No dia seguinte, Renata se reuniu com todos os outros na mesa para tomarem o café.

— Eu tenho que confessar uma coisa para vocês... Me dá muita felicidade ver tanta gente reunida aqui de novo! — Confessou Aristóteles.

Metamorfo riu enquanto passava manteiga em um pão.

— É, o clima aqui tá muito bom mesmo!

— A gente devia se reunir mais vezes. — Disse Aquiles.

Renata, embora estivesse adorando a ocasião, ainda se sentia meio como uma estranha.

— Renata, você quer falar algo pra nós? — Perguntou Gór.

— Ah? Não é que... Eu ainda estou um pouco confusa com tudo isso.

Danilo riu.

— Não se preocupa com isso, Renata. Aqui tem vários como você.

— Exato! Boa parte aqui sabe o que é ser um mutante. — Disse Tarso.

Renata baixou a cabeça.

— Não é isso, pessoal...

Batista notou que Renata estava preocupada com alguma outra coisa.

— Então... O que tá te incomodando?

— Eu... Ainda não sei o que aconteceu naquela noite...

A imagem do fogo consumindo sua casa voltou na cabeça de Renata.

— Renata... Não pense nisso por enquanto! Temos que focar na sua segurança. — Disse Aristóteles.

Renata levantou a cabeça.

— Sim... Certo.

— Então come alguma coisa, senão você não vai ter força mais tarde. Saco vazio não para em pé. — Disse Metamorfo.

— Ah... Sim!

Renata pegou algumas torradas que estavam em uma tigela.

— Mas afinal... Como me encontraram ontem à noite?

Batista terminou de beber uma xícara de café.

— Foi por causa do Guiga.

— O Guiga? — Perguntou Renata, espantada.

— Bem, mais ou menos... O Aristóteles já tinha visto o noticiário sobre o incêndio e a sua fuga. Foi quando ele pediu pra todo mundo se juntar aqui. O Tarso tratou de trazer o pessoal que estava mais longe. Depois, ontem à noite o Guiga ligou avisando que você estava na casa dele, mas teve que fugir. Foi quando eu, ó!

Batista fez um gesto batendo uma mão na outra, indicando que teve que correr. Foi engraçado.

— Eu tratei de correr até lá pra tentar te achar. Felizmente eu desconfiei que você ia parar em algum lugar escondido, mas não pensei que ia te achar desmaiada. É broca, bicho.

— Você teve sorte que o meu pai te encontrou. Vai saber o que teria acontecido.

— Disse Tarso.

— É, mas você está segura agora... A propósito, cadê o Pepe? — Perguntou Aquiles.

— Ele disse que umas coisas pra cuidar em casa. — Respondeu Aristóteles.

O café da manhã correu normalmente.

Mais tarde, Renata estava na sala, junto com Tarso e Danilo.

— Então, você pode controlar o fogo? — Perguntou Tarso.

— Sim... Posso criá-lo e controlá-lo... Mas não sei se quero fazer isso novamente...

Danilo interrompeu.

— Ei, você não teve culpa daquele acidente! Não deve pensar assim.

— Mas o seu poder não pode machucar tanta gente assim, Danilo... Você tem habilidades acrobáticas. Eu por outro lado posso causar tragédias terríveis.

Tarso fez um gesto para que Renata parasse.

— Não diga isso, Renata! Você não deve ver seus poderes como se fossem uma maldição.

— É verdade. Todos os mutantes podem decidir se vão pelo lado do Bem ou do Mal. É uma escolha sua. — Disse Danilo.

Renata baixou a cabeça. Naquele instante, a porta se abriu. Pepe e Batista entraram.

— Boa tarde, pessoal! — Disse Pepe.

— Pepe! — Gritou Danilo.

Batista fechou a porta enquanto Pepe se aproximou do grupo.

— Boa tarde, Renata... Como está se sentindo hoje?

— Um pouco melhor... Obrigada, Pepe!

— Eu tenho boas notícias! Consegui falar com a Maria.

Todos se interessaram.

— A Maria? — Perguntou Danilo?

— Sério?! — Perguntou Tarso.

— Sim! Ela disse que estão pretendendo vir pra cá também!

Aristóteles, Gór e Metamorfo entraram na sala.

— Opa, é sério isso? — Perguntou Aristóteles.

— Totalmente sério, Aristóteles! Maria, Marcelo, Tatiana e as crianças estão vindo pra cá em breve.

— Pensa numa casa cheia. — Disse Metamorfo.

Renata baixou a cabeça.

— O que aconteceu, Renata? Você ficou triste? — Perguntou Gór.

— Mas por quê? Isso é motivo pra muita alegria! — Disse Aristóteles.

— É que... Cada vez mais está parecendo que o que aconteceu cinco anos atrás vai se repetir...

Danilo cruzou os braços.

— Ei, vira essa boca pra lá... Nada de mal vai acontecer!

— Eu... Espero que não... Mas se a Maria e o Marcelo estão voltando... Acho que sentiram que algo ruim pode estar se aproximando.

Tarso cruzou os braços.

— Não pense assim, Renata! E mais, se eles estiverem aqui, podemos derrotar qualquer ameaça!

O clima era de alegria, mas Renata ainda estava insegura.

A noite estava chegando. Renata desceu as escadas. O grupo todo parecia apreensivo.

— Pessoal... O que está acontecendo? — Perguntou Renata.

— Um carro estranho parou aqui... — Disse Aristóteles.

— Carro estranho...?

Usando sua super-visão, Ágata olhou pela janela e conseguiu enxergar parte do carro.

— É um homem de jaqueta... Ele está sozinho.

— É o mesmo que me seguiu na casa do Guiga... — Disse Renata.

Renata baixou a cabeça. Tarso se aproximou.

— Renata, eu vou te levar pra algum lugar seguro!

— Mas... Ele vai atacar vocês.

Metamorfo riu.

— Nem todos. É só eu fazer isso aqui!

Metamorfo se transformou em uma cópia exata de Renata. A campainha tocou.

— Ãh?! — Disse Renata assustada.

— Eu vou lá pra cima. Qualquer coisa, se ele insistir... Eu sou você.

— Bem pensado, Meta! — Disse Aquiles.

A campainha tocou de novo.

— Eu vou ter que atender! — Disse Batista.

— Rápido com o plano! — Disse Gór.

— A gente cuida do resto. — Disse Danilo.

Batista foi até o portão. Pepe estava sentado em sua cadeira.

— Nós vamos segurá-lo enquanto vocês fogem. — Disse Pepe.

Não havia mais tempo. Tarso colocou seu capuz, abraçou Renata gentilmente, e os dois desapareceram no ar.

Tarso e Renata apareceram em uma praça, debaixo de uma árvore. Não havia ninguém por perto.

— Chegamos! Desculpe, eu não pude pensar em um lugar melhor.

— Tudo bem...

Tarso colocou o capuz de volta.

— Eu vou ter que voltar... Desculpe, eu volto pra te buscar quando ele...

Renata interrompeu.

— Não, tudo bem... Eu não quero colocá-los em perigo.

Tarso se espantou.

— Mas...

— Por favor, volte! Eu quero ficar sozinha...

Tarso não entendeu, mas precisava voltar pra mansão imediatamente. Então, com um pulo no ar, desapareceu.

— Eu não quero que outros fiquem em perigo por minha causa...

Renata caminhou pela praça e se sentou em um banco.

— ...O que eu faço com a minha vida... Eu não quero correr e me esconder pra sempre...

Renata colocou as mãos no rosto e passou a chorar.