Os Meninos do Orfanato
7 Aposta
Notas iniciais
Obviamente, eu não havia pego seu relógio, eu roubava coisas, mas aquilo não era o tipo de coisa que me interessava, e suas acusações me deixaram um tanto irritado, mas não ia deixar transparecer, então, forcei uma cara de tristeza e soltei um "claro" baixinho. "Aqui, toma", disse levando a mão ao bolso, reparei que ele se aproximava e me observava. Retirei a mão fechada com a palma para baixo e esperei ele se aproximar mais, quando chegou bem perto dei um murro em seu braço e gritei "Claro que não seu idiota", e logo controlei meu tom, "vamos procurar", disse com ar de desinteresse.
A questão era, onde esse relógio maldito havia se enfiado? Eu precisava encontra-lo ou não participaria da caça ao tesouro.
Mat semicerrou os olhos e pude ver suas bochechas pálidas por falta de sol ficarem vermelhas e cuspir suas palavras em minha face.
"O que faz você pensar que preciso da sua ajuda?"
Eu sabia que a pergunta era retórica então me poupei de responde-la e apenas revirei os olhos, entediado.
"Eu sou o melhor detetive na droga deste orfanato e eu não preciso de ajuda de pessoas da rua." Ele falou revirando os olhos. O menino de cabelos cor de corvo não parecia fazer muita questão de seu título, era óbvio que só queria me humiliar.
Agora ele definitivamente tinha passado dos limites.
"Eu duvido que seja melhor que eu e... Bom, você não parece ter total controle de sua mente no momento ", disse em tom provocativo enquanto segurava o riso. O engomadinho me encarou sério e inclinou a cabeça ao mesmo tempo que mantinha os punhos fechados colados ao corpo. Respirou pesadamente e finalmente falou.
"O que você quer dizer com isso? Eu sou melhor que você até sem metade do meu cerebro funcionando."
Como alguém pode manter seu ego tão elevado até em tais circunstâncias?
"Na verdade, já tivemos uma experiencia, péssima por sinal, com você e apenas meio cérebro, já que metade evaporou junto com o seu relógio, não é mesmo?"
Percebi que ele estava prestes á entrar em uma briga novamente mas se acalmou e apenas alisou o tecido da camisa e olhou para cima.
"Eu não preciso da sua ajuda. Minha lista de suspeitos já está pronta e eu terei meu relógio de volta antes das nove e meia."
Mas pude ouvir seu suspiro.
"Isso é uma aposta?", aquilo com toda a certeza era uma aposta, dei um sorriso maldoso.
"Com toda certeza." O menino com os olhos esverdeados respondeu, orgulho estampado em seu rosto. "Isso é, se você conseguir achar meu relógio e não ficar com ele."
Não me importei muito com a ofensa e respondi.
"Ah, pode apostar que não, não perderia o prazer de esfrega-lo, na sua cara nem por rios de ouro... quer dizer... bem, você me entendeu"
Ah! Droga, isso me faz parecer mais errado ainda!
Mat revirou os olhos e cruzou os braços. "Triste para você, detetive das ruas por que eu sou o melhor dos melhores nesse orfanato." Ele sorriu de leve para o chão com seu título. A repetição de seu título deixou muito óbvio que ele estava perdido, mas nunca admitaria. "Eu apertaria sua mão, mas você sabe como é... Eu não estou com luvas e não quero pegar a peste." Com isso o menino se virou para o corredor e voltou a andar.
"Sujeitinho egocêntrico", Falei alto o suficiente para que ele me ouvisse, mas ele não pareceu se importar, cruzei os braços e o observei sumir pelos corredores.
Fale com o autor