, seus urubus nojentos! – Kentin diz pondo–se na minha frente.
— CHEGA! – Castiel urra fazendo todos se calarem. — Se têm tempo para tagarelar é porque estão sem serviço.
Todos suspiram como se já soubessem o que está por vir.
— Dajan, quero dados sobre a última venda. Dakota, quero outra cor para a capa deste livro. Lysandre, vê se acha logo aquele maldito contrato. Kentin, telefona para a autora, ela tem que inventar outro título. Armin, você deixou passar dois erros no capítulo 8.
— Quê?! – Armin exclama indignado e começa a vasculhar várias folhas.
— Nathaniel, cuide de tudo, – Castiel completa – tenho que ir até os designers, acabou o prazo.
— Ok – Nathaniel apenas afirma.
— Diana, você vem comigo. — O ruivo pega uma pasta com alça e passa por mim andando bruscamente, sem delongas eu o sigo até o elevador.
— Você sabe costurar, pintar, coisas do tipo? – ele pergunta.
— Ah, eu... – ele me encara. – Sei sim – respondo.
Não que eu não saiba, mas não é uma das áreas na qual sou especializada. Descemos até a garagem, ele tira a chave do bolso e abra a porta de um Impala 67 preto, com aros e para–choques cromados. Eu fico parada, babando naquele clássico.
— O que foi? – ele pergunta abrindo a pra mim.
— Nada – respondo e sento no carona.
Ele gira a chave e o motor ronca, parece novo . Não consigo conter o sorriso de contento e acabo denunciando–me.
— Gosta de carros? – ele pergunta enquanto saímos do subsolo e pegamos a avenida.
— É uma de minhas paixões – respondo olhando pelo retrovisor.
— E quais seriam as outras?
— Motos, música, café... – Digo com inocência.
Ele ri e eu então entendo.
— Oh não! Não estou cobrando o café – nego, envergonhada.
— Então por que você não me paga um?
— Acho que seria estranho, não?
— Só porque há a possibilidade de eu ser seu futuro chefe?
— Talvez os outros funcionários pensem que estou tentando te subornar.
— Precisaria muito mais do que isso – ele me olha.
— Mas não é o que estou fazendo – digo inflando as bochechas.
Ele começa a rir de minha reação.
— Qual é a graça? – pergunto irritada.
— Nada – ele continua dirigindo tranquilamente, mas acima da velocidade permitida.
Viro para o lado e observo a cidade. Apesar de conter muitos prédios, é deveras charmosa. Em poucos minutos paramos.
— Chegamos – ele para em frente a um sobrado com muitas floreiras nas janelas.
Descemos do veículo e subimos pela escada externa até o andar superior, entramos em uma sala com uma grande mesa quadrada no centro, nas paredes há estantes com caixas cheias de papéis e tecidos coloridos, moldes e outros materiais de confecção.
— Rosalya! – Castiel já chega urrando.
— Não grita comigo seu ogro! – diz uma mulher de longos cabelos platinados, ela dá um murro na mesa e bufa.
— Você está atrasada!
— Eu sei!
Eles discutem na base do grito. As outras três mulheres apenas permanecem quietas, como se já estivessem acostumadas com aquilo.
— Se sabe então porque está perdendo tempo falando?
Rosalya segura as lágrimas de choro.
— Um dia eu ainda vou esmurrar a tua cara – ela diz fechando os punhos.
— Ai você perde seu emprego – diz Castiel.
— Há! Querido vocês precisam tanto de mim quanto eu de vocês – ela retruca.
— Tanto faz. – Castiel balança a cabeça e vai até a mesa dela. – O que é isso?
— A capa que vocês pediram – ela responde como se fosse óbvio.
— E isso lá se parece com uma?!
— Não está acabada ainda.
— É, eu vejo isso.
Não sei dizer qual dos dois é o pior.
— Claro! Pedem–me o impossível! – a platinada grita.
— Achei que fosse capaz disso – Castiel provoca. – Parece que te superestimei.
Rosalya estreita os olhos e pega a pequena lata de tinta sobre a mesa.
Eu corro até eles e fico entre os dois para apartar a briga. Sinto a mão de Castiel tocar levemente minha cintura, mas não dou bola.
— No que podemos ajudar Rosalya? – pergunto.
A artesã muda rapidamente seu foco de atenção.
— Você pode nos ajudar a recortar os quadros de ilustração. Violette, oriente–a.
— Oi – diz uma jovem tímida de cabelos violetas – Você só tem que recortar estas sobras. Use uma régua e um estilete.
— Entendi – pego as ferramentas e começo a trabalhar.
Castiel parece ter encontrado algo para fazer também, mas posso sentir seu olhar sobre mim ocasionalmente. Todas parecem trabalhar muito bem, sempre em sincronia; Castiel e Rosalya não trocaram mais um “ai” se quer.
São 15h00, finalmente acabamos. Todos suspiram de alívio, os dois brigões trocam sorrisos recíprocos, apesar das discussões, eles parecem trabalhar bem juntos.
— Obrigada pelo trabalho meninas – diz Castiel.
Todas acenam com a cabeça. Pegamos o material e saímos do sobrado, entramos no carro e seguimos viajem de volta para a empresa.
— Elas sempre perdem o prazo? – pergunto.
— Nem sempre, mas às vezes precisam de uma pressão, elas tem muitos pedidos, são as melhores da região – Castiel responde.
— Entendo. Rosalya parece saber muito bem o que faz – comento.
— Sim. E ela sempre está certa, mas eu gosto de implicar sabe, só para não perder o costume.
Voltamos à editora e ao trabalho. Entramos na sala e todos olham para mim novamente; estou começando a ficar nervosa com isso.
— Diana, você pode pegar a pasta de contratos número dez no arquivo? – Lysandre me pede.
— Sim, mas... Eu não sei onde ficam os arquivos – digo.
— Eu te mostro – Dakota se voluntaria.
Sigo–o pelos corredores do prédio. Noto que seu cabelo é longo, mas está preso para trás com discretas presilhas. E é loiro como o de um surfista, meio queimado nas pontas.
— É aqui – ele diz parando subitamente.
Eu esbarro nele, batendo com os seios em suas costas. Coloco as mãos no tórax, foi um pouco dolorido.
— Tudo bem? – ele pergunta, descendo o olhar para o meu peito.
— Tudo, não se preocupe – abro a porta da sala.
Dá para se perder ali dentro de tantas fileiras de arquivos.
— Está na segunda fileira, gaveta de cima – o loiro indica.
Eu vou até o lugar indicado, abro a gaveta, mas é muito alto para enxergar dentro. Fico na ponta dos pés e me empino toda, mesmo assim não consigo.
— Quer ajuda? – Dakota pergunta com voz melosa. Nem o vi chegando por trás de mim.
Assusto–me e bato com a cabeça no arquivo. Sinto sua pélvis encostar–se a meu bumbum. Minhas bochechas ruborizam e meu coração dá umas batidas a mais.
— Cuidado – ele afaga o topo de minha cabeça. – Aqui – me entrega um envelope.
— Obrigada – pego o contrato e vou em direção a porta, mas assim que vou abri-la o garoto propaganda me impede, segurando–a.
— Por que a pressa? – ele pergunta ao pé do meu ouvido.
Eu me viro e dou de cara com aquele olhar verde-claro, tão lindo quanto um campo ensolarado, ele se aproxima de meu pescoço e assopra suavemente. Sinto um arrepio excitante e os pelos de meu corpo todo se eriçam.
— Dakora...P-preciso levar logo isso – gaguejo –, e a-ainda temos que levar o livro para impressão.
— Garanto que eles podem esperar mais alguns minutos – ele toca meus lábios com o polegar. – E disse que pode me chamar de Dake.
Abro a boca para protestar, mas ele me cala no mesmo instante, beijando-me. Invade-me a boca com a língua e deixa-me de pernas bambas; seu beijo é cheio de luxuria, posso sentir cada parte, cada toque, cada sabor de seus lábios pecaminosos.
O loiro começa a pressionar meu corpo contra a porta, sinto a maçaneta acomodar–se entre minhas nádegas e isso me faz imaginar coisas. Estou pulsando, sinto minha calcinha umedecer–se pouco a pouco.
De repente ouço passos pelo corredor, são duas mulheres conversando.
— Vou pegar um café, você quer um? – pergunta a primeira mulher.
— Quero sim, mas com adoçante. Vou pegar algumas coisas no arquivo e já vou lá – responde a segunda.
Ferrou. O que eu faço agora?
Dakota parece não se importar, continua me apertando e levando–me a loucura, mas eu preciso parar com isso, se me pegam desse jeito, adeus emprego. Esforço–me ao máximo para largar aquela tentação, empurro o loiro e arfo com desespero, afastando–me da porta.
— O que pensa que está fazendo?! – pergunto indignada.
— Você parecia tensa – ele diz calmamente.
E ele achou que aquilo iria me deixar mais calma?
Não tenho tempo para discutir, a maçanete gira e a porta se abre, uma loira de olhos dourados aparece e fica nos encarando.
— O–obrigada Dakota, já vou indo – invento na hora –. Bom dia – digo a mulher e saio andando rapidamente de volta a sala de edição.
Entro na sala e todos olham para mim novamente, mas desta vez estreitam os olhos como se desconfiassem de algo. Eu entrego o documento a Lysandre e sento no meu lugar.
Calma Diana, respira.
Ah meu deus! Mas que diabos foi aquilo?
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