Os Potter: A Pedra Filosofal
4 Capítulo 4
O Expresso de Hogwarts
A última loja era estreita e levemente, hum, feiosa. Estava desgastada pelo tempo, era isso! Antiga e não feia. Respiro fundo, quem eu estava tentando enganar? Letras de ouro escreviam o nome da loja “Olivaras: Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C”
— É aqui, meninos — Hagrid fala abrindo a porta, fazendo um sininho soar
— Boa-tarde — Uma voz no interior da loja ecoa, fazendo com que eu recolha os meus ombros.
— Hum, oi? — Harry chama.
— Ah, sim — Diz o homem saindo dos fundos da loja — Achei que os veria em breve, Harry e Harriet. Você tem os olhos de sua mãe, Harry e você, Harriet, tem os cabelos dela, vivos como o fogo.
Sorrio e assinto.
— Obrigada.
— Parece que foi ontem que vendi a ela a varinha — Ele divaga, se apoiando na bancada — Vinte e seis centímetros, farfalhante, feita com salgueiro. Uma boa varinha para encantamentos.
Sr. Olivaras se aproxima de mim e de meu irmão, estávamos a poucos centímetros de distância. Desejo que ele pisque, pois nos encarava vigorosamente. Esqueço de respirar, prendo todo o ar e só solto quando ele fala:
— Já o pai de vocês, Tiago, deu preferência a uma varinha de mogno — Ele pisca, finalmente — Vinte e oito centímetros. Flexível e excelente para transformações — Ele ri alto e depois pigarreia — Na verdade é a varinha que escolhe o dono, meninos.
Tento sorrir, mas acho que falho miseravelmente, pois o Sr. Olivaras desvia o olhar para Hagrid.
— Hagrid, Hagrid, como é bom vê-lo — Ele exclama se afastando de nós — Carvalho, quarenta centímetros, meio mole, não pé?
— Sim, senhor.
— Boa varinha, aquela. Porém creio que a tenham partido ao meio quando te expulsaram.
— Sim, a quebraram, mas ainda guardo seus pedaços — Hagrid fala meio animado e meio triste.
— Não a usa, não é?
— Não, senhor!
— Que bom! — Ele se vira novamente para mim e para meu irmão e pigarreia — Bem, agora Sr. e Sra. Potter, vamos ver quem vai acompanhá-los nessa jornada — Sr. Olivaras tira de seu bolso uma fita métrica — Qual a mão da varinha?
— Somos destros — Harry fala.
— Deixe-me ver suas mãos.
Estico o braço e ele me toca com leveza, medindo tudo o que precisava.
— C-Como faz as varinhas? — Gaguejo por ele estar muito próximo de mim.
— Curiosa, Sra. Potter.
— Lily, por favor — Protesto.
— Como quiser — Ele sorri e volta sua atenção para suas medições — Toda varinha Olivaras tem o centro, o seu miolo, feito de uma poderosa substância mágica.
— Sério?
— Sim, pequena Lily. Usamos pêlos de unicórnio, penas de cauda de fênix e cordas de coração de dragão.
Unicórnio.
Fênix.
Dragão.
Todos esses seres existiam e isso me de deixava cada vez mais curiosa para explorar o mundo mágico.
— Não há duas varinhas Olivaras iguais. E é claro que vocês dois não vão conseguir resultados tão bons com a varinha de outro bruxo — Sr. Olivaras explica se afastando de nós e se aproximando de uma das milhares de prateleiras da loja — Harry, experimente esta. Faia e corda de coração de dragão. Vinte e três centímetros. Boa e flexível. Apanhe e experimente.
Harry o fez e a mexeu de forma engraçada.
— Não ria de mim, Lily.
— Não estou rindo, estou apenas sorrindo — Retruco fazendo uma careta.
— Hum, está não é a sua, Sr. Potter — Ele fala tirando a varinha das mãos de meu irmão — Agora, você, Lily. Bordo e pena de fênix. Dezoito centímetros. Bem elástica — Sr. Olivaras a coloca em minha mão — Experimente, querida.
A rodopio no ar com cuidado, tinha medo de quebrá-la. Nada acontece e encaro o Sr. Olivaras.
— Acho que não é essa.
— Definitivamente não é — Ele murmura pegando outra varinha e entregando outra varinha para Harry — Ébano e pelo de unicórnio, vinte e dois centímetros. Flexível. Experimente, Sr. Potter.
Harry experimentou e nada mudou. Sr. Olivaras não ia desistir tão fácil. Arranjou dois banquinhos para que eu e meu irmão nos sentássemos e passou muitos minutos nos entregando varinhas. Sentia minha pele aquecer de vergonha, a loja, já entulhada e bagunçada, estava ficando cada vez pior.
— Fregueses difíceis, não? — Hagrid brinca afagando a minha cabeça e a de Harry — Não se preocupem, meninos, vão encontrar a varinha perfeita, não é Olivaras?
— Hum, estou na dúvida — Ele murmura se virando para mim e para Harry com duas caixas compridas nas mãos — É uma combinação incomum. Azevinho e pena de fênix, uma de vinte e oito centímetros e outra de vinte e cinco. Boa e maleável. Peguem e sanem a minha dúvida.
A seguro em minhas mãos e sinto a palma aquecer um pouco. Era menor do que a de Harry, mas parecia ter o tamanho perfeito. Ouso movimentá-la e assim que o faço faíscas roxas escapam pela ponta se encontrando com as faíscas vermelhas que saiam da varinha de Harry. Era uma festa de fogos de artifício e sou incapaz de conter o meu sorriso.
— Bravo! — Sr. Olivaras exclama — Ah, muito bom. Ora, ora, ora… Curiosíssimo — Ele divaga mais uma vez, repousando sua mão fina em seu queixo.
Ele se afasta de nós, colocando nossas varinhas na caixa e as embrulhando em papel pardo, falando bem baixinho consigo mesmo.
— Curioso… Curioso… Curioso…
— O que é curioso, Sr. Olivaras? — Indago o interrompendo — Desculpe e intromissão.
Sr. Olivaras se vira para mim e me encara com seus olhos claros como os de Harry. Ele se inclina na minha direção e toca o meu nariz.
— Lembro de cada varinha que vendi, senhorita. De cada uma — Ele inspira sem tirar os olhos de mim — Acontece que a fênix cuja pena está na varinha de vocês, produziu apenas mais uma pena, apenas mais uma. É curioso que ela tenha escolhido você e seu irmão, pois, ora, a terceira varinha foi quem produziu essa cicatriz — Sr. Olivaras fala tocando a parte da frente do meu cabelo que escondia a cicatriz.
Engulo em seco e me afasto dele.
— A varinha escolhe o bruxo, lembrem-se — Ele continua voltando o seu olhar para Harry que parecia petrificado — Acho que podemos esperar grandes feitos de vocês dois… Afinal, Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado realizou grandes feitos, terríveis, é claro, mas grandes.
Sinto meu corpo estremecer. Rapidamente alcanço o saco com as moedas e o pago, saindo apressada da loja. Será que eu seria igual ao homem que matou os meus pais? Tremo novamente, tentando esquecer esse pensamento.
Não seria como ele, me recuso a ser.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Demorou mais um mês para finalmente chegar o dia de ir para Hogwarts. Hagrid havia nos deixado com as passagens e nos ensinado a como arrumar a mala. Porém, quando o dia chegou os Dursley se recusaram a nos levar até o trem, já que o rabo de Duda ainda não tinha ido embora. Tio Válter e Tia Petúnia nos deixaram na estação e eu e meu irmão nos arrastamos até as plataformas.
— Precisamos achar a Plataforma 9 ¾ — Falo observando os números — Estamos entre a nove e a dez. Deve ser por aqui e…
— Lily, olhe — Harry diz tocando o meu ombro, fazendo com que eu tire o meu olhar da passagem e o volte para uma família de ruivos.
Uma mulher gorda e baixa andava com seus cinco filhos, todos ruivos, sendo os o mais velhos alto e magro, um par de gêmeos idênticos, o do meio sardento e a mais nova, quieta. Engulo em seco quase me engasgando quando vejo o mais alto se lançando contra a parede de tijolos vermelhos e sumindo.
— O que? — Exclamo chamando a atenção da senhora.
— Está perdida, querida?
— Hum, sim e como ele fez isso?
A senhora sorri e se aproxima de mim, me ajudando a empurrar o carrinho para onde estava.
— Fred, vá você agora, para ela ver.
— Não sou o Fred, sou o Jorge — O menino fala — Francamente mulher, você se diz ser nossa mãe?
— Desculpe, Jorge, querido!
— É brincadeira, mãe, eu sou o Fred — Disse o menino me fazendo sorrir.
E então os dois desaparecem na parede de tijolos.
— Está vendo, é bem tranquilo — Ela fala tocando o meu ombro — Esse é o Rony, é primeirista como vocês dois.
O menino dá um sorriso tímido em nossa direção. Ele é mais alto que Harry, com sardas e meio desengonçado
— É um prazer conhecê-los — Falo — Mas como fazemos para alcançar a nossa plataforma?
— Basta caminhar diretamente para a barreira entre a plataforma nove e dez. Não pare, querido, e não tenha medo de bater nela, isto é muito importante — Disse ela — Vá correndo se estiver muito nervoso.
— Acho que vou correndo — Harry murmura.
— Vá vocês, antes de Rony.
Engulo em seco e assinto. Eu e meu irmão nos ajeitamos a ponto de ficar na frente da plataforma, encarando-a de frente.
— Juntos? — Olho para Harry esticando a minha mão em sua direção.
— Sempre.
Respiro fundo e aceleramos. Agarrava a mão de meu irmão como se minha vida dependesse daquilo. E de certo modo dependia. Me preparo para a colisão e ela não acontece. Continuo correndo até que sinto uma puxada para trás, que me faz abrir os olhos.
Estava no outro lado. Na Plataforma 9 ¾.
— Conseguimos!
— Sim… — Sopro recuperando o fôlego.
Ao meu lado estava um trem comprido, com um letreiro no alto que informava que aquele era o Expresso de Hogwarts. Meu coração acelera, estava ansiosa para o meu primeiro dia de aula na escola de bruxaria. Sentia que podia explodir a qualquer momento, esse era o tamanho da minha alegria.
Seria um ano longe dos Dursley.
Longe de Duda.
Seria um recanto de paz comparado a casa deles.
Olho para Harry e ele sorri, apertando de leve a minha mão.
— Juntos, Lily?
— Sempre, Harry.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Já dentro do Expresso de Hogwarts, eu e Harry conseguimos encontrar uma cabine vazia. Solto Nocturna de sua gaiola e ela mia de volta, como um agradecimento. Não podia deixá-la solta na casa dos Dursley, minha tia é alérgica a gatos, ou seja, Nocturna só fica presa e de noite a soltava para que caminhasse um pouco em Little Whinging.
— Lily, você está bem?
— Ah, sim — Respondo balançando a cabeça, me afastando de meus devaneios.
Nocturna mia, deitando em meu colo e se arrumando para dormir.
Toc toc.
Alguém bate no vidro da cabine.
— Com licença — Falou um menino ruivo do outro lado da porta — Posso sentar com vocês? O resto das cabines está lotado.
— Claro. Rony, não é?
— Isso mesmo — Ele responde se sentando do meu lado — E vocês?
— Lily, é um prazer conhecê-lo — Estico minha mão em sua direção e o garoto a aperta com cuidado.
— Harry — Meu irmão fala e faz o mesmo.
Rony pisca duas vezes e sorri.
— Harry Potter e Lilian Potter, não é?
— Não seja inconveniente, Ron — Os gêmeos falam em uníssono, se apoiando na porta da cabine.
— Viemos ver se está bem, irmãozinho.
— Esse é Fred — Rony aponta para o da esquerda e depois para o da direita — E Jorge, meus irmãos.
— Oi — Digo com um sorriso no rosto.
— Estou acomodado, agora podem ir — Ron ordena ficando vermelho — Vão!
Os gêmeos bufam e vão embora.
— Me desculpe.
— Não tem problema, Rony — Harry diz.
— Sim, respondendo a sua pergunta, somos os Potter — Falo acariciando Nocturna.
— Vocês tem mesmo… A… Hum, a cicatriz? — Ele fala apontando para a testa de meu irmão.
Harry afasta sua franja, mostrando a nossa marca e eu faço o mesmo.
— Então foi aí que o Você-Sabe-Quem…?
— Sim, mas, hum, não me lembro de muita coisa — Harry diz, arrumando sua postura na poltrona.
— De nada?
— Nos lembramos de uma luz verde e só — Digo olhando para o garoto — Todos na sua família são bruxos?
— Hum… São, acho que sim — Ele responde levantando sua mão para acariciar a gata — Posso?
— Sim, ela é mansinha.
— Então deve saber muitas mágicas? — Harry indaga, o que faz o garoto trocar de poltrona, sentando-se ao lado de meu irmão.
Rony dá de ombros.
— Ouvi dizer que moram com trouxas. Como é que eles são?
— Horríveis — Harry suspira.
— Bom, hum, nem todos — Falo me arrumando na cadeira — Mas meu tio, tia e primo são bem… Digamos que difíceis de lidar.
— Queria ter tido três irmãos bruxos — Harry fala.
— Sete. Somos sete — Rony diz, encolhendo-se na poltrona. Parecia triste, desanimado — Sou o sexto da minha família a ir para Hogwarts. Pode-se dizer que tenho que fazer justiça ao nome — Ele suspira — Gui e Carlinhos já terminaram a escola. Gui foi chefe dos monitores, quando estudava, e Carlinhos foi capitão do time de quadribol, um excelente jogador.
Ele para e me olha, acanhado.
— Agora Percy é o monitor. Fred e Jorge… — Um sorriso tímido surge em seus lábios — … Fazem muita bagunça, os dois, mas tiram notas muito boas, o que chega a ser um milagre, eu diria. Tenho que ser tão bons quanto eles — Ele diz apanhando de seu casaco um rato cinzento e gordo — Uso tudo de meus irmãos, até o Perebas, que era do Percy. Ele é a criatura mais inútil do mundo e…
Nocturna se mexe, acordando de sua soneca, ela mia ferozmente em direção ao gato de Rony, comportamento estranho, dado ao fato de ela ser muito tranquila com tudo e todos.
— Hey! — Exclamo a mantendo colada em meu corpo — Garota má!
Me levanto rapidamente com ela presa em mim. Estava arrepiada e mostrava os dentes para Perebas.
— Desculpa, Ron — Falo constrangida — Vou caminhar com ela um pouco, deve estar estressada.
— Certo.
— Não vá muito longe, Lily. Devemos estar perto — Harry fala e eu assinto, saindo da cabine.
— O que deu em você, ein?
Nocturna mia e começa a caminhar pelo trem.
Suspiro. Talvez ela estivesse tão estressada quanto eu.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Ando tão distraída, perdida em minha própria mente, que não percebo uma multidão de meninos correndo em minha direção. Sinto uma mão agarrar o meu braço e me empurrar contra uma das paredes do corredor. Vejo meninos mais velhos que eu passarem por mim gritando e rindo.
— Hey, cuidado — O menino que me salvara fala.
Era o mesmo garoto da loja da Madame Malkin.
— Ah, me desculpe — Digo sentindo minha pele aquecer de vergonha — Estava perdida em meus pensamentos.
Assobio chamando Nocturna e pula em meu peito, ela adora ser carregada como um bebê.
— Espero que não seja recorrente, ou vai ter problemas em Hogwarts.
— Eu também espero — Sorrio desajeitadamente.
— Vão querer alguma coisa, queridos? — Uma senhora pergunta, atrás de um carrinho cheio de doces.
Meu estômago ronca, não havia tomado café da manhã e, pelo que a janela do Expresso de Hogwarts mostrava, já estava de noite. Aproximo minha mão dos bolsos da minha calça e percebo que estava sem a minha sacola de moedas. Suspiro, a comida teria que esperar.
— Não, obrigada — Falo.
— Um sapo de chocolate, por favor — O garoto diz pagando a senhora logo em seguida.
Ela se vai, deixando o menino com o embrulho bonito de seu doce.
— Sapo de chocolate?
— Para você, ruivinha — Ele fala rispidamente — Vai te ajudar a ficar mais atenta.
Assinto e sorrio.
— Obrigada.
— É melhor voltar para sua cabine, ruiva, já estamos chegando — Ele fala e vai embora sem se despedir.
Suspiro. Hogwarts estava mais perto de mim do que nunca. Solto Nocturna e me encaminho para a minha cabine. Abro o embrulho colorido e o sapo de chocolate pula pela janela, voando para longe, pisco devagar, em choque.
— Poxa vida…
No fundo da embalagem estava uma carta de um senhor vestido com roupas verdes e um cajado detalhado e, embaixo da imagem, tinha seu nome: Merlin. Sorrio sem nem perceber. Ele era um bruxo da Sonserina, de acordo com as escritas da carta, e o maior bruxo do mundo, famoso por inúmeros grandes feitos.
— Sabia que nem todo mundo da Sonserina era do mal — Sussurro levantando a cabeça, pois já estava em minha cabine.
Coloquei as vestes e pus Nocturna na gaiola, o tempo exato gasto até chegar em Hogwarts. Do trem eu podia ver o enorme castelo que se esquia em uma montanha e que ela refletido em um enorme lago. Era como um castelo de contos de fada, cheios de torres, janelas e aventuras.
Não vejo a hora do ano letivo começar.
Fale com o autor