Os Mutantes: Harmonia Caótica
15 Identidade - Parte 5
Mais tarde naquele dia, Claude estava em seu apartamento com Renata. Os dois checavam informações na internet.
— Hum... Parece que aos poucos todo mundo vai começar a comentar sobre esse caso.
— Bem, eles ainda não sabem de todos os detalhes, não é? — Perguntou Renata.
Claude suspirou.
— A Liga do Bem precisa evitar espalhar informações por aí. É perigoso, nós não sabemos quem está envolvido nesses ataques.
— A Maria e o Marcelo disseram que não contaram tudo para aquela detetive, não é?
— Sim, mas eu tenho certeza que despertaram ainda mais curiosidade nela.
Renata pensou enquanto Claude vasculhava sites de notícias.
— Mas Claude, nós não vamos conseguir ocultar isso pra sempre.
— Eu sei, Renata. Mas quando a população entender que pode ter outra crise se aproximando, eles vão entrar em pânico.
Renata se debruçou na cadeira em que Claude estava sentado.
— Pra mim você só está querendo atrasar o inevitável...
— Pense como quiser.
De repente, alguém bateu na porta.
— Ué, você está esperando alguém...? — Perguntou Renata.
— Não... Por favor, pode checar pra mim?
Renata foi até a porta e a abriu. Havia um homem do lado de fora.
— Olá, você é... Renata Sabine?
— S-Sim, e quem é você...?
O homem estendeu sua mão para Renata. Ele parecia animado.
— Meu nome é Oliver, eu sou detetive. Será que poderia falar um pouco com você?
Renata o cumprimentou de volta.
— A-Acho que sim...
Claude se levantou e foi até os dois.
— Detetive, né? Você tem ligação com uma investigadora chamada Mia? Ela esteve na sede da Liga do Bem hoje cedo.
Oliver se espantou ao ver Claude.
— Claude? É você, não é? — Perguntou ele.
— Sim, acho que não posso escapar das autoridades. Depois do caso com a Renata, todos sabem meu endereço.
Oliver coçou a cabeça.
— Na verdade, eu tive que procurar um pouco para te encontrar.
Claude cruzou os braços.
— Hum... E o que exatamente você quer comigo?
— Eu só preciso de umas informações... Será que é possível?
Claude fez um gesto para que Oliver entrasse. Os três se sentaram nos sofás da sala.
— Então, Claude... A Mia me contou que houveram três ataques contra mutantes recentemente. Você confirma isso?
— Confirmo. Embora o segundo ataque não veio à mídia.
Oliver pegou seu caderno e começou a escrever.
— Pode me falar mais sobre o segundo ataque?
Claude pensou.
— Antes eu queria confirmar uma coisa com você, Oliver...
Oliver se espantou.
— Ãh? Ah, sim, claro.
Claude estava atento a todos os movimentos de Oliver.
— Você pretende espalhar essas informações para toda a população?
Oliver estranhou a pergunta. Renata só observava.
— Bem... Eu vou passar para meu superior, o Joel... Acredito que ele pretende usar todo esse material para avançarmos nas investigações... Mas pra que a pergunta?
— Porque se esse caso vier a público, toda a cidade vai entrar em uma onda de paranoia. Você está ciente disso?
Oliver continuava bem calmo.
— Eu entendo. Tanto é que nossa intenção é não espalhar nada para a mídia.
— Hoje as informações se espalham com muita facilidade. Se você não me prometer que tudo ficará entre os detetives e policiais, eu não posso te falar nada...
Oliver acenou positivamente.
— Tudo bem. Eu garanto que nada vai para a mídia ou para a população.
Claude via honestidade nas palavras de Oliver.
— Tudo bem... Eu vou te contar o que for possível, certo?
— Certo!
Renata riu.
— O que isso quer dizer, Renata? — Perguntou Claude.
— Ah, nada não... Só é curioso ver como uma pessoa fria como você está aos poucos ficando amigável. Haha!
— Ignore ela, Oliver. Aliás, ignore tudo que ela falar.
Oliver começou a escrever no bloco de notas.
— Tudo bem, então... Como aconteceu o segundo ataque?
.........
......
...
A noite chegou.
Em uma rua escura, dois homens estavam escondidos atrás de uma cerca. Eles seguravam facas em suas mãos.
— Beleza, já escureceu, Biggs. — Disse um deles.
— Vamos esperar que logo logo vai vir alguma vítima, Wedge! — Disse o outro.
Os dois aguardavam. Até que no fim da rua surgiu alguém... Era uma jovem, usando uma roupa com capuz. Ela tomava uma caixinha de suco de laranja. Andava de cabeça baixa.
— Vem vindo alguém! — Disse Biggs.
Wedge espiou.
— É uma moça, sozinha! Ela deve ter algum dinheiro, eu acho!
Os dois se preparavam para a emboscada. Quando a garota passou por eles, Wedge pulou do esconderijo e a segurou pelas costas, com a faca perto de seu pescoço.
— Aí, garotinha... Não se preocupe, você vai sobreviver... Se me obedecer, tudo bem?
Ela não falou nada.
— Do tipo quieta, né? Tudo bem. É só você me passar tudo que tiver, que eu te deixo ir embora...
A garota jogou a caixinha para o alto. Wedge se distraiu com isso. Imediatamente, ela atingiu seu cotovelo no estômago de Wedge, que caiu para trás.
— Wedge!! — Gritou Biggs.
Imediatamente, a garota pegou a caixinha que caía. Biggs correu atrás dela com a faca em mãos. Rapidamente, a garota efetuou um disparo de energia branca de sua mão direita contra ele, que ao ser atingido, também caiu no chão.
— O... O que foi isso...? — Perguntou Biggs.
— Ela é... Mutante...? — Perguntou Wedge.
Wedge se levantou e tentou atingir um soco na garota. Ela segurou seu braço, o virou e chutou suas costas. Ele caiu novamente.
— Ela é muito... Forte... — Comentou ele.
Biggs se levantou, e segurou a faca com força. Ele avançou em direção à ela, que fez outro disparo de energia contra ele. Mas dessa vez, Biggs conseguiu desviar.
— O mesmo truque, né? — Disse ele.
Segurando a faca, ele tentou atingi-la no ombro. Mas imediatamente, ela lhe aplicou uma rasteira. Ele caiu de joelhos no chão. A garota o chutou, e ele caiu bem ao lado de seu amigo.
— Eu... Eu desisto... — Resmungou Biggs.
Sem sofrer nenhum dano, a garota se aproximou da dupla caída.
— Por... Por favor, não nos mate!! — Implorou Biggs.
— Nós prometemos não fazer mais nada de errado! — Disse Wedge.
Ela apenas os encarava.
— De agora em diante, só vida honesta! — Suplicou Biggs.
— Sim! Trabalho e família! — Completou Wedge.
Mas ela não disse nada. Apenas se virou e continuou seguindo pela rua.
— ...O que foi isso agora...? — Perguntou Wedge.
— E quem entende as mulheres? — Comentou Biggs, se levantando.
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