Os Homens Merecem Morrer

27 BatGalpão, alta e o plano diabólico


Notas iniciais
Boa noite!!! Tudo bem com vocês? Quero agradecer imensamente a Herman Chapelão pelo review maravilhoso! Obrigada mesmo :3 Leitores tão participativos que acreditam na história é muito gratificante! E os outros 70 gente? Tenho tantas dúvidas com a história, com o enredo, com a temática feminista se agrada vocês ou não, então gostaria que falassem o que estão achando... Novamente, obrigada pelo carinho. Aqueles que sempre me acompanham desde outras fics, fico imensamente grata :) Boa Leitura!

CAPÍTULO VINTE E SEIS

BatGalpão, alta e o plano diabólico

♠ ♠ ♠

— Ah, preciso fazer xixi! — Alice reclamou assim que pegavam a estrada. Já era mais de quatro horas da tarde, e não havia sinal da polícia perto delas. Tinham conseguido despistar temporariamente, e o episódio com Scorpius foi facilmente esquecido quando os problemas femininos vieram à tona.

Como banheiro por exemplo.

— Não pense em água, minha filha — disse Rose de maneira drástica, olhando pelo retrovisor antes de mudar de faixa. O vento batia contra seu rosto, e era uma sensação maravilhosa estar longe da cidade por um tempo.

— Estou com sede também — bufou Alice, cruzando os braços. — Vai demorar muito?

— Talvez uma hora. Ou duas. Temos que passar do pedágio.

— Mas e se reconhecerem a gente? Deve ter polícia por lá!

— Relaxa. Tenho meus meios.

Alice resolveu não contestar, encostando a cabeça contra a janela e cruzando as pernas. Lembrou-se de Alvo. O que ele deveria estar pensando dela naquele momento? Não que importasse muito, claro. Ou talvez importasse? Ela gostava dele, e sabia que certamente ele imaginaria coisas como Alice tê-lo usado para distração ou algo do gênero.

Embora homens não pensassem demais e fossem constantemente lerdos em alguns aspectos, Alice temia que Alvo tivesse deixado de gostar dela também.

— Está pensando no Alvo?

Alice deu um pulo.

— Virou o quê? Vidente agora? Já não chega ter atropelado seu bofe? — exasperou-se, culpada e ao mesmo tempo em tom acusatório.

Rose deu uma risada, como se tudo fosse incrivelmente divertido (e deveria ser para ela).

— Estou só perguntando. Relaxa.

— Nhé. Estava pensando nele sim — Alice mordeu o lábio inferior, desviando o olhar da amiga.

A ruiva a fitou momentaneamente, antes de voltar à atenção para a estrada.

— Você fez uma escolha Alice. Sabe... Certas coisas vêm para o bem. Talvez vocês dois precisassem de um teste.

— Que tipo de teste?

— Não sei. Alvo é infantil ainda. Aliás, noventa por cento dos homens são. Os outros dez já estão na fase da “pipa do vovô não sobe mais”. Então, os homens realmente são infantis.

Alice mexeu em uma ponta dupla do cabelo, ponderando seriamente a questão por uma fração de segundos.

— Espero que sim... — fez uma pausa momentânea, fitando a amiga. — Você gosta do Scorpius?

— Defina gostar. Existem muitas definições no dicionário — Rose disse calmamente, buzinando audivelmente para um bêbado que patinava na estrada com sua Captiva.

— Sabe... Gostar! Sei lá! Se sentir bem na presença dele. Não é possível que depois de se agarrar com ele no banheiro você o odeie...

— Bom, eu posso não odiar a boca dele. — Rose deu de ombros, não se prendendo à questão.

— Rose!

— Okay — A ruiva deu uma risada, respirando fundo. — Talvez eu goste dele. Mas não pretendo levar adiante.

— Foi por isso que atropelou ele?

— Exato. Bom... Também foi para ganhar tempo. Ele no hospital é um oponente a menos — cantarolou Rose, continuando a acelerar.

— Você é doida. E se você o matasse?

— Eu jogaria uma rosa no túmulo dele.

— Estou falando sério! Você teve sorte! A essa altura ele só pode estar no hospital por que... Bom... Foi só de raspão. Mas e se você o matasse? — esganiçou Alice, tentando fazer a amiga focar na questão.

Mas Rose não fez qualquer esforço para responder.

(...)

Scorpius se sentia inquieto no início daquela noite. Sua mente não parava de vagar para Rose e todas as farsas que ela desenvolvera.

Seu trunfo seria prendê-la, obviamente, mas ele sentia como se perdesse alguma parte ao fazer isso. Rose sempre foi misteriosa e fechada, sem dar muitos detalhes de nada a ninguém. Embora parecesse espontânea e desinibida, era provável que havia algo nela ainda mais profundo que a impedia de ser uma mulher comum (além do idiota do Mason).

— Boa noite flor do dia! — Alvo adentrou o quarto saltitante e radiante. Sua alegria naquele momento entrava em um contraste maligno com o mal humor de Scorpius.

— Não me venha com esse sorriso na cara!

— Ihhhhh! Andou comendo jabuticaba azeda foi? — o moreno sentou-se na poltrona ao lado da cama do loiro. — Ser atropelado pela Rose deu uma virada no seu cérebro por acaso?

— Não estou entendendo seu bom humor. Só isso.

— Estou apenas tentando não ficar deprimido sem a Alice. As duas me surpreenderam por sinal, mas elas vão conseguir escapar.

— E isso lá é bom seu jegue? Podemos perder nosso emprego se isso acontecer!

— Ah vai! Elas são mulheres! Tem todos os atributos físicos e mentais para caírem fora rapidinho. Minha prima é esperta e Alice é incrível! Elas vão conseguir — afirmou Alvo com convicção. Scorpius fitava o amigo com incredulidade.

— Cara. Você ouviu o que está dizendo? Alvo abriu um largo sorriso.

— É o amor meu amigo. Estou torcendo para Alice para que possamos cantarolar pelo bosque um dia com nossos quarenta e três filhos!

Scorpius bufou, começando a tirar os fios em seus braços que o conectavam ao soro ao lado de sua cama. Alvo franziu o cenho.

— O que você tá fazendo?

— Vou cair fora daqui. Estou cansado desse hospital. — resmungou Scorpius, furioso.

— Ah se eu fosse você não faria isso não — o moreno meneava a cabeça negativamente, com os braços cruzados em seu peito. — Sua mãe tá montando guarda ai fora com seu pai. Você cruza aquela porta vai ser tipo a Maria Madalena só que sem Jesus para te salvar do apedrejamento.

— Cala essa boca então e me ajuda a sair. Distrai eles — mandou Scorpius, e Alvo fechou a cara.

— Eu lá sou seu empregado?

— É! Sua prima deve estar no litoral a essa altura — disse Scorpius, irritado. — Sua família é maluca!

— Ei! Não venha culpar minha família! Tecnicamente sou um Potter! A culpa é dos Weasley.

O loiro pegou suas roupas que estavam em uma sacola no canto do quarto, possivelmente para quando recebesse alta. Vestiu-as agilmente, e sentiu uma dor na lateral do corpo pela agitação momentânea. Respirou fundo. Alvo pareceu notar.

— Viu? Você não está bem, cara — Ele deu apoio ao loiro, segurando o riso. — Rose acabou com você...

Scorpius se livrou da ajuda do amigo com certa irritação, fechando a cara de imediato. Colocou os sapatos e ajeitou a jaqueta.

— Distraia meus pais enquanto saio. Dá a chave do seu carro — o loiro ordenou, estendendo a mão. Alvo bufou, entregando-as ao amigo diante do olhar firme dele.

— É bom cuidar bem dele. Não é só a Rose que é possessiva com a picape dela... — alertou antes de sair do quarto. Scorpius pode ouvir Alvo falar em alto e bom som:

— Vocês parecem com fome! Estão tão pálidos! Aposto que Scorpius vai preferir que os pais dele comam alguma coisa ao invés de ficarem de guarda na porta do quarto dele...

O loiro ouviu alguns protestos dos pais, mas Alvo pareceu ser convincente o bastante e arrastou os Malfoy para o refeitório do hospital. Assim que os passos se distanciaram, Scorpius saiu do quarto e olhando para os dois lados do corredor, fechou a porta cuidadosamente.

(...)

Rose estacionou entre as folhagens altas que cobriam o campo aos arredores do galpão. O céu escurecia e a sensação de abandono ali era fantástica e ao mesmo tempo assustadora.

Alice encarou a ruiva com um olhar amedrontado.

— Espero que não tenha nenhum lobisomem vampiro zumbi por aqui. Esse lugar é horrível — a morena passou as mãos pelos braços como se estivesse com frio. Rose deu uma risada antes de pegar a lanterna no porta-luvas e uma blusa no banco de trás.

— Vamos. Vista isso. Talvez te proteja das mordidas — brincou a ruiva lançando o casaco para Alice, que fez uma careta de pavor diante das palavras da amiga, mas nada disse para contesta-la.

Ambas deixaram a picape e o som de trituração se fez presente enquanto elas atravessavam o barro e a grama em direção ao galpão.

Duas sombras distintas estavam presentes ali e Rose reconheceu como Lilá e Marlene.

— Demoraram — a Agente Heart comentou com um sorrisinho de deboche.

— Peguei um caminho mais longo para evitar a polícia. Todas estão ai? — a ruiva questionou reconhecendo alguns carros mais atrás do galpão, ocultos pela folhagem.

— Duas já pegaram a estrada para o Rio. As outras estão aqui com umas colegas nossas. Vamos mudar a placa e umas coisas do motor e no estilo do carro — explicou Lilá abrindo as portas de madeira do galpão, adentrando-o em seguida. Rose e Alice a seguiram.

As funcionárias da Rádio Marine estavam lá, tagarelando como sempre enquanto duas garotas cheias de tatuagens e cabelos coloridos mexiam em um dos carros.

— Kristen e Tina — apresentou a Agente Heart, voltando o olhar para Rose e Alice. — Fazem roubos e de armas e tráficos de armas.

Alice soltou um gritinho que atraiu a atenção das outras.

— E aí gente? Tudo em riba? — Ela acenou com um sorrisinho tímido na face. Logo que as garotas voltaram a tagarelar, a Longbottom se voltou para Lilá e Marlene. — Vocês andaram batendo a cabeça na calçada? Fumaram um baseado? Elas são bandidas!

— E acha que somos o quê agora? Santas domáveis? — Rose contrapôs, revirando os olhos. — Já estamos fudidas. Fuder mais um pouco com a nossa vida não vai mudar em nada.

— Precisamos de dinheiro — afirmou Lilá, satisfeita. — Vamos roubar alguns granfinos ridículos e traidores até rearrumarmos uma pequena fortuna. O dinheiro que temos ainda é pouco para investidores e todo o resto. Precisamos de mais.

— Vai dar merda! Vai dar muita merda! — cantarolou Alice, distanciando-se ainda atordoada. — Minha santa Rihanna! Vai dar muita merda!

Notas finais
Espero que tenham gostado, não esqueçam de favoritar e se possível comentar e recomendar para outras pessoas :) Amanhã quem sabe solto mais um capítulo para vocês. Até! Beijokas!