Os Selos Do Destino

16 Um anão que faz vento


Notas iniciais
Eu sei, eu sei. Sumi. O problema que fui sequestrado pelo bloqueio de criatividade - mentira. Estou realmente sem tempo ;-; Sem mais delongas, vosso capítulo.

Os quatro subiram o mais rápido possível. A porta que Samantha havia destrancado os esperava aberta, o corredor que levava à outra torre parecia não ter fim. Correram sem pensar duas vezes. Na metade do caminho a porta do outro lado parecia inalcançável. Quando finalmente chegaram a porta chiou e abriu.

O interior da outra torre era semelhante, metade dos andares por onde passaram correndo continham diversos conjuntos de gavetas. Nas mesas, vários arquivos espalhados. Martin conseguiu pegar uma das pastas e colocar em sua bolsa. Próximos do térreo os arquivos deram lugares a gigantescos armazenadores de dados. Samantha se conteve ao ato de se conectar e ver o que havia ali guardado.

Finalmente no térreo uma porta levava a outro conjunto de escadas que desciam ao subsolo. Depois de vários lances chegaram a uma porta de metal semelhante à que dava acesso ao corredor suspenso por onde entraram, porém essa necessitava de acesso por senha.

– Pra conseguir a senha eu preciso de no mínimo um minuto — Começou Allan. — Mas às vezes a melhor senha é uma bola de fogo. Arrumou os óculos na ponte do nariz e concentrou a energia na palma da mão. O brilho azul da bola de fogo surgiu e rapidamente a atirou contra a porta. — Afastem-se!

A porta pareceu ser sugada por um mini buraco negro e logo depois reapareceu com uma explosão que a derrubou sem nenhuma dificuldade. O calor emanado pelos tótens dispersou a poeira. Passaram pelos escombros que restaram da porta e adentraram na câmara.

Quatro pilares altos, contendo símbolos em alto relevo surgiram em meio à névoa causada pela explosão. Incandescentes, pareciam prestes a derreter.

– São eles, estão superaquecidos. — Rapidamente o leprechaun vasculhava sua bolsa, sem sucesso, pediu. — Preciso resfriá-los.

– Mas como. Não temos tanto tempo assim. Tem algo vindo atrás de nós e precisamos sair daqui o quanto antes. — Replicou Samantha.

– Só um minuto. Cloe você disse que tinha alguma poção que esfriava, certo? Precisamos dela agora. — Incentivou Allan.

– Só preciso que o tótem de água esteja resfriado. — Explicou Martin, enquanto retirava a flauta que estava em sua cintura. — Só um pouco. Este tipo de construção transporta e emana energia para algum lugar. Se for o caso só preciso que aquele tótem seja resfriado. — Apontou para um dos tótens à esquerda. — São, na ordem, água, ar, terra e fogo. Se tenho como canalizar água posso resfriar os outros. Iremos usar o efeito Mpemba. Preciso que sigam as seguintes ordens. Samantha, fique atenta a qualquer sinal de explosão, os tótens racham antes de explodir, ou algo do gênero, normalmente o ar ao seu redor fica mais denso com o vazamento de energia. Cloe, você irá utilizar a poção no tótem de água. — A ninfa acenou com a cabeça. — Allan, você fica de guarda para caso alguma coisa acontecer. E por fim, eu irei invocar um pequeno ajudante.

Com todos prontos o garoto ruivo começou a tocar sua flauta, numa melodia que as ondas tinham uma frequência mais extendida, como o lufar do vento. Samantha mudava o seu foco em períodos regulares de tempo. Sem nenhuma reação; os pilares ainda estava no limite, porém ainda aguentavam. Cloe puxou a poção do seu cinto e a arremessou de maneira com que grande parte do líquido aderiu ao tótem. As inscrições no pilar absorveram a solução jogada pela ninfa e após alguns segundos a pilastra começou a esfriar, a umidade do ar parecia aumentar, piorando a sensação térmica que vinha dos outros monolitos.

Quando finalmente Martin terminou sua canção o chão a sua frente brilhou. E um ser do tamanho de uma criança saiu dali. Era a invocação do vento. Longos cabelos loiros, vestes longas e esvoaçantes tampavam seus pés; porém, era notável que o pequeno ser levitava levemente sobre o chão. Virou-se em direção ao leprechaun e disse:

– Ora, se não é mais um Zwent. — A voz da entidade tinha uma entonação mais madura do que aparentava. — O que quer desta vez?

– Preciso que resfrie a sala com o seu poder, por favor. — O garoto parecia ter uma relação de longa data com a criatura. — A situação está um pouco crítica, se é que você me entende.

– Você sabe que isto terá um custo, não? — Respondeu a criança à sua frente.

– Sim, farei o possível para pagar o antes possível, Anemoi.

– Pois bem, lhe concederei o favor, pequeno Zwent. — O pequeno ser se virou para os tótens e soltou um assovio longo.

Fechou os olhos e o ar ao redor começou a se movimentar. Anemoi levitou mais alto, uma aura parecia emanar dele. Ventos gélidos entraram na sala. Os tótens descarregaram seu calor superficial nas lufadas.

– Acho que já está bom! — Lutou Martin contra o vento forte que se impunha.

As correntes diminuíam sua intensidade na medida que o pequeno ser voltava à sua pose natural rente ao chão. Virou-se para os quatro jovens e articulou:

– Pensei que minha ajuda fosse necessária.

– Mas era, agora nós podemos terminar o que começamos. — Refutou o leprechaun. Aproximou-se do tótem de água que agora apresentava gelo em quase toda sua totalidade; tocou-o e pôs o resto do plano em ação. — Me ajudem aqui. — Pegou uma pequena pedra pontiaguda de sua bolsa e, depois de concentrar um pouco de energia em sua base gudou-a ao monolito. — Preciso que façam o mesmo com os outros três.

– Hmm, não via algo assim há um bom tempo. Tem certeza que o tótem aguenta? — Questionou Anemoi.

– Espero que sim, caso contrário esse lugar inteiro vai explodir — Riu o ruivo.

Depois que todos as pilastras elementais estavam com suas respectivas peças Martin soltou uma nota extendida e a ponta no pilar de água brilhou. De repente algo que não haviam notado lhes chamou a atenção, um anel no dedo anelar do garoto brilhava em tons de azul; agora a melodia começava a tomar forma, pouco a pouco, acelerando de acordo com os seus paços.

– Vocês três não fazem ideia do que ele está fazendo, certo? — Perguntou a entidade aos outros três que admiravam a melodia e balançaram suas cabeças. — É o que eu imaginei. — Revirou os olhos. — Como ele conectou os quatro tótens com aquelas pedras ele agora pode retirar parte da energia de qualquer uma delas. E como são sensíveis ao som, a transmissão é muito mais fácil. Só precisam de um comando e elas farão o resto.

Três rastros de luz saíram da pedra grudada ao tótem de água. A transfusão de energia parecia estar dando certo.

Um estrondo metálico vindo do exterior fez com que o leprechaun errasse uma das notas da melodia. Os quatro jovens se viraram. Encarando o batente onde a porta estava anteriormente. Pararam, estáticos. Partiram em direção do lado de fora, porém Anemoi interrompeu.

– O que pensam que estão fazendo? Não conseguem sentir a energia que vem do inimigo lá fora? Tsc. Essa escola está decaindo cada vez mais. Martin, volte a fazer o que estava fazendo. Garota das poções, tem alguma poção de fogo? — Perguntou a entidade.

– Sim, só que-

– Ótimo, atire ela no batente da porta. — Cloe fez o ordenado sem entender por que. — Agora se preparem para voltar para a escola, seja lá quem for que está atrás de vocês, está num nível totalmente acima. — Anemoi levitou um pouco e fez com que o fogo no batente aumentasse, alastrando-o para fora.

Martin estava terminando de fazer a transfusão de energia, filetes de luz saiam do pilar de água, resfriando os outros rapidamente. Outro estrondo, desta vez mais forte e mais perto.

– Esqueça isso, garoto. Saiam daqui agora! — Ordenou a pequena entidade, aumentando sua distância com o chão. — Não ouviram? — Os ventos agora irradiavam do seu corpo.

– Mas e você? — Replicou o ruivo.

– Se não quiser que eu dobre o seu pagamento é melhor que dê o fora o mais rápido possível.

– Ouviram o anão voador, melhor darmos o fora! — Gritou a gêmea contra o vento.

– Zevs, retornar! — Gritou Allan. Concentrou-se em seu quarto e o som agudo do teleporte foi abafado pelo som do vento.

Logo depois Cloe fez o mesmo, seguido pelo leprechaun. Samantha foi a última. Viu Anemoi atravessar as chamas e logo depois uma explosão balançou as chamas. Tentou se concentrar.

– Vamos, Sam. Você consegue. — Uma segunda explosão. Tentou novamente. — Meu quarto, só isso que eu quero! — Olhou desesperada para as chamas e gritou — Anda logo!

Segundos antes de sua visão mudar, uma tatuagem chamou a atenção da garota. Uma mão se apoiava no batente.

Era um pavão.

Notas finais
Notas de criatividade/fontes/acervo: - Anemoi é a transcrição fonética do grego Άνεμοι que significa ventos, uma entidade relacionada ao ar com nome de vento, why not? xD - O efeito Mpemba é uma teoria/paradoxo de que a água morna congela mais rápido/facilmente que a água com uma temperatura menor - deem uma googlada, exercitem o Google-fu. - Os anéis são itens que, geralmente, depende do tipo de tarefa que o usuário está desenvolvendo. Tentarei explicar isso mais na frente, quem sabe no próximo capítulo. - A flauta: O som varia, se distorce. Canalizando parte de sua energia um mago consegue distorcer não só o som, mas os seus arredores, é algo complexo. Não chega a ser uma quebra no espaço-tempo ou algo do tipo, é mais uma reorganização. *Lista de expicações>itens>flauta adicionada com sucesso* Irei explicar também D: - O pavão: Heheh, esse eu deixo como está, pensem, pensem bastaaaante xD Tchau galerinha o/ Até mais um cap. :3 Don't kill me ;-;