Madrugada.

Algum lugar escuro em São Paulo.

A porta se abriu violentamente. A garota, temida por muitos, entrou segurando seu braço esquerdo. Sua respiração estava levemente ofegante. Ela colocou uma seringa cheia de sangue em cima da mesa. Assim que tirou a mão de seu braço, foi possível ver uma queimadura.

Ela foi até a pia e ligou a torneira. Água corrente caiu sobre o ferimento. Ela fez uma expressão de quem sente muita dor. Após fechar a torneira, foi até o armário e pegou algumas faixas. Com elas, conseguiu enfaixar a queimadura, sentindo-se um pouco melhor.

A garota pegou de volta a seringa. E a levou até um balcão perto da pia. Tinham outras duas seringas com líquido que aparentava ser sangue.

A primeira seringa tinha uma etiqueta que dizia "Vampiro". A segunda seringa tinha um papel escrito "Raio". A garota pegou uma etiqueta limpa, e com a ajuda de uma caneta que repousava em sua frente, escreveu "Fogo". E depois colou na nova amostra que havia coletado.

Mas ainda tinha espaço naquele balcão. Muito espaço. Ela sabia que estava só começando.

Seu ferimento doeu novamente. Ela gemeu e colocou a mão novamente em seu braço.

.........

......

...

Mudando para outro lugar da cidade, encontramos um homem caminhando pelos corredores da delegacia. Ele levava alguns papeis em suas mãos.

— Bom dia, detetive Oliver! — Disse um policial que passava por ali.

— Ah, bom dia, Maicon. — Respondeu ele.

Oliver era detetive policial. Apesar de ser jovem, dedicou a última década a enfrentar perigosos bandidos e desvendar crimes pela região.

Ele entrou na sala de seu chefe, o delegado Joel, que estava acompanhado de uma outra jovem detetive.

— Ah, você está ocupado, chefe...?

— Não, Joel. Pode entrar.

Joel entrou. A jovem detetive cruzou os braços.

— Você chegou em boa hora, Oliver. Estávamos falando sobre a garota misteriosa que está atacando mutantes pela cidade.

Oliver se sentou.

— Eu... Estou investigando.

— Sim, eu sei disso. — Disse Joel — Trouxe algum relatório?

Oliver pensou enquanto analisava os papeis.

— Ela já atacou um vampiro, uma garota com poderes elétricos, e outra com poderes de fogo... Está saindo do controle. Não sabemos quando e nem onde ela vai aparecer.

Ele entregou os papeis para Joel.

— Isso é o suficiente, Oliver... Você pode descansar esse fim de semana.

Joel se virou para a jovem detetive, que estava em pé ao seu lado.

— Mia, você pode ir até a sede da Liga do Bem. Eu acho que eles tem muito a acrescentar...

Mia suspirou.

— Não sei, quando acontece algo envolvendo a Liga do Bem, eles são bons em ocultar as coisas. Lembra como eles driblaram aqueles dois policiais, Oliver?

— ...

Oliver baixou a cabeça.

— Pois é, aqueles policiais que você admirava, mas que depois eles se corromperam e foram para a Liga Bandida. Lembra?

Oliver olhou para Mia.

— É, eu lembro deles sim... Mesmo sabendo que eles se tornaram vampiros e fizeram muito mal para outras pessoas... Eu ainda admiro muito como eles tiveram que enfrentar mutantes poderosos quando as pessoas ainda nem sabiam da existência daquelas criaturas... E eu procuro seguir os passos deles... Exceto, fazer mal para mutantes do bem...

Joel se levantou e colocou sua mão no ombro de Oliver.

— Oliver, você é jovem. Seu destino está só começando a ser traçado.

— Chefe... Eu...

— Se eu te conheço, vai usar essa folga para continuar investigando a garota misteriosa, não é?

Oliver não respondeu.

— Eu sei que vai. E eu tenho uma ideia...

Mia riu. Joel continuou.

— Você conhece um policial chamado Claude?

— Claude...?

— Sim, estou falando dele mesmo. Ele é muito forte, já conseguiu vencer batalhas que um humano comum jamais venceria.

Era fato que Claude era conhecido entre outros policiais e detetives. E certamente, Oliver já ouviu falar dele.

— Você poderia conseguir uma entrevista com ele.

Mia balançou a cabeça.

— Se a Liga do Bem é sorrateira, esse Claude deve ser impossível de tirar informações.

— Então você o acompanha, Mia.

— Pronto, sobrou pra mim...

Joel riu.

— Estão os dois dispensados por hoje. Boa sorte se você for atrás do Claude, Oliver.

Oliver e Mia saíram da sala e pararam em frente à saída da delegacia.

— Oliver, você entrou bem.

— Não me esnobe, você também se envolveu na história... Agora, onde podemos encontrar esse Claude?

Mia colocou a mão direita na cintura.

— Algo me diz que se essa garota continuar atacando, o nome dele vai surgir na TV.

— Certo... Eu vou ver o que faço amanhã... Já são quase duas e meia, é melhor você ir pra casa e dormir. Eu vou fazer isso também, estou ficando cansado nos últimos dias.

Mia riu.

— Tudo bem, boa noite, Oliver!

— Boa noite, Mia...

Os dois saíram da delegacia e seguiram para suas casas.

.........

......

...

Claude acordou. Ele estava em seu quarto.

— Bom dia, Claude!!

Ele levou um susto e quase caiu da cama.

— Renata!! O que está fazendo no meu quarto?!

— Ué, eu vim te acordar. Já são quase oito horas.

— Mas você devia ficar no quarto que eu lhe emprestei, não?!

Claude se sentou na cama.

— ...Desculpe, acho que esse caso está subindo na minha cabeça...

— Eu entendo, Claude.

Alguns minutos depois, os dois estavam sentados na escrivaninha de Claude, vendo o computador.

— Que coisa, três ataques em tão pouco tempo... — Comentou Renata.

— Sim... E duas das vítimas são próximas a mim... — Disse Claude.

Renata cruzou os braços.

— Ou seja, uma delas fui eu.

— A propósito, Renata... Como é essa garota? Você a viu por um bom tempo, não viu?

Renata tentou se lembrar.

— Bem, ela é muito bonita...

— Algum detalhe especial?

— Os olhos... Ela tem um olhar lindo. A cor dos olhos dela é bem incomum.

Claude ia anotando em um bloco de notas no computador.

— Cabelo? Vestimenta?

— Os cabelos dela eram castanhos escuros, quase pretos, e longos... Estava usando um tipo de uniforme escolar, eu acho...

Claude se espantou.

— Escolar?! Tipo, de alguma escola conhecida?

Renata suspirou.

— Desculpa, Claude, eu não conheço o uniforme...

— ...

— Mas... Eu ví um símbolo!

Aquilo animou Claude.

— Você viu um símbolo na roupa dela?! Renata, isso é muito importante! O que era esse símbolo?

— Eu tenho certeza que era um par de asas.

Claude tratou de escrever aquilo em seu bloco de notas.

— Perfeito! Só precisamos saber qual escola dessa cidade possui um emblema semelhante!

— Então o que estamos esperando?! Vamos começar a caçada! — Disse Renata erguendo seu braço direito.