Os Mutantes: Harmonia Caótica
14 Identidade - Parte 4
Oliver entrava em um restaurante. Ao olhar ao redor, notou Mia sentada em uma das mesas.
— Ah, você veio mesmo! — Comentou ela.
Ele se aproximou e sentou-se de frente para ela.
— Você disse que queria me ver...? — Perguntou Oliver.
Mia acenou positivamente. Em seguida, pegou seu bloco de notas e passou para Oliver.
— Isso é tudo que eu aprendi conversando com a Maria e o Marcelo.
— Você... Conseguiu falar com eles?
— Sim, foi fácil. Mas eles estavam claramente bloqueando informações. Ainda tem mais coisas que não me contaram.
Oliver leu rapidamente.
— Hum... Então, como a gente já suspeitava, é uma garota que está atacando os mutantes. Quando aquela mutante com poderes de fogo foi atacada, já houveram outras duas vítimas...
Mia pegou a xícara de café que estava em sua frente e tomou um gole.
— Mais duas vítimas, exato! Só que a gente ainda não sabia da segunda.
Oliver continuou lendo.
— Verdade... Teve uma mutante com poderes elétricos chamada Carol que foi atacada e não contou à polícia...
— "Protegidinha" da Liga do Bem, eu diria... — Completou Mia, tomando mais um pouco do café.
Oliver terminou a leitura.
— Eu queria mesmo falar com uma dessas duas vítimas...
— Infelizmente a Liga do Bem está ocultando a localização delas.
— Você tem certeza, Mia?
— Tenho. É claro que eles sabem onde elas estão... Mas para, supostamente, proteger a população, eles não vão revelar.
Oliver pensou um pouco.
— Hum... Espera um pouco...
Novamente, ele leu o bloco de notas de Mia.
— Mia... Você disse que a mutante com poderes de fogo se chama "Renata"?
— Não, quem disse foram eles.
Oliver ignorou o deboche de Mia.
— Seria essa... A mesma Renata Sabine, que foi acusada de matar os pais alguns meses atrás?
Mia pensou.
— Se for o caso... A inocência dela já foi comprovada, não?
— Sim, mas... Ela estava sempre com o Claude, o homem que eu fui encarregado de conseguir uma entrevista.
Mia entendeu.
— Sei. Então, o que pretende fazer, Oliver?
— O Claude é um policial agora...
— Eu tenho uma ideia. Cometa um crime, e ele aparece.
Oliver novamente ignorou o deboche.
— Mia, se localizarmos um dos dois, o outro aparecerá. O Claude e a Renata vivem juntos.
— Sim, eu sei disso. Que tal se dividirmos o trabalho? Você procura pelo Claude, e eu vejo se encontro a Renata. Quem sabe encontramos os dois juntos?
— Pode dar certo... Então, vamos!
Os dois se levantaram.
.........
......
...
Enquanto isso, Claude e Renata entravam na sala do diretor.
— Com licença... — Disse Claude.
— Pois não? Eu sou o diretor Almeida. Podem se sentar.
Os dois se sentaram de frente para o diretor.
— Meu nome é Claude Fernandes, e essa é minha parceira, Renata Sabine. Eu sou policial, e gostaria de fazer algumas perguntas referentes aos seus alunos.
O diretor se surpreendeu.
— Algum dos meus alunos cometeu um crime...?
— Não tenho certeza. — Respondeu Claude — Mas acreditamos que uma delas tem ligação com essa escola...
Renata olhou para a parede. Havia um quadro com vários alunos posando para uma foto de formatura.
— Eu farei o possível para ajudar. — Disse o diretor — Qual o nome dessa aluna?
Aquilo era um problema. Eles não sabiam.
— Bem... Nós não sabemos, mas a Renata aqui chegou a vê-la.
Renata se virou para Claude.
— Eu sei algumas descrições sobre ela...
— Sabe me dizer a idade dela? — Perguntou o diretor.
Renata pensou um pouco.
— O mesmo que eu, uns vinte anos...
O diretor abriu a gaveta de sua mesa.
— Se ela tiver mesmo essa idade, faz pelo menos dois anos que se formou. Então, pode estar em alguma dessas fotos.
Ele pegou um livro e entregou para Renata.
— Você acha que conhece ela se ver uma foto, Renata? — Perguntou Claude.
Renata abriu o livro.
— Todos estão com o mesmo uniforme, mas eu tenho certeza que se ela estiver aqui, eu saberei.
— Perfeito. Pode levar o tempo que quiser. — Disse o diretor.
Renata começou a passar pelas fotos.
— Hum... Quem é esse? — Perguntou Renata apontando para um dos alunos.
O diretor olhou para a foto.
— Ah, é o Diego. Você está nas fotos mais antigas, ele se formou fazem dez anos.
A foto mostrava um jovem de cadeira de rodas.
— Sua escola está de parabéns por aceitar pessoas com necessidades especiais, pelo visto... — Comentou Claude.
— Obrigado! — Disse o diretor Almeida, sorrindo.
Renata pulou para as fotos mais recentes.
— Hum... Poxa...
— Nada ainda? — Perguntou Claude.
— Não...
Renata foi procurando, procurando, procurando... Até que chegou ao fim do livro.
— Desculpa, Claude... Eu não encontrei...
Claude suspirou.
— Bem, foi uma boa tentativa...
Renata devolveu o livro para o diretor.
— Se for de alguma ajuda, os alunos já vão sair para o primeiro intervalo. Vocês podem perguntar para eles se alguém conhece essa estudante.
Claude pensou.
— É, pode ser que ajude... Mas são muitos alunos, nós não vamos conseguir entrevistar todos.
— De qualquer forma, sabemos que ela tem um uniforme dessa escola... — Comentou Renata.
O diretor guardou o livro de volta na gaveta.
— Em todo caso, estarei aqui para ajudar no que for possível.
— Obrigado! Vamos, Renata...
Claude e Renata se despediram do diretor e saíram da sala.
Não demorou muito, e eles chegaram de volta na sede da Liga do Bem, e também a ONG Caminhos do Coração, a Mansão Mayer.
— Olha, tem alguém nos esperando... — Comentou Renata.
Os dois desceram do carro. Era Beto.
— Claude, Renata...
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Claude.
Beto cruzou os braços.
— Sim... Parece que os detetives e policiais já estão sabendo do que está acontecendo na cidade... Uma investigadora veio procurar por vocês.
Claude se espantou.
— Investigadora?
— É, ela entrevistou a Maria e o Marcelo. Acreditamos que ainda vá voltar...
Renata pensou.
— Eu acho que é inevitável, esse caso vai cair no conhecimento de toda a população...
Claude imaginou que aquilo era mais um motivo para resolver esse problema o mais rápido possível...
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