Os Marotos: O Lobo e a Águia
3 Capitulo 3
Notas iniciais
O dia seguinte no Beco Diagonal passou rápido. Rápido até de mais. Acredito que por causa da agitação das últimas compras que faltavam para levar. Mas não posso dizer que não foi tão excitante quando o primeiro dia.
Como quando fomos na Varinhas Olivaras e eu descobri que minha mãe já havia entrado em contato com ele para fazer uma varinha sob medida para mim. Minha mãe havia dado um fio de cabelo próprio para o processo. Mas esse não havia sido arrancado e sim caído com o tempo, mas minha mãe o guardou e levou ao Senhor, e sendo uma parte dela, sua mágica ficou concentrada no fio e com isso ele conseguiu a utilizar como núcleo para a varinha. Eu fiquei surpresa com minha mãe me presenteando assim, e fiquei extremamente contente. A Varinha foi feita a partir de madeira de Sabugueiro, com núcleo do fio de Veela, inflexível e medindo 24 centímetros. O Sr. Olivaras disse enquanto testava a varinha, que elas sempre escolhem seu dono, mas a minha varinha por aparentemente ter me reconhecido, agiu como se fosse meu próprio núcleo mágico, e o artesão se sentiu maravilhado, dizendo que uma varinha nunca havia aceitado tão bem um bruxo como a minha.
Minha mãe fez questão de comprar mais algumas roupas dizendo que as precisaria durante o ano, e arrumou minha bagagem umas cinco vezes até a hora de partirmos para a plataforma.
A Estação King Cross ficava numa parte trouxa de Londres, mas o mais incrível foi quando eu vi que para ir para a plataforma 9 ¾ eu precisaria atravessar uma parede entre as plataformas 9 e 11. Meu pai, que já conhecia o caminho foi primeiro, correndo o mais rápido que podia. Confesso que inicialmente eu me assustei, pensando que ele ia bater, mas ele sumiu engolido pela parede.
Minha mãe me disse que iria logo após eu entrasse. Então segurei o carrinho que estava com as minhas coisas o mais forte que podia e respirei profundo. Sorte da Marquesa que ela estava numa gaiola de transporte própria para gatos (que continham todo conforto que ela precisaria), além dela estar dormindo não tinha mais nenhuma preocupação a não ser chegar na escola. Então, reuni coragem e corri. A sensação foi vertiginosa e me causou um leve embrulho no estomago.
A visão que tive do trem ao cruzar a parede me deixou animada. Ele era imenso, nas cores vermelha e preto. Com muitos vagões e os letreiros ''Expresso Hogwarts escrito na frente.
Havia muitas famílias lá. Pessoas mais velhas utilizando o uniforme, da minha idade, e os pais acompanhando.
A realidade bateu, eu estava indo, e sozinha. Bem, não completamente, Marquesa também ia, mas eu estaria deixando meus pais por meses. Em um outro país, longe de casa e tudo o que conhecia.
Pânico começou a se instalar em mim, e meu pai reparou quando comecei a respirar pesadamente.
Ele se abaixou e colocou as mãos em meus ombros.
"Calma Anelia, respire fundo" e imitou os movimentos de inspirar e soltar de maneira lenta.
Eu o imitei, como ele queria, mas não estava resolvendo. Meus olhos se encheram de lagrimas.
"Não está funcionando" disse me desesperando.
"Querida" minha mãe se abaixou ao nosso lado e me abraçou.
"Está tudo bem, respire comigo sim?" meu pai tentou novamente.
Eu fechei meus olhos com força e me concentrei neles. Embora os barulhos altos estavam por toda parte, eu consegui me concentrar nas mãos do meu pai e no abraço de minha mãe. Pude sentir meus batimentos diminuírem e algumas lagrimas caírem.
"Você quer voltar pra casa?" minha mãe perguntou.
Eu queria ir, eu realmente queria ir. Então balancei a cabeça com força negando repetidamente. Ela me olhou preocupada, como se quisesse me tirar de lá. Mas meu pai colocou a mão em seu ombro, e quando ela o olhou ele balançou a cabeça.
"Minha filha" começou ele "Eu sei que é um passo novo e assustador, mas você realmente quer isso?" balancei a cabeça afirmativamente "Eu e sua mãe estaremos aqui para te buscar no fim do ano letivo, e nos feriados podemos passar com seus avós, já que não é tão longe quanto nossa casa. Mas te garanto que você vai se divertir, e aposto que fará amigos novos, sim?"
Respirei fundo e sorri para eles.
Minha mãe abaixou a cabeça, pensativa e segurou minhas mãos firme.
''Vai dar tudo certo'' disse ''Eu amo você querida".
"Eu também amo vocês!" respondi, ainda sorrindo.
Meus pais caminharam comigo até a entrada do trem, onde havia um maquinista recolhendo os bilhetes dos novos alunos, e conferindo seus nomes numa lista. Meu pai conversou com ele e entregou minhas bagagens enquanto minha mãe me ajudou me entregou a caixa da Marquesa e passou as mãos ajeitando meu cabelo.
"Você está maravilhosa" disse ela "Me escreva toda semana, três vezes na semana, nem que seja para falar que a Marquesa andou aprontando!"
"Está na hora dela entrar" falou meu pai se aproximando novamente.
Ambos me deram abraços fortes e apertados, sussurrando palavras de encorajamento para mim, e eu retribui os abraços com toda força que eu tinha. Quando nos separamos, eu reuni minha coragem e subi no trem.
Eu andei pelo corredor dos vagões com o coração na mão. Havia muitas pessoas, e eu perdi a noção de quantas vezes tive que desviar, até achar um vagão vazio. Entrei nele suspirando alto, colocando a caixa da marquesa em um dos bancos e sentando ao seu lado, com o braço apoiado na janela do vagão.
Tentei, inutilmente, ver meus pais na multidão pela janela. Até que o apito do trem soou, e aos poucos ele começou a se mover.
Fazia cerca de cinco minutos que eu observava a janela.
"Já chegamos?" perguntou minha gata aparecendo na porta da gaiola transportadora. Neguei a retirando de lá e a coloquei no estofado no meu lado. Ela se aconchegou em mim, e voltou a dormir.
A porta foi aberta abruptamente e eu olhei em sua direção, havia uma garota lá.
"Oh, desculpe, pensei que estava vazio!"
A menina era baixa, aparentemente menor que eu, possuía cabelos alaranjados presos em duas tranças e pele clara, com muitas sardas em seu rosto e pescoço. Ela possuía os olhos castanhos, contrastando com sua aparência, e vestia um uniforme um pouco desgastado, e parecia muito grande para sua forma.
"Posso me juntar a você?" perguntou sorridente, com um sorriso de orelha a orelha.
Ela nem sequer esperou eu responder e colocou suas coisas no banco a minha frente. Ajeitando a saia plissada preta e se sentando em seguida.
Ela me observou por um momento e estendeu a mão.
"Olá! Eu sou Aurora, Aurora Weasley! É um prazer te conhecer.
Eu fiquei incerta em apertar sua mão por um momento. Porém ela parecia radiante, quase como se toda energia que estivesse dentro dela fosse explodir.
"Anelia Stolov..." respondi calmamente e apertei sua mão.
Marquesa se mexeu com o movimento que eu fiz, o que resultou na garota seguindo seu olhar até ela.
"Oh Meu Merlin!! Um Gato!!" exclamou ela, e como se fosse impossível seu sorriso se intensificou mais ainda.
Ela estendeu as mãos e pegou Marquesa do assento, que se assustou e acabou arranhando as mãos da garota. Entretanto ela não pareceu notar ou se importar, pois colocou minha gata em seu colo e afagou seu pelo.
"Mas o que?..." disse a gata em um tom raivoso, que logo se dissipou ao sentir as carícias que Aurora começou a fazer nela.
Eu fiquei um pouco em choque com a atitude inesperada. E sem reação também. Franzi o cenho olhando para ela.
"Me desculpe!" disse ela "É que eu adoro gatos!"
Passei minha mão pelo meu braço, um pouco desconfortável, não sabia como prosseguir. Porém aparentemente ela não notou, e dialogar não pareceu uma tarefa difícil a menina ruiva.
"Mas eu não posso ter gatos em casa... Minha mãe não deixa" começou "Bem, ela diz que é alérgica a gatos, mas eu sei que é mentira! Uma vez, meu irmão Abílio me disse que a viu brincando com o gato da vizinha, a Sra. Nott, então não tem como ela ser alérgica a gatos certo?"
Ela me olhou, como se esperasse que eu dissesse algo, então balancei a cabeça, como se tivesse entendido alguma coisa dessa interação.
"Eu sei! É impossível! Mas Arthur me garantiu que se eu fosse legal ela deixaria eu ter algum bichinho... Infelizmente ele não cumpriu com suas palavras, a única coisa que ela me deixou ter nessa vida foi uma coruja velha chamada Marta... Que por sinal é nossa coruja mensageira, então não é como se ela fosse só minha! Mas é essa a desculpa que ela usa para somente eu cuidar da Marta!" Ela jogou os braços para cima e pareceu um tanto quanto indignada.
Marquesa reclamou dela parar com os carinhos e aproveitou a oportunidade para pular em meu colo.
A garota pareceu envergonhada e mexeu no cabelo.
"Desculpe, eu costumo a falar muito quando estou nervosa e ansiosa..."
Eu coloquei uma mexa do meu cabelo, um pouco nervosa.
"Tudo bem..." Sorri "A propósito... Eu também gosto de animais."
A garota sorriu, dessa vez um pouco mais calma, e nesse momento senti como se tivéssemos concordado com um vínculo. E eu fiquei feliz, por estar interagindo com alguém diferente.
O decorrer da viagem se seguiu relativamente calmo, ninguém mais entrou em nosso vagão, e eu pude descobrir coisas bem legais sobre Aurora.
Ela vinha de uma família de bruxa antiga. Sua mãe se chamava Cedrella e seu pai Septimus. Ela também tinha dois irmãos, Abílio e Arthur, e uma cunhada chamada Molly (eu não entendi muito bem de quem Molly era esposa, mas creio que era do Arthur). Comentou algo como sua família tinha um apreço por colocar nomes que começavam com a mesma letra em seus filhos, e que sua mãe tinha irmãs que seus nomes também começavam com a letra ''c''. Gostava de esportes e era fascinada em Quadribol, querendo ser uma jogadora profissional quando ficasse mais velha. O que fazia sua mãe ralhar com ela, dizendo que uma garota deveria ser uma dama e não praticar esportes perigosos, mas que seu pai a apoiava e sempre ria das confusões que ela e sua mãe faziam. Ela também morava em uma cidade chamada Devon, ali na Inglaterra, e aparentemente seu irmão com sua cunhada moravam por perto. Eles pareciam uma família numerosa e feliz, e eu ri das situação que ela contou.
Pude perceber que Aurora era uma garota agitada, e não precisei interagir tanto, ela parecia ter energia e assunto o suficiente para nós duas. Acabei também compartilhando um pouco da minha vida. Falando sobre meus pais e a nossa casa na Bulgária (logicamente que deixando de fora a parte de criatura mágica), falei sobre meus gostos e como estava animada com a escola.
As horas foram se seguindo, uma mulher passou vendendo doces mágicos e comprei alguns, compartilhando-os com Aurora.
"Bem, em que casa você quer entrar?" perguntou a menina devorando um dos chocolates que comprei.
"Eu... " comecei pensativa "Eu não conheço muito sobre as casas, além do que li... Talvez a Sonserina ou a Corvinal, acho que eu quero seguir na mesma..." respondi "E você?"
"Não!!" ralhou "Minha mãe disse que a Sonserina nos últimos anos virou a casa dos preconceituosos!! E olha que ela foi de lá! E minha família ou era da Sonserina ou da Grifinória"
Aurora colocou a mão no queixo pensativa.
"Eu queria ser diferente que eles, é sempre a mesma coisa... Meus irmãos por exemplo, foram grifinórios exemplares... Mas, sei lá sabe?" deu de ombros.
Olhei para a janela e vi que o Sol começava a se por, o que significava que a gente logo estaria chegando na estação de Hogsmeade. Meu pai me disse que a estação fica nos portões da escola, e que teria alguém nos esperando lá, nós que somos do primeiro ano seriamos acompanhados por um professor ou vice diretor.
Um funcionário do expresso Hogwarts passou nos avisando para arrumarmos nossas coisas que em cerca de uma hora estaremos desembarcando. E assim que ele avisou, podia ouvir os outros alunos começarem a se agitar dentro do trem.
"Estou tão animada!" comentou Aurora, arrumando a bagunça que havia feito no seu banco.
Eu coloquei Marquesa de volta na gaiola, que ralhou um pouco mas obedeceu. E ajeitei minhas coisas, guardando alguns dos doces restantes nos bolsos das minhas vestes, e dando outros para a garota a minha frente que sorriu.
Aurora terminou suas coisas e se sentou em meu lado.
"Vamos prometer uma coisa?" perguntou olhando para mim.
"O que?" indaguei.
"Que vamos continuar amigas mesmo se irmos para casas diferentes?" falou ela e estendeu para a mão fechada com o dedo mindinho levantado no ar.
Eu parei por um momento com suas palavras, e refleti sobre elas.
Amiga... Ela me considerou sua amiga...
Aurora abaixou o olhar, e pude sentir o nervosismo tomando conta.
Eu sorri alegre, e imitei o movimento das mãos dela.
"Amigas! Mesmo que em casas diferentes" confirmei sorrindo.
Seus olhos brilharam em resposta, e soube que havia feito a escolha certa, como fiz com a Marquesa.
Ela juntou nossos mindinhos cruzando- os e riu, feliz.
E assim eu soube, que fiz minha primeira amiga.
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