Choveu a noite toda.

Na manhã seguinte, bem cedo, o céu estava nublado e fazia muito frio. Carol, vestida com roupa de frio, chegou no beco onde havia acontecido o duelo no dia anterior. Lá, estavam Beto, Claude, Renata, e Rafael, que foi encontrá-la.

— Oi, Carol.

— Oi, eu... Bem, eu cheguei...

— Certo, vem comigo.

Rafael foi guiando Carol pelo beco.

— O que há com todo esse frio? — Perguntou ele.

— Veio sem explicação... — Comentou ela.

Os dois chegaram no final do beco, onde o resto do grupo se encontrava.

— Carol! — Gritou Renata, ao vê-la.

— Oi, Renata...

Claude cruzou os braços.

— Então, estamos todos juntos... É hora de explicar o que vai acontecer a partir de agora.

Beto se virou para Claude.

— Claude, você tem certeza que esse plano vai dar certo?

— Não. É por isso que vamos chamar de "Operação disparo no escuro".

Renata se virou para Carol.

— O Claude passou a noite bolando um plano para pegarmos a garota que atacou você e aquele vampiro.

— Oh...

Claude se aproximou das duas.

— Carol, onde você viu a garota pela primeira vez?

Carol apontou para o final do beco.

— Ela estava lá atrás. Tentou me atingir, mas errou. Foi quando eu me virei e a vi.

— Certo. Renata, as câmeras.

Renata pegou em sua mochila três câmeras.

— Perfeito!

Claude pegou as câmeras e entregou uma para Beto e uma para Rafael.

— Vamos instalá-las de forma que não hajam pontos cegos nesse beco! — Disse Claude.

— Certo! — Disse Rafael.

— Ao trabalho! — Disse Beto.

Os três foram para três cantos estratégicos instalar as câmeras. Para finalizar, usaram algumas pedras para camuflar.

— Mas... Como vocês farão para atrair a garota para cá? — Perguntou Carol.

— Essa é a parte que eu mais gosto! — Disse Renata.

Claude falou enquanto arrumava sua câmera.

— Vamos usar uma isca viva.

Carol se assustou.

— Isca viva?!

— Sim. — Disse Beto — Mais precisamente, a Ângela.

Carol novamente se espantou.

— O quê?! Vocês enlouqueceram?!

— Não. — Respondeu Claude — Eu vou explicar.

Claude terminou de montar a câmera e foi até Carol.

— Essa noite, a Ângela vai sair da mansão. É muito provável que o nosso alvo, a garota, não saiba que ela possui asas, então vamos usar isso ao nosso favor. Depois ela vai pegar o caminho até esse beco, onde eu, Beto e Rafael estaremos escondidos. Se ela aparecer, a Ângela vai simplesmente voar para o alto, enquanto nós três a cercaremos. Entendeu?

Carol coçou a cabeça.

— Mas por que você acha que ela vai seguir a Ângela?

— Pelo fato de que as duas vítimas atacadas até agora tinham algo em comum.

— É...?

— Sim. Ambos eram mutantes. Como a Ângela está na mansão, a garota talvez desconfie que todos lá são mutantes, mas se tivermos sorte, não vai saber que o poder da Ângela é a capacidade de voar.

Carol pensou por alguns segundos.

— Eu não tenho certeza se isso vai dar certo... Além do mais, o pessoal da ONG já sabe desse plano?

— O Claude já convenceu todo mundo. — Disse Rafael.

Renata riu.

— O que isso significa, Renata? — Perguntou Claude.

— Você está com a moral bem alta na Liga do Bem, Claude.

— ...! Em todo caso, nós já terminamos. Todos entenderam o plano, certo?

Todos concordaram.

— Perfeito. Carol, eu te levo pra casa. — Disse Beto.

— Ah... Obrigada...

O grupo saiu do beco, deixando o local vigiado pelas câmeras.

.........

......

...

Na ONG Caminhos do Coração, Maria e Marcelo observavam um grupo de crianças se divertindo no quintal.

— É tão bom ver as crianças felizes assim... — Comentou Maria.

— Verdade... Eu ainda me lembro de como os mutantes eram rejeitados pela sociedade no passado. Que bom que iss está mudando.

Maria se virou para Marcelo.

— Mas Marcelo... Eu estou com um pressentimento ruim...

— Ué, Por que, meu amor?

— A amiga da Renata, a Carol, foi atacada ontem. E teve o caso daquele vampiro que também foi atacado... Eu acho que não é coincidência.

Marcelo abraçou Maria.

— Não se preocupe, Maria. A polícia já está atrás de desvendar esse mistério. Eu tenho certeza que o Beto, o Claude e o Rafael vão conseguir capturar aquela garota o mais rápido possível.

Maria estava pensativa.

— Eu não entendo... Nós não sabemos nem o motivo dela estar atacando outros mutantes...

Marcelo não respondeu, mas ele também estava pensando muito no assunto. Enquanto isso, Carol estava chegando.

— Olha a Carol, ela chegou. — Disse Marcelo.

— Oi, Carol... Que bom te ver!

Carol se aproximou dos dois.

— Como é que vocês deixaram o Claude aparecer com aquele plano?

— Que plano?

Carol cruzou os braços.

— Ele quer usar a Ângela como isca viva para pegar aquela garota misteriosa que me atacou. E vocês permitiram!

Marcelo não entendeu.

— Mas a ideia veio da própria Ângela!

— Eu... O quê?! — Perguntou Carol, assustada.

Maria riu.

— Ela quem sugeriu essa parte do plano. Algo me diz que a polícia tomou crédito do plano todo para não pensarem que eles foram superados por uma menina. O Claude só bolou a parte das câmeras.

Carol suspirou.

— É, isso faz sentido... Mas eu não sei se isso vai dar certo...

— Nem nós. — Disse Marcelo — Mas temos que tentar. Lembre-se que o nosso sucesso vai garantir que nenhuma outra pessoa, seja humana ou mutante, sofrerá outro ataque.

— É, você tem razão... — Disse Carol, de cabeça baixa.

A tarde estava chegando. Faltava bem pouco para o plano entrar em ação...