Claude, Carol, Tatiana e Beto entravam na sala da Mansão Mayer.

— Claude!! — Gritou Renata.

Claude ainda estava com a mão no peito e um pouco ofegante. Mas já parecia bem melhor do que quando foi encontrado por Beto.

— Você está bem? — Perguntou Renata, assustada.

— Estou... Mas agora... Eu queria falar em particular com a Maria e o Marcelo...

Maria e Marcelo se olharam.

— Tudo bem... Vamos ali fora. — Disse Marcelo.

Beto, Tatiana e Carol trataram de contar ao resto da Liga do Bem o que havia acontecido, enquanto Claude estava do lado de fora com Maria e Marcelo.

— Aquela garota nos atacou, como eu havia previsto... — Disse Claude.

— E o que aconteceu? — Perguntou Maria.

— De alguma forma, ela já sabia o que estávamos planejando... Ela foi com outras vestimentas, usava uma máscara para impedir que a Tati a fotografasse, e estava imune aos ataques de outros mutantes. Além do mais, ela já sabia do meu esconderijo.

Marcelo se espantou.

— Mas como ela sabia?

— Nós nos certificamos de que não havia ninguém por perto durante o planejamento, não? — Perguntou Maria.

— Eu me pergunto... Se alguém da Liga do Bem não a alertou...

Maria arregalou os olhos.

— Mas, Claude...

— Não, eu me recuso a acreditar nisso! — Disse Marcelo.

Claude cruzou os braços.

— É uma possibilidade. Não podemos descartar que logo depois de planejarmos o ataque, alguém entrou em contato com ela e passou as informações.

— Claude, isso... Isso seria uma desgraça para a Liga do Bem! — Disse Marcelo.

— Não é meu problema.

— Você não entende! Se a Liga do Bem estiver corrompida, isso pode ser terrível para a humanidade! — Disse Maria.

— Talvez tenha havido algum engano... — Sugeriu Marcelo.

Claude suspirou.

— Eu orientei os outros a não falarem sobre isso ao resto da Liga. Só vocês estão sabendo.

Marcelo coçou a cabeça.

— Então... O que a gente faz agora?

— Eu duvido muito que um de vocês seja o traidor, ou essa Liga do Bem seria uma fraude. Então tratem de observar bem o comportamento dos outros.

Renata saiu pela porta e encontrou com eles.

— Claude, o Beto já terminou de nos explicar o que aconteceu...

— Certo... Eu vou voltar pra casa.

Claude se virou e foi até o portão.

— Espera, Claude! Eu vou com você! — Gritou Renata.

Ela o seguiu, deixando Maria e Marcelo sozinhos.

.........

......

...

Uma porta se abriu em algum lugar escuro da cidade.

A garota misteriosa entrou em uma pequena sala. Ela tirou sua máscara, e passou a mão nos cabelos. Em seu bolso havia uma seringa com sangue. Ela jogou a máscara no sofá e pegou a seringa.

Em seu balcão, ao lado da pia, ela pegou um papel e escreveu "Telecinesia", guardando a seringa junto com as outras. Sua "coleção" estava aumentando aos poucos.

Foi quando seu celular emitiu um som em seu bolso. Ela o pegou. Era uma mensagem.

"Tome cuidado. Eles estão começando a desconfiar."

Ela refletiu a mensagem por alguns segundos e a apagou em seguida. Sua caixa de mensagens agora estava vazia. Após se certificar disso, guardou o celular em seu bolso novamente.

A garota olhou para sua coleção de seringas... Vampiro, Raio, Fogo e Telecinesia. Ela sabia que ainda precisava de mais. Talvez a sua missão estivesse apenas começando...

.........

......

...


Longe disso, Claude entrava em seu apartamento, seguido por Renata.

— Então... Novamente o seu plano falhou? — Perguntou ela em tom de deboche.

— Dessa vez eu não consegui prever o ataque dela...

Claude se sentou no sofá.

— Hum... — Disse Renata.

— O que houve? Você parece que está pensativa.

Renata suspirou.

— Olha, Claude, você pode fazer a Liga do Bem de idiota, mas eu já sei como funciona o seu pensamento.

— Como assim?

— Por exemplo... Eu sei que a história que o Beto contou é a maior mentira.

Claude se tocou do que estava acontecendo: Beto havia inventado uma história sobre o que ocorreu no duelo contra a garota misteriosa. Ele fez isso porque Claude não queria contar para todos que ela havia "previsto" seu ataque.

— Eu entendo... Só por curiosidade, o que o Beto disse para vocês?

— Ele falou que quando chegaram lá, a garota misteriosa havia seguido vocês e atacou a Tatiana sem ela perceber. Depois você tentou atirar nela, mas sua arma falhou, e ela o atingiu em cheio com uma seringa tranquilizante.

Claude até que deu crédito, pois a história era uma mentira, mas de certa forma não ocultava a verdade. De fato, os dois haviam falhado.

— Então... — Continuou Renata — O que ele escondeu de nós?

Vendo que era inútil tentar esconder a verdade, ele começou a contar.

— A garota misteriosa... Ela previu todos os nossos movimentos. Ela já sabia do meu esconderijo, usava uma máscara, e outro uniforme. E além disso tudo, estava sob efeito do Mx.

— Como ela fez isso? É algum poder mutante que não conhecemos? Ela prevê o futuro, talvez?

Claude pensou.

— Não, eu acho que ela tem informação vindo de alguém da Liga do Bem.

— De novo essa história, Claude?

— Sim, mas agora com mais evidências.

Renata se sentou ao lado de Claude.

— Se você contar isso para eles...

— A Maria e o Marcelo já sabem. E agora você.

— Bem, eles podem manter tudo sob controle, mas... Você acha mesmo que há um traidor entre nós?

— Quais são as possibilidades.

— Bem, eu conheço três... A primeira é que ela é uma mutante com o poder de prever o futuro...

Não dava para descartar, embora Claude duvidasse um pouco.

— Certo, vamos deixar isso com o benefício da dúvida.

— A segunda, é que ela armou para descobrir os nossos planos.

— Como exatamente?

Renata pensou um pouco.

— Sei lá, câmeras secretas, ou alguém nos seguindo às escondidas.

— Pode ser.

— E a últimas é a sua teoria... Alguém está mesmo cooperando com ela.

Claude se levantou e esfregou o rosto.

— Você está bem...?

— Estou, mas acho que só estarei em perfeitas condições amanhã...

— É melhor você ir pra cama.

Renata se levantou e se despediu de Claude, que seguindo seu conselho, foi até o quarto e deitou-se na cama. No dia seguinte, ele teria que pensar em alguma estratégia para encontrar esse possível espião que se infiltrou na Liga do Bem.

E poderia ser qualquer um...