O carro de Beto parou em frente à entrada do beco. Já havia outro carro de polícia parado por perto. Claude, Renata e Beto desceram. Claude segurava uma pequena sacola.

– É aqui... — Disse Beto.

Haviam três policiais conversando no beco. Claude se aproximou deles.

– Ah, olá Claude. — Disse Rafael.
– Você mentiu pra mim. Disse que estaria na festa...

Rafael riu.

– Eu recebi o chamado um pouco antes da hora combinada... Não tive como te avisar, foi coisa do trabalho.

Claude olhou para os outros dois policiais.

– Descobriram alguma coisa?
– Parece que foi um ataque à um mutante vampiro. — Disse um dos policiais.
– Mas ele aparentemente não se machucou, apenas foi derrubado. — Completou o outro.

Claude observou o beco.

– Eu vou investigar... Por enquanto, aceitem isso.

Claude entregou a sacola para os policiais. Estava cheia de pequenos salgados da festa. Os policiais se animaram ao ver.

– Puxa, obrigado! Estamos investigando há horas.

Renata e Beto se aproximaram.

– Claude, estamos prontos? — Perguntou Beto.

Claude se virou para eles.

– Sim, é hora de investigar.

Beto levou Claude e Renata até a lixeira.

– A vítima disse que usou essa lixeira para esquivar de um golpe da garota que o atacou.
– Era uma garota? — Perguntou Renata.
– Sim. Ele disse que ou era uma adolescente, ou uma jovem adulta.

Claude examinou a lixeira.

– Não tem nada aqui. Só algumas marcas, provavelmente do sapato da vítima.

Ele abriu a tampa e olhou dentro.

– Nada de estranho foi descartado aqui.
– Então podemos eliminar a probabilidade da garota tentar se livrar de alguma prova? — Perguntou Renata.
– Ainda é cedo pra isso. Ela poderia, e seria mais inteligente da parte dela, se livrar de itens em um lugar menos óbvio.

Claude fechou a lixeira novamente.

– Beto, onde foi a luta?
– Ali.

Beto apontou para o local onde a briga ocorreu. Claude se abaixou e examinou o chão.

– Encontraram algum item antes da minha chegada?
– Não. — Respondeu Beto.
– Hum...

Claude percebeu algo no chão.

– Isso é sangue?

Renata se abaixou e notou uma pequena mancha vermelha, do tamanho de uma gota, no chão. Era quase imperceptível.

– Se for sangue, veio de algo muito pequeno.

Beto também notou a marca.

– Essa marca não pode ter surgido por causa da luta. Não houveram ferimentos, pelo que sabemos.

Claude suspirou e se levantou.

– Onde está a vítima?
– Na delegacia. Ele foi prestar depoimento.
– Eu quero falar com ele.
– Perfeito, vamos.

Dentro do carro, Claude ia no banco do passageiro, Beto dirigia, e Renata estava no banco de trás. Foi quando o som de um celular tocou.

– É a Carol! Acho que está preocupada comigo. — Disse Renata.
– Bem, atenda. Deixe ela saber que está aqui. — Disse Claude.

Renata atendeu.

– Alô?

Era Carol, de fato.

– Renata, cadê você? A festa está rolando aqui!
– Eu estou numa missão policial com o Claude e o Beto.

Carol riu.

– Você dá muita prioridade pro Claude, Renata...
– O que quer dizer com isso?
– Nada não. Fique segura, tá?
– Certo... Aproveite a festa. Se der tempo talvez eu volte ainda essa noite.

Beto olhou para Claude.

– Você é popular entre as garotas, Claude.
– Beto, por favor, só dirija...

Chegando na delegacia, Claude e Renata entraram numa sala. Havia apenas um homem sentado em uma cadeira em frente à uma pequena mesa. Os dois se sentaram, de frente para ele.

– Vocês são detetives...? — Perguntou o homem.
– Eu sou policial, Claude Fernandes. e essa é minha "parceira", Renata Sabine.

Renata o cumprimentou.

– Você deve ser o Vitor, certo? — Perguntou Claude.
– Sim...
– Você foi atacado ontem, não foi?
– Fui... Uma garota apareceu no beco, e ela me atacou.

Claude cruzou as mãos em cima da mesa.

– Vitor, como era essa garota?
– Jovem, uns vinte anos... Tinha cabelos longos, olhos muito bonitos... Usava um tipo de uniforme com um símbolo... Droga, não consigo lembrar o que era o desenho...
– Tudo bem. O que mais?

Vitor pensou.

– Ela não falava... Ah, e quando eu a derrubei por um instante, eu vi um tipo de energia correndo pelo corpo dela...
– Uma mutante? — Perguntou Renata.
– Sim, acho que era... Ela usava uma espada, uma arma que não machucava, mas parecia drenar a energia das vítimas...

Claude arregalou os olhos.

– Isso está ficando estranho... Você conseguiu atacá-la?
– Sim, eu sou um vampiro, então meus reflexos são bons. Mas mesmo assim eu fui atingido, e acabei desmaiando.

Renata percebeu alguma coisa.

– Vitor, o que é essa mancha no seu braço?

Vitor olhou para seu braço.

– Ah, eu acho que veio do ataque dela, mas eu não sinto dor nenhuma aqui...

Claude examinou.

– Parece o resultado de uma injeção... Você fez teste de sangue?
– Fiz, não deu nada... Além dos genes de vampiro, claro.
– Hum...

Claude se ajeitou na cadeira.

– Bem, Vitor... Como faltam muitos detalhes nessa história, vamos continuar investigando. Mas se nada acontecer nos próximos dias, vamos classificar esse evento como um caso isolado, tudo bem?

Vitor concordou.

– Certo. Eu não me machuquei, então tudo bem.
– Talvez a garota estava assustada quando te viu... — Disse Renata.
– Não podemos descartar nada por enquanto. Obrigado pela sua atenção, Vitor. Eu vou falar com o Beto, mas acho que você já vai estar liberado.

Dito isso, eles se despediram. Claude saiu da delegacia, acompanhado por Renata. A noite estava escura, e havia uma leve ventania.

– O que acha desse caso, Claude?
– Hum... Pra um dia festivo, foi bem agitado... Espero descobrir quem é aquela garota... Se for uma mutante assustada, provavelmente não vai aparecer mais. Porém, se for algum ataque planejado, mais vítimas vão surgir... E eu fiquei interessado em saber o que é aquele tipo de espada que ela possui.

Renata riu.

– Você sempre quer chegar ao fundo dos mistérios, não é?
– Você também tem uma quedinha por casos assim, não tem?

Os dois riram.

– Será que ainda podemos voltar pra festa? — Perguntou Claude.

Renata olhou em seu celular.

– Ainda é cedo, dá tempo. Vamos pedir pro Beto nos levar de volta.

Sendo assim, Claude e Renata, acompanhados por Beto, voltaram para a festa da ONG Caminhos do Coração. O dia se encerrou sem mais problemas.