Os Mutantes: Duplo Destino
8 O VIngador - Parte 8
Claude seguia pela madrugada. O farol de seu carro ia guiando o caminho pelas ruas. Até que finalmente, parou próximo à um túnel.
— Se aquele mutante disse a verdade, a garota fugiu pra algum lugar isolado... E esse túnel está interditado, então pode ser que ela está se escondendo aqui...
Claude pegou sua arma do porta-luvas do carro e guardou em seu bolso. Em seguida, estacionou perto da entrada do túnel e desceu para continuar a pé. Após retirar as faixas que bloqueavam o caminho, começou sua jornada no escuro. Não haviam carros ao redor.
— Escolheu um bom local para se esconder... Não dá pra enxergar muita coisa por aqui.
Continuando pelo escuro, Claude usava a pouca luz presente no túnel para enxergar. Não demorou muito até que ele avistasse alguma coisa.
— ...É ela! — Disse Claude em voz baixa.
No canto do túnel, encostada na parede, estava a jovem garota. Ela parecia dormir após uma longa e cansativa jornada.
— ...Ela está dormindo? Não, eu não posso matá-la assim... Eu tenho que lutar de igual para igual com ela... Preciso saber se sou capaz de derrotar um mutante.
Assim que Claude se aproximou, a garota abriu seus olhos.
— ...Hum...? — Disse a garota, sonolenta.
No momento em que avistou Claude a encarando, Renata se levantou assustada.
— É... É você...? — Disse Renata.
— Você me conhece? — Perguntou Claude.
Renata parecia em pânico.
— Eles disseram que... Um homem estava me perseguindo...
— Meu nome é Claude Fernandes. Guarde bem esse nome, porque é a última coisa que você vai se lembrar quando eu te matar.
Desesperada, Renata criou uma bola de fogo em sua mão e a disparou contra Claude. No entanto, o fogo se dissipou assim que o atingiu.
— Fogo não vai ser o bastante para me parar...
Claude avançou em direção à Renata, mas para sua surpresa...
— Não se aproxime de mim!! — Gritou Renata.
Renata agarrou Claude pelo braço e o derrubou no chão como se fosse um golpe de luta.
— Uff!! Mas o quê...?! — Gritou Claude assustado.
Assim que o derrubou, Renata correu em direção à saída do túnel.
— Parada!!
Claude sacou sua arma e se levantou. No fundo, ele não queria atirar em Renata, e sim derrotá-la primeiro. Só assim ele saberia o quão perto estava de conseguir matar um mutante poderoso.
— Eu... Eu não aguento... Mais... Correr...
Renata estava ofegante. Definitivamente ela não estava em condições normais.
— Eu não vou deixar que você fuja!! — Gritou Claude.
Claude acelerou. Renata já estava fora do túnel, mas cada vez mais lenta. Até que finalmente ele a alcançou.
— Não!! — Gritou Renata.
Claude agarrou Renata pelas costas.
— Como se sente? Neutralizada por um simples humano? Os seus poderes são inúteis contra mim!
— Como... Como isso é possível...?
— Você não precisa saber... A única coisa que eu quero que coloque em sua mente é que vocês mutantes sempre subestimaram os seres humanos comuns... Mas eu sou superior à vocês... E isso é só o começo!
Renata se esforçou o máximo que pôde, até que conseguiu soltar o seu braço e atingir Claude com seu cotovelo. Claude a soltou.
— Hurgh... Eu entendo... Você não é só uma mutante que usa o fogo. Você também sabe lutar. — Disse Claude.
— ...Sim... Eu... Sei...
— Mas você está muito fraca... Tem certeza que quer tentar alguma coisa comigo? Acho que não vai conseguir nem me arranhar...
— Eu... Não vou... Desistir... — Disse Renata, ofegante.
Renata correu em direção à Claude. Rapidamente, ele desviou de seu soco e a segurou pelo braço.
— Isso é fácil demais... Te derrotar não vai me dar a certeza de que eu vou conseguir matar um mutante...
— Por que você... Quer matar... Os mutantes...?
— Vocês nem deviam existir pra começo de conversa... E eu tenho certeza que se não fosse por vocês... O meu irmão estaria vivo até hoje!
Renata conseguiu novamente se soltar e se afastar de Claude.
— Eu não tenho culpa se algo aconteceu com seu irmão! Você não pode me julgar pelo que um mutante do mal fez com ele!
Claude riu.
— ...Hã? — Perguntou Renata, confusa.
— Um mutante do mal? Engraçado, quem matou meu irmão foi exatamente um mutante que fez parte da Liga do Bem...
Renata se espantou.
— Aquele tal de Cris era um assassino impiedoso... E sempre foi protegido pela Liga do Bem... Acho que essa é a prova definitiva de que algo precisa ser feito em relação aos mutantes. Mesmo se a população não entender, eu vou tratar de passar o julgamento correto em vocês!
Renata respirava com dificuldade enquanto ouvia Claude.
— A minha missão desde o início é encontrar e matar o Cris... Você é apenas um teste para eu medir minha força.
Claude correu em direção à Renata. Os dois trocaram tentativas de socos e chutes por alguns segundos, até que Claude conseguiu agarrar Renata e a empurrar com força em direção à uma árvore. A garota caiu sentada, tentando se levantar em seguida. Mas não teve forças.
— Eu desisto... Você não tem condições de lutar comigo. Eu vou ter que te eliminar logo...
Claude sacou sua arma. Renata baixou a cabeça.
— Alguma última palavra?
Claude se aproximou de Renata e encostou a arma em sua testa.
— Vamos! O que você tem a me dizer agora? Derrotada por um humano?
No entanto...
— ...O quê? — Perguntou Claude, confuso.
Renata estava chorando.
— Nada... Se vai te fazer feliz, atira logo... Eu não tenho mais nada nesse mundo.
— Como assim...? Você simplesmente desiste?
Renata olhou para Claude, com seus olhos cheios de lágrimas.
— Desisto. Eu desisto.
A mão de Claude tremia ao segurar a arma.
— Eu não tenho mais motivo para viver. Essa perseguição toda é inútil porque mesmo se você não me matar agora, alguém vai fazer isso depois. Então por favor, acabe logo com isso.
Renata baixou a cabeça. As lágrimas escorriam por seu rosto. Claude não conseguia puxar o gatilho.
— ...O que aconteceu? — Perguntou Claude.
Renata ficou confusa.
— O... O quê?
— O que aconteceu com você?
Renata não sabia o que dizer.
— Eu quero que você me conte o que aconteceu. Por que você não quer mais viver? — Perguntou Claude.
Claude baixou a arma.
— Eu quero ouvir a sua história...
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