Renata se levantou do banco. Seus olhos estavam vermelhos devido as lágrimas.

— Eu não posso chorar a noite toda...

Lentamente, ela caminhou até a calçada. As poucas pessoas que andavam pelas ruas não pareciam conhecê-la.

— Ok... Com calma...

Renata começou a caminhar pela calçada como uma pessoa qualquer.

— Onde eu estou indo, afinal...?

Embora ela continuava andando sem parar, Renata não sabia ao certo pra onde estava indo. Após caminhar por alguns minutos, chegou em uma avenida no fim da cidade.

— O... O que é aquilo?

Haviam duas viaturas da polícia bloqueando aquela avenida. Evitando que os policiais a vissem, Renata se escondeu atrás de uma árvore e tentou ouvir.

— Afinal, até que horas vamos ficar aqui? — Perguntou um dos policiais.

— Temos que ter certeza que ela não vai tentar sair da cidade. — Respondeu o outro policial.

— Mas o túnel está bloqueado por causa do desmoronamento. Não tem como ela passar por aqui.

— Ela pode tentar ir a pé...

O outro policial riu.

— A pé...? Só se fosse louca.

— Ela é uma fugitiva...

Renata pensou.

— "Então eles desconfiam que eu não vou vir pra cá... Acho que vale a pena tentar..."

Mas ela ainda precisava saber como distrair os policiais. Portanto, tratou de observar ao redor.

— Hum...

Ao observar um poste do outro lado da avenida, que parecia longe o bastante, Renata notou que havia um transformador.

— "Desculpe, pessoal... Espero que algum dia me perdoem por isso..."

Renata criou uma bola de fogo em sua mão direita. Quando notou que os policiais não estavam observando, ela a disparou contra o poste. O fogo atingiu em cheio o transformador causando uma pequena explosão e deixando algumas casas ao redor no escuro. Os policiais notaram o barulho.

— O que foi aquilo?!

— Alguma coisa explodiu o transformador! Rápido, vamos ver o que aconteceu!

— Mas não podemos deixar o posto!

— Ela não tem pra onde ir! Vamos logo!

Os dois policiais correram em direção ao poste. Renata aproveitou quando eles se distanciaram para passar pelas viaturas e entrar no túnel, pulando as faixas que o interditavam.

— Consegui... Estou no túnel...

No momento em que Renata se curvou e colocou as mãos em suas pernas para recuperar seu fôlego... Notou que não estava sozinha.

— Então você veio... — Disse a voz de um homem.

Renata ergueu seu rosto. Em sua frente estava um homem usando uma capa e uma estranha máscara que protegia seu rosto.

— Quem... Quem é você?

— Eu sou Enigma. Eu vim aqui para te ajudar. Venha comigo, eu posso te levar em segurança!

Renata ficou furiosa. Assim que Enigma terminou sua sentença, ela abriu sua mão direita em direção à ele, criando uma bola de fogo.

— Eu estou cansada disso! Estou cansada de pessoas me dizendo pra onde eu devo ir. Pessoas me dizendo o que eu devo fazer! Pessoas que parecem interessadas em me ajudar, mas nunca me perguntam o que eu quero!!

Enigma cruzou os braços.

— Eu não queria ter que fazer isso, mas não tenho escolha...

Enigma correu em direção à Renata. Rapidamente, ela desviou e o atingiu com um golpe nas costas que o fez se apoiar na parede para não cair.

— Eu só quero te ajudar!

— Claro que quer... Todos querem... Mas ninguém se importa de verdade com meus sentimentos!

Enigma se virou para Renata e balançou sua capa.

— Eu sei o que você está sentindo...

— Então se afaste de mim! — Gritou Renata.

Renata abriu sua mão direita em direção à Enigma e disparou uma bola de fogo. Rapidamente, ele desviou. O fogo atingiu a parede do túnel, se dissipando.

— Eu estou tentando te ajudar, mas você recusa minha ajuda...

— Que bom que reconhece! Agora me deixa em paz!

Enigma novamente avançou em direção à Renata, conseguindo agarrá-la. A garota estava perdendo suas forças.

— A minha missão é proteger todos os mutantes que precisam de ajuda! E você não é uma exceção.

— Eu não quero sua ajuda!

Renata ateou fogo ao redor de sua mão e tocou na capa de Enigma. Ele a soltou e sacudiu sua capa para apagar as chamas.

— Entendo... Você está determinada a ficar longe da Liga do Bem...

— Eu não me importo com essa Liga! Está claro que ninguém consegue me entender!

Enigma colocou a mão em sua máscara.

— Mas eu nunca falhei até hoje... E não é você que vai me derrotar.

Renata fechou suas mãos com força. Chamas violentas surgiram ao redor delas.

— Você não está me deixando escolha... — Disse Renata.

Enigma tentou correr em direção à Renata uma última vez. A garota começou a disparar várias bolas de fogo em sua direção. Enigma se esquivava rapidamente de todas, mas uma delas em particular o atingiu no peito, fazendo-o cair para trás. Renata cessou o ataque, respirando ofegante.

— Então é assim... — Disse Enigma.

Enigma se levantou lentamente.

— Faça como quiser... Eu vou deixar que você mesma escolha seu destino.

Renata não respondeu. Apenas o observava.

— Adeus!

Enigma correu em direção à entrada da caverna. Até sumir de vista. Renata se aproximou da parede do túnel e se sentou.

— Eu não sei mais o que estou fazendo... Eu quero que isso acabe logo...

Renata lentamente fechou os olhos e dormiu... Assim que acordou...

— ...Hum...?

No momento em que avistou Claude a encarando, Renata se levantou assustada.

— É... É você...? — Perguntou Renata.

— Você me conhece? — Perguntou Claude.

Renata parecia em pânico.

— Eles disseram que... Um homem estava me perseguindo...

— Meu nome é Claude Fernandes. Guarde bem esse nome, porque é a última coisa que você vai se lembrar quando eu te matar.

O cenário voltou ao momento atual... Claude estava em pé em frente à Renata, que continuava sentada na beira da árvore, de cabeça baixa.

— ...Isso é tudo? — Perguntou Claude.

— Sim... Então... Você já pode completar sua missão se quiser... — Disse Renata.

Claude encarou Renata por alguns segundos. Em seguida, pegou seu celular e fez uma ligação. O visor mostrou "Chamando NEO-Depecom".

— Alô, Mathias?

— Olá, Claude! Alguma novidade?

— Sim, eu encontrei a garota...

Renata ouvia a conversa.

— Ótimo! Você já conseguiu matá-la? — Perguntou Mathias.

Claude olhou para Renata, que estava olhando para ele.

— ...Infelizmente ela já está morta.

Renata se espantou.

— Mas como?! — Perguntou Mathias.

— Ela correu para o túnel na saída da cidade, aquele que foi interditado... Parece que uma pilha de concretos caiu em cima dela.

Renata não acreditava no que ouvia.

— Puxa, isso é o que eu chamo de azar... Enfim, obrigado pela confirmação.

— Disse Mathias.

— Sem problemas. — Disse Claude.

Claude desligou o celular.

— Mas... Mas por quê...? — Perguntou Renata.

Claude estendeu sua mão para Renata e a ajudou a se levantar.

— O meu carro está bem ali. Vamos, eu tenho que te levar pra algum lugar.

Sem entender o que estava havendo, Claude levou Renata para seu carro. Ela se sentou no banco do passageiro, e Claude pegou a direção.

— Tome cuidado pra ninguém te ver no caminho! — Disse Claude.

— T... Tudo bem...

Renata ainda não entendia a situação, mas aparentemente Claude não tinha mais a intenção de matá-la.