Os Sacrifícios de Alice
5 Capítulo 4 - Helena e Henrique
Notas iniciais
Espero que gostem!
Era um dia calmo, porém chuvoso na escola de Henrique e Helena. Eles estavam andando pelos corredores da escola como fazem todos os dias na hora do recreio. Helena estava saboreando uma maçã, enquanto seu irmão Henrique carregava alguns livros em sua mão esquerda e lia outro com sua mão direita. Os irmãos gêmeos eram os mais novos da turma, suas mentalidades eram muito avançadas e eles tiveram de pular algumas séries. Era muito emocionante e divertido para Helena pular algumas séries junto de seu irmão, já Henrique não gostava muito. Pois vários adolescentes os incomodavam (Principalmente Henrique).
Em seu pequeno passeio pelos corredores, um grupo de garotos esbarrou de propósito em Henrique fazendo-o derrubar todos seus livros no chão.
- Idiota! Porque não olha por onde anda? – disse um dos garotos de boné – Se ficar lendo essas porcarias enquanto anda vai acabar esbarrando em uma pessoa igual fez comigo agora!
- Não tem porque dizer isso, não é mesmo? Ambos sabemos que foi você quem esbarrou em mim de propósito – disse Henrique, calmamente – Não irei discutir futilidades com um garoto imbecil igual á você.
- Ora... Seu! – disse o garoto de boné, fechando o punho e indo para cima de Henrique.
- Ei! Você está pensando que é quem? Não ouse encostar um dedo sequer no meu irmão ou as coisas irão piorar para o seu lado! – disse Helena confiante, entrando na frente de seu irmão.
- Parece que o garotinho precisa da sua irmãzinha para defendê-lo – disse o garoto, rindo de Henrique – Não consegue nem se defender sozinho! Idiota mesmo... Tsc.
- Ora... Ambos sabemos que o único idiota aqui é você. – disse Henrique, distante, porém calmo, apenas observando a situação.
- Vamos embora logo, Henrique. Não tem porque ficar discutindo com esses idiotas! – disse Helena pegando no braço de Henrique e o puxando irritada.
Logo, Henrique e Helena foram se afastando do grupo e a irmã foi soltando o braço do mesmo. Ela sempre ficava irritada e brava quando esses mesmos garotos atormentavam Henrique. O irmão nem ligava muito, sempre distante e perdido em seus pensamentos, esse era o jeito de Henrique.
Mais tarde, ambos estavam indo para casa, Helena parecia preocupada com algo. A expressão no seu rosto era de tristeza e insegurança. Logo, Henrique percebeu e parou de andar, ficou ali observando a irmã. Helena então voltou à realidade e sua expressão mudou para de surpresa.
- O que foi? – disse Helena parando de andar e olhando para o irmão – Porque está parado aí olhando para mim?
- Você parece preocupada, o que está acontecendo?
- Vamos andando... Quando chegar a nossa casa te explico melhor... – disse Helena com uma voz triste, abaixando a cabeça – Tenho certeza que você irá me entender...
Os irmãos foram andando até sua casa calmamente, nenhum falou com o outro durante o trajeto. Henrique estava pensativo, queria saber o porquê de sua irmã estar daquele jeito. Normalmente, Helena é quem se preocupa mais com seu irmão e ela também sempre está sorrindo, de vez em nunca Henrique via sua irmã desse jeito. Helena estava de cabeça abaixa, não prestando muita atenção em nada, dessa vez era ela quem estava perdida em seus pensamentos.
Chegando à porta de sua casa, Helena foi tirando a mochila e começou a procurar por sua chave.
- Não estou achando... Onde foi que coloquei a chave? – disse Helena, um pouco preocupada, mas calma – Tenho certeza que a coloquei em um desses bolsos...
Enquanto Helena procurava sua chave, Henrique olhava para as ruas. Ele estava tendo uma estranha sensação de estar sendo seguido desde que ambos saíram da escola. O mesmo não estava tão preocupado, a sua preocupação no momento era o porquê de sua irmã estar daquele jeito. O garoto olhava as ruas não esperando encontrar ninguém, pois ele pensava que aquela sensação poderia ser apenas fruto de sua imaginação. Foi então, que Henrique percebeu a presença de uma pessoa do outro lado da rua, era uma pessoa encapuzada. Os olhares de ambos se encontraram, mas diferente de qualquer pessoa... Henrique não sentiu medo. O mesmo apenas continuou encarando a figura, assim como ela fazia a mesma coisa.
- Finalmente encontrei! – disse Helena, pegando as chaves e colocando sua mochila nas costas.
- Ainda bem, eu já estava achando que você havia perdido ela – disse Henrique se virando para a irmã.
Helena então abriu a porta e Henrique se virou para as ruas novamente, esperando encontrar aquela mesma figura do outro lado da rua. Mas, não havia nada lá. O garoto apenas pensou novamente que tudo aquilo era coisa de sua cabeça e que estava ficando paranoico.
Ambos então entraram em sua casa, Helena jogou sua mochila no sofá e logo se sentou nele também. A mesma parecia cansada e muito triste, a expressão em seu rosto era horrível. Henrique rapidamente colocou sua mochila em seu quarto e voltou correndo para a sala, pois estava muito preocupado com sua irmã.
- Então? Vai me contar o porquê de tudo isso agora? – disse Henrique se sentando ao lado de sua irmã, com um sorriso no rosto – Tem haver com nossos pais, não é?
- Sim... Eles nunca estão presentes, sempre viajando por causa de seus trabalhos... Já estou cansada de ficar sozinha! Em todos os eventos da escola, eles nunca estão lá – disse Helena, com seus olhos cheios de lágrimas – Você também se senti assim?
- Sabe Helena... Eu também sinto muito a falta deles, mas temos de entender que isso tudo é por causa do trabalho deles! – disse Henrique olhando nos olhos de sua irmã – Pelo menos, temos nossos avós que sempre estão lá para nós. Vamos, não fique assim.
- Mas... Eu sempre vejo todos meus amigos com seus pais em eventos escolares, e nós sempre ficamos lá no canto... Isolados. Nem mesmo nossos avós conseguem estar presentes por causa da idade! – disse Helena, deixando as suas lágrimas caírem – Eu... Só queria eles aqui...
- Vai ficar tudo bem, não se preocupe. Você me tem e eu tenho você, certo? – disse Henrique, abraçando sua irmã – Agora vá lavar esse rosto, hoje o almoço e a janta são por minha conta.
- Ok... Obrigada. – disse Helena, enxugando suas lágrimas.
A garota então foi até o banheiro e lavou seu rosto. A mesma enxugou-o com a toalha e depois olhou para o espelho. “Vocês vão mesmo voltar logo? Papai... Mamãe...” pensou Helena. Ela apenas não aguentava mais ficar “sozinha”, a garota estava com um buraco em seu peito. Essa dor de ficar sem seus pais, estava matando-a, uma dor que apenas eles poderiam curar e mais ninguém.
Henrique logo preparou o almoço, mas nada de interessante aconteceu depois disso. Os dois irmãos apenas foram dormir e acordaram somente para jantar, foi depois disso... Que as coisas começaram a acontecer. Henrique e Helena estavam sentados no sofá assistindo á um filme de terror, no qual o assassino matava várias garotas. Helena era a que estava mais com medo, a garota apertava seu travesseiro muito forte, já Henrique estava apenas assistindo calmamente e saboreando sua pipoca.
- Helena você não quer ir dormir? Já está ficando tarde e você sabe como você fica após ver filmes de terror á noite – disse Henrique, fixando seu olhar em sua irmã.
- Acho que vou dormir aqui mesmo... – disse Helena, deitando no sofá e abraçando seu travesseiro – Boa Noite, Henrique.
- Tudo bem então... Boa Noite – disse Henrique, desligando a TV e logo em seguida deitando no sofá também.
Naquele momento, Henrique começou a pensar em seus pais e no estado que sua irmã estava por causa desse assunto. Mas, havia um lado bom em ficar sozinho em casa, ambos poderiam ir dormir á hora que quiser e a noite poderiam sentir essa paz... Esse silêncio. Ao mesmo tempo também era muito solitário e agonizante. O garoto ficou apenas ali deitado, pensando em tudo isso. Depois de alguns minutos, acabou pegando no sono.
Enquanto ambos os irmãos dormiam, a figura encapuzada os observava pela janela com aquele seu enorme sorriso em seu rosto. A mesma então percebeu que os irmãos haviam deixado à janela destrancada e rapidamente entrou por ela. Por um momento, a figura ficou apenas ali... Observando eles dormirem. Mas, logo em seguida foi direto á cozinha. A criatura então pegou álcool e uma caixa de fósforos, e foi até á sala.
- Tenham bons sonhos... – disse a figura antes de jogar álcool sobre o corpo dos dois irmãos.
Logo, a criatura acendeu rapidamente um fósforo e jogou no corpo de Helena, fazendo a mesma coisa logo em seguida no corpo de Henrique. Ambos os irmãos gritavam desesperadamente e a figura ficou ali rindo, e observando aquela cena. A mesma se sentia melhor fazendo os outros sofrerem, sua dor sumia durante aqueles poucos minutos.
Alguns dias depois, os avós de Henrique e Helena foram visita-los e se depararam com uma cena horrível. Os corpos dos irmãos estavam todos queimados e atirados no chão, suas peles eram carnes vivas e ambos morreram de mãos dadas. A polícia afirmava que foi possível os dois ficarem de mãos dadas alguns minutos antes de sua morte. Mas, foi mais difícil contar para os pais dos irmãos o que havia acontecido, o pai entrou em depressão e começou a se culpar por deixar os filhos sozinhos, já à mãe não aguentou a culpa e cometeu suicídio. O assassino não foi encontrado pela polícia, mas a única pista deixada por ele foi às cartas nas mãos dos irmãos, dois Ás de Copas que juntos formavam a palavra “Alice”.
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