Claude e Renata estavam na praia, separados por uma boa distância. De longe, Maria e Marcelo observavam os dois. Claude empunhava uma espada.

— Vamos ver se você melhorou com o tempo, Renata... — Disse ele, segurando a espada com força.

Renata criou uma chama em sua mão direita.

— Eu te digo a mesma coisa, Claude...

Os dois se encararam por alguns segundos. É difícil dizer qual dos dois correu primeiro em direção ao outro.

— Hoje sou eu quem vai te derrubar, Claude!! — Gritou Renata.

— Desculpe, mas isso não é verdade! — Respondeu Claude.

Os dois estavam frente a frente. Claude desferiu um corte horizontal no nível da cintura de Renata. Ela recuou, evitando o ataque, e imediatamente tentou acertá-lo com um soco flamejante no rosto. Claude bloqueou com os punhos.

— Eles evoluíram muito... — Comentou Maria, para Marcelo.

— Temos sorte de ter os dois do nosso lado. Se fossem nossos inimigos, seriam difíceis de derrotar. — Disse ele.

Claude e Renata estavam separados novamente. Mas era visível em seus olhos que nenhum deles pretendia se render.

— Você sabe... Para uma garota pacifista, você luta muito bem! Talvez esteja começando a dar o máximo de si. — Disse Claude.

Renata riu.

— Você foi uma pedra no meu sapato quando era o vilão da história... Mas não pense que eu estou pegando leve!

Renata estendeu seu braço na direção de Claude, lançando uma bola de fogo em sua direção. Claude a cortou com a espada.

— Isso foi bom! Mas não o suficiente, Renata.

Uma a uma, as chamas se formavam na mão direita de Renata e voavam em direção à Claude, que corria em direção à ela, desviando e cortando as bolas de fogo. Assim que ficaram cara a cara, Claude desferiu um corte vertical no corpo de Renata, que com um belo salto para trás, se esquivou.

— A sua agilidade está boa, eu tenho que admitir isso. — Disse ele.

Renata tentou acertar um chute em Claude, mas ele desviou para a direita e contra-atacou com um soco em seu rosto. Mas Renata segurou seu punho. Os dois trocaram resistência por alguns segundos, até que se separaram. O que aconteceu a seguir foi uma troca de golpes corpo-a-corpo e esquivas tão rápidas que algumas pessoas poderiam perder um ou dois movimentos se não prestassem muita atenção.

— Isso é incrível... — Comentou Marcelo.

— Mas parece que estão começando a se cansar... — Disse Maria.

Até que ambos pararam. Renata olhava para baixo, e via a espada de Claude quase encostando em sua barriga. Ele venceu o combate.

— Não pode ser... Eu perdi de novo...? — Comentou ela.

Claude tirou a espada de perto dela, e enxugou o suor em sua testa.

— Você melhorou demais, Renata... Se no nosso primeiro combate você estivesse nesse nível, acho que eu teria perdido...

Maria e Marcelo se aproximaram dos dois. Marcelo entregou uma garrafa de água para Claude e uma para Renata.

— Claude, Renata... Vocês estão de parabéns. Eu nunca vi dois aliados lutarem um contra o outro de forma tão espetacular! — Disse Maria.

Claude entregou a espada para Maria. Renata tomou um pouco da água e se virou para ela.

— Maria, o Claude conseguiu derrubar o Cris. Ele não é qualquer guerreiro.

— Eu consegui, mas com sua ajuda. — Disse Claude.

Marcelo riu.

— Quanta modéstia, Claude...

Renata se virou para Marcelo.

— Marcelo, não fale assim com ele... Ele fica envergonhado.

— Renata, pare! — Disse Claude, em voz alta.

Todos riram, exceto ele.

— A propósito... — Disse Maria — O que exatamente aconteceu na noite de ontem, Claude?

Claude pensou.

— Ah, sim... Um vampiro foi atacado em um beco, mas parece que ele não sofreu nenhum dano.

— É incrível como vampiros foram aceitos pela sociedade nos últimos meses... Eles tomam uma vacina para não ficarem dependentes de sangue, e podem ficar com seus poderes... As coisas evoluíram muito.

Maria suspirou.

— Bem, se ele não sofreu nenhum ataque violento... Acho que podemos descartar que foi uma tentativa de assassinato, não?

— Eu ainda quero estudar um pouco mais o que aconteceu... — Disse Claude — Porque não quero que uma nova guerra entre humanos e mutantes aconteça.

Renata olhou para o alto.

— Eu sei muito bem como algumas pessoas podem ser tão cruéis contra os mutantes... Afinal, perdi meus pais por conta disso...

— Sim, foi muito triste... Mas você superou e agora está mais forte ainda, Renata. — Disse Marcelo.

Renata deu um leve sorriso para Marcelo.

— Bem, acho que vou voltar para casa... — Disse Claude.

— Ah, tudo bem... Esperamos te ver novamente na ONG, Claude! — Disse Maria.

Claude balançou a cabeça positivamente.

— Você quer uma carona, Renata? — Perguntou ele.

— Ah, não precisa, Claude. Eu volto pra ONG com a Maria e o Marcelo, assim você pode ir direto pra casa.

Um trovão pegou todos de surpresa.

— Eu acho que vai chover... — Comentou Maria.

— E não temos muito tempo, considerando como está escurecendo... — Disse Marcelo.

Então, todos concordaram em voltar logo para casa. Claude foi até seu carro e seguiu para seu apartamento. Maria, Marcelo e Renata foram no outro carro, em direção à ONG Caminhos do Coração, ou seja, a Mansão Mayer.

.........

......

...

Já chovia quando Claude parou o carro no estacionamento de seu prédio.

— Que coisa, eu não esperava uma chuva tão forte! — Disse ele, descendo do carro.

Imediatamente, ele entrou no prédio, sem se molhar muito. Depois seguiu até a entrada de seu apartamento, mas foi surpreendido no corredor ao ver alguém parado em frente à sua porta. Essa pessoa estava encostada na parede, de braços cruzados.

— ...Carol? — Perguntou Claude.

Carol se virou para ele. Ela parecia assustada.

— Claude...

A melhor amiga de Renata. Ela não tinha muita conexão com Claude, mas os dois se conheciam bem o bastante para serem amigos. Claude correu até ela.

— Carol, o que houve? Vamos entrar!

Claude abriu a porta. Os dois entraram. Ele a guiou até o sofá, onde ela se sentou.

— Aconteceu alguma coisa? Você parece assustada...

Claude se sentou no outro sofá, esperando por uma resposta. Carol, com um olhar assustado, encarou Claude.

— Claude, eu... Eu fui atacada...