Claude abriu a porta de seu apartamento.

— Entre.

Renata ainda tinha um pouco de medo, mas como não tinha outra opção, resolveu entrar. Claude fechou a porta.

— Então... Você é o homem que estava tentando me matar... O que aconteceu? — Perguntou Renata.

— Eu vou explicar tudo com o tempo.

Claude retirou seu relógio de pulso e o jogou em cima da mesa, em frente ao sofá.

— Sente-se. Você está gelada. Eu vou buscar algo quente pra você.

Renata sentou-se no sofá e observou ao redor por alguns instantes. Claude preparava algo na cozinha.

— Eu não acho que ele vá me envenenar...

Naquele instante, o relógio que Claude havia jogado na mesa apitou duas vezes.

— ...Hum?

Após cerca de três minutos, Claude voltou com duas xícaras.

— Você gosta de achocolatado?

— Sim, gosto muito! Obrigada!

Renata pegou a xícara e levou à sua boca.

— Então... Você é Renata Sabine, uma mutante que pode produzir e controlar o fogo, certo?

Renata acenou positivamente.

— Sim... E o seu nome é Claude, não é?

Claude notou que ela só sabia seu nome.

— Deixa eu me apresentar melhor. Eu me chamo Claude Fernandes. Tenho 34 anos e sou um ex-policial. Hoje trabalho para a NEO-Depecom.

— NEO... Depecom? Eu já ouvi esse nome...

— Sim, mas não temos ligação com a Depecom de antes. Somos apenas um grupo que segue seus propósitos.

Renata baixou a cabeça.

— Então... A sua missão era me eliminar?

— Sim, era... Mas como você notou, eu não vou mais fazer isso.

Renata levantou a cabeça e olhou fixamente para Claude.

— Mas... O que te fez mudar de ideia?

— Eu acredito na sua história. Tudo aquilo é verdade, não é?

Renata apenas acenou com a cabeça.

— Certo... Isso é tudo que eu precisava saber... — Disse Claude.

Após terminarem a bebida, Claude se levantou e parou em frente à Renata.

— Mais alguma coisa que você quer saber?

— Sim... Por que você odeia os mutantes?

Claude baixou a cabeça.

— Sabe... Eu pensava que era esse o caso, mas depois de ouvir sua história... Eu não consigo odiar você.

Renata olhou fixamente para Claude.

— Eu acho que eu entendo agora... Eu não odeio os mutantes... Eu odeio um mutante em particular... — Disse Claude.

— Você disse... Quem era mesmo?

— Cris.

Renata parecia tentar se lembrar de algo.

— Cris... Esse mutante... Não é conhecido como o mais poderoso de todos?

— Sim... E é ele quem eu estou perseguindo nos últimos cinco anos.

Claude colocou a mão no rosto.

— Eu tinha um irmão... O nome dele era Guilherme.

— E... O que aconteceu com ele?

— Ele foi mordido por um vampiro cinco anos atrás. Mas ele não queria isso, então foi procurar pela Clara, a menina que podia curar as pessoas.

— Sim, eu a conheço...

— Ele conseguiu encontrá-la, mas o Cris estava lá... E aquele monstro disse que ia matar todos os vampiros da face da Terra. Ele nem sequer deixou o meu irmão pedir por ajuda.

Renata baixou a cabeça.

— Isso é terrível...

— Eu não posso deixar que ele saia impune depois de tudo que fez.

Naquele instante, Renata se lembrou de algo.

— Ah, Claude... O seu relógio...

Claude olhou para seu relógio.

— Ah sim, ele apitou, né? É sinal de que se passou uma hora, e o efeito da MX saiu do meu corpo.

— Espera... O que é MX?

Claude coçou a cabeça.

— Acho que agora eu vou ter que te contar...

Claude pegou uma injeção de seu bolso e mostrou para Renata.

— O que isso faz? — Perguntou Renata.

— Lembra quando você tentou me atacar com fogo e eu não senti nada?

— Sim.

— Eu estava sob efeito disso aqui.

Renata se assustou e sorriu.

— Ah... É como se fosse um antídoto para os ataques de mutantes?

— Sim, mas só dura uma hora.

— Será que funciona em mim? Se eu tomar uma dose, eu também fico imune a outros mutantes?

Claude não tinha a resposta.

— Eu... Nunca pensei nisso...

Claude largou a injeção na mesa.

— Eu tenho umas doses guardadas aqui em casa... Elas vão ter que durar. Eu não sei quando vou conseguir mais, já que só estão disponíveis para os membros da Neo-Depecom...

Renata baixou a cabeça.

— Então... Você não vai mesmo me matar?

— A minha missão era matar uma mutante criminosa... E esse não é seu caso.

Renata se levantou do sofá.

— Claude... Eu...

Renata parecia estar prestes a chorar.

— Ei... O que houve? — Perguntou Claude.

— Nada, é que... Nesses últimos dias eu corri tanto, e... Essa é a primeira vez que eu me sinto totalmente segura... Obrigada!

— Como assim?

— Eu estava sendo acolhida por aquelas pessoas, mas... Eu sinto que você e eu estamos muito mais próximos um do outro.

Claude parecia não entender.

— Minha família foi morta, e eu preciso limpar meu nome... E você precisa encontrar o mutante que matou seu irmão... Nós dois temos nossos problemas... E acho que podemos entender um ao outro bem melhor. — Disse Renata.

Agora Claude compreendeu. Renata estava sugerindo que ambos tinham questões semelhantes.

— Ei, tudo bem... Você pode ficar aqui em casa, mas eu não tenho certeza se estará tão segura assim...

— Claude... Eu quero te ajudar a pegar o Cris!

Claude se espantou.

— O... O quê?

— Eu entendo o que você está sentindo... Eu acabei de perder as pessoas que eu mais amava.

Claude baixou a cabeça.

— Às vezes temos que seguir os caminhos do coração... E o meu me diz que eu tenho que ficar ao seu lado! — Disse Renata.

Claude levantou a cabeça, olhou para Renata e acenou positivamente.

— Certo... Eu respeito sua decisão.

Renata sorriu.

— Você pode confiar em mim, Ok?

Ao terminar de falar isso, Renata se desfez em lágrimas.

— Ei... Por que está chorando?

— Nada, é que... Eu tinha desistido de tudo, estava quase querendo que me matasse... É incrível como as situações mudam de uma hora pra outra, não?

Claude deu um leve sorriso.

— Ei, Renata...

— Hum...?

— E se em troca eu te ajudar a descobrir quem causou o incêndio na sua casa?

Renata se espantou.

— Você... Você tá falando sério...?!

— Sim. Eu descobri uma coisa com você... Eu não odeio mutantes. Eu odeio apenas o monstro que matou meu irmão. E como você mesma disse, eu também sinto que temos uma ligação. O que você acha?

Renata não se conteve. Correu até Claude e o abraçou com força, deixando-o de certa forma envergonhado.

— Claude... Eu...

Renata não conseguiu falar. Apenas chorou tudo que precisava. Em seguida, soltou Claude.

— Então, posso fazer algo por você agora? — Perguntou Claude.

— Ãh... Na verdade... Eu acho que preciso de um banho.

— Sem problemas. Mas... Eu não tenho roupas pra você.

— Não se preocupe, eu posso continuar com essas que consegui na Mansão Mayer.

— Certo. Amanhã nós vamos comprar roupas novas.

Renata estranhou.

— Ãh... Obrigada, mas... Não precisa se preocupar tanto assim comigo.

— Isso é o básico. Não pode usar a mesma roupa pra sempre, certo?

Renata riu.

— Tudo bem...

Claude indicou onde era o banheiro para Renata. Enquanto ela foi para o banho, Claude sentou-se no sofá e tentou entender tudo que estava acontecendo.

Após o banho, Renata foi guiada até um quarto.

— Você pode ficar aqui. — Disse Claude.

Era um quarto simples, com pouca decoração.

— Era o quarto do meu irmão.

— Claude, eu... Não sei se posso ficar aqui. Esse lugar é importante pra você, não é?

— Não se preocupe. Além do mais, estamos juntos agora, não é?

Renata olhou para Claude e sorriu.

— Eu acho que sim.

— Então... Boa noite.

— Boa noite, Claude!

Claude saiu e fechou a porta e pensou por alguns instantes.

— "Então... Aquela que antes era meu alvo, agora é minha aliada...? Eu posso matar o Cris... Com a ajuda dela?"