Os Potter: A Pedra Filosofal
14 Capítulo 14
O Confronto Final
Do outro lado, a última câmara era vasta e vazia, exceto pelo imenso Espelho de Ojesed no centro. E de pé, diante dele, não estava o Professor Snape, mas o Professor Quirrell.
— P-P-Potter — ele gaguejou, mas sua voz perdeu instantaneamente a gagueira habitual. Seus olhos não eram vacilantes. Eram frios e focados. — Os dois... Que surpresa inesperada.
— Onde está Snape? — Harry perguntou, confuso.
Quirrell riu, um som seco e desagradável.
— O bom professor? Tentou me assustar, como se fosse possível, quando tenho Lord Voldemort do meu lado... Ninguém suspeitaria do pobre, gaguejante Professor Quirrell. Snape, com sua aura de vilão, era a cortina de fumaça perfeita. Ele até tentou salvar você no seu primeiro jogo de Quadribol, Potter. Patético.
A verdade me atingiu como um choque. Snape não era o vilão. Ele estava tentando proteger Harry. Todo o seu ódio, sua severidade... era um disfarce? Meu coração acelerou, lembrando de seus avisos silenciosos, do livro de poções, do olhar que ele dirigia a mim.
— Você serve a Voldemort — eu disse, minha voz surpreendentemente estável. Não era uma pergunta.
Quirrell sorriu.
— Ele está comigo neste momento. Um hóspede... discreto.
— Então é verdade — Harry sussurrou, horrorizado. — Ele não morreu.
— Lord Voldemort não pode morrer — Quirrell respondeu, com uma reverência doentia. — Agora, o Espelho... é a chave para encontrar a Pedra. Dumbledore foi inteligente, mas o Lorde é mais. Menino... olhe no espelho e me diga o que vê.
Ele empurrou Harry para frente. Eu me mantive ao lado do meu irmão, nossa proximidade uma barreira silenciosa. Harry olhou fixamente para o espelho, e eu fiz o mesmo. Por um instante, vi apenas nossos reflexos — dois irmãos assustados, com a mesma cicatriz na testa. Então, a imagem mudou.
No reflexo, Harry pegou uma pedra vermelho-sangue do bolso e, com um sorriso travesso, a colocou no meu bolso. Senti um peso repentino no casaco. A Pedra Filosofal. O espelho não mostrava o desejo do seu coração, mas sim a forma de obtê-lo. E ele confiava em mim para guardá-la.
— Bem? — Quirrell exigiu. — O que você vê?
Harry, rápido como um raio, entendeu que devia mentir.
— Eu... eu vejo a mim mesmo segurando a Taça das Casas. Estou apertando a mão de Dumbledore.
Uma voz surgiu então, um sibilo gelado que parecia vir de todos os cantos da sala, mas principalmente da própria cabeça de Quirrell.
— Ele mente... Ele mente...
O sangue gelou nas minhas veias. Era a mesma voz dos meus pesadelos. A voz da cobra.
— Deixe-me falar com ele... cara a cara — a voz sibilou.
— Mestre, você não está forte o suficiente — Quirrell protestou, aterrorizado.
— EU SOU SUFICIENTEMENTE FORTE PARA ISSO.
Com mãos trêmulas, Quirrell começou a desenrolar seu turbante. Harry e eu demos um passo para trás, incapazes de desviar os olhos. O turbante caiu no chão. Quirrell então se virou, lentamente, revelando o que estava escondido na parte de trás de sua cabeça.
Lá, emergindo da própria nuca, estava um rosto. A pele era da cor de pedra úmida, os olhos eram escarlates e verticais, como os de uma cobra, e onde o nariz deveria estar, havia apenas duas fendas.
Era o rosto de Lord Voldemort.
Os olhos vermelhos se fixaram em nós, e um sorriso horrível se desenhou naquela boca pálida.
— Harry Potter... Harriet Potter... — a voz sibilou, saída daquele rosto grotesco. — Que prazer... finalmente.
A dor em minha cicatriz explodiu, uma agulha de fogo branco que me fez ver estrelas. Eu engasguei, segurando a testa. Harry fez o mesmo ao meu lado.
— Veja o que você fez conosco — Voldemort sussurrou. — Reduziu o grande Lord Voldemort a isto... a parasitar em outros... compartilhar um corpo... Mas a Pedra vai me dar um novo corpo. Dê-me a Pedra.
— Ele não a tem! — Harry gritou.
— Mentira! — O rosto cuspiu a palavra. — Não acredito... Procure neles, seu tolo!
Quirrell se virou novamente, seu próprio rosto agora tenso, e avançou para Harry. Ele agarrou Harry pelos ombros, mas assim que suas mãos tocaram a pele do meu irmão, um som de carne queimando encheu o ar. Quirrell gritou de dor, soltando Harry como se ele estivesse em chamas. Suas mãos estavam vermelhas e bolhosas.
— Ele não pode tocar em você! — Eu exclamei, entendendo. — É a magia da mamãe! Ela ainda nos protege!
— A GAROTA! — A voz de Voldemort era um rugido de raiva pura. — A IRMÃ! Procure nela, seu idiota! ELA A TEM!
Os olhos de Quirrell, cheios de dor e ódio, se voltaram para mim. Ele cambaleou em minha direção. Sem pensar, pulei na frente de Harry.
— Você não vai tocar nele — disse, erguendo minha varinha. Meu coração batia tão forte que eu mal conseguia ouvir, mas minha mente estava estranhamente clara. — E não vai tocar em mim.
— Expelliarmus! — Gritei.
A varinha voou da mão de Quirrell, mas ele riu, um som rouco e sem graça.
— Você acha que precisa de uma varinha para isso, garotinha?
Ele estalou os dedos, e uma corrente de energia invisível me atingiu no peito, arremessando-me contra a parede. A dor explodiu em meus ombros, e a Pedra Filosofal escorregou do meu bolso, caindo no chão de pedra com um tilintar metálico.
— Lily! — Harry gritou.
Quirrell se abaixou para pegar a Pedra, um triunfo perverso em seus olhos. Mas Harry foi mais rápido. Ele se jogou sobre Quirrell, agarrando seu rosto. Os gritos do professor se intensificaram, e um cheiro de carne queimada encheu o ar novamente. A pele de Quirrell começou a rachar e carbonizar sob o toque de Harry.
— Pegue a Pedra! — Harry gritou para mim, seu rosto contorcido de dor e esforço.
Rastejei para frente, minha visão turva. Minha mão fechou sobre a Pedra quente. Quirrell, enlouquecido de dor, tentou me atingir com um feitiço não-verbal. Um jato de luz verde sibilou em minha direção.
— Protego! — Eu gritei, e um escudo prateado e translúcido surgiu do nada, desviando o feitiço. Foi instintivo, uma magia que eu nem sabia que conseguia realizar.
Nesse momento, a porta atrás de nós explodiu em estilhaços.
Dumbledore estava lá, seu rosto uma máscara de fúria tranquila. Sua varinha se moveu uma única vez, e Quirrell foi arremessado para longe de nós, batendo na parede e deslizando até ficar imóvel.
O rosto na nuca de Quirrell soltou um uivo de raiva impotente.
— Dumbledore!
Uma fumaça negra e sinistra surgiu dos restos de Quirrell, passou por mim como um vento gelado — trazendo consigo o cheiro de morte e um sussurro de puro ódio:
— Até logo, pequena Potter... — e então se dissipou através das paredes.
A dor na minha cicatriz desapareceu tão subitamente quanto começara. Ofegante, eu caí de joelhos ao lado de Harry, que também estava no chão, tremendo. Nossas mãos se encontraram, e nós as entrelaçamos, unidos, como sempre.
Dumbledore se aproximou, seu olhar sábio e cansado passando de Harry para mim.
— Vocês estiveram brilhantes — ele disse calmamente. — Ambos. Mas acho que já é hora de irem para a cama.
A exaustão, o medo e o alívio finalmente me venceram. A escuridão veio e me levou, mas pela primeira vez, eu não tive medo dela. Porque eu sabia que, não importava em que casa estivéssemos, eu e Harry estaríamos juntos.
E isso era mais forte do que qualquer magia das trevas.
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