Os Mutantes: Harmonia Caótica
20 Traição - Parte 1
Claude, Carol, Tatiana e Beto entravam na sala da Mansão Mayer.
— Claude!! — Gritou Renata.
Claude ainda estava com a mão no peito e um pouco ofegante. Mas já parecia bem melhor do que quando foi encontrado por Beto.
— Você está bem? — Perguntou Renata, assustada.
— Estou... Mas agora... Eu queria falar em particular com a Maria e o Marcelo...
Maria e Marcelo se olharam.
— Tudo bem... Vamos ali fora. — Disse Marcelo.
Beto, Tatiana e Carol trataram de contar ao resto da Liga do Bem o que havia acontecido, enquanto Claude estava do lado de fora com Maria e Marcelo.
— Aquela garota nos atacou, como eu havia previsto... — Disse Claude.
— E o que aconteceu? — Perguntou Maria.
— De alguma forma, ela já sabia o que estávamos planejando... Ela foi com outras vestimentas, usava uma máscara para impedir que a Tati a fotografasse, e estava imune aos ataques de outros mutantes. Além do mais, ela já sabia do meu esconderijo.
Marcelo se espantou.
— Mas como ela sabia?
— Nós nos certificamos de que não havia ninguém por perto durante o planejamento, não? — Perguntou Maria.
— Eu me pergunto... Se alguém da Liga do Bem não a alertou...
Maria arregalou os olhos.
— Mas, Claude...
— Não, eu me recuso a acreditar nisso! — Disse Marcelo.
Claude cruzou os braços.
— É uma possibilidade. Não podemos descartar que logo depois de planejarmos o ataque, alguém entrou em contato com ela e passou as informações.
— Claude, isso... Isso seria uma desgraça para a Liga do Bem! — Disse Marcelo.
— Não é meu problema.
— Você não entende! Se a Liga do Bem estiver corrompida, isso pode ser terrível para a humanidade! — Disse Maria.
— Talvez tenha havido algum engano... — Sugeriu Marcelo.
Claude suspirou.
— Eu orientei os outros a não falarem sobre isso ao resto da Liga. Só vocês estão sabendo.
Marcelo coçou a cabeça.
— Então... O que a gente faz agora?
— Eu duvido muito que um de vocês seja o traidor, ou essa Liga do Bem seria uma fraude. Então tratem de observar bem o comportamento dos outros.
Renata saiu pela porta e encontrou com eles.
— Claude, o Beto já terminou de nos explicar o que aconteceu...
— Certo... Eu vou voltar pra casa.
Claude se virou e foi até o portão.
— Espera, Claude! Eu vou com você! — Gritou Renata.
Ela o seguiu, deixando Maria e Marcelo sozinhos.
.........
......
...
Uma porta se abriu em algum lugar escuro da cidade.
A garota misteriosa entrou em uma pequena sala. Ela tirou sua máscara, e passou a mão nos cabelos. Em seu bolso havia uma seringa com sangue. Ela jogou a máscara no sofá e pegou a seringa.
Em seu balcão, ao lado da pia, ela pegou um papel e escreveu "Telecinesia", guardando a seringa junto com as outras. Sua "coleção" estava aumentando aos poucos.
Foi quando seu celular emitiu um som em seu bolso. Ela o pegou. Era uma mensagem.
"Tome cuidado. Eles estão começando a desconfiar."
Ela refletiu a mensagem por alguns segundos e a apagou em seguida. Sua caixa de mensagens agora estava vazia. Após se certificar disso, guardou o celular em seu bolso novamente.
A garota olhou para sua coleção de seringas... Vampiro, Raio, Fogo e Telecinesia. Ela sabia que ainda precisava de mais. Talvez a sua missão estivesse apenas começando...
.........
......
...
Longe disso, Claude entrava em seu apartamento, seguido por Renata.
— Então... Novamente o seu plano falhou? — Perguntou ela em tom de deboche.
— Dessa vez eu não consegui prever o ataque dela...
Claude se sentou no sofá.
— Hum... — Disse Renata.
— O que houve? Você parece que está pensativa.
Renata suspirou.
— Olha, Claude, você pode fazer a Liga do Bem de idiota, mas eu já sei como funciona o seu pensamento.
— Como assim?
— Por exemplo... Eu sei que a história que o Beto contou é a maior mentira.
Claude se tocou do que estava acontecendo: Beto havia inventado uma história sobre o que ocorreu no duelo contra a garota misteriosa. Ele fez isso porque Claude não queria contar para todos que ela havia "previsto" seu ataque.
— Eu entendo... Só por curiosidade, o que o Beto disse para vocês?
— Ele falou que quando chegaram lá, a garota misteriosa havia seguido vocês e atacou a Tatiana sem ela perceber. Depois você tentou atirar nela, mas sua arma falhou, e ela o atingiu em cheio com uma seringa tranquilizante.
Claude até que deu crédito, pois a história era uma mentira, mas de certa forma não ocultava a verdade. De fato, os dois haviam falhado.
— Então... — Continuou Renata — O que ele escondeu de nós?
Vendo que era inútil tentar esconder a verdade, ele começou a contar.
— A garota misteriosa... Ela previu todos os nossos movimentos. Ela já sabia do meu esconderijo, usava uma máscara, e outro uniforme. E além disso tudo, estava sob efeito do Mx.
— Como ela fez isso? É algum poder mutante que não conhecemos? Ela prevê o futuro, talvez?
Claude pensou.
— Não, eu acho que ela tem informação vindo de alguém da Liga do Bem.
— De novo essa história, Claude?
— Sim, mas agora com mais evidências.
Renata se sentou ao lado de Claude.
— Se você contar isso para eles...
— A Maria e o Marcelo já sabem. E agora você.
— Bem, eles podem manter tudo sob controle, mas... Você acha mesmo que há um traidor entre nós?
— Quais são as possibilidades.
— Bem, eu conheço três... A primeira é que ela é uma mutante com o poder de prever o futuro...
Não dava para descartar, embora Claude duvidasse um pouco.
— Certo, vamos deixar isso com o benefício da dúvida.
— A segunda, é que ela armou para descobrir os nossos planos.
— Como exatamente?
Renata pensou um pouco.
— Sei lá, câmeras secretas, ou alguém nos seguindo às escondidas.
— Pode ser.
— E a últimas é a sua teoria... Alguém está mesmo cooperando com ela.
Claude se levantou e esfregou o rosto.
— Você está bem...?
— Estou, mas acho que só estarei em perfeitas condições amanhã...
— É melhor você ir pra cama.
Renata se levantou e se despediu de Claude, que seguindo seu conselho, foi até o quarto e deitou-se na cama. No dia seguinte, ele teria que pensar em alguma estratégia para encontrar esse possível espião que se infiltrou na Liga do Bem.
E poderia ser qualquer um...
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