Mais tarde naquele dia, Claude estava em seu apartamento com Renata. Os dois checavam informações na internet.

— Hum... Parece que aos poucos todo mundo vai começar a comentar sobre esse caso.

— Bem, eles ainda não sabem de todos os detalhes, não é? — Perguntou Renata.

Claude suspirou.

— A Liga do Bem precisa evitar espalhar informações por aí. É perigoso, nós não sabemos quem está envolvido nesses ataques.

— A Maria e o Marcelo disseram que não contaram tudo para aquela detetive, não é?

— Sim, mas eu tenho certeza que despertaram ainda mais curiosidade nela.

Renata pensou enquanto Claude vasculhava sites de notícias.

— Mas Claude, nós não vamos conseguir ocultar isso pra sempre.

— Eu sei, Renata. Mas quando a população entender que pode ter outra crise se aproximando, eles vão entrar em pânico.

Renata se debruçou na cadeira em que Claude estava sentado.

— Pra mim você só está querendo atrasar o inevitável...

— Pense como quiser.

De repente, alguém bateu na porta.

— Ué, você está esperando alguém...? — Perguntou Renata.

— Não... Por favor, pode checar pra mim?

Renata foi até a porta e a abriu. Havia um homem do lado de fora.

— Olá, você é... Renata Sabine?

— S-Sim, e quem é você...?

O homem estendeu sua mão para Renata. Ele parecia animado.

— Meu nome é Oliver, eu sou detetive. Será que poderia falar um pouco com você?

Renata o cumprimentou de volta.

— A-Acho que sim...

Claude se levantou e foi até os dois.

— Detetive, né? Você tem ligação com uma investigadora chamada Mia? Ela esteve na sede da Liga do Bem hoje cedo.

Oliver se espantou ao ver Claude.

— Claude? É você, não é? — Perguntou ele.

— Sim, acho que não posso escapar das autoridades. Depois do caso com a Renata, todos sabem meu endereço.

Oliver coçou a cabeça.

— Na verdade, eu tive que procurar um pouco para te encontrar.

Claude cruzou os braços.

— Hum... E o que exatamente você quer comigo?

— Eu só preciso de umas informações... Será que é possível?

Claude fez um gesto para que Oliver entrasse. Os três se sentaram nos sofás da sala.

— Então, Claude... A Mia me contou que houveram três ataques contra mutantes recentemente. Você confirma isso?

— Confirmo. Embora o segundo ataque não veio à mídia.

Oliver pegou seu caderno e começou a escrever.

— Pode me falar mais sobre o segundo ataque?

Claude pensou.

— Antes eu queria confirmar uma coisa com você, Oliver...

Oliver se espantou.

— Ãh? Ah, sim, claro.

Claude estava atento a todos os movimentos de Oliver.

— Você pretende espalhar essas informações para toda a população?

Oliver estranhou a pergunta. Renata só observava.

— Bem... Eu vou passar para meu superior, o Joel... Acredito que ele pretende usar todo esse material para avançarmos nas investigações... Mas pra que a pergunta?

— Porque se esse caso vier a público, toda a cidade vai entrar em uma onda de paranoia. Você está ciente disso?

Oliver continuava bem calmo.

— Eu entendo. Tanto é que nossa intenção é não espalhar nada para a mídia.

— Hoje as informações se espalham com muita facilidade. Se você não me prometer que tudo ficará entre os detetives e policiais, eu não posso te falar nada...

Oliver acenou positivamente.

— Tudo bem. Eu garanto que nada vai para a mídia ou para a população.

Claude via honestidade nas palavras de Oliver.

— Tudo bem... Eu vou te contar o que for possível, certo?

— Certo!

Renata riu.

— O que isso quer dizer, Renata? — Perguntou Claude.

— Ah, nada não... Só é curioso ver como uma pessoa fria como você está aos poucos ficando amigável. Haha!

— Ignore ela, Oliver. Aliás, ignore tudo que ela falar.

Oliver começou a escrever no bloco de notas.

— Tudo bem, então... Como aconteceu o segundo ataque?

.........

......

...

A noite chegou.

Em uma rua escura, dois homens estavam escondidos atrás de uma cerca. Eles seguravam facas em suas mãos.

— Beleza, já escureceu, Biggs. — Disse um deles.

— Vamos esperar que logo logo vai vir alguma vítima, Wedge! — Disse o outro.

Os dois aguardavam. Até que no fim da rua surgiu alguém... Era uma jovem, usando uma roupa com capuz. Ela tomava uma caixinha de suco de laranja. Andava de cabeça baixa.

— Vem vindo alguém! — Disse Biggs.

Wedge espiou.

— É uma moça, sozinha! Ela deve ter algum dinheiro, eu acho!

Os dois se preparavam para a emboscada. Quando a garota passou por eles, Wedge pulou do esconderijo e a segurou pelas costas, com a faca perto de seu pescoço.

— Aí, garotinha... Não se preocupe, você vai sobreviver... Se me obedecer, tudo bem?

Ela não falou nada.

— Do tipo quieta, né? Tudo bem. É só você me passar tudo que tiver, que eu te deixo ir embora...

A garota jogou a caixinha para o alto. Wedge se distraiu com isso. Imediatamente, ela atingiu seu cotovelo no estômago de Wedge, que caiu para trás.

— Wedge!! — Gritou Biggs.

Imediatamente, a garota pegou a caixinha que caía. Biggs correu atrás dela com a faca em mãos. Rapidamente, a garota efetuou um disparo de energia branca de sua mão direita contra ele, que ao ser atingido, também caiu no chão.

— O... O que foi isso...? — Perguntou Biggs.

— Ela é... Mutante...? — Perguntou Wedge.

Wedge se levantou e tentou atingir um soco na garota. Ela segurou seu braço, o virou e chutou suas costas. Ele caiu novamente.

— Ela é muito... Forte... — Comentou ele.

Biggs se levantou, e segurou a faca com força. Ele avançou em direção à ela, que fez outro disparo de energia contra ele. Mas dessa vez, Biggs conseguiu desviar.

— O mesmo truque, né? — Disse ele.

Segurando a faca, ele tentou atingi-la no ombro. Mas imediatamente, ela lhe aplicou uma rasteira. Ele caiu de joelhos no chão. A garota o chutou, e ele caiu bem ao lado de seu amigo.

— Eu... Eu desisto... — Resmungou Biggs.

Sem sofrer nenhum dano, a garota se aproximou da dupla caída.

— Por... Por favor, não nos mate!! — Implorou Biggs.

— Nós prometemos não fazer mais nada de errado! — Disse Wedge.

Ela apenas os encarava.

— De agora em diante, só vida honesta! — Suplicou Biggs.

— Sim! Trabalho e família! — Completou Wedge.

Mas ela não disse nada. Apenas se virou e continuou seguindo pela rua.

— ...O que foi isso agora...? — Perguntou Wedge.

— E quem entende as mulheres? — Comentou Biggs, se levantando.