Os Selos Do Destino
15 Operation Loup
Notas iniciais
Ainda sem ideias do porque da aparição da Ainori os quatro jovens voltaram a seguir seu caminho. O mais estranho durante a caminhada foi que Hans ainda não havia voltado. Quanto mais caminhavam mais se afastavam da floresta atrás deles, sem contar que o lugar não possuía mais nenhuma criatura, como se o ecossistema do local tivesse desmoronado. Uma construção surgiu no horizonte. Dois edifícios altos, conectados por uma ponte fechada. Sem nenhuma porta de entrada, ou janela para deslumbrar o que havia do lado de dentro, somente uma maçaneta provinha da parede da torre da esquerda.
Confusos deram uma volta em cada uma das torres e não encontraram nada. A maçaneta continuava sendo a única maneira aparente de entrar no local.
– É um quebra-cabeça, só pode — Pensou Allan.
– Mas se fosse esse o caso precisaríamos de uma pista inicial, não? — Perguntou Martin, olhando para cima.
– Certo, temos uma maçaneta, o que mais? — Cloe começava a pensar a respeito.
– Mais nada, olhamos do outro lado e a única coisa que serve é essa maçaneta idiota, bem que ela poderia ser uma porta para entrar– Samantha foi tentar girar a maçaneta e ouviu um clique junto de um pequeno brilho que contornou a maçaneta e a pedra onde estava contida revelando uma porta. Empurrou o bloco pesado para a frente e adentrou no edifício. Nunca o dom dela fora tão bem-vindo.
– Tudo bem, foi mais fácil do que eu imaginava, vamos aproveitar e ver o que tem dentro — Disse Allan.
Os passos do quatro jovens ecoavam no escuro. Cloe tirou uma poção de uma das alças de seu cinto de utilidades, a chacoalhou e jogou o líquido no chão, resultando em um brilho que iluminou parte do ambiente. Estavam rodeados por grandes monitores e computadores, que formavam o que parecia ser uma central de controle gigantesca. Haviam escadas de metal que subiam a torre por vários níveis, ainda obscuros pela falta de luz. Quando chegaram no centro do lugar a porta por onde entraram se fechou e luzes começaram a se acender do térreo até o lance mais alto das escadas.
– Agora que desperdicei a poção as luzes ligam, né? — Disse a ninfa com raiva. Logo os monitores ligaram e a torre pareceu acordar.
– Por que todos esses computadores estão aqui?
– Me faço a mesma pergunta, Sam.
– Venham aqui, vocês precisam ver isso. — Chamou Martin do segundo andar.
Cloe e os gêmeos subiram dois lances de escada e chegaram onde o leprechaun estava. Os monitores agora mostravam o lado de fora, as zonas que foram destruídas, as que ainda restavam ilesas e várias perspectivas do lado de fora da torre.
– Eu juro que não vi nenhuma câmera lá fora — Cloe chegou mais perto do paredão de monitores à frente e viu brevemente movimentos em uma das imagens transmitidas. — Vocês viram isso?
– Isso o quê? — Perguntou Allan. O lugar parecia cheio de mistérios, queria saber o que tinha além da ponte que conectava uma torre à outra.
– Eu vi alguma coisa se mexendo nesse monitor aqui — Apontou para a imagem que agora não era mais do que uma chuva estática. — Ah, não, não…
– Será que foi a garota que encontramos? — Enquanto Martin falava, outras câmeras pararam de transmitir o que acontecia, uma a uma um vulto passava e alguns segundos depois a chuva estática tomava lugar.
– Precisamos fazer alguma coisa, seja lá quem ou o que está fazendo isso pode saber entrar aqui, e pelo visto é rápido. — Os cabelos da garota começaram a tomar um tom roxo. Voltou rapidamente para perto dos amigos.
– Sam, você por acaso não me ajudaria, não? — Os gêmeos trocaram olhares, e logo se entenderam. — Pelo visto os bolsos extras que pedi pro Martin por no meu robe não foi à toa — Tirou o videogame portátil do robe e um cabo de conexão, conectou em um dos computadores que dava suporte aos monitores.
– Não teria um extra? Só trouxe o meu celular no bolso da calça — O celular da irmã estava pronto.
– Por sorte, sim — Pegou outro cabo do robe, entregou à irmã e soltou mais um olhar.
– Operation Loup, start! — Gritaram os dois eufóricos.
– Ei, o que estão fazendo, ficaram loucos? E se tiver mais alguém aqui?! — Cloe olhou para o resto do local acreditando que haveria mais alguém ali.
– Fique tranquila Cloe, vai ser mais rápido do que você pensa — Respondeu Samantha.
– Vocês não estão fazendo o que estou pensando, estão? — Quis saber Martin.
– Não sou nenhum leitor de mentes, mas caso queira saber vamos nos infiltrar no sistema. — Allan selecionou algo no seu videogame e a tela do computador em que estava ficou preta com alguns escritos em branco.
– Vocês vão hackear o sistema?! — A ninfa agora tinha os cabelos esverdeados de ansiedade. — Devem estar de brincadeira. É óbvio que deve estar encantado.
– Não tenho um cartão de memória com 64 gigas só de enfeite — Revidou a gêmea Loup. — Vou me infiltrar estando encantado ou não.
– Sam, o firewall está fechando as portas disponíveis — Os dois irmãos olhavam fixamente para seus respectivos monitores e teclavam insaciavelmente o teclado, fazendo ecoar o andar onde se encontravam. — Vou ter que conseguir a senha de acesso por modo offline.
– Tudo bem, aqui eu consegui entrar — Allan parou o processo dele e foi para junto da irmã. — Aqui, achei o controle das câmeras externas!
– Tente restabelecer conexão, talvez as imagens voltem. — A irmã teclou algumas vezes em vão. Sem conseguir nada, Allan teve uma ideia melhor. — Martin, fique de olho nas câmeras que cercam as torres e nos avise se algo se mexer, você também Cloe. Sam, procure algum sistema de proteção. Se a única coisa que tem por aqui são essas torres é pra cá que aquela coisa está vindo.
– Certo! — Responderam os outros três.
Enquanto Samantha tentava encontrar o sistema de segurança das torres, Allan seguiu para os níveis superiores, subindo os degraus o mais rápido possível. Quase perto do topo olhou para baixo e pressentiu que precisava fazer algo. Se concentrou e transmutou alguma das mesas em armadilhas de urso. Quatro, grandes e perigosas. O som agudo se ouviu e estava de volta ao térreo, as colocou no chão perto da entrada, quem quiser que entrasse iria pisar ali e ficaria sem poder andar durante um tempo. Outro portal instantâneo e havia voltado onde estavam todos.
– Tudo certo por aqui?
– As torres têm uma espécie de escudo mágico, mas aparentemente ele está com energia baixa. — Explicou a irmã.
– Como se já tivesse sido atacada… — Sussurou Martin. Uma ideia começava a tomar forma na cabeça do garoto ruivo.
– Ok. Deixei uns presentinhos lá embaixo para quem entrar. Só espero que o que eu pensei dê certo. Cloe quanto tempo dura aquela poção que brilha?
– Ahn, creio que alguns minutos, já faz algum tempo que estamos aqui então duraria no máximo mais cinco ou seis minutos.
– O escudo precisa aguentar seis minutos então — O gêmeo pensou em voz alta. — Sam tem alguma planta das torres em algum lugar do sistema? Queria checar uma coisa.
– Claro, o sistema de segurança tem um modelo 3D, — Os monitores se tornaram um só mostrando as duas torres conectadas e seus andares. Dois paralelepípedos com várias seções — tem até detecção por infravermelho. — Apertou um conjunto de teclas e formas vermelho amareladas formaram-se no andar em que estavam. Só não esperavam ver formas na outra torre. — Não pode ser!
– Tem alguma câmera interna pra ver quem é?
– O mais estranho é que não estão se mexendo e estão, aparentemente, no subsolo — Reparou Martin.
– Procure pelas plantas separadas, devem ter nomes. E volte a conectar as câmeras externas — Samantha trouxe as imagens de volta, porém todos os monitores exibiam a mesma imagem de chuva estática. Allan estremeceu.
– Só consegui as plantas do térreo e dos andares superiores da outra torre. — Colocou as imagens na tela. Assim como antes, a imagem surgiu na tela mostrando o prédio pelo infravermelho. Nada pareceu.
– Pastas ou arquivos escondidos? Nada do subsolo? Será um bug? Bom, seja lá o que for precisamos sair daqui, e rápido. — Allan começava a andar em direção às escadas.
– Volte para a imagem anterior, a que mostra as duas torres — Martin já tinha entendido a situação só precisava confirmá-la. Samantha fez o ordenado e esperou por uma resposta. — Por mais tempo que olhemos não vão se mexer, já sei o que são, onde moro temos um sistema parecido pro plantio. Ele garante colheita o ano inteiro. São totens de energia e estão sobrecarregados. Não sei se repararam, mas esta é a única construção em toda a área de caça, uma extensão tão grande dessas poderia ser enfeitiçada sim, só que demoraria muito tempo e o feitiço teria que ser muito forte para durar tanto tempo. Mesmo com alunos vindo aqui as magias deles afetam o ecossistema do lugar. Manter este lugar imenso precisaria de energia em tempo integral. Precisamos resfriar os totens, antes que entrem em colapso e destruam toda a área de caça.
Com a declaração de Martin todos congelaram. Allan tomou a iniciativa.
– Sam, instale um keylogger e saia do computador. Deixe o escudo funcionando. — A gêmea repondeu com um aceno de cabeça e voltou a teclar freneticamente — Cloe tem alguma poção que esfrie?
– Tenho, mas acho que não seria suficiente… — A preocupação da garota já havia chegado aos cabelos recobrando a cor roxa de preocupação.
– Tudo bem, eu consigo resolver o problema, talvez — Incluiu Martin.
– Pronto! Podemos ir, destranquei a porta da ponte remotamente, mas pelas duvidas tenho tudo arrumado — Samantha levantou o smarthphone e sorriu.
– Operation Loup, finished! — Os gêmeos novamente proclamaram seu lema, porém com um tom mais preocupado.
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