Os Mutantes: Duplo Destino
16 A Fugitiva - Parte 8
Claude abriu a porta de seu apartamento.
— Entre.
Renata ainda tinha um pouco de medo, mas como não tinha outra opção, resolveu entrar. Claude fechou a porta.
— Então... Você é o homem que estava tentando me matar... O que aconteceu? — Perguntou Renata.
— Eu vou explicar tudo com o tempo.
Claude retirou seu relógio de pulso e o jogou em cima da mesa, em frente ao sofá.
— Sente-se. Você está gelada. Eu vou buscar algo quente pra você.
Renata sentou-se no sofá e observou ao redor por alguns instantes. Claude preparava algo na cozinha.
— Eu não acho que ele vá me envenenar...
Naquele instante, o relógio que Claude havia jogado na mesa apitou duas vezes.
— ...Hum?
Após cerca de três minutos, Claude voltou com duas xícaras.
— Você gosta de achocolatado?
— Sim, gosto muito! Obrigada!
Renata pegou a xícara e levou à sua boca.
— Então... Você é Renata Sabine, uma mutante que pode produzir e controlar o fogo, certo?
Renata acenou positivamente.
— Sim... E o seu nome é Claude, não é?
Claude notou que ela só sabia seu nome.
— Deixa eu me apresentar melhor. Eu me chamo Claude Fernandes. Tenho 34 anos e sou um ex-policial. Hoje trabalho para a NEO-Depecom.
— NEO... Depecom? Eu já ouvi esse nome...
— Sim, mas não temos ligação com a Depecom de antes. Somos apenas um grupo que segue seus propósitos.
Renata baixou a cabeça.
— Então... A sua missão era me eliminar?
— Sim, era... Mas como você notou, eu não vou mais fazer isso.
Renata levantou a cabeça e olhou fixamente para Claude.
— Mas... O que te fez mudar de ideia?
— Eu acredito na sua história. Tudo aquilo é verdade, não é?
Renata apenas acenou com a cabeça.
— Certo... Isso é tudo que eu precisava saber... — Disse Claude.
Após terminarem a bebida, Claude se levantou e parou em frente à Renata.
— Mais alguma coisa que você quer saber?
— Sim... Por que você odeia os mutantes?
Claude baixou a cabeça.
— Sabe... Eu pensava que era esse o caso, mas depois de ouvir sua história... Eu não consigo odiar você.
Renata olhou fixamente para Claude.
— Eu acho que eu entendo agora... Eu não odeio os mutantes... Eu odeio um mutante em particular... — Disse Claude.
— Você disse... Quem era mesmo?
— Cris.
Renata parecia tentar se lembrar de algo.
— Cris... Esse mutante... Não é conhecido como o mais poderoso de todos?
— Sim... E é ele quem eu estou perseguindo nos últimos cinco anos.
Claude colocou a mão no rosto.
— Eu tinha um irmão... O nome dele era Guilherme.
— E... O que aconteceu com ele?
— Ele foi mordido por um vampiro cinco anos atrás. Mas ele não queria isso, então foi procurar pela Clara, a menina que podia curar as pessoas.
— Sim, eu a conheço...
— Ele conseguiu encontrá-la, mas o Cris estava lá... E aquele monstro disse que ia matar todos os vampiros da face da Terra. Ele nem sequer deixou o meu irmão pedir por ajuda.
Renata baixou a cabeça.
— Isso é terrível...
— Eu não posso deixar que ele saia impune depois de tudo que fez.
Naquele instante, Renata se lembrou de algo.
— Ah, Claude... O seu relógio...
Claude olhou para seu relógio.
— Ah sim, ele apitou, né? É sinal de que se passou uma hora, e o efeito da MX saiu do meu corpo.
— Espera... O que é MX?
Claude coçou a cabeça.
— Acho que agora eu vou ter que te contar...
Claude pegou uma injeção de seu bolso e mostrou para Renata.
— O que isso faz? — Perguntou Renata.
— Lembra quando você tentou me atacar com fogo e eu não senti nada?
— Sim.
— Eu estava sob efeito disso aqui.
Renata se assustou e sorriu.
— Ah... É como se fosse um antídoto para os ataques de mutantes?
— Sim, mas só dura uma hora.
— Será que funciona em mim? Se eu tomar uma dose, eu também fico imune a outros mutantes?
Claude não tinha a resposta.
— Eu... Nunca pensei nisso...
Claude largou a injeção na mesa.
— Eu tenho umas doses guardadas aqui em casa... Elas vão ter que durar. Eu não sei quando vou conseguir mais, já que só estão disponíveis para os membros da Neo-Depecom...
Renata baixou a cabeça.
— Então... Você não vai mesmo me matar?
— A minha missão era matar uma mutante criminosa... E esse não é seu caso.
Renata se levantou do sofá.
— Claude... Eu...
Renata parecia estar prestes a chorar.
— Ei... O que houve? — Perguntou Claude.
— Nada, é que... Nesses últimos dias eu corri tanto, e... Essa é a primeira vez que eu me sinto totalmente segura... Obrigada!
— Como assim?
— Eu estava sendo acolhida por aquelas pessoas, mas... Eu sinto que você e eu estamos muito mais próximos um do outro.
Claude parecia não entender.
— Minha família foi morta, e eu preciso limpar meu nome... E você precisa encontrar o mutante que matou seu irmão... Nós dois temos nossos problemas... E acho que podemos entender um ao outro bem melhor. — Disse Renata.
Agora Claude compreendeu. Renata estava sugerindo que ambos tinham questões semelhantes.
— Ei, tudo bem... Você pode ficar aqui em casa, mas eu não tenho certeza se estará tão segura assim...
— Claude... Eu quero te ajudar a pegar o Cris!
Claude se espantou.
— O... O quê?
— Eu entendo o que você está sentindo... Eu acabei de perder as pessoas que eu mais amava.
Claude baixou a cabeça.
— Às vezes temos que seguir os caminhos do coração... E o meu me diz que eu tenho que ficar ao seu lado! — Disse Renata.
Claude levantou a cabeça, olhou para Renata e acenou positivamente.
— Certo... Eu respeito sua decisão.
Renata sorriu.
— Você pode confiar em mim, Ok?
Ao terminar de falar isso, Renata se desfez em lágrimas.
— Ei... Por que está chorando?
— Nada, é que... Eu tinha desistido de tudo, estava quase querendo que me matasse... É incrível como as situações mudam de uma hora pra outra, não?
Claude deu um leve sorriso.
— Ei, Renata...
— Hum...?
— E se em troca eu te ajudar a descobrir quem causou o incêndio na sua casa?
Renata se espantou.
— Você... Você tá falando sério...?!
— Sim. Eu descobri uma coisa com você... Eu não odeio mutantes. Eu odeio apenas o monstro que matou meu irmão. E como você mesma disse, eu também sinto que temos uma ligação. O que você acha?
Renata não se conteve. Correu até Claude e o abraçou com força, deixando-o de certa forma envergonhado.
— Claude... Eu...
Renata não conseguiu falar. Apenas chorou tudo que precisava. Em seguida, soltou Claude.
— Então, posso fazer algo por você agora? — Perguntou Claude.
— Ãh... Na verdade... Eu acho que preciso de um banho.
— Sem problemas. Mas... Eu não tenho roupas pra você.
— Não se preocupe, eu posso continuar com essas que consegui na Mansão Mayer.
— Certo. Amanhã nós vamos comprar roupas novas.
Renata estranhou.
— Ãh... Obrigada, mas... Não precisa se preocupar tanto assim comigo.
— Isso é o básico. Não pode usar a mesma roupa pra sempre, certo?
Renata riu.
— Tudo bem...
Claude indicou onde era o banheiro para Renata. Enquanto ela foi para o banho, Claude sentou-se no sofá e tentou entender tudo que estava acontecendo.
Após o banho, Renata foi guiada até um quarto.
— Você pode ficar aqui. — Disse Claude.
Era um quarto simples, com pouca decoração.
— Era o quarto do meu irmão.
— Claude, eu... Não sei se posso ficar aqui. Esse lugar é importante pra você, não é?
— Não se preocupe. Além do mais, estamos juntos agora, não é?
Renata olhou para Claude e sorriu.
— Eu acho que sim.
— Então... Boa noite.
— Boa noite, Claude!
Claude saiu e fechou a porta e pensou por alguns instantes.
— "Então... Aquela que antes era meu alvo, agora é minha aliada...? Eu posso matar o Cris... Com a ajuda dela?"
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