Os Mutantes: Harmonia Caótica
23 Traição - Parte 4
A noite estava começando a cair. Renata parou em frente à porta de entrada da Mansão Mayer, e observou por alguns segundos.
— É isso... Me desejem sorte... — Disse ela, em voz baixa.
Renata abriu a porta.
— Oi, Renata! Que surpresa! — Disse Vavá, que estava sentado no sofá lendo um gibi.
Ela também gostou de vê-lo, mas em sua mente, agora todos eram suspeitos de trair a Liga do Bem.
— Oi, Vavá... As meninas estão aqui?
— Sim, a Ângela e a Clara estão no quarto. Você veio passar a noite aqui? Elas vão gostar!
Renata acenou, concordando.
— É, eu vim passar uma noite com elas... Coisa de garotas, sabe?
Na verdade, o plano de Renata era investigá-las. E o Vavá também, se ela conseguisse.
— Legal, pode subir, elas estão lá.
— Obrigada...
Renata subiu as escadas até o quarto onde Ângela e Clara estavam. Ela parou em frente à porta e bateu algumas vezes.
— Entre! — Disse Ângela.
Renata entrou.
— Oi, pessoal...
— Renata! — Gritaram as duas, animadas.
Ângela e Clara foram até ela e a abraçaram. Renata começou a se sentir mal sabendo que só estava lá para uma investigação, e que as duas eram suspeitas.
— Eu... Bem... Eu vim... Passar uma noite com vocês...
Clara se animou.
— Legal! Eu já vou preparar o filme e a pipoca!
Ela saiu do quarto. Ângela se virou para Renata.
— Eu vou ajudar. Ela se atrapalha com o tempo do micro-ondas.
— Ah... Certo.
Ângela seguiu Clara, deixando Renata sozinha. Foi quando ela notou que uma das duas tinha deixado o celular em cima da escrivaninha.
— É o celular da Clarinha... Será que eu devo...
Foi quando o celular vibrou. Alguma mensagem tinha chegado.
— ...!!
Renata pegou o celular e checou a mensagem... Mas era apenas uma atualização da previsão do tempo que a Clara seguia.
— Ah... Droga... Mas pelo menos não é nada ruim...
— Renata?
— Ãh...?!
Remata se virou assustada. Ângela havia visto ela com o celular.
— Ah, eu... Eu... O celular dela fez um barulho e eu fui checar o que era... Só uma atualização.
Mas Ângela nem se importou.
— Tá bom. Eu trouxe o DVD, vamos preparar o filme. A Clara já vem.
Renata colocou o celular de volta onde estava.
.........
......
...
Claude se aproximava da entrada da delegacia, quando seu celular tocou. Era Rafael.
— Alô?
— Claude, o Beto e eu fomos chamados para resolver um crime. Parece não ser nada sério, mas estou avisando só por precaução, tudo bem?
— Ah, certo... Eu estou em uma delegacia pra falar com uns... Amigos...
Rafael estranhou.
— Você? Amigos?
— Eu tenho vida também, Rafael...
Claude desligou. Na delegacia, Oliver e Mia caminhavam pelo corredor, até que o viram se aproximando.
— ...Claude? — Perguntou Oliver.
Claude se aproximou dos dois, segurando uma pasta.
— Eu vim devolver isso pra Mia. Não quero ser cúmplice de um ato criminoso.
Mia pegou a pasta.
— Ah, obrigada...
— Espera um pouco, o que está acontecendo aqui?
Claude cruzou os braços.
— A sua parceira conseguiu arquivos confidenciais hackeando o sistema do governo.
Oliver se espantou.
— M... Mia...?!
— É, é verdade, Oliver... Mas relaxa, eu fiz isso só pra ajudar... Algum sucesso, Claude?
— Não... A Renata não conseguiu identificar a garota nessas fotos.
Oliver pensou.
— Então... O que isso quer dizer?
Claude baixou a cabeça.
— Ou ela não vivia em São Paulo até alguns meses atrás, ou...
Claude ia dizer "Ou ela não é mutante", mas isso não fazia sentido.
— Ou o quê? — Perguntou Mia.
— Nada... Enfim, obrigado... Mas tome mais cuidado com o que faz.
Mia retribuiu com um sorriso sarcástico.
— Oliver... Me prometa que vai prender essa garota se ela aprontar de novo.
— Ãh...? Eu...? — Disse Oliver, confuso.
Claude se virou e saiu da delegacia.
— Amigável ele, não? — Perguntou Mia.
.........
......
...
Enquanto isso, a garota misteriosa andava pelas ruas da cidade. Ela observava as pessoas que passavam pela calçada, e os veículos que atravessavam a rua. Seu celular emitiu um som. Ela checou a mensagem.
— ...!
Imediatamente, apagou a mensagem e guardou o celular. Ela correu o mais rápido que pôde, até chegar em uma rua com pouco movimento. Havia um carro de polícia parado em frente à uma casa. A garota se escondeu atrás de um poste. Dois homens estavam parados no portão.
— Caso bem simples, né Rafael? — Perguntou Beto.
— É, uma tentativa de roubo... Sorte que o ladrão não estava nem armado.
Beto e Rafael entraram no carro.
— Será que teremos outra noite com chuva? — Perguntou Beto.
— Espero que sim... Melhor pra dormir. — Respondeu Rafael.
Beto ligou o carro. Mas ao olhar no retrovisor, algo chamou sua atenção.
— Ãh? Você está vendo aquilo, Rafael?
— O quê?
— Tem uma moça parada perto daquele poste olhando pra cá.
Rafael se virou. Ele pôde ver a garota olhando para eles.
— Será que ela precisa de ajuda? — Perguntou Rafael.
— Vamos lá.
Beto desligou o carro e os dois desceram. A garota apenas os observava, sem demonstrar nenhum sentimento.
— Ei, você... — Disse Rafael.
Os dois pararam em frente à ela.
— Precisa de alguma coisa? Nós somos da polícia, podemos ajudar. — Disse Rafael.
— Você está com algum problema? — Perguntou Beto.
Ela não dizia nada.
— Ei, diga alguma coisa... — Disse Rafael.
— Nós não podemos fazer nada se você não fal...
De repente, ela sacou uma espada de suas costas.
— Be. Beto...
— É... É ela!!
Beto tentou sacar sua arma, mas a garota desferiu um único corte, atingindo os dois ao mesmo tempo. A espada não causou dano físico, mas eles estavam se sentindo mais fracos.
— Urgh... É, ela mesma, Beto...
— A garota... Misteriosa...
Os dois caíram no chão e perderam a consciência. A garota guardou sua espada e olhou ao redor. Ela caminhou até o carro e olhou dentro, como se procurasse por alguém.
Não encontrando nada de interesse, ela sacou sua espada novamente e cortou os quatro pneus da viatura.
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