Os Mutantes de Rineerland
8 Você não sabe ser rainha.
Notas iniciais
Mesmo com todos os balanços da carruagem eu não podia parar de manter meu olhar sombrio e fixo em frente. A minha maleta de mão negra estava encostada em mim, mesmo assim eu estava reta no acento com as mãos na coxa; meu chapéu grande preto escondia meu coque. Então a carruagem parou, nem sequer abri a boca, até que um criado abriu-me a porta se dirigindo a mim:
– Madame Harvey... — Era na verdade uma menina que fitava o solo tremendo de cima a baixo.
– Chegamos? — Virei a cabeça.
– Sim senhora, Madame Harvey.
Descruzei as pernas, saindo da carruagem para ver diretamente em frente a um palácio uma loira de olhos azuis me aguardando. Ela tinha um sorriso falso no rosto. Andei retamente segurando a maleta sem abrir a boca nem sequer o minuto, quanto mais eu me aproximava com a minha expressão sem vida, mais o sorriso da loira desaparecia. Ela me dirigiu a palavra quando eu já estava perto o suficiente:
– Mãe...
– Sim, querida? — Fitei-a, com um olhar padrão, minha expressão sem sequer mudou.
– É muito bom ter a senhora aqui no palácio, faz tempo que não visita...
– Entenda, querida... Sabe por que eu não frequento este... Este... — Pensei em um nome apropriado para me referir a estrutura de forma graciosa: -... Lugar? Porque não gosto de governos fracos.
– Não comece mãe...
– Querida, você não sabe ser rainha.
– A senhora nunca foi uma, não pode me julgar. — Ela me acompanhou para dentro.
– Nunca fui uma, mas quase cheguei a ser. E para chegar a este ponto, Lizay... Tive que ter a postura de uma.
– Sinceramente, não estou mais no começo do reinado para continuar a ouvir a história que uma simples Formatrolls roubou seu lugar na coroa...
– Não me referi a isso momento algum. Onde está Hector?
– Quarto. — Ela falou tão baixo que me pareceu uma mentira.
– O que é? Não vai dizer a verdade? Eu sei o que se passa em sua mente... E você não pode saber o mesmo do que se passa na minha.
– Ele está no quarto e não quer visitas. Agora mãe, se me der licença eu tenho uma reunião com as mulheres da Corte.
– O que? E não me disse? Quero ir junto! Não pode deixar uma visita sozinha!
– Tanto posso, tanto vou. — Ela seguiu um caminho tanto estranho. Segui o caminho oposto, indo até o quarto de Hector.
Assim que bati na porta com tanta graciosidade, ouvi a voz do meu garoto:
– Você não vai entrar, mãe.
– Hector? — Sussurrei: — Sou eu.
– Vó? — Ele murmurou de volta, abrindo uma greta na porta. Estava tirando a armadura, e coçando algumas cicatrizes no ombro e nas costas.
– Posso entrar?
– Pode. — Ele disse abrindo, correndo para o fundo do quarto. Fechei a porta de forma leve. — Desculpe a bagunça...
– Por que está se coçando?
– Alergia.
– Você é Revidor, meu querido.
– Eu sei, mas não quero curar a alergia.
– Por que?
– Não devo...
– O que causou a alergia?
– O que não é a pergunta, vó... É quem.
– Foi Julietta, não é? Esfregou flores em seu rosto...
– É...
– Qual foi o motivo? Julie não costuma fazer coisas sem proposito.
– Longa história.
– Tenho muito tempo.
– Então melhor se sentar. — Ele apontou para um sofá, que me afundei nele... E fiquei lá até ele me contar desde das sombras na cela até ele defender a garota Segunda. Reprovei cada segundo, assustada.
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