Os Potter: A Pedra Filosofal
2 Capítulo 2
Corujas e cartas
Duda passara o resto do final de semana sem falar comigo, muito menos com Harry, o que, sinceramente, foi um sonho se tornado realidade. A fuga da jiboia nos rendeu uma certa paz na casa dos Dursley, entretanto recebemos um castigo severo: semanas a fio dentro do armário debaixo da escada, podendo sair apenas para comer e ir para a escola.
Quando o nosso castigo terminou, as férias de verão já haviam começado. Duda já havia quebrado grande parte de seus presentes de aniversário, deixando são e salvo apenas as roupas novas que, em poucos meses de muita comida, seriam deixadas para mim e para Harry.
Estava muito infeliz pelo fim das aulas, não teria como escapar do tédio da casa dos Dursley. Harry, por outro lado, estava radiante, ele não teria mais que fazer os deveres e não veria mais os valentões de nossa escola e muito menos o grupo de amigos de Duda, que vivia para nos infernizar.
Quando julho chegou Tia Petúnia e Duda saíram para comprar os novos uniformes para a nova escola de meu primo. Duda iria para Smeltings, a instituição de ensino em que Tio Válter estudou quando tinha a nossa idade. Passar o dia na casa da Sra. Figgs não foi completamente terrível.
Sra. Figgs tinha sua perna fraturada, imobilizada, logo, eu e Harry fomos capazes de passar o tempo de uma forma mais livre a agradável. Cuidei dos gatos e Harry aproveitou o jardim nos fundos da casa para si. Quando voltamos para a casa dos Dursley, Tia Petúnia nos cumprimentou com uniformes novos e… Feios! O meu era uma saia marrom cor de burro com uma camisa polo branca e o de Harry era uma camiseta social que era para ser branca, porém o tempo a deixou amarela, e uma calça de alfaiataria preta.
— Não usarei isso! — Digo observando a saia, podia ter certeza que havia manchas de comida.
— Vai sem roupa para a nova escola? — Tia Petúnia indaga levantando a sobrancelha.
— Não, mas…
— Então usará essas roupas, Harriet!
— Lily… Não discuta… — Harry alerta baixinho.
Respiro fundo e concordo com a cabeça.
— Obrigada, tia — Digo, cansada e logo em seguida escuto um clique na porta.
O barulho representava a chegada do correio.
— Pegue as cartas, Harriet… — Sra. Dursley fala — Estou na lavanderia, limpando a roupa de vocês e Duda, querido, assista aquele seu programa! Já deve estar passando, meu amor…
Bufo e me encaminho para a portinhola na porta da frente, sendo acompanhada pelo meu irmão.
— Aquelas roupas são…
— Horrendas? Terríveis? Queimadora de olhos com sua feiura inabalável? — Digo, gesticulando comicamente.
Harry ri. No chão estava duas cartas de papel velho e um selo vermelho em cada uma com um brasão estranhamente familiar. Sinto meu coração apertar no momento em que toco nas cartas. Nada como aquilo havia acontecido comigo. Alguém escrevera para mim e para Harry. Nos escreveram uma carta.
Uma carta.
Para nós.
— O que há, Lily? — Harry indaga tocando o meu ombro com cuidado.
Entrego a ele a carta com o seu nome e analiso a minha com esmero e cuidado.
Sra. Harriet L. Potter
O Armário sob a Escada
Rua dos Alfeneiro 4
Little Whinging
Surrey
O envelope era grosso, parecia ter sido feito de um pergaminho amarelado e velho e endereçado com uma tinta verde-esmeralda. Viro o envelope para encarar o tão familiar brasão que exibia orgulhosamente um “H” ornamentado com um texugo, uma águia, uma serpente e um leão.
— Vamos, pirralha! Ande logo com essas cartas! — Gritou o Tio Válter.
— Lily… — Harry fala baixinho — O que você acha que tem aqui dentro?
— Dentro do que? — Meu tio fala e logo se emudece.
Podia ter certeza que o Sr. Dursley havia visto um fantasma. Instantaneamente ele ficou pálido e deixou seu maxilar inferior pender, exibindo um 'O' perfeito com a boca.
— Petúnia! — Ele chama e logo volta seu olhar para nós, seus olhos mudaram de assustados para ferozes e rapidamente nos arrancou as cartas — Dê-me isso!
— É minha! — Exclamo irritada.
— Ninguém escreveria cartas para vocês, pestinhas! Estão me ouvindo? — Ele grita rasgando ambos os envelopes em pequeninos pedaços — Ninguém. Escreveria. Para. Vocês!
— Mas estão endereçadas para nós! — Harry explica, severamente estressado. — Tem exatamente onde dormimos!
— Não ligo! — Tia Petúnia exclama analisando o que sobrou das cartas — Vão direto para o quarto! Estão me ouvindo? Pro quarto! Agora!
Tento falar algo, mas antes que as palavras pudessem se formar em minha boca, Harry já estava me puxando para o cubículo em que dormíamos.
— O que está fazendo?
— Quer ficar de castigo por mais meses? — Ele pergunta fechando a porta — O tio e a tia estão soltando fumaça pelos ouvidos … Nunca os vi tão irritados…
— Mas aquelas cartas são nossas! — Grito, me sentando na cama — E se… Nossos pais estivesse nos mandado?
— Lily… Eles estão…
— Eu sei… O acidente de carro — Falei sentindo meu coração apertar — É só que… O selo parecia tão familiar.
— Eu também senti isso — Ele explica se sentando ao meu lado e pegando minha mão com cuidado.
— Queria ter conhecido eles, Harry… — Sinto meu olhos se encherem de lágrimas — Não é possível que eles só fossem próximos da Tia Petúnia...
Entretanto, antes que a primeira lágrima pudesse correr pelo meu rosto eu escuto um clique na portinhola.
E depois outro.
E mais um.
Em seguida de novo.
— Harry?…
Um grito fino atrapalha a minha fala. Sinto meu coração acelerar, o grito viera de Tia Petúnia e logo foi acompanhado por um guincho de Duda. Saio apressadamente do quarto e me deparo com um tapete de cartas que ia da porta até o armário debaixo da escada.
As cartas amarelas se acumulavam na madeira da porta e eu sorria involuntariamente.
— Eu disse que era nossa! — Exclamo e agarro uma das cartas no chão — Sra. Harriet L. Potter, o armário sob a escada!
— Harriet Lilian Potter de volta para o quarto! — Tia Petúnia ordena.
— Não!
Minha Tia se transformou de uma dona de casa para uma fera feroz. Ela nos empurrou para dentro do quarto e trancou a porta.
— Os dois arrumem as malas! — Ela grita pela fresta na porta — Não demorem!
Engulo em seco. Será que ela ia nos largar em um lugar qualquer? Nos abandonar, afinal não éramos seus filhos, apenas sobrinhos. Talvez ela fosse nos deixar em um orfanato.
— Olha o que fez, Lily… Não consegue deixar de ser teimosa, né?
Reviro os olhos, às vezes eu queria muito dar um soco em Harry. Mas nesse momento minha mente estava em outro lugar. Estou preocupada com a possibilidade de, por mais insano que soe, deixar os Dursley. Apesar de nunca terem sido gentis conosco, era eles que cuidavam, por falta de uma palavra melhor, de mim e de meu irmão.
✩✩ 9 ¾ ✩✩
A verdade era que não íamos para um orfanato, muito seríamos largados na rua. Não sabia o que seria pior: me livrar de Duda para sempre ou ter que dormir ao seu lado em uma cabana isolada no meio do nada.
Era para lá que estávamos indo: uma casa de veraneio no meio da terra onde Judas perdeu as botas. Chegamos de noite e Tia Petúnia e Tio Válter foram direto dormir no andar de cima, me deixando com Duda e Harry. Meu primo dormia no sofá, roncando como um porco.
Harry e eu estávamos no chão encarando o calor da lareira ao nosso lado. O fogo parecia dançar de acordo com os roncos de Duda. Aquilo era, definitivamente, do que o quarto debaixo da escada. A casa estava cheia de poeira e fedia, ou seria apenas o bafo de meu primo?
— Ótimo! — Reclamo baixinho.
— Podia ser pior…
— Tipo o que? — Indago, nervosa.
— Podíamos estar comemorando nosso aniversário num orfanato…
Respiro fundo, Harry estava certo. Volto meu olhar para o meu irmão, que desenhava um bolo na poeira misturada com cinzas no chão.
— Feliz aniversário, Lily — Ele fala assim que o relógio da meia noite.
— Feliz aniversário, Harry
E de repente algo bate na porta. Um baque surdo e assustador. Primeiro achei que fosse a chuva, já que havia uma tempestade caindo do lado de fora. Mas o barulho se repetiu.
Não era a chuva, era alguém.
Meu coração acelera.
— Harry… — O chamei, mas ele parecia mais assustado que eu.
— Tem alguém na porta…
— Bem, isso é óbvio… — Não consegui segurar.
— Pare de ser chata, Lily!
Outro baque. Quem quer que seja, estava ansioso para entrar e não pouparia esforços para fazê-lo. Me levanto rapidamente, me escondendo atrás do sofá, enquanto Harry se esconde atrás da lareira. Escuto os passos do Sr. e da Sra. Durley descendo as escadas, acordando meu primo. Duda se senta de forma desajeitada no sofá em que dormia e seus pais assumem uma posição de combate cômica: Sr. Durley segurava uma arma antiga e empoeirada enquanto sua esposa se escondia atrás dele.
Um barulho alto estalou pelo ar, era a porta, que estava, agora, fora do arco de origem, caída no chão. Do lado de fora, na chuva forte, estava uma figura extremamente alta, quase como um gigantes dos livros que lia. Meu coração pulava no peito, como se estivesse prestes a sair pela minha boca.
— Harry e Harriet Potter? Onde estão? — A figura ordena entrando na casa
— Sem mais nenhum passo! — Sr. Dursley exclama — Ou eu…
— Ou o que, Dursley? Vai atirar com essa quinquilharia?
Os Dursley se calam, pareciam tão intimidados pelo gigante quanto eu. Olho para Harry, a procura de um rosto mais reconfortante, porém, antes que eu pudesse fazê-lo, um alto estrondo percorrer a minha espinha. A lareira estava vibrante, com um fogo mais escandaloso do que antes.
Guincho, assustada, saindo, involuntariamente, de meu esconderijo.
— Harriet Lilian Potter! Como está grande!
— Quem é vo-você? — Indago engasgando em minhas próprias palavras, devia estar ridícula, me passando de idiota. Respiro fundo e reúno toda a coragem em meu corpo, me aproximando do homem gigante e corpulento — Não o conheço!
— Com certeza, não lembra de mim. Meu nome é Hagrid, guardião das chaves de Hogwarts… Quando a conheci, senhorita Harriet, você era apenas um bebê, tão pequena que a segurava na mão!
— Você nos conhece?
— Sim, claro, pequena. Conhecia os seus pais, os grandes bruxos Lilian e Tiago…
— Perdão, mas você disse bruxos?
— Ah! Aí está você Harry! Sim, bruxos, assim como vocês dois! — Ele fala se sentando no sofá, tirando de seu casaco de peles uma caixa e dois envelopes — Feliz Aniversário, aos dois! Trouxe bolo!
Me aproximo com cuidado, observando o interior da caixa.
— Rachou por conta da viagem, o clima está uma loucura lá fora!
Sorrio.
— Muito obrigada, Hagrid — Digo com um sorriso no rosto, por um momento todo o meu medo se esvaiu pelo ar, era como se estivesse conversando com um amigo — Você mencionou Hogwarts, o que é isso?
— O que? Vocês não sabem o que é Hogwarts! Malditos sejam os trouxas! — Hagrid esbraveja tentando se sentar de forma mais confortável no sofá — Quando eu digo Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não vem nada a mente?
— Não, senhor — Harry fala me observando
— Seus tios não disseram nada… Lílian e Tiago Potter eram bruxos, um dos melhores, e estudaram em Hogwarts. Foi um triste dia quando descobrimos da morte dos dois…
— Sim, o acidente de carro — Digo observando o fogo.
— Acidente de carro?! Sinceramente, Dursley! — Ele bufa, parecia que estava prestes a explodir — Eles morreram lutando contra o Lorde das Trevas, morreram como heróis!
O encaro atônita. Não só eu era uma bruxa, mas também tudo o que eu sabia sobre os meus pais estava errado. Eles eram bruxos, corajosos e inteligentes.
— Eles foram heróis?
— Sim, Harry. A cicatriz que os dois de vocês carregam é um símbolo, significa que o amor de seus pais por vocês foi maior do que as trevas do Você-Sabe-Quem!
Segurava a tão desejada e misteriosa carta de Hogwarts, finalmente a tinha em minhas mãos, mas não queria abri-las, estava incerta. Olho para Harry, ele parecia tão confuso quanto eu.
— Vamos, temos que ir… Os tios de vocês atrapalharam todo o roteiro, temos que comprar tudo para o primeiro ano em Hogwarts.
— Não vão não! Os dois estão sob a minha guarda! Eles não vão para Hogwarts!
— Você sabia disso tudo, Tia Petúnia?
— Lílian era minha irmã, Harriet! É claro que eu sabia! Ela era uma bruxa e manchou o nome da minha família!
— Feche a matraca, Sra. Dursley! Não fala assim de uma das maiores bruxas que Hogwarts já produziu! — Hagrid exclama se aproximando de meus tios.
— Nem mais um passo! — Sr. Dursley ameaça.
— Me poupe, trouxa! — Ele fala entortando o cabo da arma do Sr. Dursley.
Sorrio, Hagrid havia feito dez pontos em sua reputação comigo. O guarda chaves de Hogwarts olha para mim e sorri.
— Não temos tempo! Vamos, vamos, vamos! Não vão querer se atrasar para seu primeiro dia de aula.
Hagrid estava certo, estava ansiosa para conhecer o mundo o qual minha mãe e meu pai pertenciam. O que era ser uma bruxa? Ou melhor, o que era ser uma bruxa em Hogwarts? O que eu descobriria sobre meus pais?
Tantas perguntas sem respostas.
Isso era, definitivamente, o início de uma aventura.
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