Os Mutantes: Harmonia Caótica
11 Identidade - Parte 1
Madrugada.
Algum lugar escuro em São Paulo.
A porta se abriu violentamente. A garota, temida por muitos, entrou segurando seu braço esquerdo. Sua respiração estava levemente ofegante. Ela colocou uma seringa cheia de sangue em cima da mesa. Assim que tirou a mão de seu braço, foi possível ver uma queimadura.
Ela foi até a pia e ligou a torneira. Água corrente caiu sobre o ferimento. Ela fez uma expressão de quem sente muita dor. Após fechar a torneira, foi até o armário e pegou algumas faixas. Com elas, conseguiu enfaixar a queimadura, sentindo-se um pouco melhor.
A garota pegou de volta a seringa. E a levou até um balcão perto da pia. Tinham outras duas seringas com líquido que aparentava ser sangue.
A primeira seringa tinha uma etiqueta que dizia "Vampiro". A segunda seringa tinha um papel escrito "Raio". A garota pegou uma etiqueta limpa, e com a ajuda de uma caneta que repousava em sua frente, escreveu "Fogo". E depois colou na nova amostra que havia coletado.
Mas ainda tinha espaço naquele balcão. Muito espaço. Ela sabia que estava só começando.
Seu ferimento doeu novamente. Ela gemeu e colocou a mão novamente em seu braço.
.........
......
...
Mudando para outro lugar da cidade, encontramos um homem caminhando pelos corredores da delegacia. Ele levava alguns papeis em suas mãos.
— Bom dia, detetive Oliver! — Disse um policial que passava por ali.
— Ah, bom dia, Maicon. — Respondeu ele.
Oliver era detetive policial. Apesar de ser jovem, dedicou a última década a enfrentar perigosos bandidos e desvendar crimes pela região.
Ele entrou na sala de seu chefe, o delegado Joel, que estava acompanhado de uma outra jovem detetive.
— Ah, você está ocupado, chefe...?
— Não, Joel. Pode entrar.
Joel entrou. A jovem detetive cruzou os braços.
— Você chegou em boa hora, Oliver. Estávamos falando sobre a garota misteriosa que está atacando mutantes pela cidade.
Oliver se sentou.
— Eu... Estou investigando.
— Sim, eu sei disso. — Disse Joel — Trouxe algum relatório?
Oliver pensou enquanto analisava os papeis.
— Ela já atacou um vampiro, uma garota com poderes elétricos, e outra com poderes de fogo... Está saindo do controle. Não sabemos quando e nem onde ela vai aparecer.
Ele entregou os papeis para Joel.
— Isso é o suficiente, Oliver... Você pode descansar esse fim de semana.
Joel se virou para a jovem detetive, que estava em pé ao seu lado.
— Mia, você pode ir até a sede da Liga do Bem. Eu acho que eles tem muito a acrescentar...
Mia suspirou.
— Não sei, quando acontece algo envolvendo a Liga do Bem, eles são bons em ocultar as coisas. Lembra como eles driblaram aqueles dois policiais, Oliver?
— ...
Oliver baixou a cabeça.
— Pois é, aqueles policiais que você admirava, mas que depois eles se corromperam e foram para a Liga Bandida. Lembra?
Oliver olhou para Mia.
— É, eu lembro deles sim... Mesmo sabendo que eles se tornaram vampiros e fizeram muito mal para outras pessoas... Eu ainda admiro muito como eles tiveram que enfrentar mutantes poderosos quando as pessoas ainda nem sabiam da existência daquelas criaturas... E eu procuro seguir os passos deles... Exceto, fazer mal para mutantes do bem...
Joel se levantou e colocou sua mão no ombro de Oliver.
— Oliver, você é jovem. Seu destino está só começando a ser traçado.
— Chefe... Eu...
— Se eu te conheço, vai usar essa folga para continuar investigando a garota misteriosa, não é?
Oliver não respondeu.
— Eu sei que vai. E eu tenho uma ideia...
Mia riu. Joel continuou.
— Você conhece um policial chamado Claude?
— Claude...?
— Sim, estou falando dele mesmo. Ele é muito forte, já conseguiu vencer batalhas que um humano comum jamais venceria.
Era fato que Claude era conhecido entre outros policiais e detetives. E certamente, Oliver já ouviu falar dele.
— Você poderia conseguir uma entrevista com ele.
Mia balançou a cabeça.
— Se a Liga do Bem é sorrateira, esse Claude deve ser impossível de tirar informações.
— Então você o acompanha, Mia.
— Pronto, sobrou pra mim...
Joel riu.
— Estão os dois dispensados por hoje. Boa sorte se você for atrás do Claude, Oliver.
Oliver e Mia saíram da sala e pararam em frente à saída da delegacia.
— Oliver, você entrou bem.
— Não me esnobe, você também se envolveu na história... Agora, onde podemos encontrar esse Claude?
Mia colocou a mão direita na cintura.
— Algo me diz que se essa garota continuar atacando, o nome dele vai surgir na TV.
— Certo... Eu vou ver o que faço amanhã... Já são quase duas e meia, é melhor você ir pra casa e dormir. Eu vou fazer isso também, estou ficando cansado nos últimos dias.
Mia riu.
— Tudo bem, boa noite, Oliver!
— Boa noite, Mia...
Os dois saíram da delegacia e seguiram para suas casas.
.........
......
...
Claude acordou. Ele estava em seu quarto.
— Bom dia, Claude!!
Ele levou um susto e quase caiu da cama.
— Renata!! O que está fazendo no meu quarto?!
— Ué, eu vim te acordar. Já são quase oito horas.
— Mas você devia ficar no quarto que eu lhe emprestei, não?!
Claude se sentou na cama.
— ...Desculpe, acho que esse caso está subindo na minha cabeça...
— Eu entendo, Claude.
Alguns minutos depois, os dois estavam sentados na escrivaninha de Claude, vendo o computador.
— Que coisa, três ataques em tão pouco tempo... — Comentou Renata.
— Sim... E duas das vítimas são próximas a mim... — Disse Claude.
Renata cruzou os braços.
— Ou seja, uma delas fui eu.
— A propósito, Renata... Como é essa garota? Você a viu por um bom tempo, não viu?
Renata tentou se lembrar.
— Bem, ela é muito bonita...
— Algum detalhe especial?
— Os olhos... Ela tem um olhar lindo. A cor dos olhos dela é bem incomum.
Claude ia anotando em um bloco de notas no computador.
— Cabelo? Vestimenta?
— Os cabelos dela eram castanhos escuros, quase pretos, e longos... Estava usando um tipo de uniforme escolar, eu acho...
Claude se espantou.
— Escolar?! Tipo, de alguma escola conhecida?
Renata suspirou.
— Desculpa, Claude, eu não conheço o uniforme...
— ...
— Mas... Eu ví um símbolo!
Aquilo animou Claude.
— Você viu um símbolo na roupa dela?! Renata, isso é muito importante! O que era esse símbolo?
— Eu tenho certeza que era um par de asas.
Claude tratou de escrever aquilo em seu bloco de notas.
— Perfeito! Só precisamos saber qual escola dessa cidade possui um emblema semelhante!
— Então o que estamos esperando?! Vamos começar a caçada! — Disse Renata erguendo seu braço direito.
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