Os Mutantes de Rineerland

9 Bandejada na tua cabeça oca.


Notas iniciais
É, galera, depois de tempos eu voltei, desculpa! Eu acabei viajando de ultima hora, e depois veio semana de provas... Ai já se sabe né! Essa ai é narrada pela Clara.

Me encontrava agarrando as grades de P, olhando no fundo de sua íris esverdeada que brilhava através da escuridão:

– Sou como uma criança... Quando não quero ver algo, eu aperto os olhos de forma que não consigo enxergar. Receoso, com medo de abri-los e não encontrar algo bom, mas esperançoso de ver algo perfeito. Mas é melhor se garantir, e ficar de olhos fechados. — Ele começou.

– Não entendi, por que me diz isso?

– É pra você saber porque não quero te mostrar o que eu sou... Talvez você seja como eu: Uma criança. Bem lá no fundo... Alguém que tem medo de olhar através das grades.

– Não tenho medo. — Estiquei meus palmos em sua direção, tentando tocá-lo. Dessa vez ele não recuou, apenas se aproximou deixando que eu encostasse meu dedo indicador na ponta de seu nariz.

– Você acha que não tem. — Ele segurou meu dedo pela ponta da unha, e empurrou com cuidado: — Mas não sabe.

– Eu sei muito bem! — Bufei, cruzando os braços.

– Não quero te irritar, só me despedir. — Estava escurecendo, e as luzes não se ligaram naquele dia na cela.

– Eu vou voltar... Então não será um adeus, nunca se sabe.

– Nunca se sabe... — Ele continuou: — Até lá.

– Até... Algum dia. — Respondi, com um sorriso fraco no rosto. Então ouvi barulho de chaves. Peguei a bandeja que estava no canto do quartinho minusculo e fiquei perto da entrada para o calabouço.

O guarda entrou, e virou a cabeça para os lados:

– Onde está a garotinha Segund... — Levantei a bandeja entre as sombras em cima da cabeça do homem, e bati contra a nuca mal raspada. Dei um chute próximo ao calcanhar, o fazendo cair. Ele tinha desmaiado. Peguei um pano de prato e amarrei na boca do tal, e o amarrei com outro lenço nas grades da cela de P.

– Até mais. — Ele repetiu.

– Até, essa não é a ultima vez, Pequeno Príncipe.

– É, nunca será a ultima... Grande Segunda.

– Tchauzinho. — Fiz uma reverência desengonçada, em gesto de cortesia. Corri para cima. Eu iria ao quarto dos empregados arranjar um uniforme para me filtrar entre a família real.