Os Homens Merecem Morrer

19 Injustiça-Justa, traição e a amarga noite


Notas iniciais
Good Morning povão :3 Quero agradecer imensamente aos lindos comentários e aqueles que estão visitando a fanfic e gostando da história! Obrigada mesmo :) Boa Leitura!

CAPÍTULO DEZOITO

Injustiça-Justa, traição e a amarga noite

♠ ♠ ♠

Você espera que a justiça tarde, mas não falhe. Aguarda momentaneamente que algo de bom seja feito como uma forma de esperança para o povo.

No entanto, Dominique Weasley retirou tais pensamentos confiantes de sua mente assim que fora empurrada para dentro do carro de polícia, as mãos algemadas, sua voz sendo ignorada completamente por qualquer um.

Uma pequena multidão de vizinhos e curiosos se aglomerou na calçada do Dreams Hotel. Parecia trágico que, uma mulher tão decidida e tranquila quanto Dominique, pudesse no fim das contas ser a misteriosa RW.

— Eu não fiz nada!

— É melhor ficar em silêncio, senhorita! — Alvo murmurou, com um quê de irritação. — Tudo que disser pode ser usado contra você...

— NÃO FINJA QUE NÃO ME CONHECE, ALVO! SOU SUA PRIMA E VOCÊ SABE QUE NÃO FIZ NADA DISSO! NÃO SOU A RW!

— As provas não afirmam isso, senhorita Weasley — disse Alvo, tomando mais um gole de seu cappuccino.

Era uma gélida tarde, e ele poderia estar em casa naquele instante. Mas não. Atender uma ocorrência importante que o próprio chefe convocara era mais importante que sua própria tranquilidade.

Saber que Dominique era a causa de todos os problemas masculinos e de qualquer quantidade a mais de trabalho, deixara Alvo anormalmente furioso.

— EU NÃO FIZ NADA! EU SOU INOCENTE! — Dominique continuou gritando, mas ninguém lhe deu atenção.

O policial do Departamento de Polícia estacionou o veículo em frente ao prédio da equipe, e Alvo abriu a porta ainda ouvindo os gritos de Dominique enquanto outros policiais se aproximavam do carro.

Scorpius surgiu carregando uma expressão de desagrado em sua face.

— Como está sua mãe?

— Ela despertou algumas horas depois. A Rose está mal ainda — o Malfoy respondeu, observando Dominique ser arrastada pelos policiais para fora do carro.

— Não consigo acreditar que a Dominique fez tudo isso. Que ela... Ela era a RW o tempo todo.

— A perícia está na minha casa agora. Mas com a gravação que temos e as armas que encontraram no assoalho do meu quarto hoje pela manhã... Já é o suficiente para incriminá-la.

Válter Dursley os chamou da porta da DP. Os dois subiram a escadaria para a entrada, onde no interior havia uma agitação incalculável de policiais e outros funcionários.

— Vocês fizeram um excelente trabalho. O caso da RW está oficialmente encerrado depois que a jogarmos atrás das grades.

Dominique continuava gritando, beirando ao desespero. Scorpius a observava, ao mesmo tempo satisfeito e incrédulo.

Ela não parecia capaz de elaborar algo tão complexo e impiedoso.

(...)

Rose estava deitada em sua cama, em seu maravilhoso quarto, com uma pilha de travesseiros às suas costas e uma bandeja com bolachas e um copo de leite quente.

— Como está se sentindo? — Rony perguntou, observando a filha atentamente.

Era uma das poucas vezes que o pai se encontrava em casa, e possivelmente aquilo se devia ao suposto ataque ao casarão dos Malfoy onde Rose se encontrava.

— Sinto como se tivesse levado uma surra e todos os meus ossos tivessem se quebrado mil vezes pelas forças superiores e invencíveis de Kratos.

O que de fato era verdade. Rose nunca sentira tanta dor quanto naquele momento.

Rony fitou Rose por mais alguns segundos.

— Às vezes eu me esqueço que você já não é mais uma garotinha...

A ruiva percebeu no olhar do pai que algo não estava bom.

— Quer me dizer alguma coisa? — questionou ela, objetiva.

O sr. Weasley piscou atordoado. Então se levantou repentinamente.

— Estou sentindo que o meu casamento esta à beira do precipício. Nada mais está como era no começo.

— E você acha que isso é culpa da mamãe?

Novamente os olhos do pai se voltaram para a filha.

— O que você acha?

— Acho que é culpa sua — disse Rose, taxativa.

— Minha? Por quê?

— Porque você não esteve ao lado da mamãe quando ela mais precisou. A culpa poderia ser dividida igualmente entre os dois, mas a mamãe já mergulhou faz tempo nesse precipício. E agora você está preso por uma corda, com medo de cair.

Rony começava a andar de um lado a outro.

— Estou com medo Rose, mas não de cair. Minha família irá pelos ares quando...

Uma batida na porta e logo está foi aberta revelando Lilá Brown com a Agente Heart (completamente diferente por sinal com aplique nos cabelos escuros e uma camiseta do ACDC acompanhando o jeans surrado).

— Rose! Que bom que está acordada. Vim com a Marlene para trazermos chocolates — a loira já se sentara na beirada da cama.

Rony saiu do quarto sem se despedir, completamente tenso. Rose gostaria de entender fielmente a psicologia de um casamento para que pudesse ajudar seus pais.

— Você foi excelente! — a Agente Heart elogiou satisfeita, acendendo um cigarro. — Sério? Usar sua prima?

— Ela vai ser uma distração. Logo vão notar que não existe cérebro na cabeça dela. Estou apenas abrindo caminho.

— Abrindo caminho... — refletiu Lilá, encarando a Agente Heart. — Talvez seja bom começarmos a pensar mais alto.

— Mais alto quanto?

— Sessenta milhões — lançou Lilá, roubando um chocolate da caixa de bombons que dera à Rose. — Sessenta milhões para cairmos fora do Brasil. Existem bons patrocinadores em Nova York. Só preciso convencê-los.

— Mantenha Dominique como a RW durante mais uns três meses. É o tempo para irmos embora.

Rose continuou fitando-as.

— Sessenta milhões vão ser divididos em três partes, certo?

As duas concordaram. Rose umedeceu os lábios, pensativa.

— E a Alice?

O olhar entre a Agente Heart e Lilá denunciou o inevitável: elas não tinham pensado em Alice.

— Ela não vai — Lilá respondeu, suspirando. — Eles querem a RW, não a ajudante dela.

— Alice é minha ajudante! Ela deve ir.

— Não querida, ela não deve — a Agente Heart expirou a fumaça do cigarro. — Por trás de uma agente, sou a típica fumante Marlene McKinnon, que arranjou uma oportunidade divina em Nova York na sua idade, e abandonou os amigos e a família pobre para subir na vida. Eu estive na sua pele, mas eu soube escolher. E hoje estou aqui.

Lilá deixou a caixa de chocolates (quase vazia) em cima da cama.

— Um dia você vai entender que o mundo faz as piores opções possíveis. Deixar Alice não é o fim do mundo.

No entanto, ao ponderar cuidadosamente no silêncio de seu quarto horas mais tarde, Rose constatou que era sim o fim do mundo. Ao menos para Alice seria...

(...)

Algumas semanas haviam se passado e o aumento de protestos a favor do retorno da RW deixava os policiais da cidade ainda mais inquietos.

— Só mais alguns dias — Lilá dizia nos corredores da Rádio Marine quando Rose mostrava ansiedade para voltar à ativa. — Dominique vai aprender a lição dela e você será proclamada deusa quando retornar. Não se esqueça de Nova York!

Como ela poderia esquecer? No final das contas, Alice não permitia que a amiga tivesse tal luxo.

— Nova York é maravilhosa! Já imaginou? Você lá, fazendo o programa para o Obama e eu lá, com a Agente Heart, destronando os americanos safados e infiéis... — Alice zombava, logo que saíam da loja de lingeries todos os dias.

E ainda havia pais de Rose, que estavam em um Titanic prestes a afundar.

— Como está se sentindo? — Scorpius questionou, observando a ruiva, sentado ao lado dela em um barzinho barulhento no centro da cidade.

Estranhamente, Scorpius fora o único em quem Rose encontrou algum tipo de honestidade e algum conforto espiritual enquanto o mundo parecia desabar em suas costas entre decisões difíceis e crises emocionais.

Não que ela sequer gostasse do loiro ou se considerasse uma amiga dele, mas talvez a preocupação do Malfoy desde que supostamente a Weasley fora drogada por Dominique na noite do jantar, já era de alguma coisa.

— Quem sabe? — Ela tomava o uísque lentamente, os olhos vagueando para o restante das mulheres que se esfregavam em alguns homens cheios de dinheiro nos bolsos. Tão típico. — E seus pais? O que eles acharam de mim?

— Disseram que você é aceitável — riu o loiro, bebendo mais um gole de vodca.

— Ao menos isso. Pensei que sua mãe fosse me matar com “m” maiúsculo.

— Relaxa. Minha mãe quase espancou a Lysander quando a conheceu, mas agora vive de amores por ela.

Rose encarou Scorpius por um segundo.

— E porque você não está com a Lysander? O que aconteceu entre vocês?

— Não acha que sou um impotente sexual agora?

— Gosto de ouvir os argumentos masculinos. Péssimos por sinal — Ela desdenhou, esvaziando seu copo.

Scorpius fez uma pausa, mexendo o restante do líquido em seu copo enquanto mexia a mão.

— É... Complicado.

— Então me explica.

— Você não entenderia. Só posso dizer que Lysander nunca foi uma pessoa muito sã. Cheia de ciúmes e tudo mais. Ao mesmo tempo eu a amava, mas ela era doentia de certa maneira...

Eles permaneceram em silêncio. Rose pegou sua bolsa, e passou uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.

— Okay. Vou indo então.

— Vou com você. Não estou a fim de pegar ônibus agora.

Ele pagou a conta dos dois (algo cavalheiresco demais) e ambos saíram do bar.

Assim que entraram na picape, Rose girou a chave na ignição e Scorpius finalmente questionou:

— Você acha que Dominique é a RW?

A ruiva segurou o volante com firmeza.

— Você acha que ela não é? — dirigiu para longe dali, pisando no acelerador com certa força.

— Acho que Dominique não parece a RW.

Rose soltou uma risada.

— Está dizendo isso porque dormiu com ela. Homens são tão previsíveis.

— Quer dizer que só porque dormi com a Dominique acho que ela não é uma criminosa?

— A RW não é uma criminosa. É uma visionária.

— Okay então. Quer dizer que se eu dormisse com você não pensaria que é a RW? — Scorpius disse naturalmente.

Rose pisou no freio com força, quase fazendo o carro colidir com um poste.

— Mulher no volante é um perigo constante — debochou Scorpius, olhando pela janela da picape.

— O que você disse? — a ruiva falou entre dentes.

— Só estava brincando! — Scorpius ergueu as mãos para o alto, em seguida começando a rir. Rose percebeu então que era uma brincadeira, e ignorou completamente a ideia de pegar a faca escondida na capa do assento.

— Idiota! — resmungou Rose, voltando a acelerar.

Ela parou no semáforo quase deserto. Passavam das dez da noite daquela abafada quinta-feira de outubro, e não havia muitos carros na rua. Por isso Rose não deixou de reparar no Hyundai preto que parou ao lado deles.

Scorpius notou também.

— Aquele é o carro do seu pai, Rose?

E lá estava Rony Weasley, discutindo com alguém no banco do passageiro.

O semáforo abriu, mas Rose não acelerou. Esperou que o pai passasse e o seguiu agilmente. Scorpius permaneceu em silêncio ao seu lado.

O Hyundai virou em uma rua deserta e parcialmente iluminada. Rose o seguiu com os faróis apagados.

Rony estacionou próximo a um condomínio de alto padrão, e Rose pode ver o exato momento que uma mulher debruçou-se para beijá-lo.

A ruiva apertou o volante com demasiada força aguardando pacientemente que a mulher saísse do veículo. E ela o fez, alguns segundos depois.

O vestido de grife e os sapatos de salto chamavam a atenção, além da cabeleira loura.

Ao virar-se momentaneamente, Rose conseguiu reconhecê-la: era a chefe Lilá Brown.

A loira continuou fitando Rose com naturalidade, e Rony saiu do veículo, os olhos vidrados na filha.

— Rose!

Entretanto, ela dirigiu de ré, afastando-se o mais rápido possível, até virar a curva pela qual entrara e cair fora dali.

(...)

Scorpius pegou as duas garrafas de vodca e uísque no bar, e Rose estacionou ao lado de um parque algum tempo depois, cheio de drogados e moradores de rua transitando de um lado a outro.

— Que bela cidade morta — Scorpius desdenhou, tomando um gole de vodca.

Rose riu, virando a garrafa de uísque e descansando no banco do motorista.

— Estou me sentindo como uma adolescente de agora. Parada perto desse parque para beber...

— Você bebia muito na adolescência?

Ela meneou a cabeça negativamente, sem tirar os olhos do parabrisa.

— Não. Passei a beber depois dos dezoito. A vida se tornou uma merda e uma boa garrafa de uísque alivia as tensões.

Scorpius virou novamente a garrafa de vodca entre os lábios.

— Seus pais estão esquisitos há quanto tempo?

— Não sei. Esse é o pior — atirou Rose, calculando lentamente cada palavra que diria. A raiva começava a preencher seu interior, e ela tomou mais um gole de uísque antes de continuar. — Eu comecei a trabalhar muito. Então fiquei fora de casa. Mas meu pai entrou nessa empresa que eu não faço a mínima ideia do que ele faz direito, e acabou se distanciando da minha mãe, que parou de trabalhar para cuidar do Hugo há muito tempo.

— Ela poderia voltar ao trabalho. Seria bom — Scorpius contestou, bebendo mais um pouco.

Rose suspirou.

— É... Ela acabou de abortar um bebê.

— O quê?

— É. Um bebê — A ruiva deu mais uma risada irônica. — Abortou. Meu pai reagiu de um jeito estranho com a gravidez dela. Agora sei porque...

— Pretende contar a ela sobre seu pai?

Rose virou novamente a garrafa de uísque, um peso obstruindo sua garganta e consumindo seu peito lentamente.

— Eu não sei.

Scorpius permaneceu em silêncio, deixando que a ruiva roubasse dele a garrafa de vodca e a virasse como fizera com a garrafa de uísque. Ele manteve os olhos voltados para o parabrisa, além dele observando os poucos transeuntes caminhando de um lado a outro. Os soluços ao seu lado indicavam que Rose finalmente começara a chorar.

Notas finais
E as coisas vão continuar dando reviravoltas... Bom, Rose e Scorpius vão ficar um pouquinho mais próximos antes que certa bomba estoure (opa!). Mas não se preocupem, pois a comédia não terá fim (yeaaah!). Digam oi õ/ Até o próximo! Beijokas ;) Propaganda básica: https://www.facebook.com/liviadiasfics/