Claude parou seu carro em frente aos portões de uma mansão.

— A Mansão Mayer... Eu não esperava aparecer aqui novamente... E muito menos como convidado.

Após descer do carro, ele tocou o interfone que estava do lado esquerdo do portão.

— Bom dia. — Disse uma voz masculina — Quem é?

— Sou eu, Claude...

— Que bom que você veio! Eu já vou abrir o portão.

Com um barulho, Claude percebeu que o portão foi destrancado. Ele se aproximou e o abriu. Assim que entrou nos grandes jardins da mansão Mayer, ele foi tomado por uma sensação de nostalgia.

— Eu enfrentei a Liga do Bem aqui...

Ele se lembrou de quando estava caçando a mutante Renata, como um membro do NEO-Depecom. E também de quando contou à Liga do Bem sua história. Dessa vez ele foi convidado para ir até a Mansão, e ainda para uma festa. As coisas realmente tinham mudado. Enquanto estava fechando o portão, ele percebeu algo se aproximando por trás dele. Algo que estava ficando cada vez mais quente...

— Ãh...?!

Claude rapidamente se virou e viu uma pequena bola de fogo chegando em sua direção. Rapidamente, ele a bloqueou com o braço. Havia alguém parado na entrada da mansão, olhando para ele. Essa figura usava um capuz que ocultava seu rosto.

— É você... — Disse Claude.

A figura correu em sua direção e tentou lhe acertar um soco. Claude a segurou pelo braço e a empurrou para frente. Em seguida, ele tentou acertar-lhe um chute, mas a figura pulou para trás.

— Você continua bem forte... Andou treinando? — Perguntou Claude.

A figura criou chamas em suas mãos. Depois, avançou em direção a Claude e tentou atingí-lo com um golpe rápido. Ele defendeu seu rosto com os braços...

— Peguei!! — Gritou Claude.

Claude segurou o braço direito da figura, e lhe aplicou uma rasteira. Ela caiu sentada no chão.

— Eu venci... Você ainda tem muito a aprender...

Claude ofereceu sua mão para a figura, ajudando-a a se levantar.

— Já faz um tempo... Renata.

A figura tirou o capuz, revelando-se uma bela jovem.

— Oi, Claude... Eu senti tanto a sua falta por aqui...

Claude olhou para a mansão.

— Eu fiquei sabendo que você se uniu a ONG Caminhos do Coração, e ajuda a receber os mutantes que sofrem algum tipo de preconceito ou precisam de apoio.

Renata concordou.

— É isso mesmo. É um trabalho difícil, mas muito recompensador. Hoje eles não estão aqui porque estamos preparando a mansão para uma grande festa. O Rafael lhe passou o convite?

— Sim, foi por isso que eu vim...

Renata riu.

— Qual a graça...?

— O Claude que eu conheço não seria capaz de aceitar convite para uma festa...

Aquilo era verdade.

— Em todo caso... Eu vim mais cedo pra ajudar com os preparativos.

— Claro! Venha, entre.

Renata foi na frente, sendo seguida por Claude. Os dois entraram na mansão.

...

..

.

Assim que entraram pela grande porta principal, Claude viu um casal bem conhecido arrumando fitas coloridas nas paredes.

— Oi... — Disse Claude, numa voz baixa porém audível.

Os dois se viraram para ele.

— Claude! Você veio, que surpresa! — Disse ela.

— Eu fico muito feliz que você aceitou nosso convite! — Disse ele.

Renata riu.

— A Maria e o Marcelo estão arrumando os enfeites. A mansão é grande, então temos bastante trabalho à fazer.

Marcelo se aproximou de Claude e o cumprimentou com um aperto de mãos.

— Seja bem-vindo, Claude!

— Obrigado, Marcelo.

Depois, Maria chegou perto dele e o abraçou.

— É bom ver que você fez a escolha certa, Claude.

— ...

Claude não respondeu. Parece que ele ainda se sentia meio estranho estando na Mansão Mayer com dois dos fundadores da Liga do Bem. Felizmente, Renata percebeu seu desconforto e resolveu falar.

— Os outros estarão aqui mais tarde, Claude. Você quer me ajudar com as decorações?

— Ãh...? Ah, sim, eu vim aqui pra isso...

Renata se virou para Maria.

— Eu vou continuar arrumando os quartos no andar de cima. Vem comigo, Claude.

Renata pegou na mão de Claude e o puxou até as escadas. Os dois subiram para o segundo andar da mansão, e entraram em um dos quartos.

— Esse quarto é grande... — Comentou Claude.

— Todos os quartos dessa casa são.

Renata pegou uma caixa que continha bandeirinhas de papel coloridas.

— Me ajuda a pendurar essas bandeiras pelas paredes.

— Certo...

Claude pegou uma certa quantia de bandeirinhas e foi colando pela parede numa linha horizontal.

— Claude... — Disse Renata, enquanto começava seu trabalho.

— Sim...

— Você está se sentindo bem?

Claude estranhou a pergunta, mas no fundo ele sabia que fazia sentido.

— Eu estou... Só é meio estranho estar aqui depois de tudo que aconteceu na minha vida...

— Você não precisa ficar triste, Claude. Não é como se você fosse um monstro sem coração. Muita coisa aconteceu na sua história. Se você teve problemas com a Liga do Bem, não é culpa sua. Mas agora, todo mundo aqui te respeita.

Ele parou para pensar naquelas palavras.

— Acha que... Eles me aceitam?

— Claro que sim! E digo mais, foi ideia da Maria te convidar pra festa!

Aquilo surpreendeu Claude.

— Foi... Ela?

— Sim. E todo mundo concordou.

Maria era praticamente o membro mais importante da Liga do Bem. Claude pensou que se a ideia veio dela, ele era praticamente um convidado de honra.

— Bem... Acho que eu posso lidar com isso então.

Renata sorriu.

— Que bom, Claude! Você é um amigo muito importante pra mim! Estou feliz que aceitou o convite.

Claude retribuiu com um leve sorriso. No momento em que estavam na metade das bandeiras, alguém bateu na porta.

— Ah, tem alguém aqui. Eu vou atender rapidinho. — Disse Renata.

Renata passou por Claude e foi até a porta. Quando abriu, teve uma surpresa.

— Vo... Você?!

Havia uma garota aparentemente da mesma idade de Renata do outro lado da porta. Claude se virou e também ficou surpreso ao vê-la.

— Você é... Carol, não é? — Perguntou Claude.

Era de fato a Carol. Amiga de Renata que ajudou a convencer a polícia de que ela era inocente.

— Oi Renata... Oi, Claude.

Renata a abraçou.

— Que bom te ver! Eles também te convidaram, não foi?

Carol também é mutante. Ela pode controlar a eletricidade, e às vezes gostava de duelar contra Renata, em lutas amigáveis.

— Sim, eu recebi o convite.

Claude se aproximou.

— Se não me engano foi graças a você que a Renata se livrou da perseguição da polícia bem mais cedo, não foi?

Carol concordou.

— É, eu dei um longo depoimento pra provar que ela era inocente naquele caso tão terrível.

Claude a cumprimentou com um aperto de mão.

— Obrigado novamente, Carol!

Carol riu.

— Eu é que te agradeço, Claude. Se não fosse o seu trabalho, acho que a Renata nem estaria aqui hoje.

Renata resolveu encerrar a conversa.

— Parem com isso... Vocês dois me ajudaram muito.

— Acho que podemos concordar com isso... — Comentou Claude.

Terminados os cumprimentos, Carol notou as bandeirinhas na caixa.

— E então, ainda estão arrumando os enfeites? Posso ajudar?

— Claro! — Disse Renata — Assim acabamos mais rápido. Os outros convidados vão chegar em algumas horas.

Carol pegou algumas bandeirinhas.

— Então Claude e eu somos os primeiros? — Perguntou ela.

— Na verdade a Maria e o Marcelo chegaram ontem. Claude e você vieram agora.

Carol pensou.

— A Maria e o Marcelo estão vivendo longe, não? Como eles chegaram até aqui?

Claude se virou.

— Deixa eu adivinhar... Teletransporte?

Carol se virou para Renata, assustada.

— Isso mesmo! O Tarso os trouxe para cá. Na verdade, vieram o Marcelo, a Maria e a Tatiana. — Respondeu Renata.

Claude pensou.

— E as crianças? A Maria e o Marcelo possuem um filho, não? E tem a filha do Beto...

— Estão com o Pepe. — Respondeu Renata — Eles quiseram visitar o avô.

Carol ainda estava assustada.

— ...Teletransporte?

Renata se tocou de que ela não sabia do Tarso ainda.

— Ah, eu esqueci de te dizer... Um dos mutantes, filho do mordomo da mansão, pode se teletransportar. Foi assim que eu escapei do Claude quando ele ainda estava me perseguindo... Eu não te contei?

Carol pensou.

— Acho que não... Bem, talvez eu tenha me esquecido.

— Você não devia estranhar tanto... É uma mutante também. — Comentou Claude.

Todos riram.

— Bem, estamos quase terminando aqui... Depois vamos ver se o Marcelo e a Maria precisam de ajuda com mais alguma coisa. — Disse Renata.

O grupo continuou seu trabalho. Tudo estava correndo bem, e aparentemente, naquela noite a mansão Mayer seria palco de uma grande festa.