Oliver entrava em um restaurante. Ao olhar ao redor, notou Mia sentada em uma das mesas.

— Ah, você veio mesmo! — Comentou ela.

Ele se aproximou e sentou-se de frente para ela.

— Você disse que queria me ver...? — Perguntou Oliver.

Mia acenou positivamente. Em seguida, pegou seu bloco de notas e passou para Oliver.

— Isso é tudo que eu aprendi conversando com a Maria e o Marcelo.

— Você... Conseguiu falar com eles?

— Sim, foi fácil. Mas eles estavam claramente bloqueando informações. Ainda tem mais coisas que não me contaram.

Oliver leu rapidamente.

— Hum... Então, como a gente já suspeitava, é uma garota que está atacando os mutantes. Quando aquela mutante com poderes de fogo foi atacada, já houveram outras duas vítimas...

Mia pegou a xícara de café que estava em sua frente e tomou um gole.

— Mais duas vítimas, exato! Só que a gente ainda não sabia da segunda.

Oliver continuou lendo.

— Verdade... Teve uma mutante com poderes elétricos chamada Carol que foi atacada e não contou à polícia...

— "Protegidinha" da Liga do Bem, eu diria... — Completou Mia, tomando mais um pouco do café.

Oliver terminou a leitura.

— Eu queria mesmo falar com uma dessas duas vítimas...

— Infelizmente a Liga do Bem está ocultando a localização delas.

— Você tem certeza, Mia?

— Tenho. É claro que eles sabem onde elas estão... Mas para, supostamente, proteger a população, eles não vão revelar.

Oliver pensou um pouco.

— Hum... Espera um pouco...

Novamente, ele leu o bloco de notas de Mia.

— Mia... Você disse que a mutante com poderes de fogo se chama "Renata"?

— Não, quem disse foram eles.

Oliver ignorou o deboche de Mia.

— Seria essa... A mesma Renata Sabine, que foi acusada de matar os pais alguns meses atrás?

Mia pensou.

— Se for o caso... A inocência dela já foi comprovada, não?

— Sim, mas... Ela estava sempre com o Claude, o homem que eu fui encarregado de conseguir uma entrevista.

Mia entendeu.

— Sei. Então, o que pretende fazer, Oliver?

— O Claude é um policial agora...

— Eu tenho uma ideia. Cometa um crime, e ele aparece.

Oliver novamente ignorou o deboche.

— Mia, se localizarmos um dos dois, o outro aparecerá. O Claude e a Renata vivem juntos.

— Sim, eu sei disso. Que tal se dividirmos o trabalho? Você procura pelo Claude, e eu vejo se encontro a Renata. Quem sabe encontramos os dois juntos?

— Pode dar certo... Então, vamos!

Os dois se levantaram.

.........

......

...

Enquanto isso, Claude e Renata entravam na sala do diretor.

— Com licença... — Disse Claude.

— Pois não? Eu sou o diretor Almeida. Podem se sentar.

Os dois se sentaram de frente para o diretor.

— Meu nome é Claude Fernandes, e essa é minha parceira, Renata Sabine. Eu sou policial, e gostaria de fazer algumas perguntas referentes aos seus alunos.

O diretor se surpreendeu.

— Algum dos meus alunos cometeu um crime...?

— Não tenho certeza. — Respondeu Claude — Mas acreditamos que uma delas tem ligação com essa escola...

Renata olhou para a parede. Havia um quadro com vários alunos posando para uma foto de formatura.

— Eu farei o possível para ajudar. — Disse o diretor — Qual o nome dessa aluna?

Aquilo era um problema. Eles não sabiam.

— Bem... Nós não sabemos, mas a Renata aqui chegou a vê-la.

Renata se virou para Claude.

— Eu sei algumas descrições sobre ela...

— Sabe me dizer a idade dela? — Perguntou o diretor.

Renata pensou um pouco.

— O mesmo que eu, uns vinte anos...

O diretor abriu a gaveta de sua mesa.

— Se ela tiver mesmo essa idade, faz pelo menos dois anos que se formou. Então, pode estar em alguma dessas fotos.

Ele pegou um livro e entregou para Renata.

— Você acha que conhece ela se ver uma foto, Renata? — Perguntou Claude.

Renata abriu o livro.

— Todos estão com o mesmo uniforme, mas eu tenho certeza que se ela estiver aqui, eu saberei.

— Perfeito. Pode levar o tempo que quiser. — Disse o diretor.

Renata começou a passar pelas fotos.

— Hum... Quem é esse? — Perguntou Renata apontando para um dos alunos.

O diretor olhou para a foto.

— Ah, é o Diego. Você está nas fotos mais antigas, ele se formou fazem dez anos.

A foto mostrava um jovem de cadeira de rodas.

— Sua escola está de parabéns por aceitar pessoas com necessidades especiais, pelo visto... — Comentou Claude.

— Obrigado! — Disse o diretor Almeida, sorrindo.

Renata pulou para as fotos mais recentes.

— Hum... Poxa...

— Nada ainda? — Perguntou Claude.

— Não...

Renata foi procurando, procurando, procurando... Até que chegou ao fim do livro.

— Desculpa, Claude... Eu não encontrei...

Claude suspirou.

— Bem, foi uma boa tentativa...

Renata devolveu o livro para o diretor.

— Se for de alguma ajuda, os alunos já vão sair para o primeiro intervalo. Vocês podem perguntar para eles se alguém conhece essa estudante.

Claude pensou.

— É, pode ser que ajude... Mas são muitos alunos, nós não vamos conseguir entrevistar todos.

— De qualquer forma, sabemos que ela tem um uniforme dessa escola... — Comentou Renata.

O diretor guardou o livro de volta na gaveta.

— Em todo caso, estarei aqui para ajudar no que for possível.

— Obrigado! Vamos, Renata...

Claude e Renata se despediram do diretor e saíram da sala.

Não demorou muito, e eles chegaram de volta na sede da Liga do Bem, e também a ONG Caminhos do Coração, a Mansão Mayer.

— Olha, tem alguém nos esperando... — Comentou Renata.

Os dois desceram do carro. Era Beto.

— Claude, Renata...

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Claude.

Beto cruzou os braços.

— Sim... Parece que os detetives e policiais já estão sabendo do que está acontecendo na cidade... Uma investigadora veio procurar por vocês.

Claude se espantou.

— Investigadora?

— É, ela entrevistou a Maria e o Marcelo. Acreditamos que ainda vá voltar...

Renata pensou.

— Eu acho que é inevitável, esse caso vai cair no conhecimento de toda a população...

Claude imaginou que aquilo era mais um motivo para resolver esse problema o mais rápido possível...