Os Mutantes: Harmonia Caótica
13 Identidade - Parte 3
Claude e Renata partiram para o Colégio Serafim em busca de respostas. Não demorou muito, e alguém chegava nos portões da Mansão Mayer. O grupo ainda conversava na sala, quando Ângela chegou.
— Maria, Marcelo... Tem uma moça aqui na mansão.
— Ãh? Quem? — Perguntou Maria.
— Eu não sei, mas... Ela quer falar com vocês...
Marcelo e Maria se olharam.
— Vamos ver o que ela quer... — Disse Marcelo.
Os dois saíram da sala e foram até o portão, onde de fato, uma jovem mulher os aguardava.
— Vocês são Maria e Marcelo, certo?
— Sim, somos nós... E você é...? — Perguntou Marcelo.
Os três se encontravam na calçada do lado de fora da mansão.
— Meu nome é Mia. Eu sou uma investigadora.
— Investigadora... — Comentou Maria.
Mia colocou sua mão direita em sua cintura.
— Exato. Se vocês são realmente os protagonistas da Liga do Bem, já devem imaginar o que eu vim fazer aqui, certo?
— Acredito que esteja atrás de informações sobre alguma coisa. — Respondeu Marcelo.
Mia suspirou.
— Vamos lá, Marcelo... A sua dedução tem que ser melhor que essa...
— Acho que está aqui pelo que aconteceu com aqueles mutantes que foram atacados. — Disse Maria.
Mia riu.
— Certo, Maria...
— Escute... Mia. Nós não podemos passar informações sem saber de onde exatamente você veio. — Disse Marcelo.
Houve alguns segundos de silêncio.
— Hum... Talvez isso faça vocês se abrirem um pouco mais.
Mia mostrou para Maria e Marcelo sua carteira de identidade. Abaixo de seu nome, a profissão "Investigadora" podia ser lida claramente. De fato, ela veio representando a lei.
— Bem... Nos dê um minuto, Mia. — Disse Maria.
— Claro! — Respondeu ela, guardando sua carteira.
Maria e Marcelo se afastaram um pouco.
— E agora, Marcelo?
— Temos que responder, ela veio em nome dos investigadores.
— Mas o Claude e a Renata não vão gostar se espalharmos todas as informações.
— Vamos ocultar alguns fatos. Responderemos apenas o básico.
— Certo...
Os dois voltaram para Mia.
— Então... O que exatamente você quer saber, Mia? — Perguntou Marcelo.
Mia se animou ao ver que teria algumas respostas.
— Bem, primeiramente... Como esse caso começou?
Marcelo respondeu.
— Alguns dias atrás um vampiro foi atacado em um beco no bairro. A principio achamos que não era nada de importante, já que a vítima não sofreu nenhum dano grave. Mas depois, outras duas mutantes foram atacadas, aparentemente pela mesma pessoa.
— Eu acho que a delegacia já sabe sobre isso...? — Comentou Maria.
Mia pensou.
— Sim, já temos informações o suficiente, mas... Você disse "duas outras mutantes"? Sabe os nomes delas?
Aquilo era meio que fora dos limites do que Maria e Marcelo podiam responder. Mas Mia já tinha lançado a pergunta, e aguardava uma resposta.
— S-Sim, foram duas... Mas não estamos cientes dos nomes. — Disse Maria.
Mia estranhou.
— Certeza? Como vocês sabem que foram duas outras vítimas se a mídia só está sabendo de uma?
Ela encurralou os dois. Eles teriam que responder.
— Tá, a gente responde... — Disse Marcelo.
Mia pegou um bloco de notas.
— Assim é melhor... Quem foram as duas outras vítimas?
Marcelo pensou por alguns segundos.
— A primeira foi a Carol, uma mutante com poderes elétricos. E a outra foi Renata, aquela que a mídia já conhece. Poderes de fogo.
Mia anotou.
— Carol e Renata... Sabe onde eu posso encontrá-las?
— Não, não sabemos. — Respondeu Marcelo.
Mia terminou as anotações.
— Vocês tem alguma noção sobre quem está atacando esses mutantes?
— Sim... — Disse Maria.
— Pois bem, poderiam me contar o que sabem?
Maria respondeu.
— É uma garota... Mas nós nem sequer a vimos até agora. Só as vítimas poderiam falar mais sobre ela. O que sabemos é que ataca usando uma espada misteriosa.
Mia começou a escrever novamente.
— Descrição dessa espada misteriosa?
— Todos que foram atacados com ela perderam as forças, mas não sofreram nenhum dano. Aparentemente ser cortado por essa espada não causa ferimentos externos ou internos.
— Hum...
Mia parou de escrever.
— Acredito que logo a Liga do Bem vai voltar a ativa e tentar desvendar esse mistério, não?
Marcelo refletiu o que ela disse.
— Bem, nós ainda não sabemos o que vai acontecer, então... Não podemos garantir nada.
— Mas o que for preciso, nós iremos fazer. — Completou Maria.
— Entendi... Vocês tem alguma recomendação sobre com quem eu poderia falar para conseguir mais informações?
Maria pensou.
— Então... Talvez as vítimas, mas não sabemos onde elas estão.
— Sei. Obrigada pelas respostas. Foram boas o suficiente.
Maria sorriu.
— Prazer ajudar, Mia.
— Talvez a gente vá se ver novamente. Enquanto isso, eu preciso voltar com as informações que coletei. Até outra hora.
— Até mais. — Disse Marcelo.
Mia se virou e foi embora. Maria e Marcelo se olharam.
— Acha que deu tudo certo? — Perguntou Marcelo.
— Eu acho que sim... Ela não perguntou nada sobre o Claude ou quem mais está envolvido em tentar resolver esse caso.
Marcelo olhava para baixo, pensativo.
— Bem, nós falamos a verdade... Não sabemos onde estão aquele vampiro, a Carol ou a Renata...
— Acha que fizemos bem em não falar nada sobre as investigações a respeito da garota misteriosa?
Marcelo olhou para Maria.
— Sim. Vamos deixar isso em segredo por enquanto. Até para proteger as pessoas que estão investigando.
— É... Acho que foi o melhor mesmo.
Os dois voltaram para dentro da mansão.
.........
......
...
Em outra parte da cidade, Claude e Renata chegaram em frente ao Colégio Serafim. Um prédio de dois andares.
— Chegamos... — Disse Claude.
Renata saiu do carro e olhou.
— É bonito... Parece o local onde eu estudei... Exceto que não era tão afastado.
Claude também desceu do carro.
— Então, vamos começar as investigações.
— Acho que não.
Claude estranhou.
— Por que não?
— Porque os alunos estão em aula a essa hora. Seria melhor esperarmos o intervalo para entrevistá-los.
Claude pensou.
— É, mas... Podemos falar com a diretoria enquanto isso.
— Tudo bem.
Os dois entraram na escola pela porta da diretoria. Lá dentro, encontraram uma senhora na recepção.
— Pois não, como posso ajudar?
— Meu nome é Claude, eu sou da polícia.
A senhora se assustou.
— Polícia? Aconteceu alguma coisa com algum aluno daqui?
— Não, não sabemos ainda... Só queremos autorização para falar com os estudantes, seria possível?
— Sim, mas eles estão em horário de aula agora...
— Nós podemos esperar. Quem é o diretor da escola?
— É o senhor Almeida. Querem falar com ele?
Claude se animou.
— Sim, ele poderia nos ajudar muito!
A senhora pegou um telefone.
— Senhor Almeida? Tem um homem da polícia aqui, querendo falar com o senhor.
— Certo, deixe ele entrar, Sandra.
Sandra desligou o telefone.
— Podem entrar. Terceira porta à esquerda.
— Obrigado pela ajuda! — Disse Claude.
Claude e Renata passaram por um pequeno portão e chegaram em um corredor. A porta da diretoria era visível.
— O que você pretende fazer, Claude?
— Vou pedir dados sobre os estudantes que passaram por esse colégio nos últimos anos. Tem que ter alguém com as características daquela garota.
Renata cruzou os braços. Claude parou.
— Espere... Renata, quantos anos você acha que a garota misteriosa tem?
Renata pensou.
— Hum... Uns vinte e dois no máximo.
— Os alunos dessa escola tem no máximo dezoito anos. Teremos que checar as estudantes que passaram por aqui nos últimos cinco anos então. Vamos, temos trabalho a fazer.
— Certo!
Os dois seguiram até a diretoria.
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