Claude seguia pela madrugada. O farol de seu carro ia guiando o caminho pelas ruas. Até que finalmente, parou próximo à um túnel.

— Se aquele mutante disse a verdade, a garota fugiu pra algum lugar isolado... E esse túnel está interditado, então pode ser que ela está se escondendo aqui...

Claude pegou sua arma do porta-luvas do carro e guardou em seu bolso. Em seguida, estacionou perto da entrada do túnel e desceu para continuar a pé. Após retirar as faixas que bloqueavam o caminho, começou sua jornada no escuro. Não haviam carros ao redor.

— Escolheu um bom local para se esconder... Não dá pra enxergar muita coisa por aqui.

Continuando pelo escuro, Claude usava a pouca luz presente no túnel para enxergar. Não demorou muito até que ele avistasse alguma coisa.

— ...É ela! — Disse Claude em voz baixa.

No canto do túnel, encostada na parede, estava a jovem garota. Ela parecia dormir após uma longa e cansativa jornada.

— ...Ela está dormindo? Não, eu não posso matá-la assim... Eu tenho que lutar de igual para igual com ela... Preciso saber se sou capaz de derrotar um mutante.

Assim que Claude se aproximou, a garota abriu seus olhos.

— ...Hum...? — Disse a garota, sonolenta.

No momento em que avistou Claude a encarando, Renata se levantou assustada.

— É... É você...? — Disse Renata.

— Você me conhece? — Perguntou Claude.

Renata parecia em pânico.

— Eles disseram que... Um homem estava me perseguindo...

— Meu nome é Claude Fernandes. Guarde bem esse nome, porque é a última coisa que você vai se lembrar quando eu te matar.

Desesperada, Renata criou uma bola de fogo em sua mão e a disparou contra Claude. No entanto, o fogo se dissipou assim que o atingiu.

— Fogo não vai ser o bastante para me parar...

Claude avançou em direção à Renata, mas para sua surpresa...

— Não se aproxime de mim!! — Gritou Renata.

Renata agarrou Claude pelo braço e o derrubou no chão como se fosse um golpe de luta.

— Uff!! Mas o quê...?! — Gritou Claude assustado.

Assim que o derrubou, Renata correu em direção à saída do túnel.

— Parada!!

Claude sacou sua arma e se levantou. No fundo, ele não queria atirar em Renata, e sim derrotá-la primeiro. Só assim ele saberia o quão perto estava de conseguir matar um mutante poderoso.

— Eu... Eu não aguento... Mais... Correr...

Renata estava ofegante. Definitivamente ela não estava em condições normais.

— Eu não vou deixar que você fuja!! — Gritou Claude.

Claude acelerou. Renata já estava fora do túnel, mas cada vez mais lenta. Até que finalmente ele a alcançou.

— Não!! — Gritou Renata.

Claude agarrou Renata pelas costas.

— Como se sente? Neutralizada por um simples humano? Os seus poderes são inúteis contra mim!

— Como... Como isso é possível...?

— Você não precisa saber... A única coisa que eu quero que coloque em sua mente é que vocês mutantes sempre subestimaram os seres humanos comuns... Mas eu sou superior à vocês... E isso é só o começo!

Renata se esforçou o máximo que pôde, até que conseguiu soltar o seu braço e atingir Claude com seu cotovelo. Claude a soltou.

— Hurgh... Eu entendo... Você não é só uma mutante que usa o fogo. Você também sabe lutar. — Disse Claude.

— ...Sim... Eu... Sei...

— Mas você está muito fraca... Tem certeza que quer tentar alguma coisa comigo? Acho que não vai conseguir nem me arranhar...

— Eu... Não vou... Desistir... — Disse Renata, ofegante.

Renata correu em direção à Claude. Rapidamente, ele desviou de seu soco e a segurou pelo braço.

— Isso é fácil demais... Te derrotar não vai me dar a certeza de que eu vou conseguir matar um mutante...

— Por que você... Quer matar... Os mutantes...?

— Vocês nem deviam existir pra começo de conversa... E eu tenho certeza que se não fosse por vocês... O meu irmão estaria vivo até hoje!

Renata conseguiu novamente se soltar e se afastar de Claude.

— Eu não tenho culpa se algo aconteceu com seu irmão! Você não pode me julgar pelo que um mutante do mal fez com ele!

Claude riu.

— ...Hã? — Perguntou Renata, confusa.

— Um mutante do mal? Engraçado, quem matou meu irmão foi exatamente um mutante que fez parte da Liga do Bem...

Renata se espantou.

— Aquele tal de Cris era um assassino impiedoso... E sempre foi protegido pela Liga do Bem... Acho que essa é a prova definitiva de que algo precisa ser feito em relação aos mutantes. Mesmo se a população não entender, eu vou tratar de passar o julgamento correto em vocês!

Renata respirava com dificuldade enquanto ouvia Claude.

— A minha missão desde o início é encontrar e matar o Cris... Você é apenas um teste para eu medir minha força.

Claude correu em direção à Renata. Os dois trocaram tentativas de socos e chutes por alguns segundos, até que Claude conseguiu agarrar Renata e a empurrar com força em direção à uma árvore. A garota caiu sentada, tentando se levantar em seguida. Mas não teve forças.

— Eu desisto... Você não tem condições de lutar comigo. Eu vou ter que te eliminar logo...

Claude sacou sua arma. Renata baixou a cabeça.

— Alguma última palavra?

Claude se aproximou de Renata e encostou a arma em sua testa.

— Vamos! O que você tem a me dizer agora? Derrotada por um humano?

No entanto...

— ...O quê? — Perguntou Claude, confuso.

Renata estava chorando.

— Nada... Se vai te fazer feliz, atira logo... Eu não tenho mais nada nesse mundo.

— Como assim...? Você simplesmente desiste?

Renata olhou para Claude, com seus olhos cheios de lágrimas.

— Desisto. Eu desisto.

A mão de Claude tremia ao segurar a arma.

— Eu não tenho mais motivo para viver. Essa perseguição toda é inútil porque mesmo se você não me matar agora, alguém vai fazer isso depois. Então por favor, acabe logo com isso.

Renata baixou a cabeça. As lágrimas escorriam por seu rosto. Claude não conseguia puxar o gatilho.

— ...O que aconteceu? — Perguntou Claude.

Renata ficou confusa.

— O... O quê?

— O que aconteceu com você?

Renata não sabia o que dizer.

— Eu quero que você me conte o que aconteceu. Por que você não quer mais viver? — Perguntou Claude.

Claude baixou a arma.

— Eu quero ouvir a sua história...