Estava começando a anoitecer. O frio e a escuridão aos poucos tomavam conta da cidade.

— Pela última vez, Renata... Não!

No jardim da Mansão Mayer, Renata discutia com Claude. Ela queria ir com ele para a emboscada.

— Mas Claude, eu posso ajudar!

— Isso é perigoso demais. Não sabemos se vai dar certo. Além do mais, eu tenho o Beto e o Rafael para me ajudar. Você fique por aqui, tomando conta da mansão.

Claude, Rafael e Beto saíram da mansão. Renata os acompanhou até a calçada e se virou para Claude.

— Tome muito cuidado... Lembre-se, você é o Claude, não o Bruce Lee.

— Eu vou, não se preocupe... Rafael, Beto... Estamos prontos?

— Sim. Podemos ir. — Disse Rafael.

Os três foram em direção ao beco onde as câmeras estavam instaladas. Renata apenas observou.

— Boa sorte, rapazes...

Maria chegou por trás dela.

— Você está preocupada com eles, Renata?

Renata se virou para Maria e acenou com a cabeça.

— Não se preocupe. Eles são muito fortes.

— Mas não sabemos nem com quem estamos lidando, Maria...

Maria não respondeu. Apenas desejou que tudo desse certo naquela noite.

.........

......

...

Claude, Rafael e Beto chegaram no local, e se esconderam na esquina antes do beco. Claude tinha um notebook em mãos.

— E então, Claude? — Perguntou Beto.

— Algumas pessoas entraram no beco para jogar lixo fora... Mas ninguém suspeito. Fora isso as câmeras não captaram nada de importante.

O celular de Claude tocou.

— É uma mensagem da Ângela... "Estou indo" ela diz.

— Perfeito. Vamos esperar. — Disse Rafael.

O grupo passou cerca de dez minutos aguardando. Até que Ângela surgiu.

— Ela está aqui! — Disse Claude.

— Fiquem atento. Se alguém suspeito aparecer, ataquem com os tranquilizantes!

Ângela olhou ao redor e entrou no beco. Os rapazes ficaram aguardando. Ela pegou o celular e enviou uma mensagem para Claude.

— "Não tem ninguém aqui", segundo ela... — Claude leu a mensagem.

— Será que a perdemos de vista? — Perguntou Beto.

Claude digitou uma mensagem para Ângela. Ela recebeu.

"Vamos aguardar mais quinze minutos. Se ela não aparecer, cancelamos a missão."

.........

......

...

Enquanto isso, Renata estava em seu quarto na Mansão Mayer. Deitada na cama, ela olhava para o teto.

— Droga... Eu não quero ficar aqui... Eles não mandaram nenhuma mensagem...

Ela se levantou. Em seguida, saiu do quarto e desceu as escadas. Marcelo a viu.

— Renata? Onde você vai?

— Eu não posso ficar na Mansão. Os rapazes podem estar precisando de ajuda.

Ela passou por Marcelo.

— O Claude disse pra você não os seguir...

— Eu sei. Mas já estou decidida.

— ...

Ela saiu da mansão, e seguiu pelas ruas. Em determinado momento, passou por uma praça vazia.

— É por aqui, eu tenho certeza...

Até que parou.

— Não, eu não tenho certeza... Vou ver se a Carol está online...

Renata pegou seu celular e começou a digitar.

— ...!!

Rapidamente, se virou para trás.

— O que foi isso...? Eu senti alguém me seguindo...

Mas não havia ninguém atrás dela. Ao seu redor, várias árvores, um chafariz, e ruas quase vazias, apenas um ou outro carro passava por ali.

Rapidamente, Renata guardou seu celular e envolveu sua mão direita em chamas.

— Se tiver alguém aqui... Apareça! Eu não vou te atacar se você não me ameaçar.

Ninguém.

— ...Acho que vi demais...

Renata apagou as chamas. Mas quando se virou, percebeu os arbustos se mexendo.

— ...Ah!!

Com um salto, alguém pulou em sua direção e aterrissou a alguns metros de distância de Renata.

— ...É... É ela...

A garota misteriosa, segurando sua espada, estava parada encarando Renata. Imediatamente, ela pegou seu celular e começou a digitar.

"Claude socor"

Não foi possível terminar a frase. A garota avançou em sua direção fazendo com que ela largasse o celular, que foi ao chão.

— Você pensa que é muito forte, não é? Eu vou te mostrar!

Após dizer isso, Renata envolveu seu corpo em fogo. A garota segurou sua espada em diagonal, em frente ao seu corpo, iniciando o que parecia ser uma posição defensiva.

Renata atirou uma bola de fogo na garota. Com sua espada, ela a cortou sem muitos problemas.

— Essa espada... Não é normal... Eu tenho que prestar atenção nessa luta, para informar o Claude... — Disse Renata em voz baixa.

A garota correu em direção à Renata, pronta para atacar.

— Vamos ver como você lida com isso então!

Renata ergueu sua mão direita para o alto e criou uma bola de fogo. A garota, percebendo alguma coisa, pulou para trás.

— O que houve? Ficou com medo? — Perguntou Renata.

O corpo da garota começou a emitir um tipo de aura. Uma luz branca ao seu redor.

— Isso é... Quem é você afinal?! Diga alguma coisa!

Mas a garota não disse nada. Renata rapidamente abaixou seu braço, e disparou uma rajada de chamas contínuas em direção à ela. A garota estendeu seu braço direito em direção às chamas e disparou uma rajada de energia branca em direção ao fogo.

— ...!!

As duas forças se colidiram. Havia um conflito ocorrendo. Quem fosse mais forte, dominaria o adversário.

— Ela... Ela é muito poderosa... — Disse Renata.

De repente, a luz branca desapareceu. Renata estranhou aquilo, mas quando olhou para cima, viu a garota vindo em sua direção com um salto.

Renata se atrapalhou. Não deu tempo de atacá-la, pois ela era muito rápida.

— A... Ahh!!

No momento em que caiu no chão, a garota desferiu um corte horizontal na altura do abdômen de Renata.

— Urgh... O que... O que é isso...?

Renata caiu de joelhos no chão. Aos poucos, foi perdendo as forças. Seu celular estava do seu lado, e não parecia danificado. Ela tentou pegá-lo, mas a garota o chutou para longe dela.

— Droga...

Renata começou a perder a visão, mas antes de desmaiar, conseguiu ver a garota se aproximando dela, segurando uma seringa.