Notas iniciais
Escrito pela filha de Darth Vader, Beatriz. Antes de qualquer coisa, muitíssimo obrigada à linda da jaaqii pelo comentário que me fez a pessoa mais feliz do mundo.

Os primeiros dias no orfanato foram o que eu continuo a titular de introdução ao inferno. Não que eu não esperasse que não olhassem para mim e não dessem atenção ao garoto novo, mas depois de uma semana o orfanato de estudantes com sorrisos no rosto pareceu sumir e deixar uma escola assombarda por caras cansadas, tristes e miseráveis. O amigável cordenador era o pior de todos. Eu notei isso já nos primeiros dias.

Eu voltava do refeitório em direção ao meu quarto. Para evitar os corredores cheios de pessoas eu havia decidido tomar a escada leste que passava pela secretária. A porta estava fechada e eu teria continuado meu caminho acompanhado pelo barulho do meu relógio de bolso se outro som não tivesse alcançado meus ouvidos. Havia choro e alguns pedidos abafados de perdão. Me escondi atrás de um dos poste e alguns minutos depois um menino menor que eu abriu a porta. Observei a cara severa do cordenador e a cara vermelha do menino de tanto chorar. Ele ajeitava a blusa que não escondia uma marca enorme. O menino fechou a porta e olhou para mim. Arregalei os olhos e saí correndo para o meu quarto que ficava no andar mais alto. Me tranquei no quarto e tentei não perder o ar.
Andei até a janela e observei o pátio cheio de neve, mas nenhuma criança brincando nela. Algo estava extremamente errado. E ai, todas as minhas perguntas tiveram uma resposta.

"Matt, abra a porta, venha jantar." A voz de Mrs Mc Breen falou por detrás da porta do meu quarto.

"Eu não quero ir!" Gritei e ouvi um resmungo.

"Não me faça a abrir por você" Ela respondeu.

"Eu quero ir embora!" Respondi o mais alto possível. Silêncio.

Arregalei os olhos com o barulho de chaves do outro lado da porta e corri para dentro do armário. Fechei a porta e me abracei escondido até o barulho de uma chave fazer um click na fechadura e a porta se abrir. Senti minha respiração ficar descompaçada e notei a bomba relógio dentro do meu bolso fazendo seu tic tic usual.

"Cadê você garoto? Você está tão encrencado" Ela falou se aproximando da porta. Comecei a gritar enquanto tudo ficava preto.

Acordei com o barulho do meu relógio de bolso e ia me espreguiçar quando notei que estava no colo de Mrs Mc Breen dentro da sala do cordenador, suas mãos me impedindo de mexer.

O cordenador dispensou-a e ela me deixou na cadeira. Os olhos de cordenador eram como gelo e eu me mantive congelado no lugar.

"Inaceitável." Ele murmurou por baixo do folego. "O que você fez foi inaceitável! Você já deveria estar acostumado com as normas dessa escola!"

"Eu não quero! Eu quero ir embora!"

E ai eu me perguntei por que eu queria saber o que o cordenador fez com o primeiro garoto. Senti uma mão aspera bater na minha cara.

"Cale a boca."

"Eu quero a minha mãe!" Respondi cuspindo na sua cara e tentando segurar as lágrimas mornas de dor nos meus olhos.

"Ela morreu." Ele respondeu sorrindo e apenas parando de mostrar seus dentes levemente amarelados para andar até o armário virado para sua mesa que eu ainda não tinha notado. Tremi ao ver ele se aproximar novamente com o objeto.

O tempo me educou mais do que qualquer uma das aulas do orfanato de crianças super dotadas. O coordenador sorria nos seus primeiros dias como todas as outras crianças, isso até alguém fazer algo errado e o caos reinar. Naturalmente todos se esforçavam o máximo para se manter dentro do padrão do orfanato: se mantenha calado e obedeça as regras. As crianças eram estranhas, assustadoramente estranhas, robozinhos que só mostravam os sentimentos de competição e tristeza. Elas me assustaram tanto que eu decidi que não queria ter nada a ver com elas e me afastei o máximo possivel. Com o tempo me ajustei à novidade de não ser o centro de atenções como na minha antiga casa... como se essa fosse a minha atual casa... E começei a gostar de não ter a atenção das outras crianças, do coordenador e, eu gosto de pensar, que isso manteve alguma chama, mesmo que minuscula de entender o que realmente acontecia ali e quebrar todas as regras.