Os Homens Merecem Morrer

20 Revolta, a doce história e o trágico flagrante


Notas iniciais
Boa noite amadinhos e amadinhas! Tudo bem com vocês? Estou muito feliz por vocês estarem gostando tanto da história! Quero agradecer aos leitores que aparataram no capítulo anterior, adorando a RW e todo o resto ;) Vocês realmente me surpreenderam com tanto carinho gente! Obrigada mesmo! Vocês me motivam cada dia mais, mesmo na correria :) Boa Leitura!

CAPÍTULO DEZENOVE

Revolta, a doce história e o trágico flagrante

♠ ♠ ♠

Rose deixou Scorpius em casa antes do dia amanhecer (quando sua ressaca já tivesse passado), e dirigiu até a casa de Alice, tomando o cuidado de não trombar com o pai em algum lugar.

— JESUS AMIGA! O que aconteceu com você? — uma Alice histérica abriu a porta.

A ruiva entrou na casa sem nem pedir licença, e largou uma mochila com algumas roupas em cima do sofá de couro preto.

— Vou passar uns dois dias aqui.

— O quê? Por quê? Que aconteceu? Dilma vai ser impeachmada por acaso?

— Meu pai está traindo minha mãe e ela abortou o filho dela. Já são bons motivos.

— Babado amiga! — Alice ficou boquiaberta, observando Rose tirar duas peças de roupa da mochila e ir em direção ao banheiro. — Mas vem cá, o Hugo já sabe disso?

— Não. Ele fica ouvindo Megadeth e jogando God Of War dez vezes consecutivas para sequer saber quando está na hora de ir ao banheiro. Nunca entre no quarto dele aliás.

— Eca — estremeceu Alice, fazendo uma careta.

— E ah, isso não é nada, querida Alice — Rose fitou a amiga com um olhar furioso e um sorriso sarcástico na face. — Porque é a NOSSA CHEFE que está fornecendo as partes íntimas ao meu pai.

Alice se largou no sofá, boquiaberta.

— BAFÃO! Jesus não apaga a luz! Você tá brincando comigo!

— Pois é. Fiquei puta da vida ao saber disso.

— To bugada! Meu Deus! E agora?

— E agora vamos voltar naquela rádio, e trabalhar como sempre fizemos! — Rose praticamente gritou, ligando o chuveiro no banheiro. Bateu a porta logo em seguida.

Alice conseguiu fechar a boca alguns segundos depois, perplexa.

— Jesus.

(...)

Dominique batucava os dedos no tampo da mesa de madeira, exaurida e frustrada. Finalmente, a porta da sala foi aberta e Scorpius surgiu.

— Está com uma cara de peixe morto — ironizou a loira, observando atentamente as olheiras sob os olhos do rapaz. Ele a ignorou.

Eram nove da manhã quando Scorpius chegou até o Departamento de Polícia, exausto. Não dormira a noite, e ainda bebera com Rose e sua cabeça parecia prestes a explodir. Saber que Dominique tinha coisas interessantes a falar, e que ele era aguardado na sala de interrogatório não deixou sua manhã melhor.

— Meu tempo é curto e ainda tenho muitas coisas a fazer. O que você quer?

— Parece que nada do que tivemos significou algo para você...

— Francamente Dominique! A gravação da câmera de segurança que meu chefe recebeu mostra você saindo do quarto naquela noite minutos antes do que aconteceu com Leonard, e aparece, coincidentemente, você no corredor do quarto dele algum tempo depois. Exatamente meia hora depois do que aconteceu com ele, você estava chegando ao seu quarto.

Dominique meneou a cabeça negativamente.

— Confesso que sai do quarto, mas não passa pela sua cabeça que talvez as imagens tenham sido montadas de uma maneira que esteja enganando vocês? Eu não sou a RW!

— Se é só isso que tem para dizer, acho melhor eu ir embora...

— Não! — Dominique segurou o pulso dele, os olhos arregalados de temor. — Por favor! Não! Não é isso! Scorpius... Me perdoa. Mas estou tensa demais. Você deveria acreditar em mim...

— Não, não deveria. Eu não sou nada seu, Dominique. Mal te conheço. Dormimos juntos, mas não significou absolutamente nada!

— Tudo bem então! Okay, senhor machão! — A loira levou as mãos à cabeça. — Eu tenho que falar sobre a Rose.

— O que tem a Rose?

— Tudo tem a Rose! Ela é minha inimiga mortal! É óbvio que poderia ter armado isso para mim.

— Que eu saiba, Rose está pouco se importando com o que está acontecendo comigo.

— Ela tem uma alma do demônio, seu idiota! Ela encomendou o sucesso e vendeu a alma dela...

Scorpius franziu o cenho.

— O que quer dizer sua maluca?

Dominique deu uma risada.

— Pelo jeito a santa e desinteressada Rosalie não te contou ainda o passado dela. O que será que virá depois? Uma transa casual e aí sim ela vai te contar o que fez?

— Desembucha! — Scorpius a incentivou com impaciência.

— Okay! — Dominique sorriu, entrelaçando as mãos em frente ao rosto. — Rose ferrou com a minha vida. Eu gostava de um garoto na escola, e ela roubou ele de mim. E agora age como se eu fosse uma vilã de novela das nove apenas porque consegui ele de volta.

Scorpius continuou fitando-a com indiferença.

— E o que isso tem a ver com sua prisão? Com você ser RW?

— Já parou para pensar que Rose pode ser a RW? Que ela tem motivos suficientes para ser a RW?

— Quais motivos suficientes?

Dominique bufou.

— Rose traficou drogas junto com Mason, o cara de quem eu gostava. Ela fez tráfico de drogas para dentro da escola! E fez pequenos furtos com ele, achando que conseguiria seu amor. Mas depois ele simplesmente conseguiu o que queria! Fudeu ela e a abandonou! E ela veio para cima de mim. Por isso a Rose começou a beber que nem uma louca. E depois ela arrumou esse emprego furreca na loja de lingeries.

A cadeira foi arrastada bruscamente assim que Scorpius se levantou. Ele mexeu nos cabelos, semicerrando os olhos para Dominique.

— Você é uma vadia burra! Eu não sei o que você fez comigo naquela noite, mas a cada hora fica mais evidente que você é a RW e está disposta a tudo para colocar outra pessoa.

— EU NÃO SOU A RW SEU IDIOTA! A ROSE JÁ TE DROGOU ENTÃO? — Dominique bateu as mãos na mesa, se levantando.

Scorpius sorriu cinicamente.

— O que diz das digitais nas armas? E nas maçanetas das portas lá em casa? E das imagens da câmera de segurança?

— ROSE É BOA NO QUE FAZ! Ela é inteligente! Por Deus! Scorpius!

No entanto, ele já havia saído da sala sem olhar para trás.

(...)

Incriminar Dominique fora uma futilidade casual. Fora uma questão de vingança, de colocar no fogo a pessoa que brutalmente colocara em jogo seu futuro, e seu emocional.

Colocar Dominique no inferno era o mínimo para deixar Rose em paz. E ela havia pressentido a calma que viria depois de colocar cada digital nas maçanetas, e realizar a montagem das imagens das câmeras de segurança.

No entanto, a verdadeira RW teria de retornar. Rose não deixaria de fazer o que mais gostava apenas por um capricho de vingança.

Caminhando duramente pelos corredores da Rádio Marine, Rose e Alice alcançaram a sala trancada onde estavam os equipamentos para realizar o programa.

— O que você pensa que está fazendo?

Lilá Brown havia aparecido repentinamente atrás de Rose, que acabava de abrir a porta.

— Estou pronta para fazer o meu programa.

— Não, não está. Venha até a minha sala. Alice fique onde está!

A morena permaneceu estacionada diante da porta da sala, os olhos arregalados em direção a chefe. Rose bufou ao seguir a loira até a sala principal, onde ela fechou a porta e passou a chave.

— Rosalie Granger Weasley — Lilá proferiu lentamente, caminhando em direção à sua mesa. — Você tem um futuro brilhante pela frente. Quando encontrei você, estava em um bar enchendo a cara, quase sendo pega pela polícia pelos erros do seu ex-namorado cafajeste. Sua mãe e seu pai viviam felizes. Tinham um filho caçula mimado, e eles jamais poderiam saber o que você estava fazendo. EU ESTOU TE DANDO UMA CHANCE, SUA BURRA! — Repentinamente gritou, e Rose cerrou os punhos. — EU ESTOU TE DANDO UMA CHANCE DE SER BEM-SUCEDIDA! AGORA, SE VOCÊ VAI SE IMPORTAR COM O MÍSERO DETALHE DE EU SER A VADIA DO SEU PAI... OKAY! — Lilá ergueu as mãos para o alto. — Largue todo o seu futuro em Nova York! Largue sua carreira! Venda drogas na porta das escolas para adolescentes sem futuro. Mas você Rose, você tem futuro! Acorda! O mundo não é perfeito! Existem decepções! Existem tombos. Seja forte! Caramba Rose, estive construindo o seu futuro! Seu pai financiou tudo isso! Financiou você sem saber. Não era isso que você queria? Atenção?

Rose cruzou os braços, soprando uma mecha de cabelo do seu rosto. Lilá suspirou, buscando paciência.

— Rose, eu entendo que esteja com raiva. Mas você sabe tanto quanto eu que sua família já está decaindo a muito tempo. Está naufragando. Antes mesmo de eu aparecer estava. Então, vamos continuar com o plano de Nova York em mente e...

— Me deixa fazer o programa. E não vou ligar mais se você está dando para o meu pai todos os dias e extorquindo ele. Só deixa eu fazer a porra do meu programa.

Lilá continuou fitando a ruiva.

— Isso vai trazer a antiga Rose de volta?

— Sem sombra de dúvidas!

— Então tudo bem. Vai lá. Vamos alterar os planos. Sabe que Dominique vai ser solta depois disso? E que talvez venham caçar nós?

— Estamos acostumadas com riscos, não é? O típico machismo — ironizou a ruiva, sorrindo maleficamente. — Um dia vou acabar com você, Lilá.

— Somos duas vadias burras, Rose. Duas vadias que erraram na vida, e que continuam subindo os degraus para o sucesso a cada dia. Não viveríamos uma sem a outra. Então por que acabar comigo?

Rose escancarou a porta e saiu para o corredor. Encontrou Alice dentro da sala do programa, e quase deu pulinhos ao ver os equipamentos esperando por ela.

Ligou o notebook sem dizer nada a sua amiga, e logo estava no ar mais uma vez.

Amadinhos tolos e amadinhas traídas! Está no ar mais um OS HOMENS MERECEM MORRER! YEAH!

Homenageando a querida Dominique Weasley, que aceitou de bom grado o álibi perfeito para se passar por mim, vamos iniciar o programa depois de um longo período de férias, falando de vadias burras.

Eu sou uma vadia burra. Você é uma vadia burra! Nós somos vadias burras! E os homens? Ah, eles são os santos! São os construtores da paz! São os dominadores de toda a razão emocional, espiritual e física!

A questão é: porque temos de aceitar isso mesmo?

Resposta: PORQUE SOMOS VADIAS BURRAS!

Querida, desperte para a vida! Já notou como o mundo é machista? Como sofremos em dias de calor? Em gravidez? No dia-a-dia? No transporte público?

O MUNDO É TOSCAMENTE MACHISTA!

Para começar, os homens não aceitam que andemos de short ou saia nesses dias infernais. Nãããão! Mas eles tem o direito de andar sem camisa e de bermuda, e até de cueca pela rua! Por que? PORQUE ELES SÃO HOMENS! Os gloriosos senhores da razão!

Palavras gentis para vocês, seus machistas de merda: CONTROLEM SEUS PINTOS, OU VAMOS ARRANCÁ-LOS DE VOCÊS!

Querem ter o direito de abusar de nós nos transportes públicos? Então vamos dar o direito de enfiar uma espingarda no rabo de vocês e apertar o gatilho!

Querem ter o direito de comandar nosso período sexual? Então vamos colocar vibradores na bunda e na boca de vocês!

Querem ter o direito de mandar nós abortarmos nossos filhos? Então vamos rasgar a barriga de vocês!

Querem ter o direito de nos fazer de escravas? Então vamos envenenar vocês!

Está mais do que na hora de nós mulheres nos revoltarmos ao machismo! Neste outubro rosa, seja mais do que um rostinho bonito: seja uma vadia burra, com uma faca na mão e um sorriso no rosto.

Nós temos o poder! Está na hora de saber usá-lo.

Fica a dica! Não somos nós que dependemos dos homens: são eles que dependem de nós!

Alice começou a bater palmas, animada.

— AMIGA! Você tá colocando lenha na fogueira! Eu A-DO-RE-I! Quero só ver o que as mulheres vão aprontar agora! Manifestações! Impeachment! Estou até vendo “RW PROMOVE A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL”!

— Acorda Alice — Rose não pode deixar de rir. — Estamos no Brasil. Aqui não tem guerras. O máximo que posso promover é pneus queimados nas ruas e mulheres rasgando as blusas e colocando mensagens nos braços.

— Não é ruim. Principalmente a parte dos homens controlarem os pintos deles! Talvez eles até fiquem com medo de mandarem a esposa fazer sexo oral... — A morena fez uma careta.

Rose abriu a boca para falar, mas Marlene McKinnon (ou a simpática e neutra Agente Heart) entrou na sala.

— Temos mais uma missão para daqui duas semanas. Estejam livres. Vai ser em um sábado. — Ela demorou os olhos em Alice, e em seguida fitou Rose, saindo da sala em seguida.

— Legal! Sábado! O que não fazemos por seis mil reais?

— Cinco.

— Posso sonhar por favor? Ah obrigada — Alice observou as unhas antes de fitar Rose. — E o Scorpius?

— O que tem o Scorpius?

— Ah, o que tem o Scorpius? Você tem um bofe dentro de casa e não quer que eu pergunte?

— Ele está bem.

— Ah... É que você se passou por namorada dele... Pensei que tivesse oficializado...

— Sua tonta! Até parece que eu me rebaixaria para ficar com aquele Zé ninguém. — desdenhou Rose, cruzando as pernas.

Alice a fitou com incredulidade.

— Ah Rose, você é tão gentil quando quer esconder as coisas.

— O que quer dizer?

— Acha que não sei que você saiu com o Scorpius ontem para beber? Não fala! — A morena calou a amiga com um gesto de silêncio. — Eu simplesmente achei fofo! Ele viu a Lilá e o seu pai?

— Claro que viu. Ele estava comigo.

— Hum...

— Não faça esse “hum”! Não tem nada entre nós.

— Ah claro que não! Eu saio para beber todos os dias com um loiro de olhos azuis, dou uma carona para ele e depois fico de porre porque vi meu pai traindo minha mãe com a minha chefe! Vocês se pegaram?

— ALICE!

— Estou fazendo uma questão acadêmica!

— Não, não nos pegamos! E nem vamos nos pegar! Dou muito valor ao meu emprego.

— Que emprego? Com uma chefe que tá sendo amante do seu pai? Há essa altura eu já estaria reivindicando meus direitos de soltar meu cinto de castidade...

— Sua sinceridade me comove.

— Estou falando apenas o que penso.

Rose encarou a amiga com certa desconfiança.

— Você não está se apegando demais ao Alvo não é?

— Eu? Me apegando? Que nada! — hesitou Alice, rindo nervosamente. Rose semicerrou os olhos. — To quase colocando na Olx.

— Alice, estou falando sério! Não faça nada que comprometa seu emprego. Eu ainda posso contornar muitas coisas, mas você está por um fio...

— Como assim “por um fio”? — perguntou Alice, curiosa.

Um instante de silêncio, e Rose bufou, amaldiçoando-se por ter entrado no assunto.

— A Lilá não pretende levar você para Nova York! Ela disse que os patrocinadores de lá não estão interessados em você, e sim na RW... Eu realmente sinto muito e...

— Ah, eu já sabia disso.

Rose parou de falar por um segundo. Encarou Alice, que mantinha os olhos voltados para as unhas.

— COMO ASSIM VOCÊ JÁ SABIA DISSO, CRIATURA?

— AHHHH, FOI MAL! EU NÃO CONTEI! DESCULPA! SORRY! THE BOOK AND TABLE! DESCULPA! — desesperou-se Alice, levantando-se da cadeira.

— O livro em cima da mesa? — Rose franziu o cenho. — O que o livro tem a ver com...

— ABAFA O CASO! ABAFA!

— Okay.

— Okay — Alice imitou a ruiva, sentando-se novamente. — A questão é, que eu tinha ouvido uma fofoquinha básica ali na salinha da chefe dela com a Agente super fodástica Heart, sobre o que fariam comigo! Então elas tavam meio que jogando pôquer para decidir, e no fim vou ficar aqui, na minha terrinha, na humildade, sem ostentação.

— E você não se incomoda com isso?

— Na verdade não. Tá certo que eu queria estar em Nova York, junto com o Obama e cantando o hino americano para um jogo de futebol americano... Vendo aqueles lindos suados se lançarem uns contra os outros por aquela bola... — Alice já estava mergulhada em seu próprio sonho. — E eu lá! Comendo pipoca e hot dog do chique, com uns óculos da Gucci... Mas lá é sempre frio e eu tenho medo de avião, então não vale a pena. E lá tem terremoto também... Não que eu esteja desejando que seu avião caia ou que tenha um terremoto enquanto você estiver lá...

— Engraçadinha!

— Mas você está mesmo a fim de deixar seus amigos e sua família aqui, para ir a Nova York com a mulher que ferrou com tudo? — perguntou Alice, fazendo uma cara que se igualava a do Gato de Botas.

Rose manteve o olhar firme.

— Sim.

— E vai deixar sua amiga retardada e burra aqui?

— Vou.

— E vai deixar o bofe loiro para sua amiga retardada e burra aqui?

— Alice...

— HÁ! VOCÊ TEM CIÚME!

— VAI SE FUDER, ALICE!

(...)

Por volta das cinco da tarde, Scorpius se encontrava em seu quarto, vendo e revendo a fita das câmeras de segurança do DreamsHotel, com o bilhete anônimo deixado junto: A VERDADEIRA RW DIANTE DE TODOS.

No final das contas, Dominique nunca fora RW. Scorpius estivera errado, e o programa “Os Homens Merecem Morrer” voltara com mais força à cada instante.

Ouviu a porta da frente bater e saiu do quarto agilmente, sem antes guardar a fita e o bilhete anônimo.

Rose estava prestes a entrar em seu quarto quando Scorpius a impediu.

— Você era traficante de drogas?

— Por quê? Quer umas? — ironizou a ruiva, sorrindo sarcasticamente. — Sabia que iria precisar. A falta de mulheres está fazendo falta para seu amiguinho...

— Estou falando sério.

— Dominique andou lhe contando histórias fantasiosas?

— Sim ou não?

Rose destrancou a porta do quarto, e respondeu naturalmente:

— Sim.

— E porque não me contou?

— Ah, só porque compartilhamos algumas bebidas juntos acha que tenho o direito de contar toda a minha vida à você? — Ela deu uma risada, entrando no quarto.

Scorpius ainda estava confuso ao questionar mais uma vez:

— E quem é Mason?

Um instante de silêncio, enquanto Rose abria seu guarda-roupa. Ela estava hesitante, mas mesmo assim respondeu.

— Um antigo filho da puta, que desgraçou a minha vida.

— E foi por causa dele que você começou a beber?

— Foi.

— Você usava drogas também?

Rose deu uma risada.

— Acho que Dominique esqueceu de contar a parcela dela nessa história antiga — A ruiva fitou Scorpius por um segundo, e riu mais uma vez. — É, ela não te contou. Ela era a principal compradora das drogas. Tínhamos dezesseis anos. Mason era o tipo de cara perfeito e eu, a típica garota estudiosa e angelical que queria fugir dos padrões. Então nós dois passamos a vender drogas porque não existia nenhum “Jovem Aprendiz” no nosso tempo. Eu só vendia!

— Você está brincando...

— Vai dizer que nunca fez nenhuma loucura adolescente? — devolveu Rose, continuando a pegar alguns pertences do guarda-roupa. — Eu amava o Mason. Mas ele me deixou. Dominique tinha armado para nós dois. Para mim! E então ele foi embora depois da minha primeira vez dolorosa. Me abandonou em um hotel sem as minhas roupas, sem dinheiro, sem nada. Foi a pior humilhação da minha vida.

— Que canalha!

— É... E a Dominique riu da minha cara, porque no fim ela era a amante dele o tempo todo. Ela fez a mesma coisa com a Melissa.

— O quê? A Melissa?

— Sim. A Dominique arranjou o Leonard para tirar a virgindade da Mel, achando que estava fazendo um favor. Mas na verdade estava fazendo o mesmo que fez comigo.

Scorpius continuou encarando Rose, finalmente notando o que ela estava fazendo.

— Está indo para onde?

— Não te interessa — Ela cantarolou, fechando a bolsa.

— Estou falando sério.

— Ah seu chato! Estou indo para a casa da Alice! Vou passar uma semana lá. Ia ficar só dois dias, mas... Enfim. — Rose passou por ele, meneando a cabeça negativamente.

— E se sua mãe perguntar?

— Diga que estou na casa da Alice.

— E o que eu digo para o Hugo?

— Primeiro você diz que estou matando o Kratos. Ai ele vai te dar atenção. Então você diz que estou na casa da Alice. Ai ele vai te ignorar de novo e balançar a cabeça como se entendesse. Simples.

— Você não presta.

— Ninguém presta.

Rose alcançou sua picape instantes depois. Scorpius continuava encarando-a da soleira da porta, como se quisesse algo. A ruiva bufou.

— O que foi, imitação de Lady Gaga?

— Estive pensando... Se você fosse a RW... Eu saberia?

— Provavelmente não.

— Você é?

— Não. Eu não tenho tempo. Estou fazendo um cursinho online. E estou trabalhando muito na loja. Não teria tempo para falar mal dos homens — mentiu ela.

Scorpius meneou a cabeça positivamente.

— Okay.

— Tchau — Rose começou a tirar a picape da vaga, mas repentinamente o loiro foi para o lado da picape e entrou nela.

— Vou com você.

— Por quê?

— Porque sim. Vai logo.

Ela deu de ombros, fingindo não se importar.

(...)

Quando chegaram à sutil casa dos Longbottom, esta se encontrava vazia. Havia um bilhete na geladeira deixado pela Alice de “Volto logo. Estou na loja” e uma carinha feliz do lado.

Scorpius levou a mochila de Rose para dentro da casa e a deixou no sofá. A ruiva agradeceu com um breve menear de cabeça.

— Já pode ir embora — cantarolou ela, acenando com a mão.

— Não. Vou ficar.

— O quê? Vai aonde eu for agora?

— Não tenho nada para fazer em casa. Posso esperar a Alice chegar...

Eles permaneceram dois segundos em silêncio, até Rose se dirigir à porta.

— Aonde você vai?

— Atrás da Alice. Não vou ficar com você até ela chegar.

— Por que não? Você já bebeu comigo!

— Aqui não tem uísque, nem vodca, nem coca-cola! Então é bem provável que eu vá me estressar. — Rose ligou o potente motor da picape novamente e saiu da vaga dos Longbottom, manobrando o carro. Scorpius bufou no banco do carona.

— Não consigo entender você.

— Deveria. Mulheres merecem ser compreendidas — Rose virou uma rua, e continuou acelerando. — Homens merecem ser respeitados.

— É o que acha?

— Sim. Homens sempre estão certos...

— Para de zoeira. Você ouve a RW que eu sei.

Rose deu uma risada, virando outra rua.

— É. Eu ouço sim. E muito.

— Sabe, deveria ter um programa defendendo os homens. Tipo “As Mulheres Merecem Morrer”.

— Deveria?

— Deveria.

— Se você diz...

Em meia-hora já haviam estacionado em frente à loja de lingeries, logo ao lado estando o Departamento de Polícia, há alguns metros. Rose estranhou as luzes estarem apagadas.

— Será que a Alice já foi? — murmurou para si mesma, verificando se as portas estavam trancadas. E estas estavam abertas.

A ruiva adentrou a loja silenciosamente com Scorpius atrás. Ruídos eram ouvidos no estoque, que tinha as luzes também apagadas.

Ela pegou o taco de beisebol que sempre ficava atrás do balcão, e se dirigiu até a porta do estoque. No meio do procedimento cauteloso, Scorpius roubou o taco de beisebol da mão de Rose.

— O que você está fazendo? — a ruiva cochichou, e o loiro a repreendeu com o olhar. — Não me olhe assim! Não! Só porque sou uma mulher não posso usar o taco de beisebol?

— É porque você é ruiva.

— O que eu ser ruiva tem a ver com...

— Ahhhhh...

Os dois pararam de cochichar quando o ruído mais profundo foi ouvido.

— É uma vaca mugindo? — Scorpius murmurou, com o cenho franzido.

— Vacas não fazem “ahhhh”...

— Uhhhhhhh...

— Agora foi uma vaca — Rose deu de ombros.

Scorpius parou em frente a porta, e a ruiva ficou aguardando que ele a abrisse. Então o loiro simplesmente permaneceu parado.

— Você já pensou na possibilidade de estarmos interrompendo alguma coisa?

— Nããã. Nesse estoque não tem como acontecer nada... — Rose simplesmente descartou a ideia. — Podem ser só ratos... Matando a Alice...

O loiro deu de ombros e abriu a porta. Rose acendeu a luz, e seu queixo caiu.

Roupas no chão... Dois pelados... Alice no meio... Alvo também...

— ALICE LONGBOTTOM!

— AI JESUS! — Alice gritou, se escondendo atrás do Potter, que tentava a todo custo se cobrir.

Notas finais
Ainda vai dar muita merda! Mas aposto que a Alice surpreendeu muita gente, não? E a Rose então? Estava vendo a hora que vocês passariam a odiá-la, só que to vendo que ela já conquistou vocês kkkkkkk. No próximo capítulo teremos uma treta básica (só que não tão básica u.u) Até o próximo! Beijokas ;)