Os Potter: A Pedra Filosofal
1 Capítulo 1
A cobra e o vidro que sumiu
O dia infelizmente começou cedo hoje. Tia Petúnia acordou cedo para preparar o café da manhã perfeito para o aniversário de Duda, todo ano era a mesma coisa: vários presentes, um dia inteiro de atividades festivas para meu primo e eu e Harry ficamos na casa da Sra. Figgs cuidando de seus gatos e observando o tempo passar.
Fui despertada de um sono mal dormido com três batidas na porta de meu quarto debaixo da escada. Harry acordou com um largo bocejo em sua cama do outro lado do cômodo.
— Acordem! Vamos! — Tia Petúnia ordena depois de quase espancar a porta.
— Vamos, Harry… — Falo me sentando com dificuldade na cama.
Minhas costas estavam doloridas por conta do colchão velho em que dormia e estava cansada por ter passado a noite em claro, tentando escapar de meus pesadelos.
Eram sempre o mesmo, sem nenhuma alteração.
— Não conseguiu dormir, Lily?
— Os pesadelos de novo… — Suspiros passando as mãos pelo meu cabelo.
O sonho recorrente não era estranho a minha mente. A visão de uma cobra e logo em seguida um raio de luz verde e brilhante acompanhado de um grito feminino de muita dor e desespero. O mesmo pesadelo por quase onze anos seguidos.
— Harriet Lilian Potter e Harry Tiago Potter levantem-se! Agora — A Sra. Durley fala socando a porta novamente me afastando de meus devaneios
— Já estamos indo, tia… — Digo prendendo minhas madeixas ruivas em um rabo de cavalo baixo.
Coloco um casaco lã cinza antigo de Duda e Harry vestiu-se com uma camisa quadriculada velha de nosso primo. Eu e meu irmão somos gêmeos, mas bem diferentes um do outro.
Harry tem cabelos negros, com pontas desajeitadas. Mesmo com o esforço da Tia Petúnia de cortá-los praticamente todo mês, os cabelos de meu irmão continuam crescendo rebeldes, como se desafiar a gravidade fossem seu passatempo preferido. Seus olhos são azuis claros, como um céu de verão, mas nervosos e envergonhados. Seu rosto é rechonchudo e com leves sardas. Harry é magro e desajeitado, poucos centímetros mais alto que eu. Ele usa um óculos redondo torto dado por Tio Válter para melhorar a sua visão.
Eu, por outro lado, tenho cabelos longos, ruivos e levemente ondulados. Meus olhos são castanhos escuros e ávidos pelos livros didáticos de Duda que a escola pedia para ele ler. Era incrível como aquele menino se recusava a ficar um pouco mais inteligente do que uma porta.
Todo final de ano recebia os livros de Duda para estudar e os exercícios permaneceram os mesmos: em branco. Tio Válter e Tia Petúnia colocaram Duda na melhor escola de Little Whinging, e, apesar do desinteresse de Duda para os estudos, ele passava de ano com notas não tão terríveis. Eu e Harry, por outro lado, estudávamos em uma escola do bairro, não era tão ruim, mas era óbvio que o conteúdo passado era bem superficial.
Íamos bem na escola, eu melhor do que o Harry. O único problema eram as outras crianças, que adoram empurrar meu irmão pelos corredores e jogar os meus livros no lixo. Digamos que não somos tão… Bem, populares.
— Sonhou com a cobra de novo? — Harry comenta abrindo a porta do quarto que dividimos.
— Sim… Com a cobra e… — Tento falar mas ele me interrompe.
— Cobra, luz verde e gritos… Eu sei...
— Finalmente vocês dois acordaram! — Tia Petúnia exclama ao ver eu e Harry adentrando na cozinha — Harry, cuide do bacon! Quero eles douradinhos! — Ela ordena e logo vira sua atenção para mim — E você, Lily, termine os ovos mexidos! Bem…
— Molhadinhos e macios… Eu sei, Tia — Falo completando sua ordem.
A Sra. Durley bufa e revira os olhos, afofando seu vestido de margaridas.
— Quero tudo perfeito para o aniversário do Duda!
Harry e eu concordamos com a cabeça juntos e voltamos o nosso foco para o fogão. A Tia Petúnia segui para a sala de jantar para arrumar a mesa e organizar os presentes de aniversário do Duda.
Enquanto isso a Rua dos Alfeneiros estava acordando, as luzes das casas começaram a ser acesas e a rotina dos moradores de Little Whinging se iniciava. Era inegável que a vida na Rua dos Alfeneiros era extremamente normal, pessoas com trabalhos chatos, com vidas massantes e familiares quase que robóticos.
O dia começa sempre no mesmo horário: sete da manhã. Depois o café da manhã e logo em seguida os pais de família se encaminhavam para os seus trabalhos. Tio Válter trabalha em uma construtora, mas duvido que em algum momento ele levanta seu traseiro gordo para trabalhar com algo braçal e, julgando peso e seu tamanho, seu trabalho consistia em comer os lanches comprados na rua e assinar papéis. Tia Petúnia ficava em casa, cuidando de alguns dos afazeres domésticos, indo em salões de beleza e assistindo suas novelas absurdamente irritantes. De tarde Tio Válter volta para casa e os três assistem o noticiário e comem no sofá.
Uma vida pacata, certamente, mas chata.
É uma vida boa, mesmo tendo que fazer muitos afazeres doméstico e usar tudo o que Duda não quer mais. Não posso reclamar, não tenho nenhum outro parente sem ser meu tio e minha tia. Meu pais morreram em um acidente de carro quando eu era bebê e fui… Digamos que forçadamente acolhida por Tia Petúnia. Pelo que eu soube, minha mãe e minha tia nunca se deram bem, diferentemente de Harry e eu, que somos praticamente inseparáveis. Entretanto, o acidente, que deu a mim e a meu irmão uma cicatriz engraçada na testa, fez com que a Sra. Durley se tornasse a nossa única parente.
Porém, não custa nada sonhar. Pensar que talvez eu estivesse com outras pessoas. Vivendo em um lugar onde eu não tivesse que usar as roupas surradas e velhas, onde eu não tivesse que ouvir as zombarias de Duda e as reclamações de Tia Petúnia.
— Trinta e seis?! — Escuto meu primo gritar, me afastando de meus pensamentos e rapidamente monto os pratos do café da manhã para evitar maiores conflitos.
Caminho rapidamente para a sala de jantar e coloco os pratos com bacon, salsichas, torradas e ovos mexidos. Duda estava ficando severamente vermelho. Tio Válter, que sentava-se confortavelmente na ponta da mesa, mordia seu lábio inferior, nervoso com a reação de seu filho.
— Trinta e seis?! Dois a menos do que o ano passado!
— Querido, você não contou o presente que sua tia Guida lhe deu… — Tia Petúnia explica massageando os ombros de Duda — Ele está debaixo deste grandão do papai e da mamãe, vê?
— Então são trinta e sete! — Duda responde ficando mais vermelho.
Sua face corada significava um explosão de raiva. Sirvo-me com ovos e torrada e começo a comer, com medo de Duda virar a mesa por conta de sua birra.
— E vamos comprar mais dois presentes quando sairmos hoje! — Sra. Dursley fala tentando acalmar a situação — O que acha, meu querido? Mais dois presentes!
— Então eu vou ficar com… Hum… Com… — Podia ter certeza que o cérebro de Duda estava fritando ao fazer as contas.
— Trinta e nove — Digo terminado a minha refeição — Trinta e nove presentes, Duda…
Meu primo me lança um olhar feio, como se pudesse jogar todas as torradas na minha cara. Balanço a cabeça, Duda podia assustar o Harry, mas eu sabia muito bem que no fim das contas ele era só um menino assustado e mimado. Tia Petúnia percebe o meu olhar de desaprovação por conta da burrice de seu filho e me reprime com o olhar, sinalizando que deveria comer o mais rápido possível e ir direto lavar a louça.
O aniversário de Duda era sempre um dia especial. Tio Válter tirava folgas no trabalho se fosse preciso. Mas este ano a data chegara num sábado, isso significava que o final de semana inteiro seria voltado para Duda, isso resultaria em muitos brinquedos quebrados, gritaria de menino e muitas louças para serem lavadas.
— O Dudinha quer tudo que ele merece! — Tio Válter comemora — Parece o seu pai, né minha querida?
Tia Petúnia sorri e serve o café da manhã para seu filho e em poucos instante o telefone preso a parede toca. Tio Válter se levanta para atender e eu me encaminho para a cozinha no intuito de lavar o meu prato e o de Harry.
— Eu não quero ir para a casa da Sra. Figgs… — Meu irmão choraminga — A casa dela cheira a repolho…
— Pelo menos ela tem gatos… É melhor do que aqui e…
— A Sra. Figgs não vai poder ficar com eles… — Tio Válter fala passando a mão na cabeça — Parece que quebrou a perna.
Vejo Harry sorrir esperançoso.
— Não! — Duda abre seu bocão e finge que está chorando, não derrubar nenhuma lágrima — Não quero que eles venham conosco! Eles sempre estragam tudo!
— Duda, meu querido, não chore.
— Não, mamãe! A Lily e o Harry são esquisitos! — Ele exclamou apontando para mim e para meu irmão — Não quero! Não quero!
— Meu filho… — Tio Válter fala nos fuzilando com o olhar — Eles não vão estragar o seu aniversário!
— Não podemos deixá-los com a sua irmão, Válter? — Sra. Durley indaga afagando a cabeça de Duda.
— Ela está viajando, querida…
— Podemos ficar em casa! — Harry sugere demasiadamente alegre.
— Não iremos fazer nenhuma bagunça — Falo, parando ao lado de meu irmão, apoiando seu pedido — Além do mais, temos muitos exercícios da escola para fazer… — Olho para Harry e depois para o meu tio — Teríamos um dia bem tedioso, se me permite dizer…
Tio Válter olha para sua esposa, na esperança de que ela permita.
— Não! De forma alguma! — Tia Petúnia fala seriamente — Até onde eu sei eles podem atear fogo nesta casa!
— Sabe que não faríamos isso, tia — Digo rapidamente — Sabemos cozinhar e, quando voltarem do passeio, a casa estaria tão limpa quanto antes!
— Querida…
— Não, Válter e está dito! — Ela sibila — Não confio nem na Lily nem no Harry!
— Mas, tia… — Harry tenta falar mas é interrompido.
— Nem mais uma palavra, Harry!
Meu irmão engole em seco. Sinto meu corpo aquecer de raiva. Tia Petúnia me ensinara tudo sobre a cozinha, as chances da casa pegar fogo são mínimas. Não convidaríamos ninguém, não tínhamos amigos, é apenas eu e Harry. Ficaríamos no quarto e, no máximo, passaríamos um tempo no quintal, tomando um pouco de sol. Nada, além disso.
— Não adianta fechar a cara, Harriet e… — Ela tenta dizer, mas Duda a interrompe com um berro.
— Eles vão estragar o meu aniversário! — Ele fecha os olhos com força.
— O que faremos, Válter?
Meu tio suspira.
Em pouco menos de meia hora estávamos dentro do carro do Durley. Tia Petúnia me forçou a usar um vestido de quando ela tinha minha idade. Me sentia uma palhaça com a quantidade de bordados coloridos de flores variadas naquela roupa. Meu cabelos estava preso em uma trança extremamente apertada, me dando um pouco de dor de cabeça. Harry foi colocado em um short cáqui e uma suéter azul, todas roupas antigas de Duda, que estavam um pouco grandes para meu irmão.
Nós iríamos para o passeio no zoológico com os Dursley.
— Nada de aprontar… — Tio Válter fala nos parando na frente da porta de casa, seus olhos pareciam de cães ferozes — Sem… Coisas estranhas, ouviram? — Ele sibila segurando o meu braço e o de Harry com força — Especialmente você, Harriet!
Concordo com a cabeça, queria apenas me livrar de suas mãos. Podia ter certeza que ele deixara um hematoma em meu braço.
— Para dentro do carro e nem um piu!
— Sim, senhor! — Eu e Harry falamos em unisom.
Caminhamos apressados até o carro e nos sentamos rapidamente.
Duda parecia extremamente constipado, mas isso era ele mostrando o quão infeliz estava com a decisão de seus pais de nos levar para o seu passeio de aniversário. Tio Válter me analisa pelo retrovisor e reprime o meu olhar de desaprovação pelo comportamento do meu primo.
Engulo em seco com medo do Sr. Dursley gritar comigo e apenas me ajeito no assento do carro.
Meu tios odiavam sair comigo e com Harry. Desde de pequena coisas aconteciam e eu não era capaz de explicar. Os Dursley ficavam com raiva e me deixavam de castigo toda vez que algo fora do ordinário acontecia comigo e com o meu irmão.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Era uma noite extremamente quente. O verão em Little Whinging é terrível, suas manhãs são abafadas e suas noites são ainda piores. Os quartos de meus tios e os dois cômodos de Duda, uma para seus brinquedo e outro para seu descanso, tinham aparelhos que serviam tanto como aquecedores no inverno quanto como ventiladores nos tempos de verão, diferentemente do quarto que dividia com Harry debaixo da escada, que tinha apenas uma fresta que dava para o corredor.
Era incrível como aquele cubículo esquentava, parecia um forno.
Eu tinha sete anos nesse verão e acabara de acordar de um pesadelo. O mesmo de sempre. A cobra, uma luz verde e o grito de socorro. Harry também tinha perdido o sono por conta do calor.
— O pesadelo? — Ele indaga se sentando na cabeceira da cama.
— Sim…
— Quer ajuda para dormir? — Ele sorri se levantando da cama e se aproximando da minha — Posso…
— Não, seu bobo! — Digo fazendo um X com os braços — Já estou fritando!
Harry sorri e joga o seu travesseiro na minha cara.
— Para uma irmã mais nova você é muito ingrata…
Abro a boca em choque.
— Você é sete minutos mais velho que eu. Sete! — Falo devolvendo o seu travesseiro com força e o atingindo com tudo no rosto.
Ele sorri e afofa o travesseiro. Seus olhos recaem sobre a pequena fresta na porta que dava direto para o corredor da casa.
— Se ao menos…
— Pudéssemos pegar o sorvete… — Digo complementando a sua fala enquanto me abano com as duas mãos — Sabe o que mais eu queria? — Falo fechando os olhos — Aquele sorvete perto da construtora do tio Válter…
— O de chocolate com biscoito? — Ele pergunta.
— Não, esse é o seu preferido… Eu quero o de iogurte com aquelas frutinhas azedas… — A memória de ver os sorvetes parados no freezer me faz salivar.
Meus tios raramente nos devam doces, nem em nossos aniversários. Quando ganhávamos normalmente eram os bombons que Duda não gostava. As compras do mês da casa sempre consistia em dois potes de sorvete para o Tio Válter e quatro caixas de picolé para o Duda.
Mas antes que a memória doce pudesse esvaecer da minha mente, algo gelado toca as minhas mãos, me fazendo abrir os olhos rapidamente. Estava segurando um cone largo com quatro bolas do doce gelado.
— Harry… — Falo baixinho observando que na mão do meu irmão também estava um cone grande com quatro largas bolas de sorvete.
— Eu não…
— É o sorvete… — Falo analisando a minha sobremesa.
— Como?
Nego com a cabeça pasma com o que segurava. Sem nem pensar duas vezes abocanhei o gelato e permiti-me saborear o azedo das frutinhas feitas pelo céu. Não sabia se ria ou se chorava, mas aquela noite estupidamente quente se tornara perfeita.
Em pouco minutos o presente do além havia sumido, tudo estava dentro da minha barriga e eu estava em puro êxtase, radiante de tanta alegria.
— Fala mais, Lily… Vai que aparece!
— Não! Sua vez! Pensa em algo gostoso! — Digo fechando os olhos e me sentando com dificuldade na cama.
— Certo! Hum… — Ele fala enquanto pensa — Eu quero aquela torta que a tia Petúnia sempre faz quando a Tia Guida vem para cá…
— Ah, sim… A com banana e caramelo — Digo sentindo o cheiro daquele delícia penetrar as minhas narinas — Ela sempre nos coloca para ajudá-la, mas nunca nos deixa comer…
— Sim… Mas um dia eu meti o dedo no creme que vai em cima e… É uma delícia…
Abro os olhos e não vejo nada em minhas mãos. Sinto meu coração apertar, gostaria muito de ver um pedaço do doce bem ali, na minha frente. Feito mágica.
— Lily… — Harry me chama baixinho.
Volto o meu olhar para o meu irmão. Harry tinha seus olhos arregalados e sua boca aberta. Seu dedo indicador apontava para…
— A torta! — Exclamo surpresa e rapidamente tampo a minha boca, para não acordar os Dursley — A torta…
Harry sorri.
Tudo aquilo parecia surreal.
Um sonho.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
Não demorou muito para chegarmos ao zoológico. Entretanto, por conta do laço apertado em minha cintura do vestido antigo de Tia Petúnia, o percurso parecia ter sido eterno. Duda começou a aliviar sua expressão de constipação e no momento em que chegamos no zoológico ele se animou completamente. Saiu acelerado do carro, ansioso para infernizar a vida dos animais.
A entrada do local era de madeira, com um outdoor com grande partes dos bichos em exibição. Parecia um parque temático de tão colorido. Os funcionários se vestiam com roupas de safári e nos davam boas-vindas com um sorriso amarelo. Eles distribuem panfletos com mapas e todas as informações sobre o lugar.
Depois de comprados os ingressos e um picolé de chocolate para Duda, seguimos para o passeio. O zoológico era gigantesco, cheio de animais e plantas, ao céu aberto, exibindo orgulhosamente o céu azul claro praticamente sem nuvens. Os animais pareciam muito bem alimentados e, eu diria, felizes.
Fomos para a área dos macacos e depois para os felinos. Visitamos todos os animais, deixando por último as cobras. Estava ansiosa, elas são meus animais preferidos.
— Ela não se mexe! — Escuto Duda reclamar e logo em seguida um baque seco no vidro — Faz ela se mexer, papai!
Reviro os olhos, Duda conseguia ser insuportável até com os animais.
— As vezes ela não que falar com você, Duda… — Falo me aproximando do vidro em que ele estava — Ela é esperta se estiver apenas ignorando você.
— Harriet! — Tio Válter sibila.
— Desculpe… — Falo, sentindo minhas bochechas esquentarem. Não queria irritar meu tio.
— Vamos! Acorde! — O Dursley mais velho fala batendo com ainda mais força no vidro — Cobra preguiçosa!
Bufo.
— Não faça isso, tio… — Harry fala baixinho se aproximando de mim.
— Cale a boca, pirralho! — O homem exclama socando novamente o vidro — Ah, esqueça, Duda… Essa cobra não tem salvação!
Meu primo sai pisando firme, irritado e de braços cruzados, acompanhando pelo corpulento de meu tio. Harry e eu ficamos apoiados na barra na frente do vidro.
— Até a cobra não aguenta o Duda…
— Ela deve estar tão triste… Está que nem a gente, presa — Comento.
— Ninguém gosta de ficar preso, Lily — Harry fala.
“Está certíssimo, garoto”, uma voz sibila em minha mente.
Olho para Harry assustada, mas ele parecia tão surpreso quanto eu.
— Você também?
— Sim… — Murmuro.
— Quem você acha que…
“Sou eu, crianças”.
— A cobra?! — Indago dando um passo para trás.
“Sim, sim!”.
— Isso é incrível! — Harry exclamou observando a cobra se mexer — Quer dizer que entende o que eu falo?
A cobra esverdeada concorda com a cabeça.
— É impossível e…
Entretanto antes que eu pudesse terminar o corpo gordo de Duda se choca contra o meu, me derrubando no chão. Sinto uma dor aguda atravessar pelo meu corpo e um ardor atingir a minha bunda. Duda é um menino bruto, mimado e grosseiro. Já passou do tempo deve levar a pior nesse cabo de guerra diário entre ele e nós!
— Papai! Papai! Está se mexendo! — Duda berra subindo na barra e empurrando Harry para perto de mim
Massageio o meu cotovelo machucado pela queda.
— Você está bem? — Ele pergunta me ajudando a levantar.
— Duda vai pagar… — Falo fuzilando com o olhar a bunda enorme de meu primo.
Antes que eu pudesse me mover vejo Duda cair para dentro da cela da cobra, como se o vidro que estava ali simplesmente sumisse. A bunda rechonchuda do meu primo pende para o lado de fora e a cobra sai elegantemente de seu cativeiro se aproximando de mim e de meu irmão.
“Obrigada”, ela sibila em minha mente e Harry rapidamente fala:
— De nada — Sua voz sai baixinha, super discreta.
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