Os Potter: A Pedra Filosofal
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Chapéu Seletor
Adentrava pelos portões de Hogwarts até um enorme salão de paredes de mármore, depois de usar. Havia quatro compridas mesas cheias de velas e mais castiçais pendurados no teto e… Céus, não havia teto, ou havia, não saberia dizer, pois a parte de cima do salão mais parecia o céu lá de fora, estrelado e escuro. No fundo do salão, ou melhor, na minha frente estava várias pessoas, o que assumo que sejam os professores, em pé, nos cumprimentando.
— Uau — Harry sopra.
— É verdade, então, os Potter estão em Hogwarts? — O menino pálido da loja da Madame Malkin fala, parando na frente de mim e meu irmão — Este é Crabbe e Goyle.
Engulo em seco.
— Sim — Meu irmão diz encarando o menino pálido.
— Meu nome é Lily e esse é o meu irmão, Harry.
O menino sorri, esticando a sua mão na minha direção, mas Harry me impede de tocá-lo.
— Meu nome é Draco — Ele fala se aproximando de mim, analisando-me de cima a baixo — Draco Malfoy, ruivinha.
Escuto Rony tossir ao meu lado, na verdade estava tentando esconder uma risada. Draco avança em direção ao ruivo e eu fico no meio dos dois, sem tirar os meus olhos do garoto de cabelos quase brancos.
— Porque está rindo? — Ele sibila — Acha meu nome engraçado? Nem devo perguntar o seu. Vestes de segunda mão, livros de sebo e caldeirão gasto, é um Weasley, não é? Dá para ver um de vocês de longe, com os cabelos ruivos e sardas.
Rony se encolhe atrás de mim. Cruzo os braços e cerro o maxilar, mal conhecia Rony Weasley, mas já o considerava um amigo, pois nunca tive ninguém para conversar. Ninguém além de Harry, é claro.
— Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são melhores do que as outras, ruivinha — Draco se vira para Harry — Vocês não vão querer fazer amizade com as pessoas erradas, e eu posso ajudá-los com isso.
— Acho que sei qual é o tipo de família ruim, obrigado — Harry fala friamente.
Vejo as maçãs do rosto de Draco, outrora pálidas e sem vida, agora levemente rosadas. Ele engole em seco e se virar para mim, parecia magoado, ou até mesmo triste. Envergonhado.
— A não ser sejam mais educados, vão acabar como os seus pais. Eles também não tinham juízo.
Sinto meu corpo aquecer, a raiva fervilhava em meu peito.
— Sugiro que siga a fila, Draco — Falo sem paciência — Ou quer perder a sua vez com o Chapéu Seletor? Talvez com esse seu deslize, você pare na Lufa-Lufa.
O rosto dele fica mais vermelho, o que me faz sorri. Draco se afasta, segundo a fila de alunos do primeiro ano até a frente do salão. Respiro fundo e acompanho Harry e Rony um pouco atrás deles, prestando atenção no chão e ouvindo os dois reclamando da família Malfoy.
— Você é a Lily, não é? Harriet Lilian Potter? — Uma menina de cabelos armados e sorriso alegre se aproxima de mim.
— Sim.
— É um prazer conhecê-la. Me chamo Hermione Granger e… Hum, quando estava na cabine de seu irmão, não a vi lá.
— Estava caminhando com a minha gata. Nocturna não está acostumada a viagens — Explico — O que fazia na cabine?
— Estava ajudando um menino chamado Neville a encontrar o seu sapo — Ela responde caminhando do meu lado.
— Encontraram?
— Depois de muito tempo, sim — Ela sorri.
Sorrio e admiro o teto/céu mais uma vez. Estava estrelado e parecia a moradia perfeita para um dragão, já que, de acordo com Hagrid, eles existiam de verdade.
— É um feitiço, sabia? — Hermione fala — É encantado para parecer o céu lá de fora.
— Sério? — A garota assente — Sensacional!
— Não é? — Ela ri e se vira para mim — Não vejo a hora de começar as aulas, e você?
— Estou contando os segundos, Hermione. Li um pouco dos livros didáticos e… Minha curiosidade está roendo a minha alma.
— Alguma matéria em especial?
— Poções. E você?
— Fiquei interessada em…
— Bem-vindos a Hogwarts — Disse uma senhora alta, de chapéu pontiagudo e vestes verdes escuras e cintilantes.
— Essa é a Profa. Minerva McGonagall — Hermione fala baixo o suficiente para apenas eu ouvir.
— O banquete de abertura do ano letivo logo começará, mas, primeiro, antes de se sentarem às mesas, vocês, alunos, serão selecionados por suas casas — Ela explica gesticulando levemente e com elegância — A Seleção é um processo de extrema importância, pois, enquanto estiverem aqui, a casa de vocês será como uma família. Uma espécie de família aqui em Hogwarts.
Tento conter o meu coração, que mais parecia querer escapar pela minha boca. E se eu ficasse em uma casa diferente da de Harry? Não havia pensado nessa possibilidade e isso me deixava nervosa. Nunca, em toda a minha vida fiquei longe de Harry. Somos eu e ele, juntos, para sempre.
— Há quatro casas: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina — Ela para nos fita com o olhar. Engulo em seco — Cada casa tem sua história, honrosa e grandiosa, produzindo por centenas de anos bruxos e bruxas extraordinários. Vocês, depois de selecionado pelo Chapéu Seletor, serão responsáveis pelos resultados da Taça das Casas, onde suas ações positivas renderão pontos, enquanto as negativas, os farão perder. Espero que cada um de vocês seja o motive de orgulho para a casa a qual pertencerem.
Respiro fundo. Sinto a mão de Harry envolver a minha. Era quase um dom dele perceber quando eu estava me sentindo mal, nervosa ou triste, chateada ou doente, ele era capaz de saber, sem nem mesmo me olhar ou me ouvir falar.
— Ficaremos bem — Ele sussurra.
— E se eu parar em uma casa diferente da sua?
— Daremos um jeito. Sempre damos um jeito.
— Harry, estou com medo — Sopro, apertando ainda mais a sua mão — E se eu não fizer amigos? E se não conseguir mais falar com você?
— Calma, Lily — Sua voz soa serena e calma — Vamos dar um jeito. Prometo.
— Formem uma fila e me sigam — Profa. Minerva diz, se encaminhando para a parte mais interna do salão.
Uma sinfonia calma e valente adentra os meus ouvidos, fazendo a minha pele arrepiar. Logo na frente estava uma banquinho de quatro pernas e um chapéu gasto e marrom, parecia velho e sujo e era ele que cantava.
"Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porém na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais;
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!"
Sorrio e por um momento uma calma imensa invade o meu corpo, me sentia, pela primeira vez na vida, em casa. Me sentia certa, no lugar certo, não estava deslocada, ou errada, como se não pertencesse. Hogwarts seria a minha morada e disso eu tinha certeza.
Aplausos ecoam sendo interrompidos por Minerva.
— Chamarei vocês pelo nome e quando o fizer, sentarão aqui e colocar o Chapéu Seletor.
Congelo. Agora, finalmente, saberia a minha casa e minha jornada dentro de Hogwarts seria iniciada.
Eu não estava pronta.
Eu estava pronta, menti.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Anna Abbot, Lufa-Lufa. Susana Bones, Lufa-Lufa, e mais tantos outros nomes que eu não conhecia a até chegar nos nomes que me eram familiares. Hermione Granger, Grifinória. Draco Malfoy, Sonserina.
— Harriet Lilian Potter — Profa. Minerva chama e então o salão fica em silêncio.
Tive certeza de que todos ali poderiam ouvir o meu coração bater. Engulo em seco, sentia que meus pés haviam formado raízes, até que Harry me empurrou para frente, fazendo com que eu quase caísse quando me sentei no banquinho de madeira de forma desajeitada. O Chapéu Seletor foi colocado em minha cabeça com sutileza.
— Hum, interessante — Ele murmura — Curiosa, astuta… Hum, difícil.
Ótimo, no único lugar em que me senti em casa eu sou difícil.
O olhar de todos repousavam em mim, observando cada movimento. Me sentia uma palhaça. Minhas mãos estavam suadas, ao mesmo tempo que levemente machucadas, já que cravava minhas unhas nas palmas, fazendo um vinco vermelho na pela.
Nervosa. Eu estava tremendo de nervosismo.
— Você é leal, Sra. Potter, não há casa melhor para você do que a… — Ele para e pigarreia — Sonserina!
Inspiro com um sorriso no rosto. Havia sido destinada a mesma casa de Merlin, um grandíssimo bruxo.
Os alunos da mesa mais à direita batem fervorosas palmas quando me encaminham até eles, mas algo capta a minha atenção, me fazendo cambalear e quase cair.
— Sr. Potter, a sua casa é a Grifinória!
Minhas pernas desaprendem a andar e preciso ser segurada por um dos meninos mais velhos da casa. Me viro rapidamente para Harry e ele parecia tão chocado quando eu, ou melhor, perdido como eu. Tento falar alguma coisa, mas minha garganta trava enquanto eu sou levada até a mesa, recebida com tapas nas costas e apertos de mãos.
Eu e Harry, em casas diferentes.
— Temos um Potter na Sonserina! — Uma garota clama, batendo palmas.
Procuro o meu irmão, mas ele já estava perfeitamente sentado em sua mesa com os alunos de sua casa.
— Veja só, ruivinha, não é que paramos juntos na melhor casa? — Ele fala se sentando na minha frente, me entregando um cálice se suco de uva.
— Pare, Malfoy, não está vendo que ela está quase desmaiando? — A menina se senta ao meu lado tocando o meu ombro — Você está bem?
Engulo o choro e o medo, respirando fundo. Precisava urgentemente me acalmar, estava sendo uma tola. A garota ao meu lado tem um pele escura e brilhosa e seu cabelo era extremamente cacheado e da cor do café preto que o Tio Válter sempre toma de manhã.
— Sim, estou — Minto — Apenas processando as informações.
— Me chamo Florence Avery e posso te ajudar aqui na casa.
— Esse não é o seu primeiro ano em Hogwarts?
— É sim, mas pareço estar em condições melhores que você.
— Estou tão ruim assim? — Sorrio.
— Pior — Ela brinca servindo meu prato com batatas assadas e frango — Coma, vai ajudar.
— Obrigada.
Florence serve-se com a comida do banquete e seu prato mais parece uma montanha. A observo colocar mais e mais comida: batatas assadas, frango frito, arroz, molho, salada e mais batatas.
— Estou faminta, Harriet.
— Posso ver — Falo observando o meu prato, minha fome parecia ter sumido — Me chame de Lily, por favor.
— Não gosta de seu primeiro nome?
— Lilian é o nome da minha mãe e quando me chamam por ele, me sinto mais perto dela — Explico brincando com a comida.
— Ah, lamento.
Assinto, agradecendo por sua sinceridade e empatia e trato de colocar um pouco das batatas dentro de meu estômago, não havia comido nada o dia todo e desperdiçar essa comida apetitosa parecia errado. Estava tudo uma maravilha, a comida parecia divina, muito melhor do a da Tia Petúnia.
Depois do jantar o monitor, cujo nome não consegui gravar, nos guiou até as masmorras, nos levando para a nossa Sala Comunal, que, para entrar, era necessário uma senha (falar “puro-sangue”) e descer um conjunto de degraus. No momento em que entro, meu coração aperta, era um lugar decorado pelos mestres das artes, tenho certeza. É luxuoso e brilhante, por conta da luz que adentrada pelos vitrais coloridos que ficavam de frente para o fundo do Lago Negro. A sala é cheia de sofás de couro escuro, caveiras e crânios de diversos animais, armários de madeira escura e tapeçarias que pareciam ser tão velhas quanto o próprio castelo de Hogwarts.
— Uau — Deixo escapar, prestando atenção nos mínimos detalhes.
— Subam as escadas e terão acesso aos dormitórios, o da esquerda são dos meninos e o da direita, meninas — O monitor explica, sua voz soa cansada, como se odiasse o que estava fazendo — Suas coisas já estão lá e tratem de dormirem, amanhã será o primeiro dia de aula.
— Se ele falar alguma coisa a mais, eu juro que morrerei de tédio — Florence brinca me puxando em direção as escadas.
— Não devemos continuar ouvindo a explicação?
— Do que mais precisa saber? Sabemos a senha para entrar e onde fica o nosso quarto — Ela fala abrindo a porta — Nunca quebrou nenhuma regra, não é, Lily?
Sorrio. Ela estava certa.
Um miado familiar ecoa pelo dormitório, era Nocturna, que estava deitada em minha cama, confortavelmente estirada no lençol verde-musgo.
— Como veio parar aqui?
— Trouxeram nossas coisas, é claro.
— Mas como?
— Mágica, bobinha.
— Ah! — Sinto minhas bochechas aquecerem violentamente.
É obvio que tudo ali funcionada por conta da magia do mundo bruxo.
— Sua gata é uma graça — Ela fala se sentando na cama ao lado da minha — Mas porque não trouxe uma coruja?
— Meu irmão ganhou a coruja — Explico me afundando na cama macia — Edwiges é o nome dela e não tenho exatamente pessoas para mandar cartas de toda forma.
Ela assente e se deita também.
— Uma boa noite de sono nos fará bem — Falo retirando minhas vestes e ficando com as roupas que estava no ônibus, estava cansada demais para colocar o pijama — Boa noite, Florence.
— Boa noite, Lily.
Acabo pegando no sono com um sorriso no rosto.
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