Os Sacrifícios de Alice
6 Capítulo 5 - Alice
Notas iniciais
Você sabe o que é ficar sozinho todo o tempo? Sabe o que é não ter amigos, nem mesmo colegas? É assim que eu me sentia... Meus pais sempre estavam ocupados com alguma coisa, sempre tinham tempo para outras coisas... Exceto eu. Minha irmã mais velha? Bem, ela estava sempre saindo com seu namorado. Eu também não tinha amigos na escola, todos me achavam estranha e “diferente”. Já tentei também fazer amizades com meus vizinhos, mas eles só se importavam comigo quando não tinham outra pessoa para brincar ou algo do tipo.
Eu era realmente infeliz... A única pessoa que se importava comigo, era a minha avó. Ela me entendia de certa forma, eu conseguia sempre ver tristeza em seu olhar, mas ela sempre disfarçava isso com aquele sorriso cativante. Eu acho que ela ficou assim depois da perda de meu avô, parecia que ela amava muito ele... Mais do que qualquer um. Lembro-me de certo dia que fui até a casa dela... Esse foi o dia mais feliz de minha vida.
– Querida, ainda está triste por ninguém te dar atenção? – disse vovó, com aquele belo sorriso em seu rosto – Você sabe que seus pais são desse jeito e sua irmã está em uma idade em que ela gosta de sair. Vamos! Você tem a vovó aqui para o que der e vier!
– Mas... Eu não tenho ninguém a não ser a senhora! Eu queria ter mais amigos, mas todos me acham estranha. No final, quem realmente me entende é você! – eu disse triste como sempre – Só porque eu sou diferente e mais inteligente que eles, todos me odeiam por causa disso!
– Escute, não é porque você é mais inteligente e diferente deles que você tem que mostrar isso! Alice, minha querida... Tente se misturar á eles e por certo tempo... Tente ser igual á eles!
– Eu... Eu simplesmente não consigo vovó! Eles são tão... Idiotas e arrogantes! Não consigo... Realmente! – eu disse, olhando para vovó e quase chorando.
– Esqueça isso, ok? Vou tentar mais tarde conversar com sua mãe para ver se talvez ela te mude de escola. Acho que talvez isso melhore tudo! – disse vovó, sorrindo e fixando seu olhar no meu. – Agora, venha cá. Irei te dar um presente!
“Um presente? O que poderá ser?” pensei comigo mesma. Fui então, caminhando atrás de minha avó, até chegar a uma parte da casa que eu não conhecia. Ela abriu uma pequena portinha de madeira, na qual precisávamos nos agachar para poder passar. Eu estava realmente ansiosa e feliz, vovó sempre me fazia sentir melhor, mas a minha dor sempre voltava...
Aquele lugar estava com um pouco de poeira e teias de aranha, e também estava cheio de ferramentas, como: espadas, foices, machados e muitas outras coisas afiadas... Eu fiquei com um pouco de medo, para falar a verdade... Não tinha muita certeza, mas acho que aquelas coisas pertenciam ao meu falecido avô. Enquanto eu observava o quarto misterioso, vovó veio até mim.
– Aqui está, Alice. Espero que gostem e use muito ela! – disse vovó, pegando uma capa marrom e me entregando com um sorriso.
– Nossa vovó! Essa capa... Ela é linda! – eu disse, sorrindo e logo em seguida abraçando-a – Muito obrigada! Vou usá-la todos os dias!
– Fico feliz por você ter gostado! – disse minha avó, sentando-se á uma cadeira ao lado – Eu não pensei que você iria gostar tanto assim dessa capa.
– Mas é claro que gostei! Na verdade, eu amei! – eu disse, rindo de felicidade.
– Cof... Cof... Alice acho melhor você ir para casa. A vovó está cansada e precisa dormir – disse vovó, mesmo cansada, mas com um sorriso em seu rosto.
Depois disso, levei minha avó até a cama, peguei minha capa e voltei para casa. Minha casa nem era tão longe, era praticamente ao lado da de vovó. Quando cheguei lá, me lembrei de que na escola haviam pedido para fazer um desenho de sua família. Eu tinha desenhado nossa casa e na frente estavam: Mamãe, papai, minha irmã e eu. Fui correndo até meu quarto, coloquei minha capa sobre a cama e abri minha mochila para pegar o desenho, por um momento eu cheguei a sorrir muito ao lembrar deste desenho... Mas foi então, que percebi que eles não iriam ligar muito. Não custa tentar, não é mesmo? Peguei meu desenho na mochila e fui confiante até o quarto de minha irmã, talvez ela entre os três seja a que se importe um pouco...
Eu bati na porta duas vezes, mas só na segunda que ela me respondeu.
– O que você quer, pirralha? Não está vendo que eu estou no telefone? Diga logo o que quer! – disse minha irmã, ignorante como sempre.
– Ah... Eu só queria mostrar este dese... – eu disse, antes dela tomar de minha mão.
– Huh? Que pedaço de lixo é esse? Não me diga que foi você quem fez?! – disse minha irmã, caindo na gargalhada – Vá mostrar esse lixo para nossos pais, não estou muito interessada no momento.
– Tudo bem... Estou indo então – eu disse de cabeça abaixa.
– Quando sair feche a porta.
Eu realmente fiquei magoada, ela não sabe o quanto dói isso! Eu havia feito aquele desenho de coração e ela simplesmente dizia que era um pedaço de lixo?! Acho que nem valeu a pena tentar... Será que meus pais iriam fazer o mesmo?
Eu fechei a porta do quarto dela e fui em direção á sala, onde geralmente meus pais estão. Minha moral estava muito baixa depois disso, não sei se valerá a pena mostrar o desenho para eles também...
Quando eu desci as escadas, lá estavam eles. Sentados no sofá e assinando alguns papéis. Não pensei duas vezes e fui direto mostrar meu desenho.
– Mamãe! Papai! Olhe o desenho que fiz de nós na escola, vocês não acham que está muito bonito? – eu disse estendendo meu braço e mostrando o desenho á eles.
– Nós estamos muito ocupados agora, não tem como nós ficarmos vendo essas besteiras. Volte mais tarde, talvez a gente veja – disse meu pai, sem tirar os olhos de seus papeis.
Nessa hora... Eu sai correndo da sala com os olhos cheios de lágrimas, primeiro minha irmã... E agora eles? Eu pensei que pelo menos isso eles fariam por mim, custava ver meu desenho? Fui direto para meu quarto e me joguei na cama, comecei a chorar no travesseiro, mas tentei não fazer muito barulho... Eles podiam ficar irritados e brigariam mais ainda comigo. A única que realmente me confortava e entendia era a vovó... E o vovô também, mas depois que ele faleceu... Bem, acho que eu e vovó sentimos muito a falta dele.
Eu também estava sentindo muita raiva naquele momento, comecei a apertar o desenho tão forte que chegou amassá-lo e não tinha mais como deixa-lo bonito do jeito que estava. Depois... Eu apenas joguei o desenho no chão e dormi do jeito que eu estava ali mesmo, eu realmente adormeci muito rápido...
No outro dia, acordei e fui á escola normalmente. Não foi tão problemático assim como eu pensei, não sei ao certo o por que... Mas esse dia na escola foi diferente dos outros. Meu maior problema foi quando eu cheguei a minha casa...
– Até que enfim chegou Alice! Pensei que fosse demorar uma eternidade! – disse minha mãe, séria e fixando seu olhar em mim.
– Ah... Desculpe-me, eu apenas fiquei pensativa no caminho... Acho que foi por isso que demorei um pouco mais – eu disse um pouco triste, mas sorrindo para minha mãe.
– Bom isso não importa agora. O que importa é que temos que te contar uma notícia ruim.
– Hum? O que foi? – eu disse preocupada.
– Bem... Sua avó... Ela... Faleceu, é isso – disse minha mãe, de cabeça abaixa – Mas, eu e seu pai não temos tempo de ir ao enterro dela. Estamos muito ocupados com nosso trabalho.
Naquele momento, eu apenas congelei ali... Era sério mesmo aquilo? Vovó havia falecido? Não. Aquilo não podia estar acontecendo... Era um pesadelo?
– Alice eu estou falando com você! Não está me escutando?! – disse minha mãe, furiosa.
Eu apenas a ignorei e corri em direção ao meu quarto com os olhos cheios de lágrimas. Joguei minha mochila no chão e deitei em minha cama.
– Vovó... Isso é verdade mesmo? A senhora se foi? Não... Isso é um sonho, tem que ser um sonho! – eu disse para mim mesma – E como eles não podem ir ao seu enterro, vovó?! Até para isso eles são ocupados?!
Eu estava sentindo uma grande raiva naquele momento, o ódio estava me dominando. Eu apenas não aguentava mais, aquilo havia passado dos limites. Eu me levantei da cama e coloquei a capa que vovó havia me entregado.
– Você irá perdoá-los vovó? Porque eu não irei! Hahahahaha! – eu disse colocando o capuz sobre minha cabeça e saindo do quarto.
Àquela hora, eu percebi... Algo dentro de mim procurava por vingança, vingança daqueles que nunca sequer ligaram para minha existência! Fui até a casa de minha avó e quebrei a janela, depois entrei por ela e fui em direção á aquele pequeno quarto cheio de ferramentas. Peguei a espada de meu avô e voltei para casa com um enorme sorriso em meu rosto.
Chegando lá, fui até a sala... Onde meus pais estavam.
– Alice o que está fazendo com está espada? Vá guardar isso imediatamente! Não se brinca com essas coisas! – disse meu pai, olhando assustado para mim.
– Não se preocupe papai... Você e todos os outros dessa casa, agora irão dormir para sempre... Então, não dificulte as coisas... – eu disse me aproximando de ambos – Ah... E diga á vovó que eu a amo.
Papai e mamãe então tentaram fugir, mas eu rapidamente cravei minha espada no coração de meu pai e logo em seguida decapitei minha mãe. Era muito boa aquela sensação! Minha dor havia sumido e agora eles nunca iriam me incomodar e me fazer infeliz novamente! Eu coloquei o corpo de ambos um ao lado do outro e o chão se encheu de sangue. Foi então que eu percebi que minha irmã estava atrás de mim... Observando tudo.
– Alice... Por que... Porque você... – disse minha irmã, com a voz tremula e olhando espantada para mim.
– Não se preocupe... Você já já irá se juntar a eles... – eu disse me virando e sorrindo para ela.
– POR FAVOR ALICE! NÃAAAAAAAO! – disse minha irmã, correndo para seu quarto e gritando.
Eu consegui ser mais rápida novamente e cravei minha espada pelo estomago dela, logo vi a mesma cair no chão toda ensanguentada.
Desde então... Eu mato as pessoas para esquecer minha dor e para meu divertimento também... Quero fazer elas sentirem a dor que senti todos aqueles anos...Que ótima solução, não?
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