Os Mutantes: Harmonia Caótica
21 Traição - Parte 2
Um grupo de três crianças, sendo dois meninos e uma menina, estava reunidos em um banco, debaixo de uma árvore, na frente da escola onde estudavam. Era começo de tarde, e as aulas tinham acabado.
— Eu já te disse, Lorenzo! Você não pode entrar pro nosso clube! — Disse um dos meninos.
Lorenzo, o garoto com a jaqueta azul, parecia estar abatido.
— Mas eu queria andar com vocês... Eu não tenho amigos aqui, e o seu grupo é o mais legal, Miguel.
A menina pensou um pouco.
— Talvez ele deva passar por um teste, Miguel. Afinal, não é qualquer um que entra no nosso clube.
— Tem razão, Sarah.
Lorenzo se animou com a ideia. Talvez ele podia passar por um teste e entrar para o grupo que tanto admirava.
— Eu topo! — Disse ele, empolgado.
— Calma que não é tão simples assim! — Disse Miguel.
Sarah se levantou.
— Eu tenho até uma ideia...
Ela se aproximou de Miguel e falou algo em seu ouvido.
— Tem certeza? Isso é cruel! — Disse ele.
Lorenzo se assustou um pouco, mas ainda estava confiante.
— Certo, entendi!
Sarah voltou para seu lugar.
— Lorenzo, nós ouvimos dizer que tem uma bruxa morando em um prédio aqui do bairro! — Disse Miguel.
— B... Bruxa?
— Sim. É uma mulher que não fala com ninguém, anda pela cidade à noite, e talvez já tenha até matado! — Disse Sarah, em tom ameaçador.
Lorenzo baixou a cabeça.
— Então, se você quer mesmo andar com a gente... Por que não vai até o apartamento dessa bruxa e explora o que tem dentro?
— E... Eu?
Sarah riu.
— Qual é, Lorenzo? Já está com medo?
— Q... Quem disse que eu estou com medo?!
Lorenzo pegou sua mochila, que estava do seu lado e se levantou.
— Vamos lá, agora mesmo!
— Espera! — Disse Miguel.
Lorenzo se virou para ele.
— Você está se esquecendo que ela é uma bruxa? Se pegar a gente lá, vai nos matar. Mas ela sai toda noite, então podemos esperar até escurecer.
— Acha que pode fazer isso, Lorenzo? — Perguntou Sarah.
— Posso... Posso!
O grupo combinou que naquela noite iriam para aquele prédio, e Lorenzo ia entrar no apartamento da suposta bruxa...
.........
......
...
Renata entrava na Mansão Mayer. E encontrou Maria e Marcelo na sala com algumas crianças.
— Maria, Marcelo...
Maria olhou para Renata.
— Crianças, vão brincar um pouco no quintal. Os adultos precisam conversar em particular.
As crianças foram correndo até o jardim.
— Renata... O Claude não está com você? — Perguntou Marcelo.
Renata negou com a cabeça.
— Ele disse que tinha algumas pesquisas para fazer...
Maria suspirou.
— Eita lelê... Agora que a gente entende melhor como o Claude funciona, dá pra ver que ele está ficando confuso...
— Eu acho que cedo ou tarde ele vai ter alguma outra ideia pra nos ajudar. — Disse Marcelo.
Renata pensou.
— O Claude me disse que vocês estão sabendo de tudo...
Maria e Marcelo se espantaram.
— Você... Sabe? — Perguntou Maria.
Renata cruzou os braços.
— É, aquela história que o Beto contou não me convenceu nem um pouco.
— Bem, você é inteligente... Uma hora ia perceber. — Disse Marcelo.
— E o que você pretende fazer, Renata?
Renata deu um sorriso que demonstrava certa... Maldade?
— Não é óbvio? Eu vou investigar.
— Como assim? — Perguntou Maria.
— Os outros membros da Liga do Bem não estão sabendo que o Claude já desconfia de um traidor na equipe, certo? Eu posso usar isso a meu favor.
Maria e Marcelo se olharam.
— Então, você quer ser um tipo de espiã? — Perguntou Marcelo.
— É, quase isso... Mas eu preciso que vocês não contem nada para ninguém.
Maria concordou.
— Pode deixar.
Naquele instante, Vavá, Ângela e Clara entraram na sala.
— Renata, você chegou! — Disse Ângela.
— Nós estávamos te esperando. — Disse Vavá.
Renata se virou para eles.
— Ah, sim, eu fiquei de ir até a biblioteca com vocês!
— Vamos, a essa hora já está aberta! — Disse Clara.
Renata se virou para Maria e Marcelo.
— Eu vou com eles.
— Tudo bem, até mais tarde! — Disse Marcelo.
Renata seguiu o grupo até a saída da mansão. Maria e Marcelo demonstravam uma mistura de preocupação e tristeza no olhar.
— Marcelo... Eu não consigo acreditar...
— Nem eu, Maria... Mas se tem mesmo um traidor na Liga do Bem, tem que ser exposto... Eu acho que a Renata vai fazer um bom trabalho...
— Eu espero que sim...
.........
......
...
Claude estava em seu apartamento, sentado em frente ao computador. Eles fazia pesquisas e salvava alguns conteúdos. Até que seu celular tocou. Ele o pegou, e olhou o visor.
— ...Oliver?
Ele atendeu.
— Alô?
— Claude, sou eu, Oliver. Eu preciso falar com você.
Claude se sentou na cadeira novamente.
— Estou ouvindo...
— Bem, a Mia estava fazendo umas pesquisas sobre a garota misteriosa.
— E então? Ela descobriu algo de interesse?
— Mais ou menos... Na verdade, ela quer a sua ajuda.
Claude estranhou.
— A Mia quer a minha ajuda? Pra quê?
— Ela gostaria de falar em particular.
— Tá, como eu faço pra encontrá-la?
— Ela queria que eu lhe pedisse para encontrá-la à uma da tarde na cafeteria da praça.
Ao olhar no relógio, Claude notou que faltavam vinte minutos para uma da tarde.
— Tudo bem... Eu vou me arrumar e já irei para a cafeteria. Obrigado por me passar o recado.
— Sem problemas. Se descobrir mais alguma coisa, eu estarei aqui.
— Certo. Até mais.
A ligação se encerrou.
Claude se arrumou rapidamente, e saiu do prédio, em direção à cafeteria da praça. Não demorou muito e ele chegou lá. Olhando em seu celular, viu que faltavam três minutos para uma da tarde.
— Ela deve estar aqui...
— Ei!
Alguém chamou por ele. Em uma das mesas, estava Mia, acenando para Claude. Ao percebê-la, ele foi até a mesa e se sentou.
— Claude... Eu estava te esperando.
— Mia...
Mia tinha uma pasta em mãos.
— Como vai com a sua namorada?
— ...Quem?
— A garota. Aquela que você está caçando...
— Ela não é minha namorada, é uma agressora e tem que ser capturada.
— Eu sei... Relação complicada, né?
Claude suspirou.
— Você me chamou para debochar de mim?
— Sim, e chamei também porque tenho uma pergunta... Como é essa garota misteriosa?
Claude pensou.
— Bem, nós não conseguimos ainda uma imagem dela.
— Mas alguém chegou a ver?
— Sim, a Renata, ela conseguiu ter uma noção dela.
— Ela é maior de idade?
— Aparentemente sim, mas... Por quê?
Mia olhou para a pasta.
— Seria bom se alguém conseguisse reconhecê-la, não?
— Certo, mas para isso teríamos que ter fotos de todos os mutantes que a Doutora Júlia criou. Não sabemos o nome dela.
Mia jogou a pasta na mesa.
— Então toma.
Claude pegou a pasta e olhou. Dentro haviam papéis com fotos de várias pessoas.
— Mia... O que é isso?
— É um relatório completo de todos os mutantes que a Doutora Júlia criou na região de São Paulo. As fotos foram tiradas pelo pessoal da Progênese em uma pesquisa sobre a população mutante maior de dezoito anos na cidade. As fotos foram tiradas um ano atrás, são bem atuais.
Estavam em preto e branco, mas eram fotos de todos os mutantes que viviam em São Paulo. Claude notou até Renata e Carol na lista.
— Mia, isso é... Isso é informação secreta! Essa pesquisa foi feita ano passado, e procurava mapear os mutantes adultos em São Paulo!
Mia apenas acenou com a cabeça. Claude falava como se estivesse espantado com o que acabou de ver.
— Só quem tem isso é o computador do governo! Como você conseguiu?
— Ué, eu hackeei.
Claude levou um susto e se levantou da cadeira.
— Mia, isso é crime!
— Só se você me denunciar... Vai fazer isso, Claude? Ou vai usar essa informação para conseguir mais informações sobre a garota que está espalhando terror na cidade?
Claude ficou sem reação.
— Nós vamos ter que falar sobre isso depois, Mia...
— De nada.
Claude olhou os papeis novamente.
— Você... Entende de tecnologia?
Mia acenou com a cabeça.
— Eu estudei esse tipo de coisa porque queria me tornar detetive. Antes de trabalhar com o Oliver, eu treinei para conseguir invadir arquivos pessoais.
— Faz sentido... Mas ainda assim, passar pelo computador do governo e conseguir esse tipo de conteúdo... Você deve ser muito mais inteligente do que eu pensei.
— Mas não sou mutante. Lembre-se disso.
— Certo... Obrigado!
— Eu pedi dois cafés. Devo tomar sozinha, ou vai me acompanhar?
Claude se sentou novamente.
— Ah, tudo bem.
Claude ainda pensava em como aquela jovem detetive tinha feito com que ele saísse do personagem. Aparentemente, há pessoas nesse mundo que são capazes disso...
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