Os Marotos: O Lobo e a Águia
2 Capítulo 2
Havíamos chego três dias antes do trem partir para Hogwarts, nos hospedamos em um hotel aconchegante na Londres Trouxa. E logo pela manhã nos dirigimos para a parte bruxa. Meu pai havia dito que nos levaria ao melhor centro de compras bruxa e como era lugar perfeito para encontrar tudo o que eu precisasse pra meu ano letivo.
Então chegamos ao Beco Diagonal e eu estava praticamente saltitando entre as lojas. Os prédios eram bem coloridos, e acho que nunca tinha visto tantas pessoas numa rua antes. Também havia muitas crianças e adolescentes além dos adultos.
"Devem ter vindo comprar as coisas para começar o ano em Hogwarts" me explicou mamãe.
Eu estava segurando nas mãos dos meus pais, tinha medo de me perder, mas ao mesmo tempo estava eufórica. Era tudo tão novo para mim! As lojas num clássico estilo arquitetônico londrino, mas com cores vibrantes e alegres! Podia ver pelas enormes janelas a magia acontecendo dentro das lojas. Eu estava encantada.
Meu pai então nos guiou até a primeira parada, que seria uma livraria chamada Floreios e Borrões. E confesso que o fato dela ser uma livraria mágica condizia com a aparência dela, já que estava tão abarrotada de livros que só magia para não trazer tudo ao chão. A lista continha livros que a professora McGonagall entregou continha alguns livros que meu pai já possuía, que estavam devidamente arrumados em um dos malotes que deixamos na hospedagem.
"Inclusive... Eu tenho uma cópia original e assinada de Animais Fantásticos e Onde Habitam" papai me disse enquanto andávamos no corredor procurando os outros livros "Eu pude realizar uma pesquisa com o próprio Newt quando eu tinha meus vinte anos, ele era excêntrico, mas uma pessoa extraordinária e inteligente"
Minha mãe conversou com a atendente enquanto eu e meu pai pegávamos tudo o que eu precisaria, ela não era a mais adepta a ler (a não ser que fossem livros de culinária, destes ela gostava). Confesso que acabamos exagerando e comprando livros que não continham na lista, mas os títulos "Tudo o que deve saber sobre Hogwarts" e "Guia Estudantil Iniciante" faziam muito sentido de levar.
A segunda parada foi guiada pela minha mãe, que insistiu que era a hora dela fazer sua parte. Então nós dirigimos a loja da Madame Malkin, afim de pegar roupas novas para o ano e meu uniforme. O uniforme consistia em peças de cores neutras, cinzentas, brancas e pretas, e saia plissada para as garotas.
Eu já estava começando a ficar cansada depois que saímos da loja, era estranho estar ao redor de tanta gente. Para me animar minha mãe me levou para tomar um sorvete num lugar chamado Florean Fortescue, que era um prédio amarelo com bastante janelas para iluminar.
Enquanto meu pai foi fazer nossos pedidos eu me sentei numa mesa mais afastada com minha mãe. Nos acomodamos e percebi que ela me encarava.
"Anelia querida..."
Olhei para ela e sua expressão estava severa e um pouco preocupada.
"Eu sei que está animada com a escola e tudo mais, mas precisamos conversar a respeito disso, tudo bem?"
Eu balancei a cabeça em concordância
.Eu sabia que ela estava se acostumando com a ideia de eu ir para longe estudar, então esperava já que ela fosse dizer algo.
"Há algumas regras que preciso que siga enquanto estiver em Hogwarts, tudo bem?" Torci o nariz, mas assenti com a cabeça.
"Em primeiro, é de extrema importância que não fale para ninguém sobre ser metade Veela, não sabemos como seus colegas podem reagir... Temos sorte de não ter nenhuma característica usual física que nos entregue" Ela passou e respirou.
Eu sabia que essa regra era importante para ela, meu pai me disse várias vezes que não eram todos os bruxos que aceitavam aqueles que eram mestiços. Muitos mestiços de outras criaturas mágicas não eram muito bem aceitos na sociedade, como mestiços de Gigantes ou até Duendes. Mas a diferença entre nós é que a aparência física de uma mestiça como eu era praticamente comum com alguém totalmente bruxo, embora tivesse herdado a beleza inigualável da minha mãe.
"Em segundo lugar, preciso que sempre tente manter a calma... Sempre! Não sabemos até onde se manifestará a parte Veela em ti, como são descobertas com poucos registros, não sabemos se em um ataque de fúria poderá se transformar como eu" Ela respirou fundo.
Esse também era um outro tópico importante. Afinal, por causa disso e além dos riscos por ter nossa magia roubada (sendo mortas no processo) que elas preferiam viver afastadas nas florestas.
Uma Veela com raiva fazia sua forma Harpia aparecer, seus rostos se alongavam em cabeças de pássaros com bicos cruéis e longas asas escamosas brotavam de seus ombros, seus braços e suas mãos também pareciam pegar fogo com a capacidade de lançar bolas queimantes em seus alvos. Durante as festas que dávamos as vezes no nosso quintal, pude presenciar uma ou duas transformações de minhas tias em brigas cruéis.
"Também quero que escute sempre o que seus professores digam, não queremos receber nenhuma carta de mal comportamento, certo?"
Sua última sugestão parecia ser uma preocupação normal de pais, algo que eu poderia lidar com tranquilidade.
Eu balancei a cabeça a cada novo tópico que ela acrescentou na lista, não seria difícil segui-los de todos os modos.
"E por favor" Passou a mão pelo meu rosto
"Tome cuidado, estaremos longe, mas a qualquer sinal de perigo voarei imediatamente para você!" Olhei em seus olhos e percebi que começaram a marejar.
"Tudo bem mamãe, tomarei cuidado!"
Mal terminei de dizer as palavras e papai apareceu em nossa mesa trazendo sorvetes coloridos para todos. Ele olhou para minha mãe, que tentava se acalmar, e a abraçou de lado.
"Creio que já tivemos nossa lista de recomendações por hoje" ele comentou e sorriu.
Provavelmente eles já haviam conversado antes dela me dizer algo. Devendo ter ficado a ela a responsabilidade de me contar.
O doce me animou, e senti que o açúcar foi como ter recuperado as minhas energias. Um alívio ao meio do estresse das compras.
Logo em seguida fomos para a segunda parte do meu dia, a procura do caldeirão (que estava bem especificado que deveria ser de estanho), um conjunto de frascos para poções, telescópio (achei incrível de ter), e uma balança de latão. Todos os objetos foram encontrados sem muita complicação.
"Para onde?" Papai perguntou, assim que saímos da loja.
"Bem" minha mãe pegou a lista novamente "Aqui diz que pode levar um animal de estimação, contanto que seja um sapo, uma coruja, ou um gato".
"Você vai querer um animal Anelia?" indagou meu pai.
Eu pensei por um instante.
"Não sei, eu gosto de todos os animais" falei com sinceridade.
Meu pai sorriu diante minhas palavras.
"Acho que vamos a procura então" disse ele.
Foi ao norte do Beco Diagonal que encontramos o petshop ''Animais Mágicos'' .
Foi um pouco difícil de entrar, haviam pessoas entrando e saindo de lá toda hora, e nos esprememos pela porta.
O lugar era simples, com as paredes de pedra e muitos objetos para animais espalhados. Além, é claro, os próprios animais divididos em gaiolas magicas e espaços feitos especialmente para eles, para garantir a segurança deles e das pessoas que entravam. Todos eles também tinham água e comida separada.
E haviam muitos deles. Tantos que provavelmente levaria um bom tempo para contar. Haviam varias espécies de gatos, corujas, sapos, coelhos, até pequenos marsupiais como camundongos. Também haviam alguns excêntricos animais de estimação mágicos (que também eram bem mais caros).
Mas o surpreendente não foi isso, e sim a quantidade de vozes que eu escutei ao entrar.
Todos os animais estavam visivelmente agitados pela oportunidade de serem comprados e saírem de lá. Eu ouvia frases como ''Me leva!'', outras ''Eu gostei de você também!" ou até mesmo "Eu estou com sono, me deixem dormir!".
E isso era completamente novo. Geralmente eu mal escutava os animais em casa, já que eles viviam na floresta e apareciam apenas para falar comigo. Era uma sensação nova, mas estranha. Tanto que tive que cobrir meu ouvidos por um momento, abafando o som, para que eu pudesse me concentrar nos meus próprios pensamentos.
Vendo isso, minha mãe me puxou para um local com poucas pessoas no fim da loja, e com poucas gaiolas também. Ali estava mais calmo e silencioso.
"Tudo bem?" meu pai perguntou vindo logo ao nosso alcance.
Minha mãe me olhou esperando a minha resposta.
"Sim" disse um pouco depois "É só que eles estão um pouco agitados... É diferente de casa"
Meu pai se abaixou um pouco para ficar da minha altura.
"Acha que podemos ver algum animal para você, qual você gostaria?"
Pensei por um momento, e me lembrei das corujas que passavam perto de casa no verão.
"Acho que uma Coruja Suindara seria legal" comentei.
"Ótimo, irei ver se eles tem alguma, tudo bem?" disse ele.
"Sim pai, obrigada" respondi com sinceridade.
Minha mãe ficou ao meu lado, enquanto meu pai voltava para a parte mais agitada. Ela começou a olhar os objetos ao nosso redor, e eu resolvi seguir ela.
Olhei ao meu redor, nas gaiolas que estavam perto. Havia algumas corujas dormindo nelas, e eu não conseguia entender como conseguiam... Bem já deviam estar acostumadas com o alto barulho. Eu suspirei alto, um pouco inquieta.
"Que irritante" escutei uma voz dizendo.
Olhei ao redor, mas só haviam as gaiolas. Então procurei dentro delas para ver quem falou. Até que encontrei um gato preto de olhou amarelos deitado preguiçosamente dentro de uma delas. Era uma gaiola grande e havia uma almofada para ela.
"Olá" disse agachando até ficar na mesma altura que o animal estava.
O gato apenas virou o rosto, claramente decidido a me ignorar.
"Olá!" tentei novamente, um pouco mais alto.
O gato continuou com o rosto virado, então pensei em cutucar seu rabo que estava perto da minha mão. Ato que o gato desaprovou completamente quando me olhou com sua feição brava.
"Não me toque coisinha irritante!" ranhou ela.
"Eu não sou irritante!" respondi "Você que é!"
Minha mãe me olhou neste momento, observando minha interação com o felino. Mas logo voltou a sua concentração nos objetos que mexia antes.
A surpresa foi instantânea, e vi o pequeno arregalar os olhos, que pareciam até dourados.
"Você me entendeu?" Perguntou.
Eu balancei a cabeça afirmativamente.
"Surpreendente" elogiou ela "Embora tenha cara de tola, como qualquer outro bruxo" completou.
Eu torci o nariz para ela.
"Não é legal ofender os outros" reclamei.
A gata lambeu a pata e me olhou.
"Você pode ter razão, mas ainda parece uma garotinha tola"
"E você é um gato muito chato!" retruquei.
O animal então se moveu de sua almofada e se sentou na minha frente.
"Gata!" me encarou "Sou a Marquesa Maria Antonietta de Habsburgo III, da Aústria" e estendeu a pata em minha direção.
"Bem, prazer! Sou Anelia Stolov... Primeira... " franzi o cenho "Eu acho..." Eu segurei a pata de bom grado, sorrindo para ela.
"Mas acho que o seu é um nome muito grande para um gato, não?"
A gata bufou e se soltou de minha mão.
Coloquei meu dedo indicador no meu queixo, pensativa.
"Posso te chamar apenas de Maria? Ou de Antonietta? Não tenho certeza se lembrarei de tudo" confessei.
"Bom, nesse caso, aceitarei que me chame apenas de Marquesa!" disse ela "Afinal... Vocês bruxos não foram criados para ser da realiza felina... Mas aceitarei apenas isso!"
Eu concordei, afinal a gata parecia muito aristocrática para menos, até a maneira que se movia em seu próprio espaço lhe dava um ar de nobreza.
Conversei com a felina enquanto esperava meus pais. Ela era claramente inteligente, e fora que muito bem educada, quem quer que tenham sido seus antigos donos lhe davam um excelente tratamento. Não perguntei como ela foi parar no petshop, e ela também não fez menção de falar. Mas pude notar, olhando para ela, que ela estava levemente grata por ter alguém para conversar, mesmo que vez ou outra ela me chamasse de irritante.
Meu pai apareceram um pouco depois, mas não tinham nenhum animal com ele. Minha mãe foi até ele, que falou algo baixinho.
"Anelia querida" mamãe me chamou, se aproximando "Infelizmente eles não tem mais as Suindaras, mas ele disse que a poderíamos achar em outro lugar"
Olhei para meus pais e em seguida olhei de volta para a Marquesa. Observei que a mesma havia baixado as orelhas, em um claro sinal de tristeza.
"Bem, acho que sua mãe está te chamando para ir em outro lugar bruxinha" A gata virou de costas, indo se deitar em sua almofada.
Mordi os lábios pensativa, e tive uma clara ideia do que poderia fazer.
"O que acham desta?" indiquei a Marquesa com a mão. E a mesma virou a cabeça me observando.
"Ela é bem bonita" incentivou minha mãe, e meu pai se limitou a sorrir.
Então olhei a Marquesa diretamente nos olhos.
"O que acha de vir para Hogwarts comigo?" perguntei, e vi suas orelhas se levantarem em surpresa.
"Claro" ela disse animadamente sorrindo de uma maneira felina, mas logo recuperou a pose.
"Acho que isso é um aceito" papai disse para minha mãe "Irei ver a papelada dela então, vocês vão pegar as coisas para ela!" e assim ele se afastou indo para a parte movimentada novamente.
Acabamos comprando todas as coisas que a Marquesa precisaria, e claro, ela palpitou em tudo no meu colo, escolhendo todas as coisas, não aceitando nada diferente (ou a minha opinião). Mas estava contente pelo ocorrido.
Acabamos terminando um pouco tarde, então fomos direto para a hospedagem. Arrumando tudo o que tínhamos comprado e revendo a lista, anotando tudo o que faltava para comprar no dia seguinte.
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