Meu pai sempre me disse que eu era especial, e eu sempre soube que ele não falava no sentido metafórico onde todo pai acha sua criança incrível. Eu era diferente.

Minha mãe dizia que a primeira vez que abri meus olhos, foi como se pudesse olhar diretamente a imensidão do mar, de tão azuis que eram. Característica física que contrastavam com meus cabelos escuros, quase preto, e a pele branca quase brilhava, e tinha pequenas manchinhas no nariz (das quais papai insistia em dizer que era as coisas mais fofas que eu poderia herdar dele).

Quando era pequena, lembro-me de sempre que eu e minha mãe íamos no vilarejo, os outros bruxos nos olhavam de uma forma diferente, deslumbrados.

Mas isso também se dava ao fato da criatura mágica que minha mãe era, uma Veela.

Meus pais nunca me esconderam isso, e a magia dela estava sempre presente enquanto eu crescia. Eu sempre pude admirar sua beleza, que era sua característica mais marcante. Desde seus olhos azuis como os meus, aos seus cabelos tão claros e brilhantes que pareciam ser reluzentes.

A parte da família da minha mãe (embora não fossem ligados geneticamente) eram formadas por Veelas. A beleza de cada uma chegava a ser sobrenatural, e minha mãe me contou que suas magias consistiam, principalmente, em atrais outras pessoas. Desde seus odores aos sons de suas vozes. Inclusive as festas que dávamos em nosso quintal sempre tinha muita dança.

Já a parte que vinha do meu pai era completamente diferente, embora também mágica. Meu pai e minha família paterna vinham de uma longa linhagem bruxa. Lembro-me de visitar algumas vezes meus avós na Escócia, que eram sempre muito legais em me mostrar as coisas diferentes do mundo bruxo.

Enquanto crescia eu ouvia as histórias fantásticas do meu pai sendo um pesquisador de Criaturas Mágicas, ele até mesmo escrevera diversos livros, e passavam longos dias viajando, relatando novos animais que encontrava. Mas mesmo podendo ver inúmeros lugares e seres incríveis ele insistia em dizer que o mais belo fora de longe a minha mãe.

Uma vez minhas tias maternas me contaram que meu pai foi o único que não caiu de primeira no encantamento na voz da minha mãe, e foi isso que a tornou curiosa a respeito dele. As Veelas não gostavam de compartilhar as informações com os bruxos, elas disseram que existiam muitos bruxos maldosos que queriam arrancar seus cabelos para usar suas magias, mas arrancar um fio se quer de uma delas podia leva-la a morte. Então elas não confiavam muito neles. Mas minha mãe viu bondade em meu pai e se apaixonou por sua sede de conhecimento. Assim eles se casaram, mesmo que sua expectativa de vida fossem diferentes. E resolveram morar na Bulgária onde existiam uma maior porcentagem de Veelas vivendo nas florestas. Alguns anos depois eu nasci, para a alegria do casal.

Crescer sendo uma mestiça porém, tinha suas vantagens, como descobrir habilidades novas sempre, pois, embora não fosse incomum Veelas se relacionarem com bruxos, as habilidades de seus filhos ainda eram misteriosos para o mundo (palavras de meu pai).

Como por exemplo, a engraçada descoberta ocorrida no meu aniversário de cinco anos.

No qual eu estava correndo pelo quintal, perto da floresta mágica que nos cercava, quando uma doninha apareceu a procura de comida, e eu pude me comunicar com ela.

No início não entendia que era um dom vindo pela minha parte materna, e fui correndo contar a minha mãe. Ela por sua vez, ficou espantada quando viu que eu podia falar com o pequeno marsupial.

"O nome dela é Dona!" Eu falei, "Ela está com fome mamãe, temos muita comida para dividir!"

Minha mãe me olhou carinhosamente e alimentou o pequeno animal.

Naquela mesma noite, a nova informação fez meu pai ficar maravilhado.

Quando eu fiz seis anos foi quando meus poderes bruxos começaram a surgir e foi um tanto quanto surpreendente.

Eu estava correndo pelo andar superior, enquanto minha mãe preparava um chá para dormir, já que meu pai dizia que acalmava meus nervos. Eu corria de um lado para o outros brincando com as sombras que faziam na parede e um leve barulho de chuva caia lá fora. Quando minha mãe veio me trazer o chá.

"Está na hora de deitar Anelia"

Eu balancei a cabeça em concordância, embora eu tenha ficado levemente emburrada que já tinha acabado a brincadeira.

Minha mãe se sentou ao meu lado assim que eu deitei na cama e afagou meu cabelo com uma mão e estendeu uma xícara com outra.

Peguei a xícara e desejei fortemente que fosse algo mais doce, como chocolate quente.

E na hora de tomar, bem, fui surpreendida com o gosto doce do chocolate derretido. E olhei surpresa para minha mãe, mostrando-a que o líquido na xícara havia mudado.

"Mudou!" exclamei eufórica.

A bebida quente estava cremosa, seu gosto, odor, tudo havia mudado!

Minha mãe ficou tão surpresa quanto eu, até mesmo tomou um gole da bebida.

Ela sorriu para mim, alegre, e nesse momento descobrimos meus poderes bruxos adormecidos. Minha mãe me incentivou a mudar mais vezes o chocolate para o chá. Incentivando a minha magia de transfiguração.

Logo descobrimos também que aos poucos eu podia fazer pequenas coisas, como levitar livros ou copos vazios, mas de acordo com meu pai, sem uma varinha adequada não conseguiria fazer tantas magias, então ele me passou exercícios diários para aprimorar a força do meu núcleo mágico. Tarefas essas que consistiam em mudar cores de flores, pequenos alimentos, levitar coisas leves ou ajudar a limpar as coisas com magia.

Quando completei meus sete anos, resolvi que meu tempo seria melhor aproveitado se eu passasse a maior parte do meu tempo explorando as criaturas da floresta, nas quais eu descobri que havia muitas seres mágicos, mas também animais comuns (claro que com o olhar da minha mãe em mim).

Mas as ideias do meu pai estavam dispostas a me tornar uma garotinha extremamente inteligente, então sempre que ele estava em casa ele me ensinava sobre matérias que eu precisaria para a vida (palavras dele).

Geralmente eu passava cerca de 5 horas por dia estudando, cada dia uma matéria diferente de aprendizado de anos iniciais, como Matemática ou Gramática, mas ele também me incentivava bastante em aprender História da Magia, Criaturas mágicas (claro que também de suma importância pela minha genética), ele também me ensinava algumas coisas do mundo mundano, que aparentemente era conhecido pelos bruxos de Mundo Trouxa. Papai me certificou que eles, embora sem magia, conseguiam fazer coisas tão grandiosas quanto nós.

Havia também a exploração ambiental que minha mãe fazia comigo, e como os animais locais já sabiam que podia me comunicar com eles, apareciam e acompanhavam a nós no trajeto. Era divertido, pois os pássaros sempre contavam uma novidade diferente (mamãe os chamava de fofoqueiros) e os animais menores sempre me presenteavam com coisas inusitadas, já ganhei até uma bolota de um esquilo.

Então, foi perto do meu aniversário de onze anos quando as coisas começaram a mudar.

Eu estava na sala, lendo um livro sobre a ''Historia da Magia'' que papai havia comprado, com Dona ao meu lado (a pequena doninha que vivia perto) descansando no encosto do sofá, quando escutamos batidas na porta. O que era estranho, mamãe não havia dito que receberíamos visitas.

"O que será que é?" A doninha perguntou.

Eu e Dona fomos nós esgueirando pela parede silenciosamente, até chegar na batente da porta e vimos pelo corredor mamãe abrindo-a.

Havia uma bruxa lá, e eu sabia que era uma bruxa por que de alguma maneira conseguia sentir a magia emanando dela, ela devia ser bem forte.

Eu não conseguia ouvir direito o que a mulher disse, e estava com vergonha para se aproximar.

Vi meu pai descer da escada e se juntar a minha mãe. Ele parecia contente, e minha mãe preocupada.

"Minerva McGonagall!!" papai exclamou.

Eles a convidaram para entrar e foram para o escritório do papai, que fica no andar inferior.

O sobrenome da mulher não me era estranho. Corri para a pequena biblioteca perto do escritório e comecei a passar meus dedos pelos títulos dos livros. Até que o encontrei.

"Transfiguração: Magias e seus conhecimentos — Minerva McGonagall"

Eu estava maravilhada, a mulher que escreveu um dos meus livros preferidos estava na minha casa!! Mal podia me conter no lugar, folheei o livro e reli cada parte q eu gostava. Eu sabia que podia herdar os dons de transfiguração da minha mãe, e isso me animava cada vez que eu lia o trechos, e agora a escritora estava aqui.

Passou cerce de uma hora quando ouvi a voz do meu pai pela casa.

"Anelia!! Venha até o escritório, por favor!"

Totalmente entusiasmada me levantei do sofá antigo e segui pelo corredor.

Entrei no local cheio de livros, onde papai estava sentado atrás de sua mesa, com minha mãe e a mulher misteriosa sentadas nas poltronas de frente a ele.

Dei uma olhada a visita e reparei que usava um vestido longo verde esmeralda e óculos, ela parecia um tanto quanto séria.

"Olá Anelia" Ela disse.Minha mãe me olhou e estendeu a mão para eu segurar, me colocando ao seu lado."Querida, está é a professora Minerva McGonagall, ela é uma Professora de uma escola de magia chamada Hogwarts"

Eu sorri para a bruxa a frente, e tinha certeza que meu entusiasmo transparecia em minhas feições.

"Ela te trouxe isso"

Minha mãe estendeu uma carta e sorriu para mim, me incentivando a abrir.Eu olhei para eles sem saber muito bem o que fazer, mas papai estava sorrindo e parecia extremamente feliz.Eu abri o envelope um pouco nervosa, eu já havia lido sobre a escola e sabia que meu pai tinha estudado lá antes de virar escritor.

Prezado(a) Srta. Stolov.
Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de setembro.
Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Alvo Dumbledore.

"E então querida?" Minha mãe sorriu.

"Eu tenho uma vaga na escola" confirmei.

"Fantástico!" Comemorou meu pai.

"O que você acha disto?" Minha mãe me olhou.

Eu pensei por um momento.

Os três pares de olhos me olhavam com expectativa.

Eu estava animada, mal podia parar de sorrir, só de imaginar em estudar magia em um lugar diferente, e com pessoas diferentes! Mas ao mesmo tempo, eu estaria sozinha e isso me assustava, como deixaria meus pais para trás?

"Parece legal!" eu sorri para eles.

Minha mãe não pareceu muito convencida.

"O que há querida?"

"É que penso em como vou deixa-los" disse incerta.

Minha mãe sorri para mim, aliviando minha angústia.

"Voce quer ir?" perguntou ela me olhando.

Olhei para meu pai, e depois para a professora McGonagall. Eu sabia que queria conhecer o mundo, e parecia incrível uma aventura para conhecer outras pessoas, pessoas da minha idade! E eu sabia que as crianças da minha idade do vilarejo não gostavam de mim.

"Eu quero" falei mordendo meu lábio inferior, com medo de deixa-la triste.

Ela passou a mão pelo meu rosto carinhosamente.

"Então tudo bem" sorriu, e olhei para meu pai que também sorriu.

Minerva olhou para mim e deu um pequeno sorriso, se virando para meus pais.

"Como disse anteriormente, não há com o que se preocupar, Anelia irá se adaptar e ter o melhor aprendizado que a Grã — Bretanha pode oferecer" garantiu.

Minha mãe maneou com a cabeça por um instante.

"Minha preocupação é o fato dela não ser completamente bruxa, Sra. McGonagall, os outros alunos podem trata-la de forma diferente e não sabemos o que isso pode causa-la".

"Eu compreendo, Sra. Stolov, mas te asseguro que Alvo nunca erra nos alunos que chamamos para nossa escola, sua filha será bem tratada lá, e te garanto que nenhum de nós ou os funcionários irão falar sobre sua parte meio Veela" Garantiu a professora "Embora devo alertar que seja um pouco visível que sua aparência seja diferente, mas não creio que algum aluno irá fazer algo a respeito, caso descubram"

"Não sabemos muito bem como ocorrerá a evolução da parte Veela de Anelia" meu pai comentou.

"Por isso Alvo insistiu que eu mesma viesse entregar a carta para vocês" A professora disse " Sei a preocupação que vocês tem, mas posso dar a minha palavra que sendo a Vice-diretora do castelo, relatarei sobre qualquer eventualidade na evolução da filha de vocês, seja na parte Veela ou Bruxa, além de claro, ela poderá me procurar para qualquer dificuldades que tenha''.

A conversa continuou por mais uma hora, com a Professora me explicando onde acharíamos tudo, onde pegar o trem para a escola, e contando um pouco do que aprenderei. A medida que ela explicava mais animada eu ficava.

No final do dia, após ela ir embora, eu me encontrava encantada contando a minha pequena amiga Doninha sobre o fato de ir estudar em Hogwarts.

Na hora de ir dormir mal pude conter a felicidade que me inundava.

Os dias passaram como um borrão, e quanto mais os dias passavam, mais ansiosa eu me encontrava, até que chegou o dia que teríamos de viajar para Londres, que era onde o Expresso Hogwarts saia, além de lá que iríamos comprar meus materiais.

Notas finais
É isso, qualquer erro de concordância ou escrita estou aberta a sugestões, obrigado por lerem até aqui :)