Os Infectados
4 Ir ou não Ir?
Notas iniciais
Boa leitura e agradeço a quem já acompanha e comenta.
19h30min um grande temporal caia lá fora, uma grande tempestade seguida de fortes rajadas de vento, a temperatura também tinha diminuído, estava bastante frio. Rick gentilmente aceitou a nossa ‘Hospedagem’ segundo ele no último andar haviam alguns quartos vazios e que eu e Larry poderíamos usar para passar a Noite.
—Muito Obrigada seu Rick—Agradecia Larry enquanto devorava um prato de sopa, estávamos todos na cantina Rick mandara preparar uma sopa para nos servir—Se não fosse esse abrigo aqui com certeza eu e meu amigo aqui estaríamos sofrendo naquela Ilha.
—Não me agradeça Larry é esse seu nome não é?—O marinheiro apenas concordou—Faria isso para qualquer pessoa e hoje os dois são meus convidados—Disse deixando um sorriso amarelo no rosto.
Eu confesso que nem toquei na minha sopa, não que ela estivesse com uma aparência ruim ou algum cheiro estranho parecia até bem gostosa, mas meus pensamentos estavam bem longe, eu apenas remexia a colher pela borda no prato fazendo a sopa girar em torno dele.
—Não vai comer senhor Black?—Fui despertado por Rick.
—Hum! Desculpe estou sem fome.
—Parece que seus pensamentos estão bem longe daqui não é mesmo?—Ele voltou a perguntar.
—Estou bem Rick, e concordo com o Larry obrigado por nos deixar ficar essa noite aqui, espero que amanhã o dia amanheça bem melhor.
—Não se preocupe! Amanhã com certeza você poderá voltar para a civilização—Ele sorriu ao dizer a última palavra—Mais se me dão licença preciso ir ao meu escritório tenho alguns afazeres, mas não se preocupem assim que terminarem o Harry irá levá-los até seus quartos.—Apontou com o dedo para o balcão do refeitório onde Harry estava sentado conversando com uma loira—Nos vemos amanhã antes da sua partida senhor Black?
—Claro—Concordei
—Então boa noite, para você também Larry—Se levantou da cadeira e atravessou o refeitório entrando em um corredor.
—Gente boa esse Rick não achou?—Larry levou uma colher cheia de sopa à boca depois de me perguntar, eu apenas acenei com a cabeça e voltei a olhar para Harry e a Loira que conversavam.
[...]
—E por aqui senhores—Harry nos guiava até nossos quartos, eles não eram grande coisa, mas dariam para passar a noite sim.
Larry e eu nos despedimos nossos quartos eram lado a lado, Quanto entrei no meu percebi que Harry estava parado na soleira da porta com os Braços cruzados.
—É o quarto é bom—Menti, aliais ele tinha um cheiro de mofo bem forte.
—Posso te fazer uma pergunta senhor Black?—Me olhava sério enquanto eu concordei—Por acaso o Gerald ficou falando bobagens sobre a morte do meu irmão com você hoje mais cedo?
—As notícias aqui se espalham bem rápido, Bem ele comentou algo—Dei de ombros desabotoando a camiseta do meu uniforme ficando apenas com uma regata branca por baixo, tirei também a arma que carregava na cintura, agora que tinha percebido que eu havia trago ela, coloquei em cima do criado mudo e me sentei na cama tirando minhas botas.
—Espero que não tenha acreditado—Rebateu.
Pausei o que estava fazendo deixando a bota no meio do pé e olhei um tanto desconfiado para ele—E tem motivos para eu acreditar?
—C-Claro que não!—Balbuciou
—Então pronto!—Finalizei, mas ele acabou retomando a história.
—Sabe o que é? Gerald é maluco ele gosta de inventar as próprias fantasias, por isso fica espalhando suas histórias sem pé nem cabeça por ai.
Terminei por fim de tirar minhas duas botas colocando elas um pouco de baixo da cama, que era bem dura, voltei a olhar para Harry ele parecia nervoso notei que suava na testa acima dos óculos.
—Ele me disse que viu um homem no Farol.
—F-farol?
—É.
—Bem provavelmente sou eu.
—Você mora no Farol?
—É que tenho umas coisas importantes lá, coisas da minha profissão como médico, então como era muita tralha pedi para Rick deixar eu me hospedar por lá.
—Hum! Mas Gerald disse que era o seu irmão, como é mesmo o nome?
—S-Scoot
—Sim Scoot.
—Os mortos não andam meu caro Black, os loucos inventam deveria saber disso, e Gerald coitado já estamos com ele há seis anos.
—O que ele fez para parar aqui?—Curioso perguntei.
—Matou o ex chefe estrangulado e depois colocou fogo na empresa matando outros funcionários. Mas ficou comprovado que ele tinha problemas psicológicos.
—É uma maneira bem radical de matar o Chefe—Brinquei e Harry sorriu menos nervoso.
—Pois é ele já até inventou que viu um dos presos andando pelas águas do mar de noite, sabe a gente nem liga mais.
—E se algum dia ele estiver mesmo falando a verdade? Vai ignorá-lo?
Harry ficou um tempo calado, parecia que a pergunta tinha afetado-o de alguma maneira.
—Bem se ver mortos andando pelo Farol e presos andando pela água forem verdades, eu me demito desse lugar.
Dei um sorriso curto e ele também, descruzou os braços ajeitando os óculos e olhou para o corredor.
—Quem era aquela mulher com quem você conversava no refeitório?—Assim que perguntei ele voltou a me olhar.
—Bem é a Carol, nossa psicóloga, ela cuida dos casos mais sérios, como por exemplo, o Gerald.
—Hum! E há quanto tempo vocês trabalham aqui?
—Entramos juntos e faz alguns anos que trabalhamos aqui.
—Você gosta?—Até que conversar com ele não estava sendo tão entediante, eu não estava com sono mesmo.
—Isso aqui é a minha vida Black, uns dizem que voar é a vida deles, outros que jogar futebol, mas a minha vida é essa, é cuidar desses presos como venho fazendo há anos.
—Verdade minha vida é ser policial, mas é legal o seu trabalho, muitos médicos não trocariam os bons hospitais para estarem aqui.
—Obrigado—Agradeceu, e levantou a manga do jaleco olhando para o relógio.
—Atrasado para algum compromisso Harry?—O fitei.
—Na verdade não, é que com essa tempestade não vou poder voltar para o farol hoje.
—Não mesmo, a chuva está bem forte seria perigoso, é melhor ficar aqui—Aconselhei.
—É que eu..—Parou imediatamente de falar e sorriu um pouco torto.
—Você?—Perguntei.
—Nada demais, eu tinha uns exames da ala Oito para da uma olhadinha, sabe aqui no presídio tudo é bem dividido temos uma ala para tudo, da um a Nove.
—E você é responsável por avaliar cada Ala dessas?
—Sim, às vezes a Carol me ajuda, mas não é sempre, nossas especializações são bem diferentes, contudo ajudando um ao outro quanto preciso.
Balancei a cabeça e ele voltou a olhar para o relógio, escutamos um trovão ensurdecedor e isso o fez parar de fitar tanto aquele relógio no pulso.
—Bem preciso ir agora Black espero que tenha uma boa noite, sei que a cama não é umas das melhores—Sorriu—Mas quebra um galho.
—Obrigado Harry, boa noite também—Nos despedimos e ele se afastou da soleira da porta fechando-a.
[...]
*Harry Wood ON*
—Sinceramente Acho que estamos deixando o Gerald solto demais por ai, ele já saiu espalhando para o Policial Black sobre o Scoo—Harry andava de um lado para o outro pela sala de Rick.
—Acalme-se Harry ele não suspeita de nada e nem terá como, amanhã cedo ele e o amigo partirão e tudo voltará aos eixos.
—Rick eu não sei não viu, sabe que quando visitas aparecem aqui devemos da um jeito na boca do Gerald, ela fala demais.
—Mas e ele como ele está?—Rick fumava um dos seus charutos londrinos.
—Não muito bem, ele não responde aos meus testes, muito pelo contrário o vírus parece que se fortalece a cada dia, começo a ficar mais preocupado, não acha que devemos tirá-lo daqui?
—Não fale bobagens homem—Rick deu uma tragada soltando a fumaça pelo nariz—Você é o melhor médico e cientistas que conheço quem mais pode encontrar uma cura para ele a não ser você?
—O problema é esse Rick, simplesmente me sinto um incapaz de ajudar ele, tudo que faço acaba dando errado ou piorando o estado dele—Parei de caminhar pela sala e me sentei em um sofá abaixando a cabeça.
—Sabe que seria muito perigoso levá-lo para Cambridge, ainda mais no estado em que ele se encontra, as pessoas teriam pavor—Deu mais uma tragada no charuto jogando as cinzas em um cinzeiro de prata folheado.
—Eu sei—Afirmei.
—Continue com seus testes uma hora encontrará uma solução.
—Enquanto Gerald?—Perguntei já com a cabeça levantada.
—Vou falar com Carol, ele gosta muito dela quem sabe ela tire isso da cabeça dele.
Concordei jogando o corpo para trás encostando minhas costas no sofá e fechando os olhos ainda escutava o forte temporal lá fora.
*Harry Wood Off*
*David Black On*—Quem é?—Olhei para o visor do meu celular marcava quase duas horas da manhã
—Gerald.
—Mais que raios faz aqui homem?—Perguntei me levantando e abrindo a porta dando espaço para ele passar.
—Preciso te contar uma coisa policial, mas não deixem eles me encontrarem, eles me levam para a Ala x e eu não gosto de ficar lá.
—Ala x?—Me sentei em uma cadeira esfregando os olhos para poder despertar logo.
—Sim, é um lugar horrível, e-eu não gosto quando me levam para lá.
—Gerald está tarde afinal o que você que me dizer—Estava um pouco cansado, mas tentei me concentrar no homem.
—Scott Wood.
—Sério que vai começar com esse papo de mortos vivos de novo Gerald?
—É verdade, eles não acreditam em mim, mas você deve acreditar.
—Por quê?
—Porque digo a verdade.
Bufei aquilo não era resposta.
—Anda tomando seus remédios? Você sofre de distúrbios mentais acho que deve tomar algum tipo de remédio.
—NÃO FALE COMO SE EU FOSSE UM MALUCO—Gritou impaciente.
—Calma tudo bem, não quis te chamar de maluco—Tentei concertar.
—Se dúvida tanto de mim vá olhar com seus olhos e veja que o que digo é a pura verdade.
—Como assim Gerald?
—Vá ao Farol, ele ainda está lá dentro.
—O Scoot?
—Não sei se podemos mais chamá-lo assim—O velho apertou os olhos e tombou a face para o chão, ele ainda estava de pé e eu sentado na cadeira apenas o fitava.
—Ainda está chovendo—Falei vendo se ele levantava o rosto.
—Pegue uma capa de chuva oras! Depois eu sou o maluco—Ele falou baixinho, mas mesmo assim escutei.
—Posso fazer isso amanhã de manhã antes de partir—Sugeri.
—Não! Vá hoje, amanhã não teria oportunidades, Harry costuma ir bem cedo para o farol, você não conseguiria entrar, hoje é uma boa oportunidade, pois eu vi o Harry entrando na sala do Rick e depois disso ele foi para um dos quartos vazio desse corredor, ele não vai voltar hoje lá.
—Hum!—Era loucura da ouvidos aquele velho, mas eu não tinha nada a perder, se eu fosse e não encontrasse nada lá poderia tranqüilizar o pobre, e quem sabe ele tiraria aquela idéia da cabeça.—Certo eu vou, mas não comente com ninguém.
—E você acha que sou Maluco?—O velho pela primeira vez
—Agora pode voltar para o seu quarto Gerald deixe que eu me vire agora.
—Uma dica, há uma porta nos fundos do refeitório ela está um pouco velha se de sorte pode passar por lá, a porta da no em um corredor e seguindo ele você sairá no jardim. Cuidado, pois tem alguns guardas fazendo a ronda com uns cachorros medonhos.
Concordei e me levantei voltando a abrir a porta, Gerald me olhou como se me desejasse sorte e saiu pelo corredor virando na curva e desaparecendo. Fechei a porta e fui até uma janela que tinha no meu quarto, tinha uma cortina tampando-a, mas afastei um pouco o tecido e dali conseguia enxergar o Farol.
Me afastei avaliando aquela idéia absurda, não fazia sentido algum, a chuva ainda caia mas não com muita força, teria dificuldades para chegar até lá, o Farol ficava bem longe e parecia ter uma rochas por onde eu teria que passar, me sentei na cama passando as mãos na cabeça e olhei para minha arma no criado mudo.
—É só uma olhadinha apenas para calar a boca do Gerald, não a nada de mal nisso. —Falei para mim mesmo tentando me convencer. E depois disso calcei minhas botas voltei a colocar minha camiseta e coloquei a arma na cintura, caminhei até a porta abrindo-a lentamente para não fazer rangido, passei com cuidado pelo corredor pouco iluminado e desci as escadas que me levariam para os andares de baixo, já estava ali mesmo não podia desistir.
Notas finais
Isso só no próximo Cap:)
Fale com o autor