Os Mutantes: Harmonia Caótica
22 Traição - Parte 3
Durante a tarde, Renata recebeu uma ligação de Claude e foi até seu apartamento. Claude abriu a porta.
— Eu vim o mais rápido que pude...
— Tudo bem, entre.
Renata entrou.
— Indo direto ao ponto... Eu consegui uma pasta com fotos de todos os mutantes maiores de dezoito anos que vivem na cidade de São Paulo.
Renata se assustou.
— Isso parece arquivo importante... Como conseguiu? Eu lembro que fui chamada para tirar uma foto e passar alguns dados no ano passado, mas era para o governo...
— Sabe a Mia, a parceira do Oliver? Então, acontece que ela é uma hacker profissional!
— Uau...
Renata se sentou no sofá. Claude levou a pasta até ela.
— Eu vou devolver isso aqui pra ela depois que você checar... Já fiz uma cópia no meu computador.
— Certo, eu vou conhecê-la se ver as fotos. Foi ano passado, ela não pode ter mudado muito. Só por curiosidade... A Mia não está encrencada, está?
Claude cruzou os braços.
— Eu não vou denunciá-la. Ela não roubou para ganhar dinheiro ou fazer chantagem, e sim para nos ajudar nesse caso. Mas sim, se alguém descobrir, ela vai ter alguns problemas...
Renata pegou a pasta e começou a olhar as fotos.
— Hum...
Ela foi virando as páginas, checando cada foto com cuidado.
— Lembrando que todos os mutantes que a doutora Júlia criou foram rastreados, mas tem uma possibilidade...
Renata ergueu os olhos em direção ao Claude.
— Qual?
— Ela pode ter chegado na cidade depois desse evento. Então não fique surpresa se não encontrá-la.
— Certo...
Ela continuava verificando as fotos.
— Tem outra coisa que precisamos considerar... Ela não ter dezoito anos na época em que foi convocada.
— Eu acho que tinha, Claude... Eu diria que ela deve ser um pouco mais velha que eu. E eu tinha dezenove ano passado.
Claude apenas esperou. Mas...
— Não, Claude... Ela não está aqui...
Renata devolveu a pasta para Claude.
— Tudo bem. Vamos considerar as probabilidades.
Claude colocou a pasta em cima da mesa.
— Se ela for mais velha que você, a idade está desconsiderada, certo?
— É...
— Tem a possibilidade dela não ter comparecido ao evento, mas...
Claude pensou um pouco.
— Não... Os mutantes que a Doutora Júlia criou foram todos rastreados, ela seria encontrada...
— ...
Renata estava de cabeça baixa, e parecia pensativa.
— O que houve, Renata?
— Hum... Tem uma coisa que você não considerou ainda.
— O que seria?
— E se...
Renata olhou para Claude.
— E se ela... Não for mutante?
Um frio percorreu o corpo de Claude.
— Como... Como assim...?
— Tem a possibilidade de que ela não esteja na lista pelo fato da Doutora Júlia nunca tê-la criado...
Claude riu.
— Haha... Renata, você mesma disse que ela tem poderes sobre-humanos! É impossível que ela não seja mutante.
— É, acho que você tem razão...
Claude voltou ao seu raciocínio.
— Ela poderia ter herdado os poderes dos pais, então não seria tecnicamente uma criação da doutora Júlia.
— Mas... Não há registros de mutantes com filhos maiores de dezoito anos...
— Sim, isso é verdade... Hum... Eu vou ficar com a teoria de que ela não estava nessa região ano passado.
Renata se lembrou de algo.
— Ah, Claude...
— Sim...?
— Que se dane, eu vou contar pra você...
— ...Ãh?
Renata se levantou.
— Essa noite eu ficarei na Mansão Mayer... E tenho uma missão para cumprir...
— Missão...?
— Sim, eu vou tentar encontrar pistas sobre o traidor da Liga do Bem.
Claude suspirou.
— Você vai acabar fazendo besteira...
— Ei, eu não faço besteira... Na maioria das vezes...
— Certo, eu não vou nem discutir. Faça a sua missão, mas não estrague tudo.
— Ok!
Recebendo a "aprovação" de Claude, Renata estava mais confiante de que faria o melhor de si.
.........
......
...
O Sol estava se pondo. A garota misteriosa saiu de seu apartamento e desceu as escadas. Ao passar pela entrada do prédio, havia um casal entrando. Eles pararam e a observaram enquanto se afastava.
— Olha lá... Aquela mulher estranha que não fala com ninguém... — Disse o homem.
— Ela é bonita, mas me dá medo...
Mas a garota nem ouviu, apenas continuou andando. Ela seguiu pela calçada, enquanto a noite começava a tomar conta do céu. Os postes já estavam se acendendo.
Após ela se afastar o suficiente, três crianças se aproximaram da entrada do prédio.
— Ela já foi...? — Perguntou Lorenzo.
— Já! — Respondeu Sarah.
Miguel pegou seu celular.
— Assim que estiver dentro do apartamento dela, ligue para mim. Vamos nos comunicar pelo celular mesmo.
— Você tem que ficar lá dentro pelo menos meia hora. Só assim vai completar o desafio. — Disse Sarah.
Lorenzo pegou seu celular.
— Certo... Então eu já vou...
— Espere! — Disse Miguel — Nós vamos ficar no corredor. Temos que ter certeza que você vai entrar!
O trio entrou no prédio e foram subindo as escadas. Até que pararam em um corredor e se aproximaram de uma das portas.
— A bruxa mora aqui. — Disse Sarah.
— Vai, Lorenzo, entra! — Disse Miguel.
Lorenzo pensou um pouco, mas decidiu se aproximar da porta e tentar abrir.
— ...Está trancada...
— Ela não ia deixar a porta aberta ao sair, faz sentido. — Comentou Sarah.
— Vamos ter que abrir de algum jeito então. Mas eu vim preparado, sai da frente, Lorenzo.
Lorenzo se afastou. Miguel tirou uma chave de fenda de sua mochila e enfiou com força na fechadura.
— Quase lá...
De repente, houve um barulho.
— Xi, quebrei a fechadura!
— Mas abriu, isso que importa. — Disse Sarah.
Lorenzo imaginou que eles todos estavam encrencados. Mas decidiu não falar nada.
— Vai, entra!
Ele entrou. Em seguida, Miguel fechou a porta.
— Ei, o que está fazendo?!
— Relaxa, é só pra ninguém desconfiar. Depois eu abro.
— ...
Lá dentro, Lorenzo acendeu a luz. Seu celular tocou. Era Sarah.
— Lorenzo, o que tem aí?
— Deixa eu ver... Tem uns móveis velhos, uns livros...
— Alguma coisa de bruxaria? — Perguntou Miguel.
— Ainda não...
Lorenzo não sabia, mas os dois estavam indo embora. O plano, desde o começo, era deixá-lo trancado no apartamento da bruxa.
— Continua aí, cara... A gente está aqui fora! — Disse Miguel.
— Se achar algo interessante, avise! — Disse Sarah.
Lorenzo foi explorar a cozinha. Até que algo na pia lhe chamou a atenção.
— Espera... Isso é... Sangue?
Ele viu várias seringas, cada uma com uma inscrição diferente. Vampiro, Fogo, Raio... Ele não entendia.
— Tem sangue aqui... — Disse ele.
— Sangue? Tipo, sangue humano? — Perguntou Miguel.
— Sim, umas seringas, mas... Eu estou começando a ficar com medo...
— Beleza, pode sair então. — Disse Sarah, rindo.
Lorenzo foi até a porta de entrada e tentou abrir, mas...
— ...Ei, está trancada!! — Disse ele, assustado.
Ele ouviu Miguel e Sarah rindo.
— O que aconteceu?! Onde vocês estão?!
Miguel respondeu.
— Você acha mesmo que um idiota como você ia entrar pro nosso grupo?
— Você vai ficar preso aí até a bruxa voltar! E não deve levar muito tempo! — Disse Sarah.
— Nã... Não... Por quê?!
— Como assim "por quê"? A resposta não é óbvia? Porque você é idiota! — Respondeu Miguel.
A ligação foi encerrada. Lorenzo estava em pânico. Ele não sabia o que fazer. Pular pelas janelas era impossível, pois não estava mais no primeiro andar. E a porta não se abriria tão fácil. Ele se sentia perdido.
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