O dia foi passando. Durante a tarde, boa parte dos arranjos de festa da mansão já estavam prontos. O ambiente era outro, o que antes era uma luxuosa residência, agora parecia um castelo de diversões. Claude estava em pé, ao lado do sofá, observando o trabalho. Renata estava sentada no sofá, arrumando os enfeites que faltavam. Maria e Marcelo entraram na sala.

— Tudo está muito bonito! — Disse Marcelo.

— As crianças vão adorar! — Disse Maria.

Renata se levantou e colocou o enfeite na mesa.

— Ainda bem que o Claude veio ajudar. Nós precisávamos mesmo de uma mão a mais.

Claude cruzou os braços.

— Afinal... Somos só nós aqui? Eu pensei que outros membros da Liga do Bem fossem aparecer.

— Ah sim, eles chegam mais tarde. A Ângela, o Eugênio, o Vavá e a Clara já devem estar por perto.

— Certo, eu lembro deles. — Disse Claude.

Renata se lembrou de algo.

— Mas as crianças só chegam ao anoitecer. Eles não podem aparecer antes para não estragar a surpresa!

— Faz sentido... — Comentou Claude.

Do nada, duas pessoas se materializaram atrás de Claude.

— ...!!

Claude se virou. Eram Tarso e Batista.

— Oi, gente! Desculpe chegar sem avisar. — Disse Tarso.

Maria e Marcelo riram.

— Tudo bem, já estamos acostumados com isso. — Comentou Maria.

— Mas eu não... — Disse Claude, colocando a mão no peito.

Renata se aproximou dos dois.

— Oi, Tarso! Oi, Batista!

— Olá, Renata... Você conseguiu convencer o Claude a vir também, é? Bom trabalho! — Disse Batista.

— Oi... — Disse Claude.

Maria olhou ao redor.

— Os enfeites ficaram lindos, não ficaram?

— Se ficaram! — Comentou Tarso — As crianças vão ficar muito felizes!

Batista se aproximou de Claude.

— Que bom que você veio, Claude! Nós precisamos de alguém como você na festa.

— Eu não esperava te ver aqui, Batista...

— Eu serei o segurança da festa. Vou ficar no portão. Sabe como é, pode aparecer gente com más intenções numa festa da Liga do Bem.

— Sim, isso é muito importante. — Disse Claude.

Enquanto conversavam, Carol entrou na mansão.

— Pessoal, o Aquiles e a Ágata chegaram.

Aquiles e Ágata entraram na sala.

— Olha só, que lugar mais bonito! — Comentou Ágata.

— Ah, vocês já estão todos aqui...? — Perguntou Aquiles.

Maria sorriu.

— Não, ainda faltam a Ângela, o Eugênio, o Vavá e a Clara. O Guiga ia trazê-los.

Aquiles se aproximou de Claude.

— Então... Você agora é da Liga do Bem, Claude?

— ...

Claude não respondeu. Renata resolveu falar.

— Bem, em todo caso, estamos todos na ONG. E ainda temos que arrumar os detalhes no quintal, certo?

Maria juntou as mãos.

— É mesmo, bem lembrado! Vamos pegar os enfeites e levar até lá.

— As crianças vão chegar em poucas horas, vamos deixar tudo isso impecável! — Disse Batista.

Renata se aproximou de Aquiles e Ágata.

— Vocês também querem ajudar, certo?

— Com certeza! — Disse Ágata.

Com todos concordando em ajudar, o grupo pegou as caixas de enfeites e levaram até o quintal da mansão, que era bem grande.

.........

......

...

As horas se passaram. O Sol já ia começar a se pôr, quando Claude e Renata estavam nos portões da mansão, aguardando a chegada das crianças pertencentes à ONG.

— Fizemos um excelente trabalho. — Disse Renata.

A mansão estava toda enfeitada com faixas, bandeiras, brinquedos, e mesas cheias de guloseimas.

— Eu acho que tem alguém vindo... — Comentou Claude.

Um carro parou perto da mansão. Um homem, que Claude conhecia muito bem, se aproximou do grupo. Do carro, quatro jovens desceram.

— Olá, Claude... — Disse o homem.

— Oi, Guiga...

Eles se cumprimentaram. Os quatro jovens que desceram do carro eram Ângela, Clara, Vavá e Eugênio.

— Claude! Que bom te ver! — Disse Clara.

— Eu não esperava a Renata conseguir convencê-lo. — Disse Vavá.

Eugênio riu.

— As mulheres conseguem fazer muita coisa, Vavá.

Guiga se aproximou de Renata.

— Desculpe a demora, Renata, o trânsito estava bem pesado, nós ficamos presos numa confusão...

— Eu entendo, Guiga.

Ângela foi até Claude.

— Eu fico tão feliz que você passou pro lado do Bem, Claude.

Claude não soube o que dizer.

— Você deve estar pensando que não tem certeza se está do nosso lado. Mas só de ter aceitado ajudar na festa, já mostra que você mudou muito!

Claude apenas deu um leve sorriso. Até que avistou um ônibus se aproximando.

— Minha nossa, as Crianças! — Gritou Renata.

— Ãh? Devemos avisar a Maria e o Marcelo? — Perguntou Claude.

— Estamos aqui! Nós ouvimos a Renata gritando. — Disse Marcelo, se aproximando.

O grupo se juntou e acompanhou a chegada das crianças. Os olhos delas brilhavam ao ver os enfeites da mansão.

— Acho que gostaram... — Comentou Claude.

— Sim. E tudo graças à Liga do Bem. — Disse Maria.

As crianças desceram do ônibus. Maria e Marcelo os recebiam, enquanto Claude e Renata apenas observavam. Com isso, tinha início a grande festa da ONG Caminhos do Coração.

.........

......

...

Algumas horas se passaram, e tudo corria bem. Até que do lado de fora da mansão, um carro da polícia se aproximou. Batista achou estranho, então resolveu se aproximar.

— Boa noite... Posso te aju... Ah, é você, Beto!

Beto deu um leve sorriso, e desceu do carro.

— Boa noite, Batista.

— Então você veio pra festa, bicho?

— Infelizmente não, eu precisei vir a trabalho mesmo...

Batista se assustou.

— Não me diga que teve algum crime por perto?

— Olha... Tudo indica que não, mas eu preciso falar com o Claude.

— Claro, entre!

Beto entrou na festa. Ele viu Renata em frente à porta de entrada. Ela também o viu.

— Beto, é você?

Beto foi até ela.

— Eu mesmo, Renata... Eu não queria incomodá-los, mas estou no trabalho... O Claude está por aqui?

Renata olhou ao redor.

— O Claude estava com a Ângela até agora há pouco... Acho que eles estão por perto.

— Obrigado! Vejo que a festa está sendo um sucesso.

— Com certeza! — Respondeu Renata, animada.

Beto se despediu e continuou procurando por Claude. Até que o encontrou em um banco, conversando com Ângela.

— Claude!

Claude se virou.

— Beto? Aconteceu alguma coisa?

Beto cumprimentou Ângela, e em seguida falou com Claude.

— Bem, nós recebemos uma ocorrência na delegacia... Parece que um mutante foi atacado em um beco nessa parte da cidade.

— Nossa... Ele está bem? — Perguntou Ângela.

— Sim, ele não sofreu nada, isso que não conseguimos entender... Os policiais estão investigando o beco, e poderíamos aproveitar o talento do Claude... Será que você pode nos ajudar...?

Claude concordou.

— Claro que posso, Beto! A festa ainda está acontecendo, mas a segurança da população é a minha prioridade.

Claude se levantou do banco.

— Desculpe, Ângela, mas eu tenho que atender esse chamado.

— Sem problemas, Claude. Até a próxima!

Claude seguiu Beto até o portão, mas no caminho foram interrompidos por Renata.

— Ei, o que aconteceu?

Os dois se viraram para ela.

— Houve um ataque à um mutante perto daqui, e eles precisam da minha ajuda. — Disse Claude.

Renata se espantou.

— Esperem, eu vou com vocês!

— Não, não e não! — Disse Claude — Você fica aqui na festa! Eu não posso te colocar em perigo.

Renata se irritou.

— Ei, eu sempre fui bem útil nas suas missões, além do mais...

Renata levantou sua mão direita e estalou os dedos, liberando uma faísca de fogo.

— Eu sei me defender muito bem!

Beto riu.

— Acho que não temos escolha, Claude. Ela não vai desistir.

Claude suspirou.

— Tudo bem, então... Vamos!

Renata riu. Com isso, Claude e Renata foram retirados da festa um pouco antes do previsto...