Era noite. O asfalto estava molhado. Claude e Tatiana andavam pelas ruas.

— Claude, eu... Estive pensando...

— Hum...?

Tatiana parou.

— Você não acha estranho se esse plano der certo?

Claude parou e se virou para ela.

— Como assim?

— Você teve a ideia de me usar como isca para essa missão, certo? Se der certo e ela aparecer... Isso não é muito conveniente?

Claude cruzou os braços.

— Em nenhum momento eu disse que esse plano ia funcionar.

— Mas...

— Isso é um disparo no escuro. Mas como a garota misteriosa está atacando mutantes, seria natural pensar que você seria um alvo, não?

Tatiana pensou um pouco.

— Pode ser...

Os dois chegavam perto da quadra. Claude apontou para um beco.

— Eu vou por ali para me esconder atrás da árvore. Você segue em frente, vamos esperar vinte minutos no máximo.

— Certo...

Claude foi pelo beco, enquanto Tatiana seguiu para a quadra.

— Eu devo ficar aqui, com o celular pronto...

Ela pegou seu smartphone e começou a mexer na câmera. Também pôde notar que Claude já estava posicionado.

...

Os dois aguardavam. Claude pensou, enquanto se ocultava atrás da árvore.

— "Dez minutos... Talvez ela não vá aparecer..."

No entanto... Claude foi atingido pelas costas. Alguém o acertou com um chute, fazendo-o trombar com a árvore. Imediatamente, ele se virou.

— O... O quê...?!

Era alguém... Uma jovem mulher, usando uma máscara em formato de tigre, que cobria seu rosto.

— V... Você... Como...?

Rapidamente, a garota avançou em direção à ele e o segurou contra a árvore. Ela pegou a arma que estava no bolso da jaqueta de Claude e o atingiu com um disparo à queima-roupa em seu peito.

— U... Urgh...

— Ãh...? Claude!!

Tatiana veio em direção à eles. Claude se ajoelhou, e caiu de costas para o chão.

— Não! Claude!!

A garota saltou para o meio da quadra. Era um convite para um duelo. Tatiana imediatamente tirou uma foto dela, mesmo estando de máscara.

— Não consigo ver o rosto, mas mesmo assim... Talvez o Claude veja alguma pista...

Tatiana guardou o celular e foi para a quadra.

— Eu vou acabar com você!

Descargas elétricas percorriam o corpo de Tatiana. Ela estendeu seus braços em direção à garota misteriosa, e atirou uma rajada de fogo.

— Você vai morrer!!

A garota foi envolvida pelas chamas.

— Você nem tentou desviar! — Gritou Tatiana.

Mas por incrível que pareça, o fogo não causou nenhum dano na garota. Ela saiu das chamas, e sacou sua espada.

— Como... Como isso é possível?! — Perguntou Tatiana, confusa.

A garota correu em direção à ela e a atingiu com um corte horizontal. Tatiana foi perdendo as forças.

— Não... Claude... Me desculpe...

Ela foi ao chão.

.........

......

...

Na ONG, a preocupação começava a dominar o clima.

— Eles estão demorando... — Comentou Renata.

— Já chega! — Gritou Beto — Eu vou atrás deles!

Maria se aproximou de Beto.

— Beto... Tome cuidado...

— Fiquem aqui e protejam a mansão. Eu já volto!

Beto saiu.

— O que será que aconteceu... Ele disse que se não acontecesse nada, eles voltariam em meia hora ou menos... — Comentou Marcelo.

Beto caminhava pelas ruas.

— Beto, espere!!

Ele se virou para trás. Era Carol.

— Eu vou com você! Pode precisar de ajuda.

— Certo. Vamos.

Os dois andaram por alguns minutos, até chegarem à quadra.

— Essa não... O que aconteceu aqui?! — Perguntou Beto assustado.

Claude estava caído, e Tatiana ajoelhada, com as mãos no chão e a cabeça baixa. Era como se a energia vital dos dois tivesse sido drenada.

— Claude! Tati! — Gritou Carol.

Carol foi até Tatiana, tentando animá-la. E Beto foi até Claude, que estava com as mãos na cabeça.

— Claude... O que aconteceu?

Bem lentamente, Claude se sentou.

— Tudo bem, Beto... Eu só levei uma dose de sedativo, nada de mais...

— Como assim, "nada de mais"? Isso é perigoso, Claude!

— Bem, não era assim que deveria ter acontecido...

Tatiana se levantou e checou o celular.

— Claude... Eu não sei se isso ajuda, mas...

Ela mostrou a foto para Claude. A garota misteriosa, em pé, olhando para a câmera, com uma máscara de tigre em seu rosto.

— Espera um pouco... — Comentou Claude.

Claude olhou bem para a foto.

— Não era essa roupa que a Renata descreveu... Ela veio com um vestido casual ao invés de um uniforme escolar...

— Sim, e com uma máscara... — Comentou Carol.

Claude devolveu o celular para Tatiana.

— Ah, e tem outra coisa... Eu tentei queimá-la com toda a minha força, mas ela não sofreu dano algum...

— Ela deve ser uma mutante muito poderosa. — Comentou Beto.

— Não, acho que não... — Disse Claude, se levantando.

Carol estranhou aquilo.

— Mas se ela não é uma mutante muito poderosa, então como ela resistiu ao ataque da Tati?

— Porque ela estava protegida.

Beto se espantou.

— Você quer dizer...

— Sim, ela estava usando Mx. A droga não está disponível para todos, mas algumas entidades já possuem acesso.

Tatiana refletiu por alguns segundos.

— Mas, Claude... Como...

— Como ela sabia? Eu também quero saber!

O silêncio tomou conta do grupo por algum tempo.

— Ela veio usando Mx, uma máscara para não ser identificada, e sabia da minha localização na armadilha.

Beto estava assustado.

— Mas Claude... Alguém teria que ter contado para ela...

— Exatamente, Beto...

Tatiana negou a ideia.

— Não, não... Eu não quero acreditar que alguém teria passado informações pra ela! Talvez ela tenha ouvido a conversa?

— É uma possibilidade, mas não podemos descartar que alguém na Liga do Bem está ao lado da garota misteriosa. — Concluiu Claude.

O grupo resolveu encerrar as discussões.

— Vamos voltar para a mansão, e lá eu quero confirmar algumas das minhas ideias... — Disse Claude.

E eles pegaram o caminho de volta à Mansão Mayer.

Se Claude estiver certo, a identidade da garota misteriosa continua um enigma, pois ela já sabia que havia uma armadilha esperando por ela. E, se alguém na Liga do Bem estava traindo a equipe... Quem seria? As opções são limitadas, mas pode ser muito perigoso apontar alguém como suspeito.

A história continua...