Um homem andava pelas ruas de São Paulo.

Ele estava usando um casaco marrom, e caminhava com as mãos nos bolsos de sua calça jeans. Estava fazendo frio, então não haviam tantas pessoas andando por aquele bairro afastado.

— Nossa, esfriou muito... Mal posso esperar pra chegar em casa. Acho que vou cortar caminho.

Ao invés de atravessar a rua, como qualquer pessoa comum faria, ele se virou e entrou em um beco.

— Eu não devia andar por esse tipo de lugar, mas enfim...

O beco estava escuro, mas era possível ver do outro lado. A luz de um poste iluminava a saída.

— ...

Foi quando ele ouviu um barulho de algo se aproximando em sua direção. Mas não havia nada, nem ninguém em sua frente.

— O quê...? Olá? Tem alguém aí?!

Ele olhou para trás. Ninguém. Não havia sequer uma pessoa caminhando pela calçada. Mas quando se virou para frente, ele finalmente entendeu a origem do barulho. Havia uma jovem mulher, de cabelos escuros longos e olhos violetas parada em sua frente. Ela usava um tipo de vestido azul escuro, mas não parecia ser uma roupa qualquer. Era como se fosse um uniforme, mas o homem não sabia dizer o que era. Havia um emblema dourado perto do ombro direito, parecia ser um par de asas.

— Ah... Eu... Eu não te vi... — Disse ele, encabulado.

A garota não disse nada. Ela apenas o encarou.

— Você... Precisa de ajuda? Eu me chamo Vitor, pode confiar em mim! — Disse o homem.

De repente, ela colocou a mão direita em suas costas, e puxou o que parecia ser uma espada. Era como uma lâmina obscura, mas ainda assim, emitia uma luz.

— ...O-O que você quer comigo?!

Ela preparou a espada e correu em direção à Vitor.

— Droga!! — Gritou ele.

Vitor desviou do golpe da garota. Em seguida ele abriu sua boca e mostrou duas presas.

— Eu sei que vampiros não devem atacar humanos, mas não tem nenhuma lei dizendo que não podemos nos defender!

Ela não parecia se incomodar nem um pouco com o fato dele ser um vampiro. Novamente, avançou em direção à ele e desferiu um corte. Vitor saltou para trás, com a elegância de um morcego, e pousou em cima de uma caçamba de lixo, que estava fechada.

— Eu não queria te machucar, mas você está pedindo por isso... — Disse Vitor.

A jovem correu em direção à ele e pulou, com a espada em mãos pronta para atacar. O vampiro a atingiu com um chute na barriga, fazendo-a cair para trás. No momento em que ela, rapidamente, se apoiou para se levantar, Vitor viu uma luz azul, como se fosse eletricidade, percorrer o corpo da garota.

— Ah, você é mutante também... Isso está ficando interessante... — Disse ele, descendo da caçamba.

Os dois estavam novamente frente a frente. Ela empunhou a espada, pronta para atacar. Rapidamente, Vitor avançou em direção à ela e a agarrou pelos punhos. Um embate de força física se iniciou.

— Você é forte, menina... Mas eu sou um vampiro, esqueceu?

Vitor conseguiu empurrá-la para longe. Novamente, ela correu em direção à ele, e dessa vez conseguiu acertá-lo com um corte vertical. A espada percorreu todo o seu abdômen. Vitor entrou em desespero, pensando que ia morrer. Mas para sua surpresa, o golpe da espada não foi mortal.

— Aahh... Eu estou ficando fraco... Que espada é essa...? Quem é você...?!

Vitor se ajoelhou. A garota, desferiu o golpe final, um corte horizontal na região do peito. Vitor perdeu as forças, e caiu deitado no chão. Terminado o confronto, ela guardou sua espada. Em seguida, se ajoelhou e pegou uma seringa que estava em seu uniforme. Depois, coletou um pouco de sangue do braço de Vitor. Ele permaneceu desacordado. Ela conferiu o sangue na ampola, guardou de volta no uniforme, se levantou e foi embora, deixando o vampiro sozinho no beco.

.........

......

...

— Hum...

Claude acordou. Ele estava em seu apartamento. Mas não foi o despertador que o acordou, e sim o telefone celular.

— Quem pode ser... Uma hora dessas?

Ao se levantar, pegou o celular que estava na cabeceira da cama e olhou o visor.

— Hum... Só podia.

Ele atendeu.

— Alô, Rafael. Sabe que horas são?

— Alô, Claude! São sete da manhã. Bom dia!

Claude riu.

— Alguma novidade?

— Ãh... Sim, o Beto me disse que a ONG Caminhos do Coração vai fazer uma festa essa noite. Ele quer que você compareça.

Claude estranhou. Tudo bem que no final de sua história, ele ajudou sua amiga Renata a provar que ela era inocente, mas durante o tempo em que esteve junto com os mutantes da Liga do Bem, ele era quase um anti-herói.

— Eu... Na festa? — Perguntou.

— Sim, você mesmo. E é claro, eu também vou. Afinal nós agora trabalhamos juntos na polícia, não é?

Era verdade. Claude e Rafael passaram a trabalhar na polícia de São Paulo junto com Beto, depois que a NEO-DEPECOM foi desfeita.

— Eu não sou muito festeiro, pra falar a verdade.

— Não me diga... Eu te conheço há anos, Claude. Sabia que essa seria a resposta. Mas enfim, eles estão planejando montar a festa agora de manhã. Talvez você queira ir até lá e ajudá-los, quem sabe muda de ideia?

Claude suspirou.

— Me dê um motivo.

— A Renata vai estar lá, e ela disse que está com saudades de você.

Renata era a amiga que Claude havia conhecido e ajudado anteriormente. Pelo menos havia alguém que ele conhecia muito bem, e gostava dele. Já era um bom motivo.

— Tudo bem, eu vou me arrumar...

— Ótimo! Te vejo lá. Não me decepcione!

Rafael desligou. Era dia de folga de Claude, então ele teria tempo o suficiente para ajudar com os preparativos da festa.

— Esse dia começou bem... — Comentou ele, se levantando.

Enquanto tomava banho, e preparava o café da manhã, Claude foi se lembrando de suas aventuras junto com a Liga do Bem. Ele teve suporte de vários mutantes ao salvar Renata, e também resolver seu conflito com Cris na Ilha dos Mutantes. Em nenhum momento, porém, ele fez algo por eles. Pelo contrário, quando a conheceu, eles entraram em conflito, e Claude enfrentou a Liga do Bem como um verdadeiro inimigo. Do ponto de vista dele, participar dessa festa como se ele também fosse um membro, era algo estranho. Mas, com a Renata por lá, as coisas seriam melhores. Ele teria uma amiga ao seu lado. Alguém que realmente se importava com ele, tanto quanto ele se importava com ela.

Ao terminar de tomar o café, Claude saiu de seu apartamento e pegou seu carro na garagem do prédio.

— Muito bem... Hora de ir até a Mansão Mayer...

E ele pegou a estrada em direção ao local onde agora funcionava a ONG Caminhos do Coração...