A noite estava começando a cair. Renata parou em frente à porta de entrada da Mansão Mayer, e observou por alguns segundos.

— É isso... Me desejem sorte... — Disse ela, em voz baixa.

Renata abriu a porta.

— Oi, Renata! Que surpresa! — Disse Vavá, que estava sentado no sofá lendo um gibi.

Ela também gostou de vê-lo, mas em sua mente, agora todos eram suspeitos de trair a Liga do Bem.

— Oi, Vavá... As meninas estão aqui?

— Sim, a Ângela e a Clara estão no quarto. Você veio passar a noite aqui? Elas vão gostar!

Renata acenou, concordando.

— É, eu vim passar uma noite com elas... Coisa de garotas, sabe?

Na verdade, o plano de Renata era investigá-las. E o Vavá também, se ela conseguisse.

— Legal, pode subir, elas estão lá.

— Obrigada...

Renata subiu as escadas até o quarto onde Ângela e Clara estavam. Ela parou em frente à porta e bateu algumas vezes.

— Entre! — Disse Ângela.

Renata entrou.

— Oi, pessoal...

— Renata! — Gritaram as duas, animadas.

Ângela e Clara foram até ela e a abraçaram. Renata começou a se sentir mal sabendo que só estava lá para uma investigação, e que as duas eram suspeitas.

— Eu... Bem... Eu vim... Passar uma noite com vocês...

Clara se animou.

— Legal! Eu já vou preparar o filme e a pipoca!

Ela saiu do quarto. Ângela se virou para Renata.

— Eu vou ajudar. Ela se atrapalha com o tempo do micro-ondas.

— Ah... Certo.

Ângela seguiu Clara, deixando Renata sozinha. Foi quando ela notou que uma das duas tinha deixado o celular em cima da escrivaninha.

— É o celular da Clarinha... Será que eu devo...

Foi quando o celular vibrou. Alguma mensagem tinha chegado.

— ...!!

Renata pegou o celular e checou a mensagem... Mas era apenas uma atualização da previsão do tempo que a Clara seguia.

— Ah... Droga... Mas pelo menos não é nada ruim...

— Renata?

— Ãh...?!

Remata se virou assustada. Ângela havia visto ela com o celular.

— Ah, eu... Eu... O celular dela fez um barulho e eu fui checar o que era... Só uma atualização.

Mas Ângela nem se importou.

— Tá bom. Eu trouxe o DVD, vamos preparar o filme. A Clara já vem.

Renata colocou o celular de volta onde estava.

.........

......

...

Claude se aproximava da entrada da delegacia, quando seu celular tocou. Era Rafael.

— Alô?

— Claude, o Beto e eu fomos chamados para resolver um crime. Parece não ser nada sério, mas estou avisando só por precaução, tudo bem?

— Ah, certo... Eu estou em uma delegacia pra falar com uns... Amigos...

Rafael estranhou.

— Você? Amigos?

— Eu tenho vida também, Rafael...

Claude desligou. Na delegacia, Oliver e Mia caminhavam pelo corredor, até que o viram se aproximando.

— ...Claude? — Perguntou Oliver.

Claude se aproximou dos dois, segurando uma pasta.

— Eu vim devolver isso pra Mia. Não quero ser cúmplice de um ato criminoso.

Mia pegou a pasta.

— Ah, obrigada...

— Espera um pouco, o que está acontecendo aqui?

Claude cruzou os braços.

— A sua parceira conseguiu arquivos confidenciais hackeando o sistema do governo.

Oliver se espantou.

— M... Mia...?!

— É, é verdade, Oliver... Mas relaxa, eu fiz isso só pra ajudar... Algum sucesso, Claude?

— Não... A Renata não conseguiu identificar a garota nessas fotos.

Oliver pensou.

— Então... O que isso quer dizer?

Claude baixou a cabeça.

— Ou ela não vivia em São Paulo até alguns meses atrás, ou...

Claude ia dizer "Ou ela não é mutante", mas isso não fazia sentido.

— Ou o quê? — Perguntou Mia.

— Nada... Enfim, obrigado... Mas tome mais cuidado com o que faz.

Mia retribuiu com um sorriso sarcástico.

— Oliver... Me prometa que vai prender essa garota se ela aprontar de novo.

— Ãh...? Eu...? — Disse Oliver, confuso.

Claude se virou e saiu da delegacia.

— Amigável ele, não? — Perguntou Mia.

.........

......

...

Enquanto isso, a garota misteriosa andava pelas ruas da cidade. Ela observava as pessoas que passavam pela calçada, e os veículos que atravessavam a rua. Seu celular emitiu um som. Ela checou a mensagem.

— ...!

Imediatamente, apagou a mensagem e guardou o celular. Ela correu o mais rápido que pôde, até chegar em uma rua com pouco movimento. Havia um carro de polícia parado em frente à uma casa. A garota se escondeu atrás de um poste. Dois homens estavam parados no portão.

— Caso bem simples, né Rafael? — Perguntou Beto.

— É, uma tentativa de roubo... Sorte que o ladrão não estava nem armado.

Beto e Rafael entraram no carro.

— Será que teremos outra noite com chuva? — Perguntou Beto.

— Espero que sim... Melhor pra dormir. — Respondeu Rafael.

Beto ligou o carro. Mas ao olhar no retrovisor, algo chamou sua atenção.

— Ãh? Você está vendo aquilo, Rafael?

— O quê?

— Tem uma moça parada perto daquele poste olhando pra cá.

Rafael se virou. Ele pôde ver a garota olhando para eles.

— Será que ela precisa de ajuda? — Perguntou Rafael.

— Vamos lá.

Beto desligou o carro e os dois desceram. A garota apenas os observava, sem demonstrar nenhum sentimento.

— Ei, você... — Disse Rafael.

Os dois pararam em frente à ela.

— Precisa de alguma coisa? Nós somos da polícia, podemos ajudar. — Disse Rafael.

— Você está com algum problema? — Perguntou Beto.

Ela não dizia nada.

— Ei, diga alguma coisa... — Disse Rafael.

— Nós não podemos fazer nada se você não fal...

De repente, ela sacou uma espada de suas costas.

— Be. Beto...

— É... É ela!!

Beto tentou sacar sua arma, mas a garota desferiu um único corte, atingindo os dois ao mesmo tempo. A espada não causou dano físico, mas eles estavam se sentindo mais fracos.

— Urgh... É, ela mesma, Beto...

— A garota... Misteriosa...

Os dois caíram no chão e perderam a consciência. A garota guardou sua espada e olhou ao redor. Ela caminhou até o carro e olhou dentro, como se procurasse por alguém.

Não encontrando nada de interesse, ela sacou sua espada novamente e cortou os quatro pneus da viatura.