Claude e Renata partiram para o Colégio Serafim em busca de respostas. Não demorou muito, e alguém chegava nos portões da Mansão Mayer. O grupo ainda conversava na sala, quando Ângela chegou.

— Maria, Marcelo... Tem uma moça aqui na mansão.

— Ãh? Quem? — Perguntou Maria.

— Eu não sei, mas... Ela quer falar com vocês...

Marcelo e Maria se olharam.

— Vamos ver o que ela quer... — Disse Marcelo.

Os dois saíram da sala e foram até o portão, onde de fato, uma jovem mulher os aguardava.

— Vocês são Maria e Marcelo, certo?

— Sim, somos nós... E você é...? — Perguntou Marcelo.

Os três se encontravam na calçada do lado de fora da mansão.

— Meu nome é Mia. Eu sou uma investigadora.

— Investigadora... — Comentou Maria.

Mia colocou sua mão direita em sua cintura.

— Exato. Se vocês são realmente os protagonistas da Liga do Bem, já devem imaginar o que eu vim fazer aqui, certo?

— Acredito que esteja atrás de informações sobre alguma coisa. — Respondeu Marcelo.

Mia suspirou.

— Vamos lá, Marcelo... A sua dedução tem que ser melhor que essa...

— Acho que está aqui pelo que aconteceu com aqueles mutantes que foram atacados. — Disse Maria.

Mia riu.

— Certo, Maria...

— Escute... Mia. Nós não podemos passar informações sem saber de onde exatamente você veio. — Disse Marcelo.

Houve alguns segundos de silêncio.

— Hum... Talvez isso faça vocês se abrirem um pouco mais.

Mia mostrou para Maria e Marcelo sua carteira de identidade. Abaixo de seu nome, a profissão "Investigadora" podia ser lida claramente. De fato, ela veio representando a lei.

— Bem... Nos dê um minuto, Mia. — Disse Maria.

— Claro! — Respondeu ela, guardando sua carteira.

Maria e Marcelo se afastaram um pouco.

— E agora, Marcelo?

— Temos que responder, ela veio em nome dos investigadores.

— Mas o Claude e a Renata não vão gostar se espalharmos todas as informações.

— Vamos ocultar alguns fatos. Responderemos apenas o básico.

— Certo...

Os dois voltaram para Mia.

— Então... O que exatamente você quer saber, Mia? — Perguntou Marcelo.

Mia se animou ao ver que teria algumas respostas.

— Bem, primeiramente... Como esse caso começou?

Marcelo respondeu.

— Alguns dias atrás um vampiro foi atacado em um beco no bairro. A principio achamos que não era nada de importante, já que a vítima não sofreu nenhum dano grave. Mas depois, outras duas mutantes foram atacadas, aparentemente pela mesma pessoa.

— Eu acho que a delegacia já sabe sobre isso...? — Comentou Maria.

Mia pensou.

— Sim, já temos informações o suficiente, mas... Você disse "duas outras mutantes"? Sabe os nomes delas?

Aquilo era meio que fora dos limites do que Maria e Marcelo podiam responder. Mas Mia já tinha lançado a pergunta, e aguardava uma resposta.

— S-Sim, foram duas... Mas não estamos cientes dos nomes. — Disse Maria.

Mia estranhou.

— Certeza? Como vocês sabem que foram duas outras vítimas se a mídia só está sabendo de uma?

Ela encurralou os dois. Eles teriam que responder.

— Tá, a gente responde... — Disse Marcelo.

Mia pegou um bloco de notas.

— Assim é melhor... Quem foram as duas outras vítimas?

Marcelo pensou por alguns segundos.

— A primeira foi a Carol, uma mutante com poderes elétricos. E a outra foi Renata, aquela que a mídia já conhece. Poderes de fogo.

Mia anotou.

— Carol e Renata... Sabe onde eu posso encontrá-las?

— Não, não sabemos. — Respondeu Marcelo.

Mia terminou as anotações.

— Vocês tem alguma noção sobre quem está atacando esses mutantes?

— Sim... — Disse Maria.

— Pois bem, poderiam me contar o que sabem?

Maria respondeu.

— É uma garota... Mas nós nem sequer a vimos até agora. Só as vítimas poderiam falar mais sobre ela. O que sabemos é que ataca usando uma espada misteriosa.

Mia começou a escrever novamente.

— Descrição dessa espada misteriosa?

— Todos que foram atacados com ela perderam as forças, mas não sofreram nenhum dano. Aparentemente ser cortado por essa espada não causa ferimentos externos ou internos.

— Hum...

Mia parou de escrever.

— Acredito que logo a Liga do Bem vai voltar a ativa e tentar desvendar esse mistério, não?

Marcelo refletiu o que ela disse.

— Bem, nós ainda não sabemos o que vai acontecer, então... Não podemos garantir nada.

— Mas o que for preciso, nós iremos fazer. — Completou Maria.

— Entendi... Vocês tem alguma recomendação sobre com quem eu poderia falar para conseguir mais informações?

Maria pensou.

— Então... Talvez as vítimas, mas não sabemos onde elas estão.

— Sei. Obrigada pelas respostas. Foram boas o suficiente.

Maria sorriu.

— Prazer ajudar, Mia.

— Talvez a gente vá se ver novamente. Enquanto isso, eu preciso voltar com as informações que coletei. Até outra hora.

— Até mais. — Disse Marcelo.

Mia se virou e foi embora. Maria e Marcelo se olharam.

— Acha que deu tudo certo? — Perguntou Marcelo.

— Eu acho que sim... Ela não perguntou nada sobre o Claude ou quem mais está envolvido em tentar resolver esse caso.

Marcelo olhava para baixo, pensativo.

— Bem, nós falamos a verdade... Não sabemos onde estão aquele vampiro, a Carol ou a Renata...

— Acha que fizemos bem em não falar nada sobre as investigações a respeito da garota misteriosa?

Marcelo olhou para Maria.

— Sim. Vamos deixar isso em segredo por enquanto. Até para proteger as pessoas que estão investigando.

— É... Acho que foi o melhor mesmo.

Os dois voltaram para dentro da mansão.

.........

......

...

Em outra parte da cidade, Claude e Renata chegaram em frente ao Colégio Serafim. Um prédio de dois andares.

— Chegamos... — Disse Claude.

Renata saiu do carro e olhou.

— É bonito... Parece o local onde eu estudei... Exceto que não era tão afastado.

Claude também desceu do carro.

— Então, vamos começar as investigações.

— Acho que não.

Claude estranhou.

— Por que não?

— Porque os alunos estão em aula a essa hora. Seria melhor esperarmos o intervalo para entrevistá-los.

Claude pensou.

— É, mas... Podemos falar com a diretoria enquanto isso.

— Tudo bem.

Os dois entraram na escola pela porta da diretoria. Lá dentro, encontraram uma senhora na recepção.

— Pois não, como posso ajudar?

— Meu nome é Claude, eu sou da polícia.

A senhora se assustou.

— Polícia? Aconteceu alguma coisa com algum aluno daqui?

— Não, não sabemos ainda... Só queremos autorização para falar com os estudantes, seria possível?

— Sim, mas eles estão em horário de aula agora...

— Nós podemos esperar. Quem é o diretor da escola?

— É o senhor Almeida. Querem falar com ele?

Claude se animou.

— Sim, ele poderia nos ajudar muito!

A senhora pegou um telefone.

— Senhor Almeida? Tem um homem da polícia aqui, querendo falar com o senhor.

— Certo, deixe ele entrar, Sandra.

Sandra desligou o telefone.

— Podem entrar. Terceira porta à esquerda.

— Obrigado pela ajuda! — Disse Claude.

Claude e Renata passaram por um pequeno portão e chegaram em um corredor. A porta da diretoria era visível.

— O que você pretende fazer, Claude?

— Vou pedir dados sobre os estudantes que passaram por esse colégio nos últimos anos. Tem que ter alguém com as características daquela garota.

Renata cruzou os braços. Claude parou.

— Espere... Renata, quantos anos você acha que a garota misteriosa tem?

Renata pensou.

— Hum... Uns vinte e dois no máximo.

— Os alunos dessa escola tem no máximo dezoito anos. Teremos que checar as estudantes que passaram por aqui nos últimos cinco anos então. Vamos, temos trabalho a fazer.

— Certo!

Os dois seguiram até a diretoria.