Um ginásio de esportes localizado próximo ao centro da cidade.

Renata estava em uma sala, sentada em um banco arrumando as faixas brancas em suas mãos. Alguém abriu a porta.

— Renata, você está pronta...? Ainda dá tempo de desistir.

Renata se levantou, arrumou o cabelo e olhou para a garota.

— Não se preocupe, Carol... Eu estou sempre pronta.

— Que bom... Então vamos.

As duas saíram da sala de preparo e chegaram até o centro de uma grande área aberta onde haviam várias arquibancadas, porém vazias.

— Está pronta para o treinamento? — Perguntou Carol entrando em posição de combate.

— Só se for agora! — Respondeu Renata.

Renata fechou as mãos com força. Carol fez o mesmo.

— Então, vamos ver o que você aprendeu! — Gritou Carol.

Carol correu em direção à Renata, tentando socá-la. Rapidamente, a garota desviou e a atingiu com um golpe nas costas, fazendo sua adversária perder o equilíbrio por alguns segundos.

— Ei... Nada mal... — Disse Carol.

— Estou só começando!

Renata correu em direção a Carol para atingi-la com um soco. Porém, Carol conseguiu segurar a mão de Renata.

— Uau, você ficou mais rápida... — Disse Renata.

— Vamos tornar isso um pouco mais radical, tudo bem?

Carol soltou Renata. As duas se afastaram.

— É hora de usar tudo que temos direito! — Disse Carol.

Carol ergueu sua mão direita na altura de seu rosto. Uma descarga elétrica percorreu seu braço, se concentrando em sua mão.

— Tudo bem... Dê o seu melhor... — Disse Renata.

Renata ergueu sua mão direita na mesma altura. Uma chama se formou nela.

— Então, sem mais demoras... — Disse Carol.

Carol fez um movimento rápido com seu braço. A eletricidade que se concentrou em sua mão voou como um raio na direção de Renata. A mesma se jogou para o lado, e no percurso, arremessou uma bola de fogo em direção à sua adversária.

— Pega essa!! — Gritou Renata.

Carol se jogou no chão. O fogo passou por ela e atingiu uma parede, se dissipando.

— Você é rápida... Mas vamos ver se consegue desviar disso! — Gritou Carol.

Carol juntou as duas mãos e disparou uma rajada de eletricidade no local onde Renata estava. Rapidamente, ela pulou para trás.

— Você está cometendo sempre o mesmo erro. Eu vou te ensinar como se faz... — Disse Renata.

Renata abriu sua mão direita em direção à Carol, disparando uma bola de fogo. Carol correu para desviar, mas Renata continuou disparando várias e várias bolas de fogo seguidas enquanto sua oponente corria para desviar.

— Ah, vai ficar apelando então? — Gritou Carol.

Carol correu na direção de Renata, desviando do fogo que continuava vindo em sua direção. Assim que se aproximou, Renata ficou perdida, sem saber como reagir.

— Se prepare!! — Gritou Carol.

Com eletricidade em seu punho, Carol se apressou para socar Renata, que protegeu seu rosto com as mãos. Porém...

— Hã...? — Disse Renata, confusa.

Carol havia parado, com seu punho bem perto do rosto de Renata.

— E então? — Perguntou Carol.

— Tá bom... Você ganhou... — Lamentou Renata.

Após o fim do duelo, as duas garotas estavam do lado de fora do ginásio.

— Você está melhorando, Renata.

— Obrigada... Mas ainda espero o dia em que vou te derrotar.

— Não se preocupe. De qualquer forma, o torneio de luta para mutantes é sempre adorado pelo público, independente da qualidade dos lutadores. Todo mundo quer ver a ação.

— He... Obrigada, mas espero me destacar por vitórias também.

— Você chega lá.

A tarde estava caindo quando as duas caminhavam pelas ruas.

— Então... Você ouviu os boatos? — Perguntou Carol.

— Que boatos?

— Dizem que tem um grupo de pessoas caçando mutantes pelas ruas.

— Ei... Isso são só lendas urbanas, não são? A guerra acabou já faz cinco anos.

— Eu tomaria cuidado... Apesar do fim do repúdio contra os mutantes, ainda tem aqueles que não gostam muito de nós.

Renata olhou para o céu.

— Cinco anos atrás... Aquilo deu muito o que falar, não? Os humanos contra os Reptilianos... Humanos contra Mutantes... Mutantes contra Mutantes... Humanos contra Humanos...

— Foi horrível... Mas acho que agora está tudo bem melhor. — Disse Carol.

— Eu espero que sim...

Algum tempo se passou. Renata abriu a porta de sua casa, um pequeno apartamento.

— Mãe, Pai, cheguei!

Um casal estava sentado no sofá assistindo televisão.

— Olá, filha... Se divertiu bastante hoje? — Disse a mulher.

— Conseguiu derrotar aquela menina? — Perguntou o homem.

Renata se sentou no meio deles.

— Ainda não... Mas ela disse que eu tô melhorando.

A mulher riu.

— Um dia você chega lá... Certo, Tiago?

— Claro que sim, Bianca. Você ainda vai ser a mutante mais forte do torneio, Renata. Pode ter certeza disso!

Renata abraçou os dois.

— E vocês vão estar lá pra ver quando isso acontecer?

— Com toda a certeza, filha! — Disse Bianca.

Tiago pegou a mão de Renata e a beijou.

— Você vai ser a número um algum dia, e é claro que a gente sempre vai te apoiar.

Renata riu.

— Eu vou tomar um banho e vou pra cama, tudo bem?

— Claro! — Disse Bianca.

— Vai lá então, campeã! — Disse Tiago.

Renata beijou os dois e saiu da sala.


Algum tempo mais tarde, Renata estava dormindo em sua cama. Quando...

— O... O quê?!

Renata acordou em pânico. Havia muito fogo em seu quarto. As chamas estavam consumindo tudo ao redor.

— O que aconteceu?! Socorro!!

A garota gritou, mas ninguém apareceu. Rapidamente, ela se levantou e correu até a porta, mas a mesma estava trancada.

— O que está acontecendo aqui?!

Renata bateu com força na porta até a mesma se abrir.

— Pai?! Mãe?! Cadê vocês?!

A sala também estava pegando fogo. O sofá já havia sido consumido pelas chamas. Renata correu até a porta do quarto dos seus pais e a abriu à força.

— Pai!! Mãe!!

Renata entrou em estado de choque. A cama de seus pais estava pegando fogo, e... Os dois estavam deitados, imóveis.

— Não... Não!!

Renata tentou desviar das chamas para alcançar a cama onde seus pais estavam.

— Eu vou tirar vocês daqui!! Eu vou...

No entanto, assim que se aproximou da cama, Renata caiu de joelhos no chão. Ela finalmente descobriu que o pior já havia acontecido...

— Não... Não!!

Renata começou a chorar imediatamente. Não havia mais nada que ela pudesse fazer. O corpo de seus pais havia sido consumido pelo fogo.

— É aqui!! Rápido, abram a porta! — Gritou um homem.

Renata ouviu alguém falando por trás da porta de entrada do apartamento. Ela voltou rapidamente para a sala. A porta se abriu violentamente e dois homens com uniforme de bombeiro entraram.

— Tem uma garota aqui! Quem é ela?! — Perguntou um dos bombeiros.

— Cuidado! É a mutante que fomos avisados! Foi ela que causou o incêndio! — Disse o outro.

Renata ficou em choque ao ouvir aquelas palavras. Estavam dizendo que ela teria começado o incêndio. O mesmo incêndio que tirou a vida de seus pais.

— Não... Não fui eu... Os meus pais... Eles...

Um dos bombeiros usou o extintor para tentar combater as chamas na sala. O outro se aproximou de Renata.

— Você vai ter que vir com a gente... A polícia já foi acionada.

Renata estava em desespero.