Os Mutantes: Harmonia Caótica
8 Nas Sombras - Parte 3
Choveu a noite toda.
Na manhã seguinte, bem cedo, o céu estava nublado e fazia muito frio. Carol, vestida com roupa de frio, chegou no beco onde havia acontecido o duelo no dia anterior. Lá, estavam Beto, Claude, Renata, e Rafael, que foi encontrá-la.
— Oi, Carol.
— Oi, eu... Bem, eu cheguei...
— Certo, vem comigo.
Rafael foi guiando Carol pelo beco.
— O que há com todo esse frio? — Perguntou ele.
— Veio sem explicação... — Comentou ela.
Os dois chegaram no final do beco, onde o resto do grupo se encontrava.
— Carol! — Gritou Renata, ao vê-la.
— Oi, Renata...
Claude cruzou os braços.
— Então, estamos todos juntos... É hora de explicar o que vai acontecer a partir de agora.
Beto se virou para Claude.
— Claude, você tem certeza que esse plano vai dar certo?
— Não. É por isso que vamos chamar de "Operação disparo no escuro".
Renata se virou para Carol.
— O Claude passou a noite bolando um plano para pegarmos a garota que atacou você e aquele vampiro.
— Oh...
Claude se aproximou das duas.
— Carol, onde você viu a garota pela primeira vez?
Carol apontou para o final do beco.
— Ela estava lá atrás. Tentou me atingir, mas errou. Foi quando eu me virei e a vi.
— Certo. Renata, as câmeras.
Renata pegou em sua mochila três câmeras.
— Perfeito!
Claude pegou as câmeras e entregou uma para Beto e uma para Rafael.
— Vamos instalá-las de forma que não hajam pontos cegos nesse beco! — Disse Claude.
— Certo! — Disse Rafael.
— Ao trabalho! — Disse Beto.
Os três foram para três cantos estratégicos instalar as câmeras. Para finalizar, usaram algumas pedras para camuflar.
— Mas... Como vocês farão para atrair a garota para cá? — Perguntou Carol.
— Essa é a parte que eu mais gosto! — Disse Renata.
Claude falou enquanto arrumava sua câmera.
— Vamos usar uma isca viva.
Carol se assustou.
— Isca viva?!
— Sim. — Disse Beto — Mais precisamente, a Ângela.
Carol novamente se espantou.
— O quê?! Vocês enlouqueceram?!
— Não. — Respondeu Claude — Eu vou explicar.
Claude terminou de montar a câmera e foi até Carol.
— Essa noite, a Ângela vai sair da mansão. É muito provável que o nosso alvo, a garota, não saiba que ela possui asas, então vamos usar isso ao nosso favor. Depois ela vai pegar o caminho até esse beco, onde eu, Beto e Rafael estaremos escondidos. Se ela aparecer, a Ângela vai simplesmente voar para o alto, enquanto nós três a cercaremos. Entendeu?
Carol coçou a cabeça.
— Mas por que você acha que ela vai seguir a Ângela?
— Pelo fato de que as duas vítimas atacadas até agora tinham algo em comum.
— É...?
— Sim. Ambos eram mutantes. Como a Ângela está na mansão, a garota talvez desconfie que todos lá são mutantes, mas se tivermos sorte, não vai saber que o poder da Ângela é a capacidade de voar.
Carol pensou por alguns segundos.
— Eu não tenho certeza se isso vai dar certo... Além do mais, o pessoal da ONG já sabe desse plano?
— O Claude já convenceu todo mundo. — Disse Rafael.
Renata riu.
— O que isso significa, Renata? — Perguntou Claude.
— Você está com a moral bem alta na Liga do Bem, Claude.
— ...! Em todo caso, nós já terminamos. Todos entenderam o plano, certo?
Todos concordaram.
— Perfeito. Carol, eu te levo pra casa. — Disse Beto.
— Ah... Obrigada...
O grupo saiu do beco, deixando o local vigiado pelas câmeras.
.........
......
...
Na ONG Caminhos do Coração, Maria e Marcelo observavam um grupo de crianças se divertindo no quintal.
— É tão bom ver as crianças felizes assim... — Comentou Maria.
— Verdade... Eu ainda me lembro de como os mutantes eram rejeitados pela sociedade no passado. Que bom que iss está mudando.
Maria se virou para Marcelo.
— Mas Marcelo... Eu estou com um pressentimento ruim...
— Ué, Por que, meu amor?
— A amiga da Renata, a Carol, foi atacada ontem. E teve o caso daquele vampiro que também foi atacado... Eu acho que não é coincidência.
Marcelo abraçou Maria.
— Não se preocupe, Maria. A polícia já está atrás de desvendar esse mistério. Eu tenho certeza que o Beto, o Claude e o Rafael vão conseguir capturar aquela garota o mais rápido possível.
Maria estava pensativa.
— Eu não entendo... Nós não sabemos nem o motivo dela estar atacando outros mutantes...
Marcelo não respondeu, mas ele também estava pensando muito no assunto. Enquanto isso, Carol estava chegando.
— Olha a Carol, ela chegou. — Disse Marcelo.
— Oi, Carol... Que bom te ver!
Carol se aproximou dos dois.
— Como é que vocês deixaram o Claude aparecer com aquele plano?
— Que plano?
Carol cruzou os braços.
— Ele quer usar a Ângela como isca viva para pegar aquela garota misteriosa que me atacou. E vocês permitiram!
Marcelo não entendeu.
— Mas a ideia veio da própria Ângela!
— Eu... O quê?! — Perguntou Carol, assustada.
Maria riu.
— Ela quem sugeriu essa parte do plano. Algo me diz que a polícia tomou crédito do plano todo para não pensarem que eles foram superados por uma menina. O Claude só bolou a parte das câmeras.
Carol suspirou.
— É, isso faz sentido... Mas eu não sei se isso vai dar certo...
— Nem nós. — Disse Marcelo — Mas temos que tentar. Lembre-se que o nosso sucesso vai garantir que nenhuma outra pessoa, seja humana ou mutante, sofrerá outro ataque.
— É, você tem razão... — Disse Carol, de cabeça baixa.
A tarde estava chegando. Faltava bem pouco para o plano entrar em ação...
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